Nascente

5 Capítulo 5


Notas iniciais
E eu estou aqui com mais um bônus para vocês :)

Escureceu e decidi me arrumar para o tal galpão que Dan me convidou a ir.

Não vesti nada tão impressionante, saia jeans escura, uma blusa bege fina e folgada que deixava um pouco da pele de minha barriga aparecendo.

Desci as escadas, me joguei no sofá ao lado do meu pai.

- Vai sair? — ele perguntou me olhando pelo canto do olho sem realmente me olhar.

- Sim... só estou esperando que me busquem — peguei um punhado de pipoca no balde em seu colo.

- Mal chegamos na cidade e ela já está festejando — meu pai falou tão baixo que não tive certeza se falou isso mesmo.

Assistimos um filme que passava na tv a cabo. Era de terror e estava me aterrorizando, me deixando de cabelo em pé. Quando algum ser levantava a mulher pelo pescoço a fazendo sufocar, a campanhia tocou.

- Atende para mim? — perguntei meu pai me levantando — Só vou terminar de me arrumar.

Hugo agitou as mãos dizendo que sim. Subi as escadas de dois em dois degraus, fui direto ao banheiro arrumando meu cabelo. Não gostava tanto do meu cabelo solto, me encomodava e me deixava com calor. Aquela cidade era incrivelmente quente tanto ao dia ou a noite. Desisti de fazer algo de legal em meu cabelo, prendi logo num coque. Corri para o quarto colocando uma sapatilha azul marinho. Um pouco de gloss e a última olhada no espelho.

- VAMOS LOGO CHENEESY!!!! — a voz de Nathan fez eco pela casa.

Eu não acredito que ele vai me levar. Não queria ficar pirraçando-o e não queria discutir. Desci as escadas como se tivesse ferro nos pés, realmente me arrastando.

- Seja mais lenta, Lucy, — disse olhando para o relógio — finja que ninguém está esperando por nós.

Nathan estava com uma blusa regata branca, uma calça não tão justa e um boné preto do Chicago Bulls. Estava cheiroso e bem arrumado. Fiquei mais curiosa por saber o que era esse galpão e o que tinha lá.

- Estamos indo, pai — Nathan pegou na minha mão todo íntimo como se fosse meu namorado.Dei um tapa nele fazendo soltar, isso só o fez rir.

- Volto assim...

- Volte a hora que quiser garota, não me importo. Mas deixe o celular ligado.

Esse era meu pai. Me dava a liberdade que eu queria, sem pensar duas vezes. Acho que ele era só assim porque não tinha nenhuma mulher tomando conta de nós, uma mãe. Apesar disso agradeço por meu pai ser como é.

Me suspreendi com o carro de Nathan. Era um Hyundai Santa Fe prata. Um dos meus carros favoritos. Até o cheiro daquele carro era perfeito.

Nathan partiu pegando o caminho para o centro da cidade.

— Pensei que fosse outra pessoa, viesse me buscar — murmurei olhando para a janela.

- Dan foi buscar Kate — explicou. Silêncio outra vez. Pude sentir o seu olhar em mim.

— O que foi? — perguntei, ainda sem o olhar.

Riu baixo.

- Você cresceu, Lucy — suspirou. — É muito estranho.

- Não sou imortal, não vou ficar criança minha vida inteira — murmurei.

Ele parou o carro em frente de um antigo ginásio, que parecia cair a qualquer minuto. No portão estava pixado "Galpão" bem grande.

- É seguro entrar aqui? — perguntei temerosa.

- Estou aqui para cuidar de você. Quantas vezes vou ter que falar isso?

Vai falar isso até eu ter certeza que está falando a verdade, pensei.

Nathan pegou uma mochila no banco de trás e saiu sem abrir a porta do carro para mim. Corri até o seu lado. O que aconteceu com o velho cavalherismo dele? Mas Nathan não parecia desse tipo de cara. Parecia mais um badboy.

Ele pegou minha mão pela segunda vez.

— Por que diabos está pegando na minha mão? — pedi uma explicação. Nunca dei motivos, nem intimidade para ele fazer esse tipo de coisa.

Ele simplesmente me olhou de lado, me puxou para si, me posicionando em sua frente e me deu um caloroso beijo. Um selinho, apenas. Agarrou minha cintura e fitou meus olhos tentando passar alguma mensagem que era fácil de decifrar. O olhar me deixava aquecida e confortada, talvez até segura. Fiquei nas pontas dos pés, deixando nossos rostos a centímetros de distância. Eu ia xingá-lo até minha língua caísse.

