Nebulosa

28 Capítulo 28 - Verdades.


Notas iniciais
Boa Noite Meninas

PDV Emmett Cullen.

Edward olhou minuciosamente cada canto da caminhonete antes de entrarmos, enquanto eu esperava que ele dissesse alguma coisa, mas o cretino não abriu a boca. Mentalmente eu comecei a contar até cem, tentando me distrair, mas o silêncio estava insuportável. Paciência nunca foi o meu forte mesmo, então simplesmente desisti e falei.

— E aí não vai dizer nada?

Ele sequer me olhou.

— Lavei o carro direitinho?

Perguntei irônico.

— Não fez mais que a sua obrigação, — ele disse seco.

— Sabe, Edward, eu te amo mano, mas você realmente está começando a me irritar...

— Meta-se com a sua vida!

— Porra Edward, larga de ser infantil!

— Emmett eu juro que se você não calar essa sua boca infeliz, vai ter de ir a pé para a droga da sua casa!

Ignorei a ameaça, até por que eu sou maior e mais forte.

— Até quando você vai deixar Jéssica assombrar a sua vida? Acorda Edward! Aquela vadia não merece o que você está fazendo com você mesmo, mano! Eu sei que o seu sofrimento foi enorme, eu estava lá esqueceu?! Mas você tem que parar de se punir por uma coisa que não foi culpa sua porra! Você tem que voltar a viver!

— Cala a boca!

— Uma ova que eu vou me calar! Você tem que ouvir algumas verdades e deixar de ser imbecil!

— Me deixe em paz, Porra!

— Vou ter que te dar umas tapas?! Deixe de ser tapado e comece a viver! Eu não sei que porra tá rolando entre você e Isabella, mas eu e a Alice te vimos sorrir várias vezes depois que ela chegou! Ela está conseguindo te fazer feliz mano!

Ele apertou o volante com força e eu continuei.

— Você está mais relaxado, está se permitindo sentir emoções outra vez e isso é uma coisa maravilhosa, embora eu ache que você ainda não tenha se dado conta disso!

Ele deu uma forte tapa na direção.

— Ninguém sabe como isso vai acabar, mas pelo menos por enquanto permita a si mesmo viver o momento, droga!

— Para que? Eu já estive envolvido com uma mulher antes e deu no que deu. Não quero mais sofrimento em minha vida! Nunca mais! Chega Emmett!

— Bella não é Jéssica!

— E você acha que eu não sei, porra?!

Eu o olhava sem entender nada. Confesso que sou um dos melhores na minha profissão, mas na vida real sou meio lerdo. Às vezes a ficha demora mesmo para cair.

— Jéssica não significou nada para mim! Era apenas sexo, mas apesar disso, ela quase me destruiu quando matou o meu filho. Eu não consigo esquecer e tão pouco perdoar! Eu vivi um inferno por causa daquela vadia!

— Edward...

— E não me olhe assim!

Agora ferrou mesmo! Estreitei os olhos. Eu estava olhando pra ele como?

— Estou voando, — falei percebendo que finalmente havíamos chegado em frente a minha casa.

Ele virou a cara.

— Você sempre foi voador.

— Melhorei quando fui para a universidade.

Eu tentava descontrair o clima.

— Que merda, Emmett! Será que você não tem bom senso? – gritou a plenos pulmões – Eu não posso me dar ao luxo de me envolver com ela!

— E por que não?

Ele suspirou pesadamente.

— Sinceramente eu não sei como você pode ser médico, sendo um asno sem tamanho!

Dei um sorriso cínico.

— Faz parte do meu charme. As mulheres amam... Agora desembucha!

Ele esperou alguns segundos antes de falar.

— Nós não sabemos nada sobre ela, Emmett!

— E daí? Não vá me dizer que você acha que ela pode ser bandida, assassina, psicopata, procurada pela polícia, fugitiva... Você deve estar vendo muito filme policial ultimamente...

— Cala a boca animal!

Ele rosnou e eu rolei os olhos. Animal é foda. Tudo bem que eu pareço um gorila algumas vezes, mas também não precisa esculhambar!!!

