Notas iniciais
Oi, que bom que você continuou hahaha Bom, no começo vai ficar meio confuso (assim como na maioria dos livros, acho) mas depois eu vou esclarecendo tudo, ok?! Boa leitura.

–Mas mãe, por que estamos fugindo? -disse a menina de cabelos loiros com os olhos azuis cheios de água. Não era a primeira vez que ela e a mãe fugiam. A pobre garota nem sabia o por quê e sua mãe não tinha paciência para explicar. Na verdade ela não tinha paciência para nada.

–Donna, fique quieta e trate de arrumar suas coisas depressa! Você não quer ficar para trás, quer? -respondeu a mãe rispidamente, como sempre.

–Por que é que nós sempre fugimos, mamãe? O que há de errado? -a criança puxou a ponta do sobre tudo preto que a mãe vestia. A mulher, bateu em sua mão e segurou nos ombros da filha com força.

–Pare de ser tão impertinente, garota! -e então a soltou e virou de costas se direcionando para carroça velha, caindo aos pedaços, da família. Era tudo que tinham- Quer saber de uma coisa?! Se não gosta tanto de viajar comigo, fique, sua ingrata!

Ao terminar de dizer isso, ela subiu na carroça e olhou para trás novamente. Para menina que já estava com lágrimas a escorrer pela face, de joelhos no chão. Para criança com expressão de súplica com uma pequena mala ao seu lado. Ela nem tinha tantas coisas para por ali, na verdade. Apenas um outro vestido simples e sua boneca de pano achada nas margens de um rio durante uma caminhada com o pai.

Ah, seu pai, como lhe fazia falta. Ele morrera dois anos atrás, de peste. Donna nunca havia se sentido tão triste e solitária. Ele que a fazia rir, que contava histórias sobre princesas e lugares felizes e a acalmava em noites tempestuosas. Ele fazia o possível e o impossível para vê-la feliz. Ele a amava e ela amava ele.

Seu pai não era nada como sua mãe. Ela nunca lhe dera nada mais que o necessário.

–Eu nunca devia ter a criado! Você só me traz problemas, sua diabinha. -disse a mãe com seus olhos cheios de ódio e a mão fechada em punho. Era uma expressão bem conhecida pela menina.

A garotinha que nunca havia feito nada de mal não entendia a situação. Não sabia o que havia de errado nela. Apenas ficou sentada no chão, na frente do hotel simples que ela e a mãe estavam ficando até então, com a cabeça entre os joelhos e as lágrimas pingando na estrada de terra sem cessar.

Depois que a porta da carroça bateu, ela escutou a mãe conversando com o padrasto.

–Eu sei que é deveras tarde, Joffrey. Eu sei que eles já sabem que ela esta sob minha guarda, mas não custa tentar. Talvez se eles a acharem sozinha e nos esqueçam. Capiche?

–Tudo bem. Devo concordar! Mas você irá deixar a garota sozinha mesmo? Ela não tem onde dormir, nem o que comer.

–Ah, fique calado! Ela não é nenhuma coitada e você sabe disso. Além do mais, ela é uma criança. Todos ajudam crianças órfãs. Se não ajudarem, ela é uma garota, mais tarde irá ficar mais bonitinha e pelo menos para uma coisa há de servir.

–Ela continua sendo sua filha, Mirella!

–JOFFREY! CALE-SE! Céus, não lhe suporto mais! Quer fazer companhia a Donna? Pois vá! Eu não estou querendo morrer por causa dela, você quer?

–Bom, não, mas...

–Mas o que Joffrey? -ela o interrompeu- Pegue as rédias desse maldito cavalo velho de uma vez e vamos embora daqui!

O coração da menina batia muito rápido, seus olhos arregalavam e sua cabeça foi apertada pelos seus próprios joelhos ossudos. Ela estava muito assustada. Não queria ficar sozinha. Não entendia as palavras da mãe.

–O que eu fiz? O que eu fiz de errado, mamãe? Por favor... Por favor não me deixe! Desculpa mamãe, desculpa! -murmurava a loirinha sentada no chão, soluçando.

Enquanto isso, seu padrasto -um homem muito alto, moreno e com um grande nariz. Vestindo sempre a mesma calça de linho e a blusa branca- saía da carroça.

Joffrey Mazeretto, era seu nome. Ao todo era um homem bom. Não falava muito com Donna, mas pelo o que ela ouvia, ele sempre a defendia. Era melhor que a mãe. Se bem que qualquer um era.

Com uma expressão de pena, ele olhou brevemente para garota magricela que estava aos prantos e subiu no banquinho atrás do cavalo com pelos castanhos sujos de lama, tomou as rédias e partiu.

A garota nunca se esqueceu daquele dia. Do barulho dos cascos do cavalo na estrada e a imagem da carroça diminuindo.

Depois que eles foram embora ela ficou chorando no lugar que estava até adormecer. Um homem, dono do hotel, a achou encolhida na rua, a pegou no colo e a colocou em uma cama qualquer. No dia seguinte, quando ela acordou, o moço viu que ela não tinha dinheiro e a mandou embora.

Uma pequena menininha com sua mala. Andando de cabeça baixa pelas ruas, sem rumo.

–--

"Peste!" "Ladra!" Era o que todos gritavam, mas a garota só estava tentando sobreviver.

Com seus dezessete anos, já era procurada pela policia da pequena cidade de Liza, na Itália. Era uma cidade portuária, cheia de mercadores, rios, prostíbulos e bares.

"Donna Peretto, recompensa de quatrocentas liras." Eram o que os cartazes mostravam com um retrato pintado dela abaixo. Ela tinha os cabelos loiros presos em um coque com vários fiozinhos soltos. Seus olhos azuis já não tinham tanto brilho e olheiras profundas ficavam abaixo deles. Seu nariz e sua boca finos continuavam os mesmos. Donna era linda. Só não cuidava muito da aparência. Não tinha tempo para tanto.

Abandonada na infância pela mãe, sua única opção foi roubar para viver.

Pode-se dizer com a mais clara certeza que Donna não era nenhum pouco tola. Sua vida nas ruas a fizeram muito esperta. Ela conseguia tudo que precisava se passando por coitada e tinha as mais brilhantes fugas. As vezes as pessoas nem a notavam até que se dessem por conta que algo havia sumido.

Quando Donna cresceu um pouco, começou a dormir na casa de alguns homens, para ter conforto novamente. Suas costas doíam por ter que dormir nas ruas e ela também odiava não se sentir segura. Na rua, alguns homens bêbados tentavam estuprá-la e para alguns deles, seus golpes aprendidos com outros moradores de rua não eram suficientes.

O engraçado era que depois de um tempo ela inverteu essa situação. Donna encontrava homens, os embebedava a noite toda conversando com eles e soltando piadinhas e quando ia para casa deles os jogava na cama e, ao invés de fazer o que eles queriam, ela os dava um golpe na nuca. -sempre o mesmo- Que acertava um determinado nervo e fazia eles desmaiarem. E então dormia por algumas horas na cama deles, sem preocupação.

Ela tinha certeza que não acordariam por um bom tempo. Com o passar dos anos foi aprendendo isso. E por fim, ela pegava suas coisas, a carteira do homem da noite, e ia embora.

Raramente, quando os homens que ela achava eram incríveis e galantes ou até mesmo quando seu golpe não funcionava, ela realmente se deitava com eles. Os deixava tocarem nela e se deliciarem com suas carícias. Ainda assim, ela sempre se despertava antes dos homens, os roubava e fugia.

Notas finais
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