Nascente
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Nathan POV
- Conte-me — Lucy sussurou depois de uns minutos.
Saí de cima dela, caindo ao seu lado para podermos nos olhar frente a frente. Eu não queria contar para ela, mas as coisas estavam complicando e Lucy não merecia ficar no escuro. Suspirei tentando pensar nas palavras.
- Sabe por que eu sou seu protetor? — sussurrei.
Antes mesmo que ela respondesse, a porta se abriu e Cassie entrou, revelando o tulmuto que era os corredores. Lucy se encolheu na cama de susto e eu me sobresaltei. Já era hora do café da manhã?
- Bom dia, crianças — Cassie aparentava 23 anos, mas era trezentos anos mais velha que eu. Era loura de olhos castanhos. Podia se passar por mãe da Kathy.
- Cassie, não está muito cedo ? — fechei os olhos quando ela abriu as cortinas da janela, fazendo a claridade me cegar.
- Cedo para você, a casa toda já está de pé. Kathy está te esperando a uma hora no corredor — ela riu. Sua risada era contagiante. — E sabe como Caled é. As refeições são feitas no horário e todo mundo tem que esta na mesa até lá — ela entrou no meu closet. — Vocês tem dez minutos para estarem prontos, portanto, sem brincadeiras.
Revirei os olhos. Onde estava a maturidade dessa mulher?
- Já estamos descendo e...
- Já ia esquecendo — Cassie parou bruscamente e olhou para Lucy. -Seja bem vinda, senhorita Cheneesy. Sou criada de Nathan e Caled me nomeou para ser sua criada também. Estou esperando por suas ordens — Cassie agarrou a barra da saia e se abaixou minimamente, cumprimentando Lucy como antigamente. Sem esperar uma resposta saiu para a bagunça lá fora.
- Criada? — Lucy falou em um topor. — Estamos vivendo sua época.
Abri um sorriso. Lucy estava tão entretida em seus pensamentos sobre o que é esse lugar, que não percebeu que o lençól escorregou de sua mão, descobrindo seu busto. Assoprei bem de leve aquela região. Lucy se arrepiou e percebeu que nua do tronco acima.
- Pare de me provocar. Temos que ir...
- Estraga prazer — murmurei.
Lucy POV
Chegamos no café-da-manhã correndo. A mesa estava repleta de comida e várias pessoas em sua volta. Caled estava na ponta e se levantou, como todos os outros homens estavam na mesa, quando eu cheguei. Tão cavalheiros! Nathan precisava passar mais tempo por aqui. Kathy que estava nas costas do Nathan, correu para o lado de uma senhora robusta, de bochechas vermelhas, que estava na outra ponta da mesa. Assim que Nathan e eu nos sentamos, Caled pronunciou que já poderíamos nos servir. A maioria participava de uma conversa que eu não pude entender, mas sorria sempre que Nathan ria. O riso dele era lindo. Uma cereja foi jogada no meu braço e depois outra bateu na minha cabeça. Olhei para frente e Winter estava sorrindo.
- Bom dia, preguiçosa! — ele me cumprimentou.
Revirei os olhos.
- Seus elogios me emocionam, idiota. — sorri.
Winter me tratava como uma irmã. E ele era como se fosse o irmão que nunca tive. Ele me mostrou um aparelho que estava na sua mão esquerda. Meu celular.
- Devolva, Winter! — pedi. Como ele conseguiu pegar meu celular? Estava guardado em minha mala! A imagem de Winter vasculhando minha mala de roupas que apareceu em minha mente, me fez meu rosto esquentar de vergonha.
Winter começou a mecher no celular, com as sombrancelhas unidas.
- Você tem três chamadas perdidas do seu pai — ele me olhou com o olhar divertido. — Estou vendo bronca a vista — riu e voltou a olhar a tela. — Tem 3 mensagens: 1 da Tasha, 1 desconhecido — Nathan virou o rosto para mim em um estalo audível, a seriedade tomou seu rosto. Winter prosseguiu sem ligar para Nathan. — E outra de...
Me estiquei e tirei o celular da mão dele.
- Faça isso de novo e eu vou... — Então percebi que todos ficaram silenciosos, observando-me. Eu queria me esconder.
- Vai fazer o quê? — Winter me desafiou. Ele parecia mesmo um irmão mais velho. Chato e irritante.
Sentei no meu lugar e simplesmente me recusei a encará-lo outra vez. Winter violou minha privacidade e ainda fez Nathan ficar com essa expressão séria no rosto. Eu não gostava dele desse jeito, me fazia lembrar quando o confrontei no corredor da escola, no meu primeiro dia de aula. Nathan não conversou com mais ninguém.
