Nebulosa
38 Capítulo 38 – De volta à realidade – 2ª parte.
Notas iniciais
PDV Edward Cullen.
Olhei amargo para a dose de uísque em meu copo. Fazia tempo que eu não bebia assim, mas hoje não poderia ser diferente. Acordei cedo como sempre e sorri ao perceber o corpo macio aninhado ao meu. Bella ainda estava profundamente adormecida. O dia de ontem havia sido meio mágico. Eu não teria uma palavra melhor que essa para descrevê-lo. Tínhamos feito amor duas vezes e combinamos de viver o presente, um dia de cada vez. Eu custava a acreditar que aquilo estivesse acontecendo comigo. Era muito mais do que eu me permiti sonhar depois de tudo que passei.
O destino havia me dado uma segunda chance e eu seria eternamente grato, mas como diz o ditado popular... Tudo o que é bom, dura pouco...
Acordei bem cedo, tomei um banho rápido, me vesti sem fazer barulho para não acordá-la. Eu pretendia fazer o café da manhã e trazê-lo na cama. Dei um beijo carinhoso em seus cabelos e saí. Imediatamente ouvi batidas na porta da frente e me encaminhei até lá. Franzi a testa. Quem estaria ali tão cedo? Jared não viria hoje e ainda não eram nem sete horas da manhã...
Curioso, abri a porta. Uma mulher de meia idade e completamente desconhecida me encarava com olhos azuis duros e frios.
— Você é Edward Cullen?
Ela perguntou com uma voz polida.
— Sim, senhora.
Observei a figura na minha frente com uma maior atenção. Tinha a pele muito pálida, os cabelos castanhos arruivados e era excessivamente magra. As roupas caras e elegantes que vestia não disfarçavam a saliência de seus ossos. Apesar de ser bem menor do que eu, ela fez questão de empinar o nariz como um membro da nobreza, da realeza. Uma rainha talvez.
— Sou Renée, a mãe de Isabella.
Um choque tomou conta do meu ser. Como ela tinha conseguido chegar a Masen? Minha surpresa deve ter sido evidente, porque ela me deu um sorriso sarcástico e entrou em minha casa sem ser convidada.
— A resposta para a sua pergunta muda senhor Cullen é um bom detetive particular. Agora eu exijo saber onde está a minha filha?!
Eu só a conhecia há apenas dois minutos e já a detestava. Que mulherzinha mais petulante e insuportável!
— Dormindo. A senhora por acaso sabe que horas são?
Perguntei irônico.
— Poupe-me das suas ironias. Vou acordá-la e vamos nós duas embora deste fim de mundo.
Aquilo eu não iria permitir. Me coloquei na sua frente, impedindo sua passagem.
— Deixe Isabella dormir!
Respondi com aspereza.
— Ela perdeu a memória no acidente e não tem idéia se os seus pais estão vivos ou mortos! Ela nem ao menos sabe quem que é!
— Oh!
Ela me olhava com os olhos esbugalhados e com certeza havia perdido a voz.
— E caso possa lhe interessar, este fim de mundo tem nome: Tucson. E já temos banheiros no lugar de fossas.
O silêncio que se seguiu foi pesado e constrangedor.
— Não precisa ser grosseiro senhor Cullen.
Ela me olhava receosa.
— Isso, a senhora é quem decide. Não foi educado de sua parte invadir a minha casa sem ao menos ser convidada.
— Peço desculpas, mas estou sem notícias da minha filha há mais de um mês. O que senhor esperava que eu fizesse?! Acabo de chegar da Europa e vim diretamente para cá! Estou cansada, frustrada, irritada e muito preocupada com Isabella.
Contei mentalmente até vinte, pois até dez não seria suficiente.
— Bella foi muito bem acolhida pela minha família, senhora.
Falei com frieza. Ela sorriu irônica.
— E pela sua cama, imagino.
Apertei meus punhos com força.
— Isso a senhora terá de perguntar a ela.
— Suponho que espera que eu lhe agradeça por tudo o que fez por ela?
Irritante, orgulhosa, prepotente, metida, autoritária... Respirei fundo tentando me acalmar.
