Nascente
4 Capítulo 4
Quando estava saindo do estacionamento é que me dei conta do ser que estava ao meu lado. Era para eu ter medo de Nathan por ter entrado na minha casa de madrugada, procurando sabe-se lá quem. Ele era um total desconhecido! Mas não era isso que eu sentia. Eu sentia uma irritação enorme e uma sensação de conhecê-lo desde... sempre.
— Não lembro de lhe dar uma carona — não olhei para ele, mas podia sentir seus olhos negros nebulosos em meu rosto.
- Você queria uma explicação — ele sorria maliciosamente — e eu vou explicar.
- Onde é sua casa? — perguntei principalmente, para ter uma conversa tranquila, onde ninguém nos atrapalhasse.
- Do lado da sua, — sorriu maliciosamente — meu quarto é do lado do seu. Posso te ver de lá.
Pisei no freio e o carro parou abruptamente. Ele pode o quê? Vou ter que fechar as janelas do meu quarto por causa desse, desse... dele? Eu iria matá-lo. Primeiro porque entrou na minha casa come se fosse um ladrão, segundo por não ter me deixado me despedir do Anthony direito e terceiro, eu não ia ter privacidade no meu próprio quarto. Idiota, eu ia arrancar os pulmões dele.
- Você é um filho da... — antes que eu pudesse terminar de falar, ele tapou minha boca com a mão. Era uma mão muito macia, mas firme.
- Modos, Cheneesy — ele sorria de lado.
Eu começa a sentir fora do sério.
- Modos o caralho! Eu quero saber do por quê anda pela minha casa de madrugada! Como sabe tanto da minha vida? Como sabe tanto sobre a família da minha mãe?
Nathan me olhou de um jeito de congelar a alma e pela primeira vez que o vi, senti medo.
- Pare o carro — sua voz soou controlada.
O olhei para ver se estava falando sério, mas fiz o que mandou. Ele saiu batendo a porta com um pouco mais de força, corri atrás dele. Estávamos num acostamento perto da rua que dava acesso a minha casa.
- Eu estava na sua casa te protegendo! — ele jogou as mãos para o alto deixando-as cairem na cabeça — Eu conheço você desde que nasceu. Vi sua mãe e seu tio nascerem. Vi até seus avós nascerem. Conheço todos os seus familiares maternos, porque eu vivi muito antes disso.
— Como... o quê... mas... — não conseguia formular uma frase devido ao meu choque. O que ele era? E o quê queria com a minha família?
- Eu sou um imortal, Cheneesy — destacou cada palavra.
Para a minha surpresa gargalhei, parecia mais um ganso afogando.
- Daqui a pouco vai dizer que fala com o além! — sentei no chão.
- Não está tão errada — murmurou.
Pisquei com difuculdade. Só faltava ele dizer que traria a pessoa amada em três dias!
- Eu sou imortal, porque fui morto por um ser sobrenatural, — explicou — por um vampiro para ser mais exato. Ele quebrou me pescoço...
Arregalei os olhos.
- Vampiros existem? — olhei para os lados me sentindo insegura.
Nathan abriu um sorriso torto de divertimento.
- Vampiros, lobisomens, fantasmas... quem sabe até fadas e bruxas? — jogou a cabeça para trás e gargalhou — Alguns seres existem, mas não são muitos. Nem seres como eu existem tanto.
Eu estava assustada e com medo, mas não deixava de acreditar em tudo o que Nathan diziam, era como se eu já soubesse disso numa parte distante do meu cérebro onde eu não conseguia alcançar. Eu só queria uma explicação do que estava acontecendo na minha vida desde que o vi em casa.
- Você disse que estava procurando alguém em minha casa. Quem era? — minha voz saiu tranquila, mas eu não estava tão bem.
Nathan ponderou decidindo me contar ou não.
- Havia um vampiro na sua casa naquela madruga — sua voz saiu fria.
Um arrepio gélido percorreu meu corpo.
- Eu estou aqui para te proteger, Lucy — ele encostou a ponta dos dedos na minha bochecha. — Vou te proteger até onde for possível — ele dizia numa confiança, que me fazia me sentir segura.
Não deixei despercebido que era a primeira vez que me chamou pelo meu primeiro nome. Quase sorri.
Bom, eu não era o tipo de garota medrosa que arruinava sua vida por se sentir insegura. Não precisava de estar com medo porque Nathan estaria ao meu lado, me protegendo. Mesmo que fosse folgado e chato, era um imortal que conhecia muito bem a história da minha família materna e me conhecia muito bem. Nathan tinha um jeito de irmão mais velho. Por ser filha única, não ligava tanto para seus defeitos, a não ser quando invadia minha privacidade e estragava minha conversa com Anthony.
- É tão estranho,- comentei — é como se eu te conhecesse desde a infância — o acompanhei entrando no carro. Parti para a rua de casa.
- Isso é porque sempre estive nos bastidores da sua vida — passou o braço por meu ombro — somos íntimos, docinho.
Me sacudi tirando os braços dele de mim. Se ele esteve sempre comigo sabia de todos os meus podres. Ele sabia mais que meu diário.
Parei em frente de casa e lá estava meu pai com todo o desespero por eu ter chegado um pouco mais tarde no primeiro dia de aula.
- Meu carro!! Estava tão preocupado...
Fitei-o com desdém. Ele estava preocupado com carro e não comigo?
- Eu estou bem pai, obrigada.
Hugo me olhou e depois Nathan. Seus olhos fazendo uma pergunta em silêncio.
- Pai, esse é o Nathan, nosso vizinho e meu amigo.
Nathan estendeu a mão e meu pai deu um aperto de aço, mas Nathan nem percebeu.
- É um prazer conhecê-lo senhor Murray — quando Nathan diz que me acompanhava desde que nasci. Cheneesy é o sobre nome da família de minha mãe e Murray de meu pai. Sendo assim, meu nome era Lucy Cheneesy Murray.
Meu pai sorriu de forma amigável. Hugo era um pai esquesito, pois podia me ver andando com garotos e nem ligava. Ele me disse uma vez que confiava em mim e por isso não tirava minha liberdade.
Nathan sorriu torto ao olhar minha expressão e me passou uma mensagem pelo olhar. Não entendi o que era, mas sua cara de safado não disfarçava.
- Nos vemos mais tarde, Lucy — Nathan deu as costas e o fitei até entrar em sua casa. De costas ele parecia mais amigável, mesmo com aqueles músculos.
Notas finais
Só vou avisar que no próximo cap. vai ter muito sangue... ok, fiquem na curiosidade.
Bjos & Bjos
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