Natural Disaster
31 Capítulo 31 - Doses de bondade e de ódio
Notas iniciais
Esse capítulo tá bem grande...Parece que vai ser um capítulo normalzinho, onde tudo dá certo, mas....Enfim, leiam até o final O.O' Sem spoiler! Vou aproveitar pra avisar que tô escrevendo uma fic nova de comédia e logo logo vou postar aqui. Quem gosta de como eu escrevo e quiser dar uma forcinha...vou ficar muito grata! Tô atualizando bem rápido até po! Beijoss gente, espero que gostem desse capítulo! C-O-M-E-N-T-E-M, PELO AMOOOOR *-*
Robert apresentou Derick, Willian e David a todos que se encontravam na grande sala e a receptividade foi algo tocante, eram pessoas hospitaleiras e calorosas. O assistente social pediu que os três pegassem esteiras de palha e se sentassem nos fundos do salão. Eles obedeceram, reparando que não havia quase nenhuma cadeira no local, e a maioria das crianças e adolescentes se sentava em esteiras como aquelas ou diretamente no chão de cimento puro. Sentaram-se para assistir às palestras e relatos que iriam acontecer ali. Era costume daquela ONG que semanalmente ocorressem conversas para que os jovens pudessem dividir suas experiências e conquistas.
– Irmãos... Eu queria dizer que estou muito feliz. – Disse o primeiro jovem, que regulava mais ou menos 15 anos, era magrelo, de roupas simples e chinelos velhos, uma aparência realmente humilde. – Eu já to conseguindo algum dinheiro trabalhando numa obra e to conseguindo comprar as coisas pros meus moleques sem ter que roubar ninguém... – O garoto falava de uma forma comovente. – E hoje eu recebi a notícia de que vou poder voltar a estudar, conseguiram uma vaga pra mim na 6ª série do turno da noite. – Ele sorria com seus dentes tortos e amarelados. – Eu vou vencer! Todos ali gritaram e bateram palmas, felizes de verdade pela conquista do jovem, inclusive Derick, Willian e David. Derick ainda estava com o olhar perdido e de certa forma amedrontado, apenas ouvindo em silêncio, um tanto quanto assustado por estarem comemorando tanto algo que para ele parecia tão pequeno. Foram mais ou menos uns seis depoimentos de jovens carentes, meninos e meninas que batalhavam diariamente para conseguir viver com dignidade. Praticamente todos aqueles jovens tinham histórias de vida traumáticas e vinham de famílias sem estrutura, sendo vitimas de todo tipo de violência, fome e maus tratos, tendo sido privados de seus direitos mais básicos como seres humanos. Cada pequena conquista significava para eles uma grande vitória contra todo um sistema de graves desigualdades sociais.– Que cara é essa, Junior? – Disse Willian sarcasticamente ao reparar na expressão amedrontada de Derick.– Junior? – Derick perguntou, levando um susto. – Que Junior!?– Você, filhinho de papai. – Will e David começaram a rir discretamente. – Ficou magoadinho com as histórias que ouviu aqui? – Continuou o moreno, praticamente debochando da reação de Derick, que ficou sem palavras para responder e apenas abaixou a cabeça. – Filhinho de papai que você adoraria ter sido, não é mesmo? – A voz grave de Jax invadiu aquela conversa, e na mesma hora Willian e David se calaram constrangidos. – Vocês dois, parem de fazer piadas ridículas, parecem menininhas invejosas... Vocês adorariam ter tido uma vida de “Junior”!– Eu não quero saber desse tipo de comportamento, eu não vou tolerar. – A voz de Robert também surgiu na conversa, impondo limites aos jovens que estavam sob sua responsabilidade. – Os três estão aqui para aprender, os três fizeram coisas graves e aqui irão se reeducar. Aqui não existe diferença entre o pobre e o “Junior”, mesmo que lá fora as diferenças existam aqui dentro vocês serão tratados como iguais. – Encerrou o homem, com firmeza e pulso, controlando a situação. Apesar de todos terem se calado, David parecia não ter engolido aquela lição de moral:– Palhaçada! – Ele falou em um tom baixo, impossibilitando que Jax e Robert escutassem. – A farsa da igualdade... – O raquítico garoto balançou a cabeça em sinal de negação. – Nunca seremos iguais. – Os outros dois ouviram as reclamações de David, mas não o delataram, permaneceram quietos. A MUTARE apresentava atividades tanto educacionais quanto culturais e cada um dos colaboradores ou voluntários se prontificava para ajudar em uma das áreas de acordo com seus conhecimentos, que seriam repassados