— A senhora não me deve nada. Fiz por Bella e só por ela. E tenha certeza de que eu faria tudo outra vez.
— Mesmo assim irei recompensá-lo.
Disse isso e em seguida abriu a bolsa, retirando um talão de cheques do seu interior. Meus olhos se arregalaram e o meu sangue ferveu. Quem ela pensava que era?!
— EU NÃO PRECISO DO SEU DINHEIRO!
Esbravejei. Ela ergueu a cabeça com ceticismo.
— Prefere que o noivo dela lhe pague?
Aquelas palavras foram como um soco no meu estômago. Noivo... Noivo... A palavra latejava na minha mente... Bella tinha um noivo. Um noivo!
Engoli em seco e senti que o sangue fugia do meu rosto. Como eu temia, havia alguém em sua vida. Ela não era livre. Ela pertencia a outro. Senti meu coração despedaçar. A dor era lancinante, feroz, insuportável. Eu não poderia ficar aqui. Senti a bile subir pelo esôfago e seu gosto ácido e amargo queimar na minha boca. Era insuportável a idéia de que ela agora seria tocada por outro homem. Busquei forças no inferno e escondi minhas emoções debaixo da costumeira frieza, voltando-me para a mãe dela.
— Ela não se lembra de absolutamente nada.
Foi tudo o que eu consegui dizer.
— Bom, pois eu vou ficar aqui e fazê-la lembrar. De tudo!
Acrescentou me fitando intensamente.
— Vá em frente e faça o que quiser. Eu tenho mesmo que sair. Apenas saiba que ela precisa de muito repouso para que sua memória retorne.
O meu tom rude teve o efeito esperado e ela vacilou.
— Obrigada.
Respondeu num tom frio e distante, se acomodando no sofá.
— Garanto ao senhor que assim que Isabella acordar, nós duas iremos embora daqui e não lhe causaremos mais nenhum tipo de problema.
Não respondi. Virei às costas parando para pegar as chaves da caminhonete e saí dali. Eu precisava respirar...
Tornei a olhar para o copo, agora vazio e pedi outra dose. Eu sabia que aquilo não me levaria a nada, mas eu não podia voltar para casa, não agora. Bella... Isabella Swan... Nebulosa... Minha nebulosa...
Aquela mulher linda, pequena, suave, de cabelos castanhos cor de mogno tinha invadido a minha vida e virado o meu mundo de ponta cabeça. Desde que eu a conheci perdi a capacidade de raciocinar com clareza e me deixei levar pelo desejo e pela forte atração que existia entre nós. Mas agora isso iria mudar. Isabella iria embora. Ela tinha uma vida longe dali e iria voltar a vivê-la. Ela recomeçaria. E eu teria de me acostumar sem a presença dela. Sem vínculos. Por mais que o meu coração doesse, aquele era o meu lema.
PDV. Isabella Swan.
Eu andava sem parar de um lado para o outro, angustiada. Meu coração apertado, meu peito doído. Por que meu Deus?! Por quê?! Era a perguntava que não cessava de me atormentar! O dia hoje havia sido longo e exaustivo. A noite de ontem parecia tão distante... Eu desejava com todas as minhas forças que este dia horroroso acabasse logo de uma vez.
Meus pensamentos involuntariamente voltaram para esta manhã. Eu havia recuperado a memória e o peso das descobertas fez o meu estômago revirar. As borboletas saltavam agitadas em meu abdômen. A ansiedade me engolfava. Por um momento eu preferia ter continuado na mais absoluta ignorância. Tentei ligar para Edward por três vezes e não consegui. Ele havia desligado o celular. Deus do céu! Onde ele poderia estar?!
Tomei um banho gelado, vesti o mesmo vestido da noite anterior, que estava sobre uma cadeira e saí do quarto dele, apressada. Eu desceria até os estábulos atrás de Edward. Prendi os cabelos de qualquer jeito num rabo de cavalo e saí do quarto, estacando ao entrar na sala. Sentada confortavelmente no sofá estava à última pessoa que eu esperava encontrar por ali: minha mãe.
— Mãe? O que está fazendo aqui?
Perguntei assustada. Ela sorriu.
— Não está feliz em me ver?
