Nebulosa

2 Capítulo 2 - Encontro.


Notas iniciais
Olá Pessoal!!!

Este 1°capítulo e dedicado aos 28 comentários que tivemos so na sinopse e também a 1° recomendação feita por, Miley Vendite.

vocês são The Best (as melhores)

Isabella Swan.

Os minutos passavam rapidamente enquanto eu olhava mais uma vez para o relógio e encarava o meu reflexo no espelho... Eu estava pálida, tensa, os músculos do pescoço e das costas rígidos. Um frio na barriga e como sempre as borboletas saltavam no meu estômago. Senti o gosto amargo da bile subindo do meu estômago para o meu esôfago e joguei água no meu rosto e um pouco no pescoço, tentando me acalmar sem sucesso. Eu não gostava de voar de avião. Não mesmo. Na verdade eu tinha um certo pavor... De pé ali no banheiro feminino do Aeroporto Internacional de Phoenix, observando o entra e sai de gente, eu respirava fundo recordando os últimos acontecimentos...

Se arrependimento matasse...

Suspirei. Eu tinha vindo a Phoenix para visitar minha mãe Renée que morava aqui desde o seu segundo casamento... E ela praticamente me intimara a ficar noiva de Jacob Black, um grande amigo de nossa família.

Suspirei novamente. Os meus pais eram divorciados, mas se davam bem, e Charlie, meu pai, morava em Forks, pequena cidade do estado de Washington, onde também morava o pai de Jake, Billy Black, que era viúvo há mais de dez anos.

Os Black eram descendentes da tribo dos Quileutes, e moravam na Reserva indígena em Forks, bem como muitos outros descendentes... Os Ateara, os Clearwater, os Uley, etc. Jacob e eu crescemos juntos e éramos amigos desde crianças, quando fazíamos tortas e bolinhos de lama. Ele era bonito, sarado, tinha um sorriso lindo capaz de derreter corações e trabalhava no ramo das artes. Moreno, alto, cabelos e olhos negros, ele era extremamente charmoso... O sonho de muitas garotas definitivamente, mas não o meu.

Ele era formado em Artes Plásticas e muito talentoso. Em pouco tempo exercendo a profissão, havia se tornado sócio de uma grande e conceituada Galeria de Artes em Washington. Assim também aproveitava para divulgar o trabalho e o artesanato dos Quileutes. O artesanato deles é simplesmente estupendo. Eu nunca vi esculturas tão bem feitas e detalhadas como as que eles criam... especialmente as figuras de lobos. O trabalho é exímio, minucioso e perfeito. Diz à lenda que a tribo é descendente direta do grande lobo cinzento... Vai saber...

Eu gostava de Jacob de verdade, mas não o amava. Ele era meu amigo, meu protetor, meu confidente e só. Eu sabia que ele nutria uma paixonite por mim desde a adolescência, mas nunca poderia corresponder da mesma forma, embora soubesse o quanto a nossa união agradaria nossas famílias.

Eu acreditava com todas as forças da minha alma e dos meus vinte e quatro anos, que em algum lugar aqui fora existia um homem destinado para mim... Um homem especial que faria os meus joelhos tremerem e o meu coração bater mais forte.

Suspirei, olhando com amargura o anel em meu dedo. Era lindo, mas eu não me sentia nem um pouco feliz... Pelo contrário. Eu tinha certeza absoluta que havia cometido um enorme erro ao concordar com aquilo.

Por que fui ceder às pressões irritantes e insistentes de Renée?! Como me deixei convencer a ficar noiva de Jacob? ‘’Não adianta nada querer culpar os outros agora Bella’’, me recriminei mentalmente.

Minha mãe... Ela nunca foi uma mãezona de verdade. Era infantil, meio doidinha, até inconseqüente às vezes. Eu sempre fui mais responsável, mais madura... A famosa inversão de papéis. Era eu quem tomava conta de tudo... até que um belo dia, fui morar com meu pai. Há essa hora com toda certeza, ela já devia estar na Europa...

Nós trabalhávamos com antiguidades... Bom, pelo menos tínhamos isso em comum, gostar de coisas antigas... E ela havia viajado hoje cedo para adquirir novas peças. Iria a Londres, Milão, Bruxelas e Roterdã. Minha mãe possuía um grande antiquário em um pequeno shopping numa área nobre de Phoenix e eu, uma pequena e acolhedora loja em Port Angeles, cidade próxima a Forks, perto dos meus amigos e é claro, do meu pai.

