Nebulosa
39 Capítulo 39 - Voltando para casa.
Notas iniciais
PDV Isabella Swan
Minhas pernas não suportaram o meu peso e lentamente desabei no chão. Ainda pude ouvir Emmett chamando o irmão, mas não tive forças para levantar. Pouco tempo depois senti braços me envolvendo e me confortando. Mesmo cega pelas lágrimas eu sabia que era Alice. Rose também estava ali e me dizia palavras de consolo que de nada adiantavam. Eu estava destroçada, destruída. Abracei meu corpo, como se tentasse juntar meus pedaços.
— Bella...
— Eu sinto muito amiga...
— Ele vai voltar atrás...
Rose e Alice falavam, tentando me acalmar.
— Não. Ele está irredutível. Edward não me quer...
— Bobagem. Eu sei que ele te ama. Só não está pensando com clareza.
Ergui a mão derrotada.
— Pare Alice. Por favor. Eu não quero ouvir isso. Ele foi bastante sincero e eu não quero sofrer mais. Já basta de me iludir.
Rose bufou.
— Tenho vontade de ir até lá e quebrar o nariz dele! Por que os homens são tão cabeça dura às vezes?! A verdade está na frente dele e o idiota não vê! Que ódio!
Limpei minhas lágrimas, lembrando que os meus pais e Jake deveriam estar me esperando ansiosos pelos resultados dos exames.
— Acabou gente. Foi maravilhoso conhecer vocês, mas realmente eu tenho que ir embora.
Elas me olharam preocupadas.
— Tem certeza Bella? Você pode ficar lá em casa o tempo que quiser, sabe disso, — falou Alice.
Reuni o pouco da dignidade que ainda me restava e fiquei de pé.
— Obrigada, mas eu vou para casa Alice.
Ela assentiu. Rose me olhava com um profundo pesar e eu me senti ainda pior.
— Tudo bem, mas não sem antes voltarmos a Masen para pegar as suas coisas.
Alice disse se pondo de pé. Uma onda de náuseas me invadiu ao ouvir o nome do lugar em que eu havia morado nos últimos tempos.
— Não Alice. Não quero. Não quero nada. Tenho de voltar para o hotel agora. Meus pais estão me esperando.
Falei colocando a mão em meu bolso e retirando o celular. Ela me olhou confusa e eu estendi o aparelho em sua direção.
— Assim você me ofende Bella! Que tipo de amiga pensa que eu sou? O celular é seu e você vai levá-lo para Washington e nós vamos nos falar sempre.
— É isso mesmo! Se Edward é um estúpido, problema dele. Nós vamos perder você, amiga.
Interferiu Rose.
— Nem pense que vai se livrar de nós assim tão facilmente!
— Ligue para mim sempre que quiser Bella. Pode ligar a cobrar que eu retorno.
Sorri por entre as lágrimas.
— Só você para me fazer rir numa hora assim baixinha...
— E nós vamos te visitar ok?
Assenti e me levantei.
— Ok. Eu moro em Port Angeles. Apareçam quando quiserem e mais uma vez muito obrigada por tudo o que fizeram por mim. Mas agora eu realmente preciso ir.
— Olha, os seus exames estão aqui.
Disse Rose me entregando alguns envelopes brancos.
— O Emmett disse que está tudo em ordem.
— Obrigada. Será que uma de vocês poderia me dar uma carona até o hotel? Eu vim com o Emmett...
— Claro que sim.
— Tudo bem. Vamos então?
Elas me abraçaram e caminhamos silenciosamente até o carro da Alice. Ao chegarmos lá elas desceram para conhecer meus pais e conseqüentemente o Jake. Eles se assustaram ao ver o meu estado.
— Bella filha? Você está bem?
— O que aconteceu princesa? Por que está chorando?!
Meu pai e Jake perguntaram alarmados. Alice mais uma vez me salvou.
— Estamos tristes porque ela vai embora. Nós nos tornamos ótimas amigas e a saudade já incomoda...
— E ela também se emocionou lá no hospital... Sabem como é... Lembranças do acidente...
Rose emendou. Eu concordei e abracei as duas pela última vez. Jake acreditou, mas o meu pai não. Minha mãe, eu realmente não sei, pois fiz questão de ignorar Renée depois da forma como ela havia tratado o Edward e a mim.
Depois das despedidas, minha família quis saber se eu queria descansar um pouco, mas eu balancei a cabeça negando. Falei que apenas precisava de um banho e que depois poderíamos ir para o aeroporto. Eu precisava sair dali logo. Queria ir embora de Tucson o mais depressa possível e deixar todas as maravilhosas recordações para trás.