às crianças e adolescentes. Robert já havia percebido que Willian era muito bom nos esportes e logo o encaminhou para contribuir ajudando as crianças nessas atividades junto a professores de educação física voluntários. David gostava de desenhar, e, por não ter tido muito dinheiro para comprar lápis, canetas e papéis, aprendeu a fazer sua arte se tornar bonita utilizando materiais muito simples como barras de carvão. O assistente social também se aproveitou dessa habilidade do jovem, o encaminhando para ajudar na área de desenhos e pinturas. Naquela ONG ainda não havia um trabalho pesado em relação à música, mas como Derick tocava com categoria, Robert resolveu explorar aquela área, tendo o deixado como um dos encarregados de desenvolver a musicalidade dos jovens. Além disso, o garoto era superdotado, e isso não poderia ser ignorado, então semanalmente ele ficou responsável por preparar seminários sobre diversos assuntos a fim de manter aqueles jovens carentes mais próximos do universo da ciência. Durante aquela tarde aconteceram atividades de integração e Derick fez questão de participar ativamente de todas. Robert o fez entrar em uma das salas da ONG. Nessa sala havia alguns instrumentos musicais antigos e em mal estado, que alguns adolescentes utilizavam enquanto cantavam um Rap de protesto. Derick assistiu surpreso àquela manifestação e aos poucos foi compreendendo que no mundo havia pessoas em situações muito mais alarmantes que as dele, não quis falar nada, apenas conversou com alguns dos jovens, refletiu sobre sua vida e se sentiu grato por tudo de bom que possuia. De repente o medo foi sendo substituído por outro sentimento, por uma vontade imensa de ajudar e fazer o bem.
No fim da tarde, mais ou menos umas 19 horas, Derick foi deixado no portão da mansão dos Becker, onde família estava nervosa aguardando pela volta do primogênito. Fátima rezava para que o neto chegasse bem, estava nervosa demais, pois nunca em sua vida havia imaginado alguém de sua família em uma situação como aquela. Robert o deixou de fato na porta da mansão e o garoto entrou normalmente, inclusive cumprimentando os seguranças, mas antes que atravessasse a porta para encontrar seus familiares, recebeu uma ligação de Giulio, e a atendeu:– Brother, me ajuda... – Derick ouvia tosses do outro lado da linha. – Eu preciso que você me encontre agora com o resto do dinheiro, precisa ser agora ou eles... –Giulio estava chorando, com a voz trêmula e além das tosses, agora era possível perceber que ele recebia muitos socos e chutes. – Me ajuda... – Era agoniante, Derick sabia que algo de muito grave estava acontecendo com seu amigo.– Eu vou dar um jeito, onde você está!? – Falou Derick apavorado enquanto o amigo dizia a localização. – Eu já to indo, fala pra eles que eu já to indo, eu pago até mais se precisar, só quero que parem de te bater!– É melhor pagar bem mesmo, quero pelo menos mais mil pra deixar a cara do seu amiguinho reconhecível, você não sabe como eu sou bom em desfigurar as pessoas... E eu quero isso em duas horas no máximo. – A voz no outro lado da linha era cavernosa, Derick não era covarde, mas aquela voz era de fato assustadora e o traficante ria, debochava, parecia sentir um prazer sádico naquilo tudo e então Derick começou a se desesperar. – Calma, eu não sou burro garoto, eu só quero meu dinheiro, que o seu amigo comprou e não pagou. E essa negociação é SEM POLÍCIA. Porque se tiver... – Gargalhou malignamente o homem. – Se tiver polícia, se um policialzinho sequer me ligar... Ah...Seu amigo gosta de tocar baixo, não é mesmo? Seria uma pena se o seu amiguinho perdesse os dedos das duas mãos... Lembrando que você tem duas horas. – O traficante desligou e Derick ficou atordoado, suando frio, sem saber o que fazer. Olhou para o relógio e percebeu que o local onde Giulio estava era longe, se ficasse muito tempo ali parado pensando, chegaria em muito mais de duas horas e Derick temia pelo que poderia acontecer com seu amigo. Resolveu então pedir um taxi, passaria em algum caixa eletrônico e retiraria a quantia, era apenas questão de pagar a dívida e ir embora, não poderia arriscar, ele sabia mais do que ninguém que traficantes não brincam. Havia câmeras em todos os cantos daquela mansão, então Derick não teria outro jeito de ir encontrar com seu amigo sem antes avisar à sua família que sairia de casa. Ligou primeiramente para o taxi como se fosse sair para um local qualquer, e logo em seguida entrou na sala de sua casa, dando de cara com todos os seus parentes, que o aguardavam com muita ansiedade. Tentou manter o sangue frio e não mostrar seu nervosismo enquanto sua avó o abraçava e todos o cobriam de perguntas sobre seu dia. – Foi tudo bem gente... — Ele disse enquanto tentava esconder o pavor. – Eu só tive que ajudar umas crianças de uma ONG, até que foi legal.