— Explica.

— E se ela recuperar a memória e descobrir que tem um namorado? Um amante? Que é apaixonada por alguém? Ela vai embora, né? Lógico! Ela tem uma vida em Washington!

Agora as coisas começavam a fazer sentido.

— Se eu me envolver com ela como é que eu fico? Já parou pra pensar nisso?

Meu irmão estava com medo. Eu sentia sua insegurança em cada palavra que saía de sua boca e fiquei triste por ele.

— Você viveu Edward.

Ele me olhou confuso.

— Se o pai ou a mãe morrerem, como você acha que o outro vai ficar?

— Completamente arrasado.

Ele respondeu na hora, pois os nossos pais se amavam muito e a gente sabia. O carinho e o amor que sentiam um pelo outro transpareciam em ambos.

— E mesmo assim, vai recordar feliz todos os bons momentos que viveram juntos. Não vai ficar por aí se lamentando ou arrependido.

Ele não me encarava, apenas ouvia.

— Bella é uma mulher especial mano, e quando a memória voltar ela pode até descobrir que é frígida ou gay...

Ele resmungou baixinho e eu não entendi bem, mas seria capaz de jurar que aquilo foi um “nem pensar”.

— Ou que ama alguém ou que amou alguém, sei lá! Mas pode também ter a certeza de que você é o melhor para ela. Quem te garante que ela não é apenas mais uma mulher sozinha no mundo, desamparada e desprotegida, precisando urgentemente de braços fortes e de um Cullen para fazê-la feliz! Você não se garante, não? Onde está o velho Edward Cullen, o conquistador da escola?

— Dane-se!

Ele respondeu disfarçando um sorriso e eu aproveitei a deixa para sair do carro.

— Gestos obscenos são mais a sua cara...

Eu falei e ele me estirou o dedo, sacana.

— Se cuida, mano, — falei.

— Você também, tchau.

Fiquei parado por alguns minutos vendo a caminhonete se afastar e finalmente criei coragem de me voltar e olhar a minha casa. Engoli em seco. Será que ela me deixaria entrar ou estaria ainda muito brava? Putz, eu sabia que tinha pisado na bola e o jeito agora era pedir perdão e rastejar atrás dela...

Coloquei a minha chave na porta e ela abriu suavemente. Entrei de fininho, pé ante pé, e fechei a porta. Olhei para todos os lados e nada. Estranhamente, não ouvi nenhum sinal da voz baixa, melodiosa e terrivelmente sexy que eu sempre reconheceria como sendo da minha mulher. Na casa reinava um silêncio absoluto e eu confesso que fiquei temeroso. Será que ela havia saído?

Resolvi ir até a garagem e dar uma olhada, primeiro. O carro dela estava na frente e o meu estacionado atrás. Suspirei. Pelo menos ela estava em casa. Sem saber o que esperar, voltei para sala e andei sem barulho até as escadas, subindo os degraus silencioso como um gato, ansioso para me colocar diante dela e admitir logo que eu estava errado, que fiz uma merda sem tamanho, que me arrependia de ter agido daquela forma e ter estragado a festa de Jasper.

Eu estou longe de ser perfeito, mas a amo muito, assim sempre que cometo alguma falha, espero que ela me perdoe.

Se ela quisesse gritar comigo, eu aceitaria de bom grado. Caso me batesse, pois ela tinha um excelente gancho de direita, eu também não me importaria. Eu a amava com todo o meu coração.

De onde estava eu já podia ver a enorme porta branca do nosso quarto quando parei e pensei que talvez Rose não quisesse me ouvir... Engoli em seco mais uma vez. Paciência Dr. Cullen, pensei. Se ela não quiser ouvir, vou ter que aguentar.