No aeroporto, minha mãe pegou um vôo para Phoenix, enquanto Charlie, Jake e eu voltávamos para Whashigton, para Forks. Graças aos céus Renée não iria conosco, pois já seria bem difícil terminar meu compromisso com o Jake, e se ela estivesse por perto, a situação com toda certeza ficaria mais complicada.
Não tivemos dificuldades para conseguir as passagens e sentamos os três juntos. Fiquei no meio, entre o meu pai e Jacob. Quando o avião já havia decolado e eu estava um pouco menos trêmula... A idéia de voar ainda me apavorava um pouco... Jake foi ao toalete. Aproveitando que estávamos sozinhos meu pai inquiriu:
— Quer conversar filha?
Senti meus olhos marejados e neguei. Seu olhar queimava sobre mim, afinal ele me conhecia melhor que ninguém. Charlie Swan era um homem de poucas palavras, mas sagacidade fazia parte do seu sangue.
— Se pensa que eu caí naquela história de estar com saudades das suas amigas, está muito enganada. Conheço você muito bem Bells e sei quando tem algo errado.
Funguei e desviei os olhos. Papai era muito perspicaz. Talvez por isso fosse o chefe de polícia de Forks. Ele continuou.
— Não sei o que está se passando nesse seu coraçãozinho, mas posso imaginar. Já fui jovem como você filha. Até mesmo por que eu conheci todos os Cullen menos o Edward.
Estremeci diante da menção daquele nome.
— Bom, se não quer falar comigo, vou respeitar o seu momento e o seu espaço. Mas por favor, resolva essa situação com o Jake assim que puder, está bem? Ele é um bom rapaz e não merece continuar sendo enganado.
Eu olhei para ele com as lágrimas descendo pelo meu rosto.
— Eu te amo pai.
— Eu também te amo querida. Agora encosta aqui nesse ombro velho e procure descansar está bem?
Assenti e fiz o que pediu. Fechei meus olhos e me forcei a não pensar. Dentro de algumas horas eu estaria em casa.
————————
Alguns dias depois...
PDV Jacob Black.
Bella estava fria e distante. Um nó havia se formado em minha garganta e meu coração estava apertado. Algo tinha mudado. Eu tinha um pressentimento ruim. Um frio arrepio percorreu minha espinha, me deixando mais preocupado. Olhei para as árvores que ladeavam a estreita pista e suspirei. Eu deixei-a com Charlie esses dias e procurei lhe dar algum tempo. Depois de tudo que havia enfrentado, achei que merecia isso.
Mas ela estava estranha. Eu sentia em meus ossos, em minha alma. Seu olhar era triste e sem vida, ela havia perdido alguns quilos e escuras olheiras rodeavam constantemente os lindos olhos castanhos. Charlie me disse que era comum ela acordar gritando e chorando no meio da noite.
Engoli em seco. Nos últimos dias ela sempre dizia que estava cansada, mas até meus beijos e meus carinhos vinha evitando. Estava esquiva, arredia. E quando eu falei que iria comprar um outro anel de noivado para substituir o que ela perdeu, notei que minha noiva empalideceu mortalmente.
Voltei minha atenção para a estrada e impaciente, buzinei para uma velha caminhonete que estava a minha frente, mais devagar que uma tartaruga. Mas eu não ia mais esperar. Não agüentaria mais nenhum dia. Eu precisava conversar com ela hoje e me aproximava da cidade cada vez mais. Estava dirigindo o Rabbit, carro que havia construído sozinho na adolescência, que era o meu orgulho e que sempre ficava na reserva. Em poucos minutos eu chegaria à casa de Charlie. Ela ainda permanecia lá, não havia retornado ao seu apartamento em Port Angeles.
Dobrei a esquina e vi a casa mais a frente. Estacionei o carro. A viatura da polícia não se encontrava na garagem. Ótimo! Sem Charlie em casa talvez as coisas fluíssem mais facilmente entre nós. Abri a porta e saltei, sem me importar com a curiosidade de alguns vizinhos bisbilhoteiros...
Minutos depois a porta se abriu e dou de cara com Ângela Weber, a melhor amiga da minha noiva e funcionária da loja de Bella.
— Oi Jake.
— Oi Angie, tudo bem?
— Tudo. Vim resolver algumas pendências da loja com a Bella.
— Que bom ouvir isso, Ângela. Bella precisa mesmo voltar a trabalhar... Será que você poderia chamá-la para mim?