Se arrependimento matasse, eu estaria mortinha agora.

Suspirei mais uma vez... Quando eu abri o meu coração e disse a Renée que estava esperando alguém especial para minha vida, que fizesse o meu coração bater mais forte com apenas um olhar, ela rira muito e desdenhara da minha pessoa dizendo que no mundo real esse tipo de amor não existia. Que como estava no segundo casamento, ela era a prova viva disso. E que eu era uma tonta e também uma romântica inveterada, e devia dar graças a Deus por Jacob gostar de mim e querer casar comigo, afinal um homem bonito e decente que queira assumir um compromisso sério hoje em dia é realmente uma coisa rara.

Aquelas palavras... E tudo mais que ela proferiu em seu acalorado discurso, funcionou como um balde de água fria sendo despejado em minha cabeça... Foi como uma violenta tapa no meu rosto... E agora eu me encontrava ali, prestes a embarcar num avião sozinha e noiva do meu melhor amigo de infância. Esse tipo de coisa só acontece comigo mesmo...

Literalmente a minha vida estava uma grande bagunça... Tudo de pernas para o ar... Mas eu ia dar um jeito. Assim que voltasse dessa viagem eu daria um jeito em tudo, mesmo sabendo o quanto ele iria sofrer com o rompimento... Eu amava Jake sim, mas apenas como um irmão. O meu coração se apertava por saber que o quanto eu iria magoá-lo...

Há três dias tínhamos ficados noivos e ontem à noite mesmo ele viajou para o Canadá, para adquirir novas peças para a galeria. Jacob vivia viajando... E eu estava prestes a embarcar para Tucson, cidade situada ao sul do estado do Arizona, um fim de mundo, a pedido de Renée é lógico, para olhar umas tapeçarias de uma pequena loja de antiguidades que iria fechar. A proprietária conhecia minha mãe há anos e mandara um email para ela avisando que estava se desfazendo da loja... e como sempre sobrou para mim.

Ouvi pelos auto falantes mais um chamado para o meu vôo. Enxuguei as mãos e o rosto apressada, tirei o anel do meu dedo com um nó na garganta e aguardei-o na minha bolsa, pois realmente não pretendia mais usá-lo e me apressei saindo do banheiro. Andando de cabeça baixa não vi um homem que estava bem à minha frente e esbarrei com força nas costas dele. Sentindo um arrepio estranho percorrer todo o meu corpo com o contato, fazendo com que o desconhecido derrubasse suas coisas no chão e eu ficasse morta de vergonha.

— Me desculpe! Por favor, eu estava distraída e não vi você...

Me baixei depressa, tentando consertar o estrago que tinha feito. Eu estava falando e apanhando as coisas juntamente com ele e observando duas mãos másculas e levemente bronzeadas, quando o mesmo ergueu a cabeça, embaixo do enorme chapéu de cowboy e eu arregalei os olhos. Segurei a respiração... O mundo parou. Aquele era o homem mais bonito que eu já tinha visto...

Olhos verdes intensos, que me observavam fixamente, queixo quadrado e firme, nariz reto, boca sensual, e os cabelos... Num tom diferente e único... cabelos castanhos acobreados e absolutamente bagunçados... Respirei fundo tentando me recompor, pois eu estava embriagada com a beleza dele e me desculpei outra vez.

— Me desculpe...

Ele me deu um lindo sorriso torto e eu quase caí de cara no chão. Meu Deus! Que homem deslumbrante é esse????

— Tudo bem. Acontece.

Meu coração batia alucinado e a minha boca estava completamente seca. Entreguei o restante das coisas que eu havia “catado” desajeitadamente do chão a ele, dei um breve e amarelo sorriso e saí dali antes que eu fizesse mais alguma besteira.

Ao terceiro e último chamado para o embarque, eu respirei profundamente e me apresentei entregando a passagem e me encaminhando para o avião, embora ainda estivesse tremendo um pouco. Coragem sua tonta, pensei tentando manter os meus passos firmes. Em breve o avião já terá pousado e você estará novamente com os pés em terra firme.