Rose tinha um temperamento forte e muitas vezes explosivo, embora as nossas brigas fossem raras, mas como eu tinha espalhado a merda no galinheiro, com certeza ela me daria um sermão daqueles. Se eu conhecia minha esposa ela devia estar louca para soltar os cachorros em mim. Parei por um segundo pensando em ir até a sala de ginástica e pegar meus tampões de ouvido. Eu sempre os deixava por lá, era mais fácil de pegá-los quando eu ia para a piscina. Eu adorava nadar, mas odiava que entrasse água em meus ouvidos, pois desde criança tinha sérios problemas de otite. Não sei como escapei disso, pulando ontem à noite na piscina no meio da festa...

Caminhei de mansinho até a porta fechada do quarto e estaquei com medo. Não vinha qualquer barulho lá de dentro, nem de música, chuveiro ou mesmo televisão. Aproximei meu ouvido e encostei na porta... Nada. Vamos Emmett! Deixa de ser covarde! Minha consciência berrava.

Você é um homem ou um prato de papa?! Nesse momento era melhor não responder a essa pergunta. Eu estava falando comigo mesmo... Porra... O que o medo não faz...

Inspirei profundamente, sentindo o ar invadir meus pulmões e girei a maçaneta esperando realmente que ela não estivesse de tocaia com uma frigideira nas mãos, pronta para acertar a minha cabeça. A porta rangeu um pouquinho e eu a empurrei, prendendo a respiração.

Imediatamente a avistei, e ela não estava ameaçadora, nem furiosa, contrariando tudo o que eu havia imaginado. Deitada no meio da nossa cama king size, ela estava dormindo tranquilamente, com um short doou vermelho curtíssimo, que deixava todas as suas curvas a mostra. Rose era um mulherão. Meu amiguinho lá embaixo se agitou na hora e eu trinquei os dentes. Ela só podia ter colocado aquela coisa escandalosamente indecente para me deixar doido. E havia conseguido. Uma a zero para Rose.

Com o cabelo úmido esparramado pelo travesseiro e o rosto ainda inchado de chorar ela estava profundamente adormecida. Senti o meu coração amolecer e me aproximei mais, afagando seu rosto com as costas da minha mão. Ela suspirou e se remexeu, jogando as cobertas ao chão com os seus pés. O meu calor aumentou quando ela virou de costas e subiu uma das pernas, o que fez com que a polpa de sua bunda ficasse à mostra. Eu estava fervendo só de olhar para ela, enquanto observava o seu peito subir e descer suavemente com o ritmo da sua respiração.

Trate de se acalmar homem! A última coisa que ela vai querer agora são as suas mãos em cima dela. Primeiro peça desculpas implore, se ajoelhe, faça qualquer coisa... Depois você joga todo o seu charme em cima dela e faz a festa! Sorri satisfeito com o meu plano e depois de dar uma última olhada naquele avião que era a minha mulher, sentei no sofá próximo a sacada. Eu esperaria ali até que ela acordasse...

————————

Cerca de uma hora depois...

Eu havia cochilado um pouco, quando senti que estava sendo observado. Sentei prontamente no sofá e olhei para cama. Dois olhos azuis faiscavam ao me encarar. Eu babava por ela.

—Rose...

Comecei a falar sentindo um nó se formar em minha garganta. Eu estava super envergonhado e ela só me encarava, os olhos azuis frios como o gelo, sem dizer nada. O silêncio era esmagador e eu me sentia menor do que Alice naquele momento.

— Me desculpa amor. Eu sei que errei feio, mas infelizmente não dá pra voltar no tempo e consertar todas as burradas que eu fiz ontem... Por mais que eu queira fazer isso, não tem como. Me perdoa.

Ela assentiu e eu esperei, rezando para que ela me perdoasse, afinal que lugar melhor do que a cama para se fazer as pazes?!

— Você tem consciência das besteiras que fez?

Balancei a cabeça concordando, mas a voz dela estava suave demais... eu esperava por uma tempestade e ela vem falando calma e pausadamente? Sem gritar ou me ofender?! Aí tem!

— Edward me contou.

Ela arqueou as sobrancelhas.

— Ele te contou tudo?

— Sim.

Pelo menos eu achava que sim, e honestamente não gostaria de saber mais nenhum detalhe pavoroso.

— Você me magoou Emmett.

— Eu sei amor e espero que você me perdoe. Fui um idiota, um imbecil!