Ela me olhou incerta.
— O que foi? Algum problema com a Bella?
Perguntei preocupado.
— Ela está no banho, mas eu vou subir e avisar que você está aqui.
— Ok, eu te agradeço muito.
Vi Ângela subir as escadas e esperei. Alguns minutos depois ela desceu dizendo que Bella ia descer em seguida, me olhando com uma sincera preocupação. Mais uma vez senti meu coração se apertar. Nós nos despedimos e ela foi embora, fechando a porta atrás de si. Fiquei sentado no sofá até avistar a minha princesa descendo as escadas. Engoli em seco diante da maravilhosa visão.
Bella estava linda, num vestido azul sem mangas, descalça e com os cabelos cheirosos e ainda molhados pelo banho respingando em seus ombros e costas. Meu coração acelerou e eu me aproximei dos degraus.
— Bom dia meu amor, — falei sorrindo.
— Bom dia Jake. Nós precisamos conversar.
Ela disse sem olhar para mim.
— Tudo o que você quiser, mas agora me deixa matar a saudade que estava sentindo de você.
Falei e me aproximei mais, dando-lhe um longo e apertado abraço. Procurei seus lábios instintivamente, mas ela girou a cabeça, me impedindo de alcançá-los. Sorri amargo.
— Até quando você vai ficar assim me evitando Bella? Nós estamos noivos.
— Jake, é sobre isso mesmo que eu preciso conversar com você.
— Pode falar. Estou ouvindo.
Ergui minhas mãos e me encaminhei para o sofá. Ela mordeu os lábios e começou a andar nervosamente, de um lado para o outro.
— Bella, nós não temos segredos um para o outro. Nunca tivemos. Lembra quando você me contou que perdeu a virgindade com um carinha lá da escola, o Riley? Você foi na reserva no dia seguinte e me fez prometer que não diria a Charlie. Eu morri de ciúmes, mas te apoiei e guardei seu segredo. Agora larga de besteira e me fala de uma vez o que está perturbando você princesa, por favor...
Ela deu um longo suspiro.
— O nosso noivado Jake. Foi um erro.
Eu havia congelado. Estaquei completamente pálido. Paralisei. Ela realmente tinha pronunciado aquelas palavras? Respirei fundo umas vinte e cinco vezes.
— Como assim? O que está dizendo Bella?
— Que isso nunca deveria ter acontecido.
— Você aceitou Bella, você me disse sim... Concordou em ser minha noiva, minha esposa...
Ela me encarou com lágrimas nos olhos.
— Renée me pressionou Jake. Eu sei que isso não diminui a minha culpa, mas ela me colocou no canto da parede, me encurralou e me disse um monte de coisas. Você conhece a minha mãe.
Fechei os olhos com força. Meu coração estava sendo rasgado ao meio pela mulher que eu amava mais do que a minha própria vida.
— Não faz isso, Bella... Por favor, não faz isso comigo... Eu te amo!
Ela me olhava sem conseguir segurar as lágrimas.
— Jake...
— Me dá uma chance Bella. Eu posso fazer dar certo, eu sei que posso!
— Eu não te amo Jake. Não da forma como você quer.
— Com o tempo você vai me amar Bella...
— Jake, não faça com que eu me odeie mais do que já estou me odiando agora. A última coisa que eu queria na vida era magoar você. Sinto-me a pior das pessoas...
Aproveitei a deixa e me aproximei dela, mas ela se esquivou. Foi como uma punhalada em meu coração. Bella não me queria. Ela não ia mais se casar comigo. E eu sabia o motivo. Eu a conhecia muito bem.
— Apareceu outra pessoa.
Falei num tom acusatório e ela me olhou assustada. E eu vi. Eu vi claramente a cruel verdade em seus olhos.
— Fale Bella.
— Jacob...
— Inferno! Eu tenho o direito de saber droga!
— Edward.
— Cullen?!
O choque me invadiu. O tal Cullen que estava com ela no acidente? O irmão do Dr. Cullen, o médico que havia me levado a encontrá-la? O tal que a tinha acolhido em sua casa e cuidado dela por todo aquele período? A raiva quente e furiosa me invadiu quando me dei conta do que tinha ocorrido. Filho da puta! O miserável havia se aproveitado dela! Ela estava indefesa, sozinha, sem memória, frágil e o safado tinha se aproveitado de tudo isto! Canalha! Mas eu iria fazê-lo pagar...
— Edward Cullen.
Repeti.
