Nascente
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Eu não estava conseguindo dormir naquela noite. Depois que Nathan foi embora a chutes e pontapés, desabei em minha cama e comecei a chorar. Minha mãe que morreu em um acidente de carro quando eu tinha treze anos. Meu pai e eu demoramos um longo tempo para superar essa perda e agora conseguimos viver. Nathan me disse mais cedo que ela era uma vampira agora. Uma vampira! E ele disse que a culpa era toda dele. Eu estava namorando praticamente o assassino de minha mãe. Nathan me disse que ela já esteve nessa casa, no primeiro dia que eu cheguei em Dover. Ela estava fazendo aquele estalo no corredor da sala, ela estava tentando me matar, segundo Nathan. Ele dizia que a personalidade da pessoa muda com a transformação para vampiro. Eu não queria acreditar nisso e nem podia! Mas ele era a única pessoa que eu conhecia desse mundo sobrenatural.
Inquieta para ficar deitada, peguei meu celular e liguei para Natasha, minha amiga de Los Angeles.
– Humm? — Natasha resmungou sonolenta.
– Natasha sou eu... acorda zumbi — falei baixo, caso Flipper ouvir e começar a arranhar a porta.
– Cheny? — chamou pelo meu apelido. Todos da minha antiga cidade me chamavam assim.
– Não, é o fantasma do seu antigo peixe-dourado — ri do seu cansaço; Natasha era minha melhor amiga, minha irmã do coração. Amava aquela maluca. Me fazia rir mesmo nos piores momentos.
– AAAAAAAAAAAAH — gritou de repente estourando meus tímpanos. — Cheny! Cheny! Cheny! — dizia meu apelido com emoção.
Ouvi um barulho do outro lado da ligação, como de uma porta se chocando na parede.
– O quê? O que foi? Você está bem? — reconheci a voz do senhor Walters. Ri imaginando a cena. A família toda era louca.
– Calma, pai — Natasha deu um breve riso. — É Lucy Cheneesy! Pode largar esse bastão de baseball.
Gargalhei não conseguindo evitar. O Sr. Walters pensando que alguém atacando sua filha era demais para mim.
– Então Cheny, por quê me ligou essa hora?
Eu não podia explicar que meu namorado imortal foi culpado da morte da minha mãe que agora era uma vampira.
– Nada não — não tinha uma desculpa melhor no momento.
Ela suspirou.
– Caramba Lucy, não vai me contar? — fingiu estar magoada.
Revirei os olhos para a sua dramatização. Flipper começou a arranhar a porta e a abri, antes que meu pai acordasse. O cachorro pulou em minha cama e fechou os olhos. Que preguiçoso!
– Me fale as novidades. Estou sentido que você esconde algo — percepitiva essa garota...
Bufei.
– Essa cidade até que é legal,- comecei sentando-me na cama — acho que todos os garotos bonitos se escondem aqui.
Ela gargalhou.
– Sorte sua.
Suspirei. — Tenho um namorado...
– Ai meu Deus, Cheny! — ela soltou um gritinho — Me conta como ele é! — exigiu animada.
Reprimi um sorriso. Por mais que estivesse magoada com Nathan, eu gostava dele. Por causa dele meu coração não estava tão vazio. Eu não estava sozinha.
– Ele é alto, musculoso, olhos negros nebulosos...
Seu riso saiu como um deboche.
– Faz seu tipo — quase podia senti-la balançando a cabeça — Beija bem?
– Definitivamente — um sorriso de contentamento invadiu meu rosto. E a lembrança do beijo no sofá veio em minha mente me deixando mole.
Ficamos em silêncio por um momento. Depois de um minuto Natasha estava roncando. A alegria de falar com ela se foi, deixando o clima estranho. Meu quarto ficou mais escuro, mais sombrio, solitário.
Tratei de me enfiar debaixo das cobertas trazendo Flipper junto comigo. Ele olhou para mim como se eu tivesse o incomodando.
Me desculpe, chatice de quatro patas.
Quando estava quase dormindo, meu celular dá um toque de mensagem.
De: Nathan
Para: Cheneesy
Me desculpe.
Sorri para a mensagem. Carregar raiva não era o meu forte. E eu queria Nathan comigo.
De: Lucy
Para: Nathan
Está tudo bem. Estou com saudade.
Depois de um minuto, uma claridade atingiu minha janela, passando pelas frestas das persianas cinzas. Levantei curiosa para saber o que era e fiquei surpresa com o que dei de cara. Era Nathan lá no quarto dele, encostado na enorme janela branca. Seu sorriso era charmoso, na pele clara de seu rosto. Lindo, perfeito para mim.
Ele olhou para baixo e em segundos recebi sua mensagem.
De: Nathan
Para: Lucy
Parece cansada. Não vai dormir?
Sorri. Quando eu e Nathan não estávamos bem, ele me chamava pelo sobrenome. Meu sorriso se alargou ao digitar a mensagem ousada.
De: Lucy
Para: Nathan
Não quer vim me fazer dormir? Minha cama é muito grande para mim.
Observei a reação dele ao ler. Ele primeiramente arregalou os olhos e depois sorriu torto, cheio de malícia.
De: Nathan
Para: Lucy
Se eu ficar com você não iríamos dormir... estaríamos ocupados fazendo outra coisa. Boa noite, Lucy.
