Natural Disaster

30 Capítulo 30 - Um encontro com a realidade.


Notas iniciais
Postei rapidíssimo!!! *o* Ontem de madrugada me inspirei KKKKKKKKK Gastei toda a minha criatividade para nomes nesse capítulo e mesmo assim só consegui fazer com que os nomes ficassem razoáveis D': Enfim, foi o que deu pra sair (eu me esforcei, juro :/ ) Me digam nos comentários o que acharam do capítulo e se os nomes deram pro gasto! KKKKKKKKKKK Beijo gente, espero que gostem! *-*

A porta do quarto de Helena era de madeira e o apartamento era antigo, o que fazia com que as portas fossem grossas e resistentes, impedindo que Catherine conseguisse escutar a conversa de sua mãe pelo telefone. A garota então tentou abrir a porta, mas estava trancada. Resolveu então que a única forma de talvez descobrir alguma coisa seria pressionando sua mãe, sendo assim ficou ali parada esperando a hora que a mulher saísse do quarto, mais cedo ou mais tarde ela teria de sair.
Uma hora se passou e Cath já estava exausta de tanto esperar, havia sentado no chão daquele corredor com seu celular na mão tentando não se entediar enquanto esperava. De repente, recebeu uma mensagem em seu celular. Era de Derick, obviamente.
“E ai Cath, já sabe de alguma coisa? – Derick G. Becker
Não sei de nada ainda, minha mãe não saiu do quarto. E tá tudo bem com você? – Catherine Bellini
Tá tudo bem sim, na medida do possível. Assim que souber de alguma coisa é só chamar. – Derick G. Becker.”

Antes que pudesse responder, Catherine ouviu a porta se abrindo atrás de seu corpo e lá estava sua mãe, agindo naturalmente, indo em direção à sala colocar o telefone novamente no gancho.
– O que alguém de um hospital psiquiátrico queria contigo, mãe?– Ela perguntou.
– Não queria nada comigo, era engano. – Mentiu a mulher, e muito mal por sinal.
– Fala a verdade mãe, já chega de ficar me escondendo as coisas. Você ficou uma hora no telefone. – Cath insistiu. – Eu preciso saber de tudo, não agüento mais esses mistérios, isso me faz muito mal.
– Eu não tenho nada pra dizer! – A mulher sempre divertida repentinamente perdeu a paciência. – Nada! Se eu estou dizendo que foi engano é porque foi engano! Só fiquei uma hora no telefone porque acabei ligando para a sua prima, para saber como ela estava, faz tempo que não a vemos.
– Mãe, me conta...
– Esse assunto está encerrado. Acho que você já tá ficando paranóica.
E assim acabou a conversa entre as duas naquele dia. Helena havia dado vários cortes na filha e perdido a paciência, o que não era comum de acontecer, por isso Catherine apenas reafirmou para si mesma o que já pensava, com certeza a mulher escondia alguma coisa e ela estava determinada a descobrir o que era.
Antes de ir dormir, Cath ainda conversou um pouco com Derick pela internet, mostrando o quanto havia sido frustrante não ter descoberto nada. Ele se prontificou a ajudá-la a conseguir algumas informações, os contatos de seu pai talvez pudessem ser úteis. E era assim que funcionava aquela relação, na base do companheirismo, um sendo o alicerce do outro.
Derick também não se sentia bem naquele fim de dia, não conseguia parar de pensar no quanto sua vida iria mudar e que sim, agora teria uma participação muito menos ativa no projeto científico que desenvolvia. Pensaram juntos em várias formas de que o garoto pudesse se ausentar um pouco do laboratório sem desfalcar a equipe.

