Nebulosa
61 Capítulo 61 - Dando o Primeiro Passo.
Notas iniciais
PDV Edward Cullen.
Assim que ouvi a água corrente do chuveiro, me apressei e corri para pegar o celular de Bella, teclando e acessando sua agenda. Rapidamente encontrei... Lá estava o que eu queria. Voltei para sala com o aparelho nas mãos e peguei o telefone fixo. Disquei e aguardei. Cinco toques depois...
- Alô?
Respondeu a voz feminina.
- Renée?
- Ela mesma. Quem fala?
- Edward Cullen.
Houve um silêncio mortal do outro lado da linha.
- Estou ligando para dar notícias de Bella.
Ouvi uma risada abafada.
- Ela não poderia ligar sozinha, senhor Cullen?!
Perguntou com ironia e eu tive que me controlar para não ser rude e mandá-la para o inferno. Minha sogra continuava a mesma mulher irritante de sempre. Resolvi insistir por causa da minha esposa e do meu filho.
- Ela não sabe que eu estou ligando.
Ela murmurou alguma coisa, baixinho, mas confesso que não entendi.
- Então me diga o que deseja senhor Cullen, pois como sabe sou uma mulher prática, de negócios e ando bastante ocupada. Não tenho tempo para ficar batendo papinho no telefone.
Respondeu ácida. Rolei meus olhos. Um, dois, três, quatro... Haja paciência!
- Tão ocupada que não gostaria de saber que vai ser avó?
Eu disse começando a me irritar. Talvez não tivesse sido uma boa idéia ligar para a cobra, digo minha sogra.
- Oh!
Sua reação me agradou e como o fator surpresa é sempre desconcertante... Ponto para mim.
- Isabella está...
- Sim, Bella está grávida.
- Céus!
Aguardei que ela continuasse.
- Mas assim, tão rápido?
Suspirei.
- Nós não planejamos, apenas aconteceu.
Mais alguns segundos de silêncio.
- Vocês estão bem?
Questionou.
- Estamos muito felizes com o bebê.
Respondi. Se ela havia se afastado da filha por vontade própria, eu não tinha que ficar fornecendo detalhes da nossa vida a dois.
- E como ela está?
Hum... Pelo jeito o peixe mordeu a isca.
- Bem, mas porque não liga para ela e pergunta você mesma?
Outra vez o silêncio se instalou.
- Renée?
Insisti.
- Ela não liga para mim.
Respondeu baixinho.
- Por que você foi contra o nosso relacionamento desde o princípio. E nem ao nosso casamento compareceu.
Cutuquei a onça com vara curta, mas algumas verdades precisam ser ditas. Ela não havia poupado Bella, então não merecia ser poupada.
- Eu tive os meus motivos, senhor Cullen.
- Se acha que sua filha estaria mais feliz se estivesse casada com o Black, está enganada. Eu e Bella nos amamos e vamos construir uma família.
Ela suspirou.
- Os pais só querem o melhor para os filhos senhor Cullen.
Como sempre, um osso duro de roer.
- Por que não me chama de Edward? Afinal de contas sou seu genro e pai do seu neto.
- É um menino?
Perguntou curiosa. Mais um ponto para mim. Consegui mexer com os sentimentos daquela fria mulher.
- Nós ainda não sabemos o sexo. É muito cedo.
- Certo.
Prossegui.
- Bella está triste com esse afastamento de vocês e o estado emocional dela é de fundamental importância na gravidez. Liguei apenas para dar a notícia, pois achei que era importante, mas sinta-se à vontade para fazer como achar melhor.
- Ela pergunta por mim?
Sorri. A curiosidade faz parte da natureza humana.
- Sim, mas ficou magoada e não quer dar o primeiro passo.
Ela riu com amargura.
- Claro que não. É igualzinha ao pai dela!
Revirei os olhos. Graças a Deus minha mulher tinha o coração bondoso do pai e quase não possuía nenhuma característica da mãe.
- Bom, eu vou desligar. Se quiser ligar para ela...
- E... E se eu quiser ir até aí para vê-la?
Vibrei internamente.
- A porta da nossa casa estará sempre aberta.
- Ok, Edward. Obrigada por telefonar.
- Você é a mãe dela Renée e Isabella é hoje a pessoa mais importante da minha vida. Portanto, se quiser nos visitar, estaremos sempre dispostos a recebê-la.
- Vou pensar em tudo que você me disse. Até logo.
