Nascente

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Sejam bons comigo. É minha primeira história... agora se divirtam.

Acabo de atravessar os limites de Dover, a cidade que acabo de me mudar. Cidades pequenas e desconhecidas eram meu inferno pessoal. Olho meu relógio impaciente. Era cedo demais para as pessoas estarem acordadas em pleno domingo. Queria ficar na minha antiga cidade, mas meu pai dizia que uma garota como EU não podia morar sozinha. Olhei para cima para não chorar. Suspirei frustrada.

Meu pai mudou a estação do rádio e começo a cantarolar a música que tocava. Meu cachorro — um Golden Retrivier com o pelo caramelado de um ano — dormia no banco de trás calmamente.­­­­­

- Já estamos chegando em casa, querida — meu pai avisou com sua voz grave, passando a mão no cabelo grisalho.

Meus olhos embaçaram e não pude controlar as lágrimas que caíram. Quer dizer que aquela cidade pequena, monótona e tediosa seria meu lar? Eu não queria isso.

- Vai ficar tudo bem. Você vai gostar daqui — prometeu meu pai mais para si mesmo do que para mim. Limpou as lágrimas em meu rosto.

Sorri desanimada.

Paramos em frente de um belo sobrado azul claro com uma varanda charmosa. Aquela casa tinha nossa cara: O pai viúvo, com sua filha adolescente e um cachorro da cidade grande. Pela primeira vez desde que entrei nessa cidade sorri de verdade. Podia ver meu pai jogado no sofá lendo algum livro, eu deitada na rede tocando violão e Flipper correndo pela casa. Isso provavelmente aconteceria.

Meu pai me puxou num abraço de lado.

- Espero que goste da decoração — disse e sorriu. — Só quero ver quem vai limpar o chão quando ficar sujo.

Só queria que a casa estivesse limpa e organizada. Não me importava o resto.

Abri a porta sem muita pressa e fiquei estática quando vi a sala. As paredes eram de um tom marfim, o sofá era preto fazendo contraste com o tapete branco peludo, a televisão ficava embutida em cima lareira, o piso era de mármore branco. Eu que não iria limpar o chão!

- Gostou? — meu pai perguntou ansioso.

— Está maravilhoso — sorri — Melhor do que em casa.

Meu pai vacilou um pouco ao ouvir minhas palavras.

- Estamos em casa — Hugo, disse devegar, destacando cada palavra.

- Aqui nunca vai ser o meu lar! — me segurava para não gritar, algo que eu fazia quando estava com raiva.

- Que seja — ele sacudiu o ombro. — Vamos olhar o resto.

A decoração da casa era em tons variados de preto e branco. Toda casa tinha aquele piso de mármore branco e paredes da cor de marfim. No segundo andar ficava único banheiro da casa separava os quartos. Meu quarto era perfeito. As paredes brancas, a janela enorme com persianas cinza. O tapete era como o da sala só que esse era num tom de grafite. A cama boxer estava forada com um edredom cinza escuro. Meu urso de pelúcia Toddy estava no meio da cama entre os travesseiros.

Uns minutos depois com as roupas já guardadas em seu devido lugar, fui tomar meu banho. Eu estava muito cansada e a última coisa que me lembro foi de abraçar meu urso.

Acordei umas três da manhã com sede. Desci as escadas e fui para a cozinha pegar um copo de água. Não me importei em ligar a luz. Subindo as escadas tive a impressão de estar sendo vigiada. Olhei para trás e não vi nada de estranho. Assim que me virei ouvi um barulho no corredor que dava para a área de serviço, um estranho arrepio percorreu todo o meu corpo.

Saí em disparada para o quarto do meu pai e com menos barulho possível abri a porta. Hugo estava dormindo com Flipper ao seu lado. Nada de mais, nada aconteceu. Tentava me convencer. Vi um vulto no pé da escada. Era alguém, eu tinha certeza. O vulto ficou parado e agora eu podia pelo, menos distinguir as formas. Estava de costas, era alto e musculoso. O ar ficou preso em meus pulmões. Ouvi outro estalar vindo lá de baixo e olhei em direção ao som, não conseguindo conter minha curiosidade. Mas quando meus olhos fixaram o pé da escada de novo o vulto não estava mais lá. Não conseguia correr, então caminhei para meu quarto com um medo gélido que eu não sabia de onde vinha. Eu nunca senti algo assim, sempre acordava de madrugada para beber água. Pulei na minha cama e me enfiei embaixo do edredom. A casa era assombrada! Espíritos rodeavam minha casa! Demônios queria me levar ao inferno! Me bati por pensar em tanta besteira. Estava pensando nos filmes de terror que eu assistia, os piores filmes de terror. A primeira noite nessa cidade não está sendo das melhores. Eu precisava me tranquilizar, mas não sabia como.

Botei a cabeça para fora para respirar melhor. Olhei o retrato da minha mãe no criado-mudo. Minha mãe morreu a quatro anos atrás e olhar o retrato dela sempre me acalmava. Eu podia senti-la ao meu lado.

Dormi, esquecendo o medo que senti me lembrando de minha mãe.

Três batidas suaves na porta. Silêncio. Agora eram batidas mais violentas e apressadas.

- Lucy Cheneesy, levante! Vai se atrasar para a escola — meu pai bateu de novo na porta e depois ouvi ele se afastando.

Eu não queria ter acordado. Se existisse algo pior que morar numa nova cidade, era estudar em uma nova escola.

Notas finais
Deixem seu comentários me falando se gostaram ou não, ok?
Vou postar semanalmente, portanto só sábado que vem...
Beijos e até o próximo cap. !!