Perguntou, levantando e se aproximando para me dar um abraço.
— Sim, mas não estou entendendo nada.
— Você não tinha perdido a memória? Ou aquele cowboy mal educado mentiu pra mim?
Meus olhos instantaneamente se arregalaram.
— Edward? Você o viu? Onde ele está?
Ela me olhou com deboche.
— Não faço a menor idéia. Quando eu cheguei, ele pegou as chaves do carro e saiu. Mas agora me responda.
Suspirei. Eu conhecia muito bem minha mãe e já imaginava as barbaridades que ela deveria ter dito a ele.
— Eu só recuperei a memória hoje pela manhã e os Cullen me ajudaram muito. Todos eles.
— Tudo bem querida. Acredito em você.
Geralmente ficava estampado em meu rosto quando eu mentia.
— Agora, pegue as suas coisas e vamos embora daqui. O seu pai e o Jake devem estar chegando.
Pronto. Mais uma bomba jogada sobre a minha cabeça.
— Ham? Como? Papai e Jake? Eles vieram com você?
Perguntei desabando no sofá. Eram informações demais para serem processadas de uma só vez pelo meu pobre cérebro.
— Eu vim direto da Europa. Até três dias atrás eu nem sequer sonhava que você havia desaparecido. E o seu pai achando que você tinha fugido, sumido de propósito para não ter que casar com o Jake... Ridículo!
Minha mãe falou com desprezo. Mal sabia ela que aquilo era exatamente o que eu iria fazer: Romper o noivado com o Jake. Respirei fundo e resolvi abrir o jogo. Não adiantava mais tentar esconder...
— Eu não quero ir embora de Tucson.
Falei baixinho. Ela estreitou os olhos.
— O que foi que você disse?
— O que você ouviu.
Um silêncio esmagador pairou entre nós. Renée me fitava com raiva.
— Não é possível que você esteja pensando em ficar aqui, nesse fim de mundo!
Falou exasperada. Rolei os olhos e suspirei.
— Pela última vez, estou pensando em ficar sim.
— E como espera que eu aceite isso? Ou seu pai? E o seu noivo?
Se olhar matasse eu estaria mortinha agora, pois ela me fuzilava com os frios olhos azuis.
— Já sou bem crescidinha mãe. Tenho certeza que o meu pai vai entender. E quanto ao Jacob, não se preocupe... Vou romper o noivado.
Ela bufou. Realmente eu tinha conseguido irritar Dona Renée.
— Não se atreva! Jacob é um bom homem e te ama de verdade! O que mais uma mulher poderia querer?!
— Amar e ser correspondida.
Ela gargalhou. Aquilo doeu mais que uma bofetada.
— Deixe de ser infantil Isabella! Esse cowboy sem educação não está apaixonado por você! Ele não é ninguém! Viveu as misérias da guerra e se enterrou aqui para lamber as feridas! Jacob te ama e pode colocar o mundo aos seus pés.
Meu sangue ferveu ao escutá-la se referir a Edward de forma vulgar e banal.
— Pois se não fosse por Edward eu não estaria viva!
Berrei. Ela se empertigou toda.
— Bem, não há o que discutir, pois eu não pretendo ir embora daqui sem você. Não suporto a idéia de você ficar aqui com aquele tipo... Com aquele homem!
— É o homem que eu amo!
Explodi e ela riu com ironia.
— Não me faça rir. O que você sabe sobre a vida? Tem 24 anos e não passa de uma tola! Se ele gostasse tanto de você, estaria aqui comigo esperando que acordasse e que tudo fosse esclarecido.
Resolvi dar um basta naquela conversa sem futuro.
— Não me interessa o que você acha ou pensa mãe. Eu o amo e vou romper esse compromisso idiota com o Jake. Aliás, se não fosse por você eu nunca teria concordado com esse noivado ridículo! E como pode julgar Edward dessa maneira? Você o conheceu hoje!
— Modere sua linguagem ao falar comigo, pois sou sua mãe. E assim que eu soube que você estava desaparecida, tratei de contatar um dos melhores detetives particulares do país e levantei a ficha do Sr. Cullen. Sei absolutamente tudo sobre ele e sua modesta criação de cavalos de raça.