Disse e desligou o telefone sem me chance de me despedir. Pelo menos eu havia dado o primeiro passo, agora seria a vez dela. Os piados insistentes de Charlotte me trouxeram de volta a realidade. O que será que a minha hóspede estava querendo agora? Pensei com um sorriso enquanto me dirigia à área de serviço.
A coruja me encarou com o bico entreaberto.
-O que foi agora?
Como se me entendesse, ela piou e abanou a asa boa.
- Você está ficando muito mimada sabia?
Falei sorrindo e abrindo a porta da gaiola. Imediatamente ela se empoleirou em minha mão. Aquilo já havia virado rotina. Fui até o quintal e a coloquei no chão para que caçasse alguma coisa. A ave deu alguns passos vagarosos enquanto eu a observava de pé. Era impressionante o instinto de sobrevivência de certos animais. Mesmo com a asa ferida e impossibilitada de voar, ela não deixava de ser um exímio predador. Geralmente as minhocas ou algum inseto rasteiro eram os seus alvos, agora.
- Muito bem Charlotte.
Falei ao vê-la cercar e abocanhar um gafanhoto. Ouvi a campainha e gritei para que Jared desse a volta na casa. Levaríamos o pequeno animal conosco para visitar os cavalos, como quase todos os dias.
PDV Narrador.
Bella queria pintar o quarto do bebê ela mesma e eles chegaram a discutir por causa disso, mas teimosa como era não abriu mão da decisão. Edward então não viu outra solução se não ligar para Dr. Marcus e saber se aquilo não prejudicaria o bebê ou sua esposa de alguma forma. Marcus indicou uma tinta apropriada e sem cheiro, que poderia ser utilizada pela futura mamãe sem nenhum tipo de problema. Alice mais que depressa se dispôs a ajudar sua cunhada.
As duas desocuparam o quarto que Isabella usara antigamente e ele estava sendo totalmente reformado para a chegada do bebê. A única coisa que Bella aproveitaria seria a cômoda, que por ser bem grande, acomodaria perfeitamente o trocador e o porta fraldas.
- O que foi Alice?
Perguntou Bella sentindo sua cunhada estremecer.
- Um estranho arrepio... Não sei bem.
Alice olhou pela janela. Bella franziu o cenho e acompanhou o olhar dela que fitava as montanhas ao longe.
- Você não está sentindo?
Questionou.
- O que?
Respondeu Bella sem entender.
- O tempo. Está mudando.
Falou evasiva.
- Como assim?
Bella inquiriu confusa. Alice suspirou antes de responder.
- Acho que vem uma tempestade por aí.
Bella arregalou seus olhos chocolate, chocada.
- Tempestade?! Como assim?!
- Não precisa ficar assustada Bellinha. E sim, de vez em quando temos algumas por aqui e elas causam grande destruição.
- Deus!
Bella exclamou atônita.
- Sossegue Bella. Nós que nascemos aqui estamos mais do que acostumados. Mas voltando ao quarto e ao nosso trabalho Bella, está ficando lindo.
Disse a baixinha olhando em torno do ambiente. Bella relaxou um pouco.
- Está sim, Alice e graças a você.
- Não seja modesta Bella. Você escolheu a cor do quarto e deu o seu toque pessoal.
- Eu adoro amarelo, Alice. Acho que combina com tudo e como ainda não sabemos o sexo...
Ela bufou.
- Nem me fale! A Rose está ficando louca com o Emmett por causa disso! Mamãe ontem precisou interferir!
Bella deu um sorriso tímido.
- Se eu fosse casada com ele já teria dado umas boas tapas no gorila!
Rosnou a pequena.
- É o jeito dele Alice.
Bella falou.
- E dá nos nervos de qualquer um! Só a Rosalie mesmo para aguentar. Deus que me livre do Jasper ser assim!
Realmente a preocupação extrema de Emmett chegava a ser ridícula.
- Jasper é psicólogo, sabe lidar bem com as diversas situações da vida.
Os olhos de Alice brilharam.
- Especialmente quando vier um bebê...
A baixinha completou, fazendo Bella dar uma sonora gargalhada.
Bella faria outra ultrassonografia dali a algumas semanas, mas o bebê de Rosalie, no sexto mês de gestação, continuava sentado e com as perninhas fechadas, impossibilitando o médico de ver o sexo, o que estava tirando o futuro papai Emmett do sério. Já Edward e Bella torciam muito por uma menina.
- Voltando a falar no neurótico do meu irmão...
- O que ele fez desta vez?
Questionou Bella, passando de leve a mão sobre o ventre. Alice prosseguiu falando:
- Mamãe o chamou hoje cedo na casa dela para terem uma conversinha...
