Nebulosa
3 Capítulo 3 – Diálogo.
Notas iniciais
Bem gente quero dizer que eu e Tina estamos extremamente felizes com as recomendações feitas por vocês logo de cara, muito, muito Obrigado por recomendar:
miley_vendite, danete, colorada, j91hm, Rayannereis, meryarruda e luana_gayo
Porra vocês são fantásticas
Isabella Swan.
Eu estava sentada, com os olhos fechados fazendo a respiração diafragmática que Jacob havia me ensinado, esperando que aquilo me acalmasse quando aquela voz rouca, sexy e penetrante me fez pular de susto. O mesmo homem lindo em quem eu havia esbarrado acidentalmente se encontrava ali parado junto ao meu assento pedindo licença para sentar.
Levantei desajeitada e fui para o corredor esperando pacientemente que ele se acomodasse. Era só o que me faltava! Ele seria o meu acompanhante durante a viagem a Tucson e do jeito que eu estava nervosa terminaria tendo uma crise de pânico ou um chilique na frente daquele deslumbrante desconhecido. Imagina só o tamanho do mico... Eu não queria nem pesar!
Quando ele colocou o cinto eu respirei profundamente e retornei para o meu assento no avião, afivelando o meu. O silêncio estava um tanto desconfortável e acho que ele também percebeu, pois começou a falar logo em seguida.
— Está nervosa?
Perguntou.
— Sim. — Respondi olhando fixamente para as costas da cadeira na minha frente.
— Não está acostumada com aviões, — Ele disse com sua voz rouca e uma calma irritante. Eu podia sentir seus olhos cravados em mim.
Além de bonito também é petulante, pensei. Virei-me para ele antes de falar.
— Se está perguntando se é a minha primeira vez num avião, a resposta é não. Já voei diversas vezes, mas infelizmente não consigo me acostumar. — respondi tentando ser educada e polida.
— Tente lembrar que aviões são o meio de transporte mais seguro que existe atualmente. A propósito meu nome é Edward Cullen. — Ele disse isso e sorriu para mim estendendo a mão.
Eu parecia uma pomba lesa. Estava embasbacada diante de tanta beleza e senti o meu coração acelerar e a minha boca ficar seca. Demorou alguns segundos para o meu cérebro processar a informação, estender a minha mão e apertar a dele... Mas antes eu não tivesse feito isso. Uma corrente elétrica se apoderou de nós e me fez soltar a mão dele rapidamente. Olhei para ele surpresa e pude perceber a mesma surpresa em seu rosto.
Mas. Que. Droga. Foi. Aquela?
— Eu... Eu sou Isabella Swan.
— Muito prazer Isabella. Está indo a Tucson a passeio ou a negócios?
— Negócios. E você?
Ele encostou-se ao assento, relaxando.
— Estou voltando pra casa. Eu moro lá, numa fazenda próxima a cidade.
— Hum-Hum. — Assenti com a cabeça.
— Com o que você trabalha Isabella?
Por que ele estava fazendo tantas perguntas? Será que não poderia ficar quieto e me deixar em paz? Nós já estávamos quase decolando...
— Por que quer saber?
Perguntei dando um sorriso tímido.
— Essa é uma boa pergunta...
Ele respondeu desviando os olhos por alguns instantes. Resolvi responder logo e saciar a curiosidade dele de uma vez. Quem sabe depois ele me deixava em paz...
— Trabalho com antiguidades. Tenho um pequeno antiquário em uma cidade no interior de Washington.
Olhei para ele que me estudava com atenção.
— Washington?
Ele perguntou curioso.
— Sim.
— Você mora lá...
— Isso mesmo.
— Então deve gostar um bocado de chuva...
Baixei a cabeça com o comentário dele, disfarçando um sorriso.
— Se quer mesmo saber eu odeio o frio, a chuva, a umidade, o tempo chuvoso...
— Então por que mora numa cidade assim?
— É meio complicado. — falei tentando ver se ele desistia do assunto...
— Tenho certeza de que consigo acompanhar perfeitamente...
Nesse instante fomos interrompidos pela comissária de bordo que lia os avisos de praxe e pedia que todos permanecessem sentados em seus lugares e com os cintos de segurança. Gelei, tremi e suei frio, encostando as minhas costas no encosto e afundando na cadeira. Ele notou claro, mas não disse nada. E graças a Deus não me tocou de novo, pois eu não sabia de que forma iria reagir.
Depois da horrível sensação do vácuo da aeronave na subida, eu comecei a relaxar e ele voltou a falar.
— Então não vai me contar?
Olhei para ele confusa com aquelas palavras.
— Sobre o que?
— Por que mora no Estado mais chuvoso do país se não gosta de chuva...
— Ah, isso.
— Sim.
Ele sorriu e eu quase desfaleci. Ele tava me paquerando, flertando comigo???? Não podia ser... Ele era deslumbrante e eu era apenas uma moça simples e bonitinha... O que havia de tão intrigante nesse cowboy?
— Bom, quando eu tinha dezessete anos a minha mãe casou novamente, então para dar um pouco mais de privacidade a ela e ao seu novo marido, resolvi ir morar com o meu pai.