A raiva voltou a me dominar.
— Com que direito fez isso?!
— Sou sua mãe, tenho todos os direitos! Ele não serve para você. Não quero a minha única filha envolvida com um tipo como ele.
Respirei fundo por várias vezes. A vontade que eu tinha era de mandar Renée embora dali e da minha vida de uma vez por todas.
— Já terminou o sermão?
— Só depois que você concordar em ir embora daqui comigo.
— Pois se prepare para enfrentar o calor de Tucson, pois eu só sairei daqui, no momento que eu quiser e nem um minuto antes.
O impasse estava criado e o clima era bastante tenso, mas a chegada de um carro e o ronco do motor nos interrompeu. Minutos depois a porta da casa era aberta e meu pai, Jacob e um Emmett visivelmente preocupado adentravam no ambiente tenso.
Abraços, beijos, choro e muitas explicações depois, eles concordaram em ir para um hotel, afinal precisavam descansar um pouco e comer alguma coisa antes de regressar a Whashinton. Senti o olhar perspicaz do meu pai sobre mim e engoli em seco. Nós dois éramos muito parecidos... Ele devia estar percebendo que algo não estava certo.
Com argumentos experientes, Emmett os convenceu de que eu deveria fazer alguns exames antes de partir e todos concordaram, agradecendo muito a ele. Mas no fundo eu sabia que aquilo era apenas uma desculpa. Ele precisava de uma oportunidade para ficar a sós comigo.
— Eu não vou deixar você sozinha Bella!
Jacob dizia irredutível enquanto me abraçava. Os outros nos observavam em silêncio.
— Jake, eu não vou ficar sozinha. O Emmett vai comigo e será por pouco tempo, são só alguns exames.
— É apenas precaução. Mas prefiro pecar por excesso e não por falta.
— O senhor estar certo, Dr. Cullen.
Reiterou meu pai. Jake então se aproximou e acariciou o meu rosto. Depois passou de leve o polegar em meus lábios. Engoli em seco. Eu sei o quanto ele devia estar preocupado, mas meu coração gritava que era para Edward estar ali me tocando e não ele.
— Não vou perder você novamente.
Segurei sua mão com as minhas e apertei, evitando assim que ele me beijasse.
— Isso não vai acontecer agora.
Eu tinha que tentar convencê-lo a me deixar ir com o Emmett. Depois nós teríamos uma conversa e eu tentaria explicar tudo. Sei que não seria nada fácil, mas ele merecia saber toda a verdade.
Depois de muita resistência, ele por fim concordou e nós saímos de Masen, deixando meus pais e o Jacob num luxuoso hotel no centro próximo ao hospital. Eu não havia falado nada a meu pai ou ao Jake sobre permanecer em Tucson e tinha quase certeza de que minha mãe não abriria a boca, mas eu estava decidida. Agora só dependia de Edward. Milhões de pensamentos varriam a minha mente. Lógico que eu teria de voltar e resolver as coisas pendentes na loja, mas eu daria um jeito. Nós daríamos um jeito.
Assim que os deixamos no hotel, Emmett perguntou aflito.
— Bella cadê o Ed?
— Não sei Emmett. Já liguei pra ele várias vezes e o celular está desligado. Eu preciso falar com ele, droga!
— Eu sei. Fique calma, nós vamos encontra-lo pode deixar. Ele deve ter pirado com essa confusão toda!
— Minha mãe deve ter dito coisas horríveis a ele...
— Relaxa. Nós damos um jeito. Mas e quanto ao seu... Seu noivo?
Eu não queria falar sobre isso agora, mas como sabia que ele também estava preocupado com a minha situação, emendei:
— Foi um erro Emmett. E eu pretendo corrigir isso o mais depressa possível.
Era impressão minha ou ele parecia estar aliviado? Resolvi mudar de assunto.
— Você vai mesmo me levar até o hospital?
Perguntei esperançosa que não.
— Sim, mas vou chamar Alice e Rose para ficarem com você enquanto eu vou atrás do cabeçudo!