— Sim.
— E então? Me surpreenda, vamos! Qual é a história? O que está rolando?!
Ela suspirou pesadamente.
— Talvez seja melhor você ir embora Jacob. Esse assunto está encerrado.
— Uma ova que eu vou sair daqui! Você me deve uma explicação Bella e eu a quero agora!
— Eu me apaixonei por ele, ok?
Ela cuspiu. Como aquilo doeu. Muito mais do que eu imaginaria.
— Como?! Você estava perdida, sem ninguém! Aposto que não sabe o que está dizendo... Você estava confusa e ele com certeza tirou proveito disso! Patife!
Ela ergueu o queixo e me encarou.
— Eu amo o Edward, Jacob e nada vai mudar isso. Sem falar que ele é o cara mais inteligente, decente, sincero e honesto que já conheci.
Ela partiu em defesa do bastardo e aquilo me fez recuar. Mas eu não podia perdê-la. Eu não suportaria perdê-la. Tomei coragem e disse em voz alta à pergunta que estava martelando sem parar na minha mente.
— Você dormiu com ele?
Eu tinha de perguntar.
— Sim.
— Quantas vezes?
— Várias.
O ódio explodiu dentro de mim.
— Maldito, bastardo! Eu vou matar esse sujeito!
Ela ergueu as mãos agitada.
— Você não vai fazer nada Jacob, por que eu juro, se eu souber que você ou qualquer um dos rapazes da reserva foi para Tucson, eu deixo de falar com você. Nunca mais eu te dirijo uma palavra!
— Então é assim que nós ficamos? Você está terminando comigo por causa de uma aventurazinha?! Está jogando fora os anos que passamos juntos, nossa amizade e o nosso compromisso?! O nosso futuro? Acabou mesmo?
— Sim. Acabou. E me perdoe por estar te magoando, mas eu precisava ser honesta com você.
— Vocês dois estão juntos?
Eu precisava saber, nem que a verdade fosse me destruir.
Ela negou com a cabeça.
— Não. Ele vai continuar com a vida dele lá e eu com a minha aqui.
Vibrei ao saber daquilo e corri, me ajoelhando na frente dela. Nem tudo estava perdido...
— Eu não me importo Bella. Eu te perdôo. Vamos recomeçar do zero. Votamos pra casa e tudo vai ser como era antes...
— Não Jacob. Nada será como antes. Me escute sim? Isso não vai dar certo!
— Bella, por favor, não faz assim... Deixa eu te reconquistar... Eu sei que posso fazer você me amar princesa...
— Jake...
Ela sorriu tristemente.
— Eu não te amo como você merece. Eu te amo como um irmão, como um amigo. E isso não muda nada. Mesmo que eu não tivesse conhecido o Edward e me apaixonado por ele, eu iria romper com você. Eu já tinha tomado essa decisão antes de entrar naquele avião para Tucson.
Levantei e coloquei as mãos em seus cabelos, segurando-a ali.
— Eu te quero comigo Bella, ao meu lado. Mais que um amigo eu quero ser seu namorado, seu homem. Pense com carinho...
Ela mastigou os lábios antes de prosseguir.
— O pior Jake é que eu sei como poderia ter sido! Nós dois juntos, casados, com filhos... Eu já imaginei a coisa toda... Toda a nossa vida. Eu queria poder querer você Jake. Queria ficar bem aqui e esquecer tudo que vivi em Tucson. Queria amar você e te fazer feliz... Sei que você seria um marido perfeito, um excelente pai... Mas eu não posso mudar o que sinto. Não posso mudar o que sou e isso me mata Jacob... Infelizmente não mandamos no nosso coração...
— Bella...
Ela não meu deu chance de continuar.
— É melhor você ir agora. Eu acho que podemos continuar sendo amigos, mas vou entender se você precisar se afastar por um tempo...
Senti que algo quebrava dentro de mim. Ela estava chorando, mas também estava decidida. Fechei os olhos por um momento e deixei que as minhas mãos caíssem ao longo do meu corpo. Eu havia sido derrotado. Eu havia perdido Bella para sempre. Não haveria volta.
Meu mundo estava desabando. Minha vida havia acabado. A mulher que eu amava desesperadamente não me queria mais. E tudo por causa de um cowboy idiota que cruzou o nosso caminho. Como o destino era cruel... Eu precisava respirar ficar sozinho, sofrer a minha dor... Me virei rapidamente precisando sair dali o mais depressa possível.
Notas finais
Até sexta meninas......
Beijos
Kiki
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