— Você não gostava do cara...
Fiz um ar de riso ao ouvir aquilo. Por que todo mundo pensava exatamente a mesma coisa? Tratei de esclarecer.
— Não foi por isso. Phil sempre foi legal comigo, mas eu achei que era melhor deixar eles dois sozinhos e passar mais tempo com o meu pai. Só que eu fui ficando, fazendo novos amigos...
— É compreensível.
Continuamos conversando até que pedi licença e fui ao banheiro. Na verdade eu odiava o aperto no banheiro dos aviões, mas queria ficar um pouco sozinha. Olhei meu rosto no espelho e estava muito pálido. Bom, pelo menos os meus cabelos estavam em ordem. Eu nunca tinha sido vaidosa antes, mas agora eu gostaria de parecer ao menos interessante. Aquele homem me fascinava de uma maneira única... Só de pensar em como seria passar uma noite nos braços dele, as minhas mãos ficavam suadas e eu ofegava. Joguei um pouco d’água no rosto e no pescoço para diminuir o “calor” e retoquei a maquiagem. Satisfeita com o resultado voltei para o meu lugar.
Edward Cullen.
Mas que porra tava acontecendo comigo afinal? Eu parecia uma matraca puxando conversa com aquela mulher! Desde quando você é tão gentil e tão falante Edward Cullen???? Que droga!
Juro que não sei o que deu em mim, mas eu queria ouvir a voz dela, queria vê-la sorrir... Ela tinha um sorriso tímido lindo e também tinha pânico de voar... Dava para notar de longe o medo que ela sentia.
Isabella não era casada e nem noiva pelo que eu pude ver, pois não usava aliança alguma... E despertava em mim um instinto inexplicável de proteção... Talvez por sua aparência frágil e delicada, muito embora Jéssica também fosse assim, pensei amargo.
As mulheres conseguiam ser pior do que as mais peçonhentas cobras às vezes... Depois que você é picado por uma, dificilmente vai ignorar seus sentidos de defesa ou se entregar ao lidar com as outras... E eu sei que nem todas são assim, mas como aprendi isso na própria carne, fica praticamente impossível confiar...
Tentei fazer com que ela relaxasse, mas foi em vão. Então fiquei puxando conversa e me apresentei, mas quando ela me tocou... Não sei. Que. Droga. Foi. Aquela. Parecia uma pequena descarga elétrica envolvendo nossas mãos... um choque, fagulhas percorreram a minha pele... O ar ficou carregado de uma tensão estranha... Eu jamais tinha sentido aquilo antes. Ela largou aminha mão e me olhou espantada e confesso que eu também estava do mesmo jeito...
Eu sabia que atraía as mulheres como um ímã. Com 1,85m, corpo magro, musculoso e olhos verdes, eu sempre me destacava nos lugares, sem querer me gabar... Estava acostumado com o interesse feminino, mas um novo relacionamento com alguém agora não fazia parte dos meus planos. Algumas feridas ainda não tinham cicatrizado. Depois do fracasso amoroso que tive com Jéssica eu sequer cogitaria me envolver afetivamente nesse momento em que as minhas preocupações eram todas voltadas para a criação dos cavalos.
Eu e meus irmãos Emmett, o mais velho e Alice a caçula, fomos criados na fazenda Masen que pertencia aos nossos ancestrais e depois aos nossos pais. A nossa infância foi maravilhosa. Sempre tivemos uma situação financeira privilegiada, pois o meu pai é médico e minha mãe decoradora. Com o passar do tempo, a vida na fazenda foi se tornando monótona e sem graça para Alice e Emmett... Assim meus irmãos resolveram mudar para a cidade, onde sempre tem mais agitação e as coisas estão mais perto, ao nosso alcance... Enquanto eu fui para o exército.
Meus pais então sozinhos mudaram também para acidade, mas mantiveram a fazenda para que fosse minha quando eu retornasse. Eles sabiam que dos três, o que mais gostava da fazenda era eu. Na realidade eu adorava aquele lugar. Agradeci demais a eles por isso.
Emmett havia seguido os passos do nosso pai e era médico, só que oftalmologista, enquanto papai era traumatologista. Alice sempre gostou de moda e abriu uma butique de roupas caras e de marcas famosas no centro de Tucson. A loja dela era uma das melhores da região e todas as madames e peruas faziam compras de roupas lá... E eu assim que voltei do Oriente Médio, decidi perseguir e tornar realidade o meu sonho de ser fazendeiro. E nunca o futuro me pareceu tão promissor como agora... eu estava com a cabeça fervilhando de idéias e expectativas, até que ela se levantou para ir ao banheiro e eu não pude evitar acompanhá-la com o meu cobiçoso olhar...
Porra... A mulher era realmente deliciosa... Me peguei olhando novamente para o seu traseiro empinado, descendo pelas coxas e o seu belo par de pernas e o meu “amiguinho” pulou dentro da minha calça. Merda! Praguejei mentalmente e mudei de posição tentando disfarçar a minha ereção.