Juntos então decidiram propor ao professor Andrew que elegesse algum aluno bolsista para participar da pesquisa e ingressar na equipe a fim de que o projeto não tivesse seu andamento prejudicado. Naquele mesmo dia enviaram um email com esta proposta. A resposta chegou rapidamente e o professor se prontificou a entrevistar os possíveis alunos e eleger um para ser novo membro do projeto.
A semana seguiu seu rumo sem maiores problemas, apesar das desconfianças cada vez mais freqüentes de Catherine em relação a sua mãe, mas ela não havia tido tempo para retomar sua investigação, pois estava focada em ajudar o professor na busca pelo novo membro da equipe com tão pouco tempo disponível. A cada dia que se passava Derick estava cada vez mais nervoso e amedrontado e os dias pareceram se arrastar até a segunda-feira, dia o qual ele de fato iria começar a pagar sua dívida com a sociedade.
Finalmente o dia chegou. Durante as férias da faculdade, o garoto iria para o laboratório no turno da manhã e alguns dias à tarde iria prestar os devidos serviços à comunidade em uma ONG denominada MUTARE – Movimento Unificado de Transformação Ativa da Realidade. Derick teria de prestar serviços por muito tempo além de estar sendo monitorado praticamente 24 horas por dia pelo assistente social Robert Bailey.
Robert era um homem de 54 anos, cabelos grisalhos, pele clara e um pouco acima do peso. Era sarcástico, muito inteligente e demasiadamente respeitado por seus companheiros de profissão por sua competência extraordinária. Homossexual assumido e casado, o que nos faz pensar que sofria com deboches por parte dos menores infratores, mas isso não acontecia, pois o Sr. Bailey era admirado e respeitado em todas as estâncias.
Jax Razak era o fiel escudeiro de Robert. Era um homem de 23 anos, negro, alto, muito musculoso e que possuía uma grande cicatriz no rosto. Havia passado diversas vezes por reformatórios até conhecer o Sr. Bailey, que o apadrinhou e mudou sua vida. Jax saiu da marginalidade e dedicou sua vida ao estudo e a ajudar outros jovens a saírem do mundo do crime.
Já era uma hora da tarde, Robert, Jax e mais dois outros menores de idade já se encontravam em Bergenthal, aguardando pela saída de Derick do laboratório para partirem para a ONG. Giulio era outro que também aguardava pela saída do garoto do laboratório, simplesmente porque precisava de dinheiro emprestado para pagar suas dívidas com traficantes de drogas e Derick era o único amigo com condições financeiras e que faria de tudo para ajudá-lo.


Giulio era um tanto quanto abusado e estava sentado em cima do capo do carro do governo fumando impacientemente e resmungando pelo fato do amigo estar demorando para sair. Robert Bailey então decidiu pedir gentilmente para que o rapaz saísse de cima do carro. O problema era que ser gentil não era algo que o garoto sabia fazer, por isso, tudo que fez foi responder com grosseria:
– Seu velho escroto, vocês do governo não passam de porcos corruptos. Se esse carro é do governo ele também é meu, por isso posso até cagar em cima dele se eu quiser. – Disse Giulio de forma rude para o Sr. Bailey que apenas o olhou de cima a baixo soltando um sorriso irônico.
– Segundo o artigo 331 do código penal, desacatar servidor público no exercício de sua função é crime com pena de detenção de seis meses a dois anos ou multa. Sabia? – Robert respondeu.
– Ah é!? – O garoto começou a rir debochadamente. – FODA-SE. – Gritou Giulio enquanto subia em seu skate fazendo manobras arriscadas pelos corredores da faculdade, quase atropelando os estudantes que transitavam por ali. – Mimimimimi, vocês jovens são um bando de maconheiros perturbando a ordem pública, isso é tão ofensivo! – O garoto insistia em debochar como se quisesse tirar o senhor do sério. – Você está ofendendo a moral e os bons costumes, buá! Você me chamou de porco, que crueldade! O choro é livre, me processa então, o governo é uma merda, vocês são uns merdas, processa a porra que você quiser! – Jax Razak era outro que apenas observava com indiferença Giulio agindo como um idiota que se acha transgressor, mas no fundo não passa de uma criança birrenta.
Os dois outros menores infratores eram Willian Benson e David Harris, o primeiro tinha 17 anos, era grande, moreno, careca e apresentava feições ameaçadoras, o segundo era raquítico, com a pele bem pálida, também era careca e com um rosto também ameaçador. Ambos não se pronunciaram durante a patética exibição de Giulio, apenas olhavam para Jax como quem dissesse “Ele se arrependerá por isso”.
O novo membro do projeto de pesquisa era Iris Maddox, uma estudante de 18 anos do curso de medicina. Iris era uma menina sorridente e de rosto angelical, cabelos castanhos e lisos até os ombros, de personalidade meiga e amigável. Era muito dedicada a seu curso apresentando um coeficiente de rendimento elevado e tendo sido a escolhida para participar do projeto dentre outros vinte candidatos. Derick havia lhe explicado tudo que ela precisava fazer e a informado todos os detalhes do projeto.
O tempo passava e Giulio permanecia despejando insultos a Robert, à sociedade e ao governo sem perceber que tudo estava sendo gravado por Jax. Alguns outros estudantes assistiam àquela performance chocados e alguém já havia avisado aos guardas para que algum deles fosse repreendê-lo. No entanto, antes que algum guarda chegasse, Derick, Catherine e Iris saíram do laboratório.
– Giulio!? Que palhaçada é essa!? – Gritou Derick para o amigo, aquela situação lhe causou muita surpresa. Já sabia que o amigo era desordeiro, porém não estava esperando por aquela cena, principalmente naquele dia.
Catherine e Iris estavam com os olhos arregalados e em choque, se perguntando o que estava acontecendo e pensando que muito provavelmente o garoto estava drogado, ninguém que estivesse sóbrio passaria por um papel daqueles. Ao ouvir o grito de Derick, Giulio olhou para a porta do laboratório imediatamente. Viu então que havia uma garota desconhecida para ele, dona de um olhar tão doce que, por conta disso, ele acabou perdendo o equilíbrio e caiu do skate, batendo com o rosto na quina de um dos bancos de concreto localizados ali.
Ao observarem tal acidente, Derick, Catherine e Iris correram para socorrê-lo.
– Tá tudo bem com você? – Disse Iris segurando o rosto do garoto pelo queixo suavemente, procurando por algum ferimento mais grave no rapaz.
– Tá. – Ele foi direto, se levantando rapidamente, estava envergonhado por conta do desfecho daquela situação.