Minha boca se escancarou um pouco ao ler, mas depois o sorriso estava lá de volta. O olhei e dei um aceno com a mão e fui me deitar. Nathan apagou a luz do seu quarto e tudo ficou calmo. Ele era demais para mim.
...
Nas semanas que se seguiram foi muito boas. Eu tinha um grupo de amigas e me divertia muito com elas, cada uma com sua característica. Nelly nos ajudava muito com os estudos, Juddy era muito carinhosa, Kate era divertida e eu... bem, eu era a ousada. Kate e eu ajudávamos as meninas com suas paqueras na noite, pois Kate tinha Dan e eu tinha Nathan. Eu estava sendo boa aluna, conseguia me manter em cima da média. Nas aulas de biologia e educação física ficava distraída com muita facilidade, pois Nathan fazia essas aulas comigo. Ficávamos provocando um ao outro com olhares ou gestos, algumas pessoas percebiam essa comunicação e logo a escola inteira sabia que estávamos namorando. Anthony falava comigo frequentemente, como um amigo, então não tive problemas com isso.
Minha moto havia chegado noite passada e agora ia para a escola com ela. Todos ficavam admirados por eu ter coragem de andar de moto, mas isso era tão normal para mim. Nathan não gostou muito, dizia que os garotos ficavam me olhando como se eu fosse um Big Mac. Eu convencidamente disse que era uns dos efeitos de ser sexy. Ele me puxou para o canto e me deu uma palmada.
Esta tarde estava fazendo o jantar com meu pai, passando um tempo juntos.
– Pegue os ingredientes do molho enquanto eu termino essa massa — Hugo estava sujo por causa da farinha de trigo. Decidimos fazer mais cedo o macarrão pois era uma receita demorada.
Cortei a cebola em cubo e o alho e depois as deixei dourar no azeite. Coloquei também os tomates que tirei a pele e cortei em cubos.
– Deixe que eu faço o resto — meu pai me empurrou do fogão embutido no balcão, me sentei no banco em sua frente e o observei cozinhar.
– Sua mãe ficava nessa mesma posição quando observava alguém — comentou.
Eu estava com a mão entrelaçada, apoiando o queixo nelas. Desfarcei um pouco a tensão com a menção de minha mãe. Mas decidi que a nova personalidade dela não me assustasse, minha mãe de verdade me amava e me protegia.
Quando estava com meu pai eu gostava de ouvi-lo, então eu não falava muito. Só quando estava alterada.
– Está gostando da cidade? — perguntou enquanto lavava as mãos.
Bufei. Nunca pensei que ia falar isso mas...
– Estou. Acho que aqui é meu lugar — declarei.
Pensei que meu pai ia ficar feliz com o que falei, mas ele ficou um pouco triste.
– E se mudarmos de cidade? Como vai ser? Sabe que não temos raízes...
Bati meu punho no mármore.
– Acho que já está na hora de ficar em um lugar. Não quero me mudar mais, sabe como me apego as coisas. Não quero chorar outra vez — me lembrei de quando deixei Natasha.
– E claro, tenho um namorado — me imitou fazendo uma voz fina, fingindo lixar a unha.
Revirei o olho.
– Nathan iria para qualquer lugar onde eu for. É um namoro sério, pai.
Hugo me olhou com deboche.
– Falou a festeira — gargalhou.
Comemos em silêncio e logo após meu pai se arrumou para ir trabalhar. Depois de assistir um filme muito doido fui tomar banho, podia ouvir a banheira chamando meu nome. O banho espumante era tudo o que precisava na sexta-feira, me deixava relaxada. Peguei meu celular vasculhando as fotos das cidades que eu já estive. Parei na foto que tirei com Nathan semana passada no galpão. Peguei o boné dele coloquei na cabeça. Ele me disse que eu estava meiga e decidiu tirar a primeira foto de nós dois juntos.
– O que te faz sorrir, bela dama? — Nathan estava encostado na pia parecendo que estava ali a algum tempo.
Mostrei a nossa foto e ele também sorriu. A nebulosidade do olhar recebendo um brilho diferente.
Afundei mais um pouco da banheira.
– Me dê licença, eu vou me trocar — pedi.
Ele inclinou a cabeça, dizendo um divertido não em seu olhar.
– Pode se trocar eu não me importo — sorriu malicioso.
Era um safado e tanto. A toalha estava pendurada perto de Nathan e eu não tinha escolha a não ser ir pegá-la. Minhas bochechas esquentaram ao imaginar passar por Nathan nua. Mas não tinha outro jeito.
– Já que insiste — me apoiei nas bordas da banheira e me levantei.
Nathan escancarou a boca, sem acreditar que eu realmente fiz isso. Ri e caminhei para sua direção. Seus olhos me mediu inteira e se focalizaram em meu busto. Meus joelhos fraquejaram, mas finalmente peguei a toalha me cobrindo rapidamente. Saí do banheiro sem olhar a reação dele.
Me joguei de costas na cama, me perdendo em como Nathan me olhava segundos atrás. Fiquei tremendamente excitada com a excitação evidente. Estremeci quando olhei para a porta e Nathan estava lá me olhando como um leão olhando para a presa. Ele atravessou o espaço entre nós tão rápido que quando percebi, Nathan estava me beijando como nunca me beijou.
Notas finais
Segundo: Gostaram? Eu adorei escrever.
Terceiro: Comentem, divulguem e bla bla bla.
Até o próximo cap...
Bjo
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