- Que bom que você não é mais criança — seu hálito quente, agradável me atingiu em cheio. O desejo de beijá-lo era mais forte que minha raiva. Se antes eu queria xingá-lo por causa do selinho, agora eu ia xingá-lo pela demora de me beijar de verdade.

Nathan me empurrou me fazendo encostar no carro e abaixou o rosto bem devagar.

Revirei os olhos.

- Seja mais lento, Nathan, — disse as palavras que ele me disse minutos atrás — finja que ninguém está esperando por nós.

Ele sorriu e me beijou calmamente. Primeira coisa que senti foi calor. A segunda foi Nathan, o sentia em todos os lugares, costas, braços, nuca e, Santo Deus, em meu pescoço. O beijo se aprofundou mais, fazendo meus pulmões exigirem ar. Ar? Nessas horas ar não era preciso. Agarrei o cabelo dele que estava escapando do boné com força, isso o fez reagir, o fez prensar mais ainda o seu corpo ao meu.

- NATHAN?! — alguém gritou, um garoto — ENTRE LOGO, CARA.

Nathan me olhou profundamente, — seu olhar estava mais diferente, mais iluminado — passou os dedos em meus lábios e foi aí que percebi que estávamos arfando feito loucos. Ele sorriu e seu sorriso me fez sorrir. Aquele sorriso malicioso que começa a gostar.

Talvez, Nathan-O-Folgado podia ser Nathan-O-Cara. Tudo dependia de como fosse daqui para frente.

Nathan pegou na minha mão, dessa vez aceitei o ato, fomos para dentro do galpão. Então aquilo era o galpão. Uma quadra de basquete onde os garotos se divertem e as garotas ficavam os olhando. Era bem razoável para adolescentes.

Avistei Kate e as outras garotas da escola na arquibancada de madeira. Ela ergueu as sombrancelhas quando viu Nathan segurando minha mão.

Fui até elas e Nathan me acompanhou.

- Eaí garotas — Nathan cumprimentou as outras garotas, pois só Kate já tinha nos percebido. Sentei ao lado dela.

- Oi, Nathan — uma loura de olhos verdes falou sedutoramente.

Ergui as sombrancelhas. Eu não era nada de Nathan. Eu não era nada de Nathan. Nada.

Se eu fosse nada dele, por quê meu coração deu aperto tão doloroso? E, caramba, ele só tinha me beijado! Um puta beijo por falar nisso.

- Samantha — ele respondeu sem realmente olha-lá. Vasculhou a bolsa e pegou uma blusa azul de lá.

- Vem aqui comigo? — pensei que ele estivesse falando com loura, mas ele me olhou quando não respondi.

- Para onde? — Kate me cutucou. Querendo dizer "Caramba". Sorri de lado.

- Vamos logo — ele nem esperou eu responder e já foi me puxando.

Alguns garotos assoviaram e outros gritavam quando viram a direção que Nathan e eu estávamos indo. O banheiro feminino. Corei violentamente. Nathan trancou a porta assim que entramos.

- Você consegue ver sangue, gente morta... como nos filmes de terror, mas na vida real? — ele me segurou perto de seu corpo.

- Acho que sim — me lembrei de quando vi um acidente de carro enquanto estava indo para a escola, quando ainda morava na Inglaterra, vi dois corpos em "pedaços" e sangue para todo lado. Não senti nojo, fiquei curiosa até.

- De qualquer jeito, eu estou aqui. Não me solte, ok? — murmurou.

Acenei com a cabeça.

Ele começou a caminhar e quando virou em um corredor. Fiquei estática.

Não senti medo. Mas senti muito nojo. Havia sangue para todos os lados, os armários que cobriam a paredes estavam amassados e dois corpos estavam no meio. Eram homens. Estavam brancos, de olhos abertos e roupas escuras, larvas começavam a sair do corpo em decomposição. O cheiro era terrível o que me fez ficar enjoada.

- Quem fez isso? — sussurrei.

Gotas de sangue pingavam do teto. Minha curiosidade era maior que eu, então olhei para cima. Um outro homem estava com todo o tronco cortado, seus órgãos não estavam lá, mas havia muito sangue pingando em muitos pontos do seu corpo. Sem soltar Nathan, dei um passo para trás caí de joelhos e vomitei no chão sujo.

- Espíritos, idiotas — Nathan resmungou.

Notas finais
Gostaram? kkk Eu amei.
Vocês podem me ajudar a divulgar a história?
Ficaria muito agradecida.
Até o próximo capítulo.
Bye