— Não é fácil para mim, depois de tudo o que eu passei, ser colocada contra a parede como você fez ontem...

— Você tem toda razão. Eu quero muito ter um filho, mas prometo que vou esperar até que você se sinta pronta.

— Ok, mas eu não vou esquecer tão facilmente... Victória, apagão, dancinha com rebolado, você quase nu diante dos convidados...

Ela falava enumerando cada coisa com os dedos. Engoli em seco e ela continuou.

— Você merece um grande castigo.

— O que você quiser meu amor. Sabe que eu faço qualquer coisa por você...

Me levantei e me aproximei dela, estendendo a mão para tocá-la, mas ela me impediu e se afastou.

— Faça o que quiser Rose, me bata , me xingue, atire o que quiser em mim, pois eu mereço.

Ela sorriu calmamente. Juro por Deus que eu não estava gostando nada daquilo.

— Pode ficar tranquilo, eu não vou fazer nada disso. Eu pensei em outra coisa...

Me animei na hora. Eu já estava desculpado? Maravilha!

— Então, já está tudo bem entre a gente?

Perguntei esperançoso. Ela sorriu e me deu as costas caminhando para o banheiro enquanto tirava o short e calcinha e jogava-os no chão. Eu grunhi feito um animal ao ver aquele monumento de mulher, se despindo bem na minha frente. Fui rapidinho ao seu encalço. Ela chegou na porta do banheiro e se virou de frente. Salivei e dei mais dois passos.

— Por mim tudo bem Emmett, desde que você não chegue perto demais e não me toque.

— Certo, tudo certo... Ham? Como?

Será que eu ouvi bem? Ela sorriu amplamente.

— Já que apenas ouvir umas verdades de vez em quando não é o suficiente para você se comportar verdadeiramente como um adulto, você está de castigo Emmett Cullen e não se atreva a encostar nem a pontinha de uma unha sua arrancada em mim, até que eu te perdoe. E se quiser dormir no sofá, fique à vontade...

Pisquei sem entender.

— Como médico você está cansado de saber que não se deve misturar bebidas como fez ontem e conhece perfeitamente o efeito que o álcool tem sobre você!

Caramba... Ela estava falando sério, muito sério!

— Porra Rose. Não faz isso, não amor. Eu tô morrendo de saudades de você, minha loira...

Ela estreitou os olhos e eu estremeci.

— Não quero ouvir nem mais uma palavra desta sua boca! Se preferir o quarto de hóspedes, por mim tudo bem. Só não se atreva a me tocar.

Falou dando de ombros e tirando a camisetinha, expondo os seios lindos e fartos ao meu olhar faminto. Mas o seu tom de voz era mordaz e cortante. Eu sabia que ela estava falando muito, muito sério.

— Você só pode estar brincando...

Eu continuei a dizer, frustrado como nunca, e ela sorriu candidamente. Mulher é bicho ruim, viu?!

— E para não dizer que eu sou ruim, eu vou deixar você olhar, viu? Só olhar e mais nada. Isso se você quiser claro.

Ela disse isso e foi até o chuveiro abrindo a torneira e deixando a água escorrer pelo seu corpo diante dos meus esbugalhados e estupefatos olhos.

Imediatamente me lembrei da música de uma tal Kelly...

E pra não dizer que eu sou ruim

Eu vou deixar você me olhar

Só olhar, só olhar, baba

Baby, baba baba baba

Baby, baba baba baba

Baby, baba baba baba

Baby

Isso é para você aprender

A nunca mais me esnobar

Baba baby, baby baba, baba

Eu. Tô. Ferrado. Quando ela pegou o sabonete líquido e a esponja de banho e começou a passar pelo corpo, eu levei minha mão fechada a boca e mordi desesperado. Putz! Vê-la nua na minha frente, se ensaboando de forma sensual e não poder fazer nada era demais. Tratei de sair dali rapidinho antes que eu fizesse uma besteira maior ainda.

Notas finais
Meninas na sexta eu agradeço as recomendações.

Beijos até sexta.
Kiki Cullen