Chegando lá, ele chamou uma enfermeira pediu que me encaminhasse para fazer uma tomografia. Depois do exame, saí da sala e Alice e Rose, já se encontravam à minha espera. Abracei as duas e pela primeira vez naquele dia me permiti chorar. As lágrimas reprimidas desde o momento em que minhas lembranças voltaram caíam copiosamente. Não me importei. Eu me sentia parte daquela família. Elas já estavam cientes de tudo que estava acontecendo e me apoiaram incondicionalmente, mas as palavras de conforto e de consolo não me ajudaram muito. Eu ansiava por ver o homem dos meus sonhos, o dono do meu coração.
E agora eu estava ali desesperada, andando de um lado para o outro naquele infame corredor de hospital esperando que ele aparecesse. Parei por alguns instantes, fechei os olhos e fiz uma prece. Nunca fui muito religiosa, mas acreditava em Deus e esperava que ele me concedesse ao menos a oportunidade de conversar com o Edward.
Ouvi alguns passos se aproximando e ergui minha cabeça, enquanto apertava minhas mãos, nervosa. O meu coração acelerou loucamente. Emmett vinha na frente seguido por um Edward cabisbaixo e sombrio. O médico sorriu para mim e fez um sinal para que o seguíssemos até o final do corredor. Paramos em frente a uma porta na qual jazia pendurada uma placa: Sala de descanso.
— Aqui vocês poderão ficar à vontade e conversar, — ele falou.
Eu entrei e Edward veio logo atrás. Era um pequeno quarto. Emmett do lado de fora, fechou a porta.
— Edward...
Comecei a dizer, mas a frieza em sua expressão fez com que eu me calasse.
— Fico feliz que tenha recuperado sua memória Isabella.
— Sim, eu também, mas...
Ele me interrompeu.
— Você não me deve nada. Espero que não tente me ofender me oferecendo dinheiro, como fez a sua mãe.
Empalideci. Eu havia escutado direito? Minha mãe tinha oferecido dinheiro a ele?!
— O... O que?!
Ele suspirou pesadamente e deu de ombros.
— Sua mãe acha que me deve alguma coisa por eu ter cuidado de você durante esse tempo.
Falou asperamente. Senti que minhas pernas fraquejavam. Minha mãe como sempre passando por cima dos sentimentos das pessoas. Atropelando tudo e todos em benefício próprio. Como ela se atrevia?! Se eu não fosse tão parecida com o meu pai faria um exame de DNA, pois algumas vezes eu duvidava ser filha dela. Respirei profundamente antes de falar.
— Por favor, Edward, ignore. Eu não sei o que ela te disse, mas ignore. Eu não tenho culpa de ser filha dela. Infelizmente nós não escolhemos os nossos pais. Eu...
A cada minuto que passava era mais difícil esconder meus sentimentos. Olhando para ele, bem ali na minha frente, a única vontade que eu tinha era de correr e me atirar em seus braços, onde eu me sentia segura e protegida. Com ele eu poderia enfrentar o mundo. Mas a postura rígida que ele demostrava, e a distância que impunha entre nós diziam claramente que eu não deveria fazer isso, que eu não seria bem recebida, portanto tratei de me controlar. Ele rompeu o silêncio.
— Não temos mais nada para falar. Foi muito bom conhecer você, mas acabou. Volte para à sua vida Bella e eu vou voltar para a minha.
Meu coração estava sendo rasgado ao meio. Cambaleei. A náusea me invadiu e um nó formou-se em minha garganta. Lágrimas de desespero encheram os meus olhos. Ele estava me mandando embora de Tucson? Edward queria que eu saísse de sua vida?
— Não faça isso, Edward...
Ele desviou o olhar.
— Você quer que eu vá embora?
Consegui reunir forças e perguntar num fio de voz.
— Evidente. Você tem uma vida, um negócio para cuidar e... Você também tem um noivo.
Eu tinha que abrir meu coração. Ele precisava saber. Eu o faria enxergar a verdade... Eu iria morrer sem ele.
— Eu te amo Edward. Eu te amo com todas as minhas forças. Não me mande embora da sua vida... Não faça isso, por favor.
Ele retesou os músculos e me dirigiu um olhar gelado.
— Amor não existe Isabella. Você está confusa com o que vivemos, com tudo que passamos e enfrentamos juntos nas últimas semanas.