– E é só isso que tem pra contar, mano? – Perguntou Peter estranhando o fato de o irmão estar falando tão pouco sobre um dia tão importante. – E como era o lugar?– Peter, eu to exausto... Tem como conversarmos mais tarde? – Completou Derick.– Nossa, nós só estamos curiosos, não deve ter sido tão bom assim pra você estar com esse mau humor. – Afirmou Ralf indignado com o comportamento lacônico do filho. – É melhor ir pra cama então...– Eu to indo encontrar a Cath, já pedi um taxi, amanhã nós conversamos melhor, tudo bem? – Disse Derick tentando contornar a situação, era o pretexto que encontrara para sair de casa àquela hora. – Hmm. – Ralf não estava nada satisfeito com aquilo.– Deixa o menino se distrair um pouco Ralf, ele precisa relaxar! Hoje não deve ter sido um dia fácil. – Lilian abraçou o filho, mostrando solidariedade. – Vai com Deus meu amor, e não volte tarde. – Obrigado mãe. – Agradeceu Derick enquanto se despediu de todos com abraços e saiu em direção ao portão da mansão para esperar o taxi. O garoto teve apenas que esperar por 5 minutos, e logo o taxi chegou. Ele entrou rapidamente no carro e pediu o motorista que o levasse ao banco mais próximo o mais rápido possível. O motorista obedeceu prontamente e Derick sacou o dinheiro. Antes de dizer o local para a próxima parada ao taxista, o garoto hesitou por alguns instantes, pensando em talvez chamar a polícia. No entanto, e se algo desse errado e seu amigo sofresse mais alguma violência por sua causa? Nunca se perdoaria, percebeu que era melhor então pagar logo a dívida, aquele dinheiro não lhe faria falta, e restava menos de uma hora para que chegasse ao local da negociação. Pediu então ao taxista que o levasse, indo pela rota mais curta que conhecesse, queria chegar logo para evitar que Giulio se ferisse ainda mais. O local era bem parecido ao que se localizava a ONG em que havia estado hoje durante a tarde. Outro local pútrido e perigoso, tanto que o taxista se recusou a esperá-lo resolver suas coisas com a justificativa de que dinheiro nenhum pagaria sua vida. Havia dois homens mal encarados na porta do local indicado por Giulio, que era uma casa escura, com os muros pichados, e Derick pôde ver que os homens carregavam pistolas.– E-e-e-u vim pagar uma dívida. – Disse o garoto enquanto gaguejava e suava frio. — P-p-p-osso entrar? – Eles assentiram sem dizer nem uma palavra e o garoto abriu a porta cautelosamente. Ao abrir, logo viu seu amigo caído no chão, com o rosto todo machucado, e amarrado pelos pulsos com uma corda grossa, estava desacordado. Ali dentro havia também mais dois outros homens fazendo a segurança, encarando Derick e prontos pra atirar a qualquer momento. Ao lado de Giulio havia um homem sentado em uma cadeira de costas para a porta e fumando, provavelmente o chefe da gangue.– Pronto, o dinheiro ta aqui... – O garoto disse colocando um envelope lotado de notas em cima de uma pequena mesa de madeira. – Pode contar, não falta um centavo. Eu só quero levar o meu amigo e ir embora...– Jovenzinho Becker, você está me devendo tantas coisas que isso daí nem dinheiro algum pagam. — O homem disse ironicamente enquanto se virava e Derick teve que se esforçar para conseguir enxergar seu rosto, pois havia muita pouca luz no local. – Até que estou crescendo na vida... Isso daqui é muito melhor do que um porão... – Ernesto Bellini ria sadicamente enquanto os olhos de Derick ficavam vermelhos de ódio. Não sentia medo, só vontade de se vingar por tudo que ele havia feito a Catherine e talvez aquela fosse sua única chance, mesmo que sua vida acabasse ali.
Notas finais
Não sejam chatos, sair sem comentar nadinha é vacilação...se tiver ficado uma bosta pode falar também, só preciso de opiniões, comentar é de graça! KKKKKKKKKK Beijosss s2
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