- Até já imagino o porquê.
Emendou Bella divertindo-se.
- Ou ele para com essa idiotice de “vai ser um menino”...
Alice imitou perfeitamente a voz do irmão médico, fazendo Bella gargalhar.
- Ou então D. Esme vai arrancar a orelhas dele com um alicate de unhas!
- Nossa! Essa eu pagava para ver!
Bella disse entre as risadas. As duas cunhadas juntas haviam feito um excelente trabalho e com as costas e os braços doloridos, passaram a respeitar mais os pintores profissionais. Era um trabalho aparentemente simples, mas árduo. Porém, concluída a tarefa, não só as duas garotas, mas todos na família e na fazenda reconheceram que o esforço mútuo tinha valido a pena. Até mesmo Edward que fora contra a idéia desde o princípio, afirmando que a tarefa seria extremamente desgastante para a esposa grávida. O quarto do bebê estava novo em folha, pronto para receber os móveis e o novo integrante da família assim que nascesse.
Esme e Carlisle haviam feito questão de comprar todos os móveis dos netos e mandaram reformar a antiga cômoda, para que ficasse branca como o restante dos objetos. Tanto Rose como Bella confiavam cegamente no bom gosto da sogra, que era uma excelente decoradora. Não que tivesse cursado a Universidade ou qualquer coisa assim, mas estava em seu sangue. O pai de Isabella havia ficado chateado, mas a filha afirmou que ele poderia dar o carrinho ou o quadrado e até mesmo a cadeirinha para as refeições, o que deixou o Chefe Swan bastante satisfeito.
A cadeirinha do carro seria presente de Alice e Jasper para os dois sobrinhos.
Dois dias depois, quando Alice saiu levando consigo os móveis de madeira restantes, desocupando de vez o quarto que seria do bebê, Bella foi tomar um bom e relaxante banho morno. Enquanto a água escorria pelo seu corpo, ela acariciava o ventre e conversava com o bebê, dizendo o quanto ele era amado. Revigorada e vestindo roupas limpas, ela entrou na cozinha disposta a elaborar o jantar, mas a primeira coisa que viu foi um lanche que havia preparado para Edward e Jared sobre o balcão da pia. Eles haviam esquecido a comida. Parou por um momento sendo tomada pela náusea, mas o enjôo logo se foi.
Preocupada olhou no relógio de parede sobre a geladeira e constatou que já passavam das três da tarde. Eles haviam tomado café da manhã logo cedo e com certeza deveriam estar morrendo de fome.
Rapidamente fez um suco de frutas gelado, pegou o lanche, várias torradas de azeite e orégano que havia preparado durante a manhã com Alice e uma cesta com frutas. Colocou toda a comida num grande depósito plástico, apanhou as chaves da picape vermelha e saiu correndo. Ele havia avisado que hoje trabalharia no celeiro.
Cerca de trinta minutos depois, escutando o barulho suave do motor, Edward saiu da antiga construção reformada vendo Bella se aproximar. Seu rosto suavizou e ele abriu um amplo sorriso, deixando que os raios de sol batessem diretamente sobre sua pele exposta e firme. Bella balançou a cabeça e todo seu cabelo foi para trás num gesto repleto de sensualidade inconsciente, mas que provocava reações imediatas no corpo do marido. Observando-a, e gemeu baixinho. Sua vontade era puxá-la para fora do carro, enchendo seu rosto, pescoço e todo seu corpo de pequenos beijos, mas se conteve por estar todo suado e pelo jeito ela tinha acabado de sair do banho.
Por ter bancado o bobo apaixonado com Jéssica, Edward fora ao fundo do poço e jurara a si mesmo nunca mais cometer o mesmo erro, nunca mais voltar a se envolver com alguém ou se entregar a um sentimento como amor, que julgara ser patético. Agora, olhando sua esposa tão próxima, sentia seu coração saltar dentro do peito e o amor que os unia era facilmente visto em seus olhos. Sem falar no filho que ela carregava, fruto da intensa e devastadora paixão que partilhavam, quando estavam um nos braços do outro.
Ele havia tirado a camisa e nesse momento trajava apenas uma calça jeans clara velha e justa, as botas e o chapéu de cowboy, sua marca registrada. Bella prendeu a respiração diante da visão magnífica de seu marido e inconsciente, umedeceu os lábios com a língua. Eles se fitaram por um breve momento antes dela abrir a porta do veículo e descer.
A tarde prometia.
Notas finais
Beijos
até amanha
Kiki
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