Isabella era uma mistura de diversas coisas em uma só, mas os seus olhos... Eram doces e intensos... Enevoados e misteriosos... Como uma intrigante “Nebulosa”... Sorri intimamente ao pensar naquilo... “Nebulosa” combina perfeitamente com ela... Suspirei. Eu estava há muito tempo sem mulher... O sexo casual não me interessava e assim eu preferia continuar com a minha solidão... Mas os efeitos daquela demora neste momento estavam bastante visíveis sob a minha roupa.
*** Um maravilho espetáculo do universo... As nebulosas são nuvens de poeiracósmica, hidrogênio e plasma. São constantemente regiões de formação de estrelas, como a Nebulosa da Águia. Esta nebulosa forma uma das mais belas e famosas fotos da NASA, "Os Pilares da Criação".
** Fic também é cultura...
Chamei a Comissária de Bordo, que veio prontamente e pedi um drinque... Ela me deu um enorme sorriso e piscou um olho pra mim... Eu revirei os olhos. A mulherada caía em cima mesmo... Nem num avião podemos ficar sossegados?!
Ao mesmo tempo em que senti um leve toque da aeromoça no meu ombro trazendo-me a bebida, Isabella voltava para o meu lado. Eu precisava fazer alguma coisa antes que a situação saísse do controle e para aplacar o meu desejo, ou eu terminaria agarrando Isabella ali mesmo...
Enquanto ela se acomodava, beberiquei o uísque um pouco, esperando que desta vez ela quebrasse o silêncio, o que não demorou a acontecer...
Ele se virou para mim com um ar de riso que deixava duas covinhas naquele rosto perfeito. Parecia uma menininha...
— E você trabalha com o que?
Perguntou com sua voz rouca.
— Eu sou fazendeiro e crio cavalos da Raça Appaloosa. — Falei observando a sua reação. Ela franziu o cenho e demorou alguns segundos para falar...
— Appaloosa? Não são os cavalos selvagens dos índios?
E não é que ela entendia alguma coisa sobre cavalos. Fiquei realmente surpreso.
— Sim, são eles, mas há muito tempo que deixaram de ser “apenas os cavalos selvagens dos índios”...
— Sério?
Ela perguntou com visível interesse.
— Eles hoje são muito utilizados na prática de esportes, nos rodeios, para montaria nas fazendas...
— Mas ainda existem os cavalos selvagens?
— Com certeza Isabella.
Ela me deu um tímido sorriso e eu estava adorando conversar com aquela mulher, tenho de admitir. O tempo passou e eu não me dei conta até que um aviso do piloto nos interrompeu...
“Boa tarde senhoras e senhores passageiros, aqui quem fala é o comandante. Eu gostaria de informar que devido a alguns problemas nas principais pistas do Aeroporto Internacional de Tucson, nós estamos nos desviando para um campo de pouso em Catalina, uma das cidades vizinhas. De lá vocês serão levados a Tucson. Obrigado a todos e tenham uma boa tarde”.
Fiquei intrigado na mesma hora. Como? Que tipo de problemas? O aeroporto de Tucson era gigantesco e atendia toda a demanda do condado e das demais cidades vizinhas. O que será que estava acontecendo afinal? Senti o familiar frio na barriga e um arrepio na base da minha espinha... o que sempre acontecia quando o meu sexto sentido me avisava que alguma coisa estava errada. Os anos no exercito me ensinaram a desconfiar das coisas, a ler nas entrelinhas e manter os meus dois pés atrás em determinadas situações. Eu estava me questionando sobre isso quando pude perceber que ela estava totalmente encolhida na cadeira e muito pálida. Claro, seu idiota! Ela tem pavor de voar e acaba de receber uma notícia pra lá de estranha... Não é de se admirar que esteja tensa.
Virei-me para ela e toquei de leve o seu ombro, sentindo os mesmos arrepios estranhos na minha pele. Ela me encarou ainda pálida, mas surpresa com o toque. E eu pude perceber o quanto ela estava arrepiada... Pela gola da delicada blusa eu vi claramente os pêlos de sua nuca eriçados... E aquilo me atingiu em cheio, juntamente com o delicioso aroma dos cabelos castanhos... Ela reagia a mim de uma maneira especial e única.
Engoli em seco tentando me focar no que eu iria dizer.
— Fique calma.
— Você... você não acha isso estranho?
Claro que eu achava. E bota estranho nisso, mas eu não queria deixá-la ainda mais nervosa do que já se encontrava.
— Talvez tenha acontecido algum acidente...
Ela me olhou espantada, com os olhos esbugalhados quase saltando das órbitas. Merda, Edward! Eu tinha logo que falar em acidente! Sutil igual a um elefante!
— Ou talvez as pistas precisem de manutenção...
Ela me olhava desconfiada.
— Como você sabe disso. — Perguntou tão baixinho que eu tive de fazer um esforço para poder ouvi-la.
— Eu já fui do exército. É normal as tropas serem requisitadas para realizarem este tipo de reparo quando necessário.
Ela assentiu, mas ainda estava tensa, e permaneceu assim até que o avião aterrissou alguns minutos depois no campo de pouso em Catalina.
Notas finais
beijinhos para todas e nos vemos amanhã em Coração de Gelo.
Kiki
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