Edward Cullen.

Eu andava apressado em meio à multidão que lotava o aeroporto, ignorando o burburinho e a agitação crescente daquelas pessoas. Apressei o passo me dirigindo para painel que mostrava todos os vôos que chegavam ou partiam da cidade de Phoenix... Eu não via a hora de chegar em casa, mas aquela viagem havia valido a pena. Sorri com a constatação.

Há pouco mais de um ano eu estava criando cavalos da Raça Appaloosa. Ágeis, rústicos, velozes e resistentes, os cavalos pintados vinham atraindo a atenção de muitos setores nos últimos cinco anos.

Suspirei cansado. Eu não podia me dar ao luxo de me ausentar da fazenda por quatro dias seguidos, mas foi uma decisão acertada ter vindo participar da Convenção do Cavalo Appaloosa Horse Club — APHC, entidade que se tinha por objetivo maior preservar a história da Raça e garantir seu desenvolvimento e a sua reprodução. Dentre estes objetivos estavam à utilização do cavalo no esporte, lazer e terapia com crianças especiais, práticas que começaram a crescer bastante de uns anos para cá. Assim criadores, rancheiros, profissionais do cavalo, esportistas e entidades não governamentais hoje estavam envolvidos e engajados na criação da raça.

Eu buscava uma seleção de animais fortes, velozes e corajosos, mas que também tivesse nos genes a capacidade de transmissão da pelagem exótica típica dos Appaloosa... Cavalo com características únicas: pelagem pintada, cascos rajados, pele malhada e a esclerótica branca (membrana que envolve a córnea do animal). Eu tinha grandes esperanças de conseguir reproduzir animais saudáveis e viris, e assim aumentar a minha renda em um espaço de tempo relativamente curto, e se já estava otimista antes da Convenção, agora é que o meu entusiasmo aumentara ainda mais. As habilidades desses animais como cavalos funcionais e de esporte passaram a ser cultivadas ultimamente nos rodeios, vitrine maior das competições dos rancheiros americanos e uma porta aberta para grandes negócios e excelentes oportunidades para se ganhar dinheiro.

Um dos criadores mais antigos havia dado uma palestra ontem à noite e mostrou a todos que tinha conseguido vender um potro por 350.000 mil dólares há cerca de três semanas. Aquilo era como música para os meus ouvidos... Exatamente o que eu precisava, especialmente agora que todo o meu dinheiro havia sido investido na compra dos animais e nas técnicas de fertilização. Ao todo eu possuía oito animais, sendo dois garanhões e seis fêmeas, das quais duas delas estavam prenhas.

Suspirei. Aquela era a única coisa pela qual eu me interessava desde que havia deixado o exército. Desde pequeno eu falava em ser um soldado, mas a minha mãe rezava sempre pedindo a Deus que tirasse aquela idéia maluca da minha cabeça. Quanto mais ela era contra, maior era a minha vontade de servir ao país. Dona Esme bem que gostaria e com toda certeza aprovaria qualquer outra carreira. Eu poderia ser médico como o meu pai ou o meu irmão mais velho, Emmett... engenheiro, agrônomo, veterinário, uma vez que sempre gostei de animais ou qualquer outra coisa, mas não teve jeito. Eu tinha uma verdadeira paixão pelo exército.

Assim que acabei o colegial eu me alistei e rapidamente alcancei um posto diferenciado dentro do batalhão. Isso só foi possível graças as minhas habilidades, agilidade, total dedicação e capacidade de sobrevivência. Eu dava o máximo de mim em todas as etapas, simulações e treinamentos. Sem falar que de todos os homens ali, eu era o mais rápido nos treinos e exercícios de corridas.

Quando a Guerra contra o Iraque estourou e eu fui convocado, minha mãe quase surtou de vez. Ainda lembro perfeitamente de suas palavras antes de eu embarcar para o Oriente Médio, agarrada ao pescoço do meu pai, que me olhava com ansiedade e preocupação...

“Volte vivo meu filho. Eu preciso que você volte para casa vivo, ouviu?”