O meu pesadelo estava se tornando realidade.
— Não tenha medo dos sentimentos Edward, por favor.
Ele me deu as costas, ocultando dos meus ansiosos olhos, seu lindo rosto.
— Vá embora Isabella. Saia daqui. Volte para Washington.
Aquela indiferença despertou uma grande revolta dentro de mim.
— Eu não sou Jéssica Edward!
Gritei.
— Eu sei disso, mas mesmo assim não tenho nada para lhe oferecer. O seu noivo tem. E tenho certeza de que se você ficar aqui vai acabar me odiando, mais cedo ou mais tarde. Você é uma mulher culta, determinada, batalhadora. Tucson é um fim de mundo, quente como o inferno, mas é o meu lar. Sempre foi e sempre vai ser.
Eu não podia acreditar no que estava ouvindo. O sangue fugiu do meu rosto, minhas pernas tremiam. Busquei o ar desesperada, procurando apoio na parede as minhas costas para não cair.
— Os momentos que passamos juntos... Eles não significaram nada para você? Você apenas me usou? Responda Edward!
Eu gritei novamente. Apesar de saber que nós estávamos em um hospital, não consegui me segurar. A emoção e a dor que me dilaceravam eram mil vezes mais forte que a luz da razão. Ele me encarou com raiva, seus profundos olhos verdes soltando faíscas.
— Eu não sou o homem certo pra você droga! Você merece muito mais do que eu posso lhe dar, muito mais do que momentos esporádicos de sexo e prazer! Você merece ser amada e construir uma família! Eu não posso te dar isso! Não quero vínculos. Além do mais, você não é livre, pertence a outro homem...
— Não ouse tomar essa decisão por mim! E Jake não significa nada Edward. Ele é apenas um grande amigo. Esse noivado foi um erro, um grande erro... Eu posso resolver isso hoje mesmo!
Ele correu as mãos pelos cabelos.
— Você não sabe o que está dizendo!
Ele gritou exasperado. Corri até ele e o segurei pelo braço. A descarga elétrica entre nós se fez presente mais uma vez.
— Entenda de uma vez por todas, pelo amor de Deus: eu amo você! Eu quero você! Apenas você!
As palavras saíram estranguladas. As lágrimas escorriam livremente pela minha face. Eu percebi que ele não cederia. Nada o faria ceder. O vazio e a solidão estavam tomando o lugar de tudo o que tínhamos partilhado.
— Não há um futuro para nós dois Bella. É duro dizer isso, mas é a mais pura verdade. Volte para a sua vida, para o seu noivo e me deixe em paz.
— Por quê? Por que você não me quer? Você não é indiferente a mim Edward, eu sinto!
Ele parou por um momento e fechou os olhos com força.
— Você é uma mulher bonita e muito atraente, mas não é o bastante para mim, Isabella.
Senti como se um punhal houvesse sido enfiado em meu coração. O chão desapareceu debaixo dos meus pés. Eu estava prestes a desmaiar.
— Eu não sou boa o suficiente para você Edward? É isso que está querendo dizer?!
Insisti pela última vez, sentindo a dor da rejeição despedaçar minha alma. Ele suspirou mais uma vez.
— Sim, é isso mesmo.
Um silêncio pesado se instaurou naquele ambiente como um manto espesso e sufocante. Deixei meus braços caírem ao longo do meu corpo, desolada. A tragédia e o destino tinha nos unido, o desejo e a paixão nos mantiveram juntos e agora um orgulho cego e idiota estava nos separando.
Levei as mãos ao meu pescoço, querendo me libertar daquela sensação horrível e asfixiante. Abri a boca para falar quando ele já se encontrava junto à porta, preparando-se para sair dali. Minha voz soou histérica e descontrolada.
— Você é um imbecil Edward Cullen! Um idiota! Pode algum dia ter sido um bravo e destemido soldado, mas hoje você não passa de um covarde! Está me ouvindo?! Você é um maldito covarde!
Ignorando as ofensas, ele abriu a porta e saiu, sem olhar para trás.
Notas finais
Beijos meninas(os)
Kiki
Fale com o autor