– Você ta louco Giulio? — Perguntou Derick, preocupado. – Você poderia ter se ferido seriamente! Mas, antes de tudo, o que você veio fazer aqui?

– Eu não vou ficar enrolando. Eu preciso de dinheiro, 500...Me quebra essa brother. – O rapaz pediu para o amigo. – Você sabe que se eu não pagar...
– Não acredito... Se eu te der esse dinheiro, você me promete que vai se esforçar pra sair disso?
– Não sei, depois conversamos. Vai me dar a grana ou não?
– Eu só tenho 250 aqui, paga metade e hoje a noite te dou o resto, depois que conversarmos, e agora eu tenho que ir, você sabe... – Derick abriu a carteira e entregou o dinheiro nas mãos do amigo. – Nos vemos mais tarde. – Giulio pegou a grana e logo subiu no skate, indo embora.
Todos então se despediram, visto que Derick teria de ir para a ONG. Catherine estava preocupada em como o noivo iria reagir naquele local. Desejou-lhe boa sorte, o beijou carinhosamente e ela e Iris voltaram para o laboratório, deixando que o garoto pudesse conversar com Robert e Jax.
– Então rapaz, vamos? – Falou o distinto senhor. – Estamos atrasados.
– Boa tarde, vamos sim. – Disse Derick um tanto quanto receoso indo em direção ao carro do governo.
Todos se acomodaram, o carro era bem grande e espaçoso. O bairro onde se localizava a ONG por ser um bairro pobre era longe e afastado do centro da cidade, por isso Jax tentou ir o mais rápido possível. Nenhum dos jovens se pronunciava, apenas os outros dois papeavam ao longo do caminho. O caminho até chegar naquela ONG era deprimente, as residências estavam caindo aos pedaços, nenhum lugar onde aquelas pessoas viviam poderia ser chamado de casa.
Derick olhava pela janela e sentia desespero, nunca havia visto tanta miséria de perto. Algumas pessoas ali pareciam mais mortas do que vivas. Havia muitas crianças esqueléticas, descalças, sujas, passando fome, consumindo drogas e algumas grávidas. Era um bairro fétido, cujo esgoto corria a céu aberto e o chão ainda era de terra, um local esquecido e abandonado, excluído da sociedade. Olhando pela janela tudo o que via era pobreza e sofrimento, não havia hospitais, escolas, shoppings nem praças, e o garoto nem sabia como era possível haver vida num local como aquele.
O carro parou ao chegar no grande portão de ferro da MUTARE e Derick saltou do carro, afogando seu tênis caríssimo naquele chão barrento. Era uma construção antiga, pequena e um tanto quanto precária. O garoto caminhou por um estreito corredor até chegar a um salão enorme onde estavam dezenas de crianças e adolescentes. De repente tudo voltou a ter vida, as paredes estavam repletas de desenhos e pinturas e alguns olhares brilhavam.

Como poderia alguém ser feliz numa realidade perversa como aquela? Derick se perguntava ainda angustiado, o que era sua trajetória perto de toda aquela sobrevivência? Lembrou-se na hora de Catherine o dizendo que ele nunca havia conhecido o sofrimento, e naquele momento percebeu que ela estava certa.

Notas finais
Lembrando novamente que deixar review é essencial ç.ç Quero saber as opiniões de vcs! Bjs