E eu tinha voltado vivo, mas apenas por fora. Por dentro eu estava arrasado com as mortes e a destruição que presenciei naquela terra de ninguém. O meu passado parecia tão distante... Suspirei ao pensar naquilo tudo, quando fui bruscamente interrompido por alguém que tinha esbarrado nas minhas costas, fazendo com que um arrepio estranho e prazeroso transpassasse o meu corpo, e fazendo também com que eu derrubasse alguns objetos que trazia em minhas mãos.

Virei-me visivelmente irritado e me baixei para pegar as minhas coisas ao mesmo tempo em que uma mulher pedia desculpas e fazia a mesma coisa. Ela ergueu a cabeça por um momento e a minha irritação desapareceu por completo, como num passe de mágica.

Eu tinha na minha frente os olhos castanhos mais lindos que já vi em toda a minha vida. Eles pareciam com ônix derretido. Eu parei por um momento, encantado com a beleza daquela mulher... Delicada, pele branca e suave como o veludo, cabelos castanhos e longos, cacheados nas pontas, caindo sobre seus ombros como uma cascata... Eles exalavam um cheiro de cerejas ou talvez morangos, não sei ao certo... mas era simplesmente delicioso...

Seu corpo era gracioso e o conjunto de saia e blusa de seda azul que estava usando apenas evidenciava isso ainda mais. Um calor começou a subir pelo meu corpo, o meu instinto masculino veio à tona rapidamente e com força total.

‘’Mas que merda, Edward’’ pensei enquanto a observava. Controle-se! O rosto feminino em forma de coração, seu nariz pequeno e afilado, a boca carnuda, pedindo para ser beijada... Ela era realmente linda. Ficamos assim durante alguns segundos, nossos olhares presos um ao outro, até que ela respirou fundo e fechou os olhos interrompendo o contato, pedindo desculpas mais uma vez.

Eu lhe dei um sorriso dizendo que aquelas coisas aconteciam. Nós nos levantamos e ela me entregou o que havia apanhado do chão, me deu um sorriso sem graça e virou as costas para mim, se empertigando e seguindo com passos firmes até o setor de embarque.

Enquanto isso eu me deliciava com a visão do rebolado dos seus quadris, das suas pernas magras e bem feitas, destacadas pelo sapato de salto alto e o seu traseiro arrebitado, perfeitamente marcado pelo tecido fino da seda. O corpo era delicado e sinuoso, cheio de curvas tentadoras e ao mesmo tempo suaves. Fiquei olhando-a até que desaparecesse do meu campo de visão, misturando-se aos outros passageiros.

Suspirei. Desde Jéssica, não olhava para ninguém com tanto interesse. Jéssica... Sorri amargo ao lembrar-me do fim de nosso conturbado relacionamento. Eu ainda não havia conseguido me recuperar totalmente. Se não fossem os cavalos e a fazenda para preencher a minha cabeça, com certeza eu teria pirado, ou me entregado a bebida ou a algum outro vício.

Imerso naqueles pensamentos, demorei a perceber que aquele era o último chamado para o meu vôo e praguejando baixinho, apressei o passo e me dirigi ao setor de embarque entregando a passagem a uma moça que me encarou com indisfarçável interesse. Ignorei, deixando claro que não estava interessado. A última coisa que eu precisava nesse momento era me interessar ou me envolver com uma mulher. Com toda certeza eu ainda não me sentia de forma alguma preparado para isso.

Ela me devolveu o ticket e eu agradeci com um gesto, me encaminhando para o embarque, alheio a tudo o que se passava ao meu redor. Entrei no avião e não demorei a localizar o meu assento, mas parei subitamente ao me dar conta de que a linda estranha que havia esbarrado em mim há poucos minutos atrás estava sentada na cadeira exatamente ao lado da minha. Porra! Seria pura coincidência ou o destino resolveu me pregar uma peça?

Ela estava visivelmente tensa, com a respiração meio presa e mantinha os olhos fechados. Tirei o chapéu, passei a mão pelos cabelos involuntariamente, me aproximei devagar e parei ao se lado.

— Se você puder me dar licença... — Falei, e a minha voz saiu rouca e abafada, enquanto ela dava um pulo da cadeira assustada.

— O meu lugar é esse aí e eu gostaria de me sentar...

Notas finais
Pra quem quiser ver a raça do cavalo segue o link:
http://relincho.blogspot.com/2009/07/esta-semana-vamos-falar-do-apalosa.html

beijos e até sexta.
Kiki