Assim que o café acabou, Nathan me puxou escada acima para o quarto.
- Leia a mensagem do desconhecido, por favor? — Nathan pediu em uma calma controlada. Suspirei e sem entender nada fiz o que pediu.
- "Espero que seu namorado esteja fazendo um bom trabalho como seu protetor — li. — Diga para ele que o tempo está acabando" — franzi o cenho. Quem mandou isso?
- Filha de uma... — Nathan rangeu os dentes para deter o palavrão. Suas mãos estavam fechadas em punho. Ele tirou o celular do bolso e ligou para alguém.
— O que está... — comecei a perguntar, mas Nathan me lançou um olhar estranho que me fez calar.
- Ruth, como está aí? — Ele nem se deu o trabalho de cumprimentar a irmã. Uma pausa longa e depois um suspiro de alívio. — Obrigado, Ruth. Tenha cuidado, está bem? — Nathan desligou o celular e fechou os olhos com força. Ficou alguns segundos assim e então olhou para mim e desviou o olhar rapidamente.
- Ouça-me — pediu ele, olhando para o chão. — Sou seu protetor porque sua linhagem materna é importante no meu mundo. Te protejo porque você corre risco — ele se ajoelhou entre minha pernas. — Sua mãe faz parte de um grupo de vampiros que tentam destruir o primeiro descente das famílias importantes no mundo imortal. Sem a magia sobrenatural dessas famílias os imortais morreriam, para nunca mais existir.
Eu me sentia fria por dentro.
- Minha mãe quer me matar? — pronunciei com muita dificuldade, minha voz era um sussurro.
- Sinto tanto por isso. Se eu estivesse lá para protejer Scarlet, você não precisava passar por isso. Não era para sua mãe ser designada para te matar — a cabeça de Nate caiu no meu colo, derrotado.
- Nathan, não é culpa sua... — passei a mão em seu cabelo negro. Mas parece que isso piorou. Ele soluçava em seu choro silencioso. Ele levantou o rosto vermelho por causa do choro. Seus olhos tinham uma expressão sofrida que fez meu coração doer.
- É minha culpa. Não vou cumprir minha missão de protetor. Eu a amo e te peder, vai ser minha morte. Me sinto incapaz — ele engoliu um soluço. — Você vai morrer. Ainda acha que não é minha culpa?
Meus olhos se encheram de lágrimas. Morrer nas mãos de quem me deu a vida. Por que minha mãe? Por que ela tinha se transformado em vampira? Que culpa eu tinha nisso? Perguntas surgiam em minha mente sem realmente querer uma resposta. Agora eu entendia os olhares de pena que Winter e Caled me davam.
Por que só eu corria esse risco?
Eu não queria deixar Nathan. Queria sentir seus braços contornando meu corpo, ouvir seu riso e ouvir sua voz. Queria tê-lo perto de mim para sempre. E quanto ao meu pai? Eu era a única família que ele tinha. Não queria o deixar na sozinho.
- Me perdoe — sussurrou.
Meu coração virou pedaços. Eu não iria o deixar sofrer. Enxuguei as lágrimas e toquei o rosto de Nathan. Ele estremeceu ao meu toque.
- Nathan, olhe nos meus olhos — pedi e ele o fez. Seus olhos nebulosos estavam vermelhos, a última vez que vi alguém chorar assim foi quando minha... balancei a cabeça tentando esquecer a lembrança. — Você está fazendo tudo o que pode? — Ele concordou com a cabeça. — Você queria que isso acontessece?
- Não, nunca — sussurrou.
Balancei a cabeça.
- Então pare de sofrer antes do fato acontecer — passei os dedos em seu rosto secando os rastros de suas lágrimas. — Sente isso? — levei sua mão onde meu coração pulsava. — Indica que eu estou viva. E se ainda estou viva é por sua causa — sorri. Não um sorriso de verdade, mas fiz o que pude.
Nate me abraçou forte.
- Você é a nascente do meu amor. Você é a nascente do meu desejo de vencer. Você é a nascente da minha força. Você é a nascente da minha vida — falou baixinho em meu ouvido.
Cheguei mais perto dele, tentando imortalizar aquela sensação de estar com Nathan.
Notas finais
Sei que demoro para postar os capítulos, mas a escola tomou meu tempo. Não vou demorar tanto assim para postar da próxima vez.
Até mais ;)
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