Nascente
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Lucy POV
Eu ainda me perguntava por que eu estava aqui. Podia ter tentado mais. Podia ter corrido, gritado, mas não, eu tive que ficar e encará-la. Encarar minha mãe. Principalmente ouví-la. Minha mãe me raptou depois que saí da escola quarta-feira. Nathan não havia ido para a escola naquele dia, o que deu uma oportunidade maior para ela, que acabou me levando para uma casa no meio do nada.
Toc, toc, toc, toc. Os saltos dela no piso de madeira ecoava no cômodo. Era o único som que fazia e estava me irritando. Ela não podia ser rápida na minha execusão?
– Está esperando pelo o quê? — perguntei, impaciente. Eu estava faminta, com sede e suja. Não esperava por ajuda.
– Estou esperando a coragem – ela sussurrou. Scarlet não tinha mostrado o rosto desde que me trancou aqui. O rosto dela era de dor. Toda aquela máscara de ódio e repugnância caiu de seu rosto. — Eu não queria isso. Mas aconteceu. Não posso fugir das minhas responsabilidades como vampira, mas principalmente não posso fugir da responsabilidade de ser sua mãe.
Nathan POV
– Eu preciso saber onde ela está, eu preciso, eu preciso – minhas palavras eram quase inaudíveis.
Caled, Winter e Ruth estavam me observando, me vendo enlouquecer. Era quinta-feira de manhã e todos queriam saber onde Lucy estava. Eu sabia e eles sabiam que o dia chegou. Eu não queria acreditar que era o fim. Eu precisava falar mais um eu te amo para Lucy, queria dar mais um abraço, mais um beijo.
– Não vou ficar aqui esperando. Eu vou procurá-la.
Lucy POV
– Eu senti a falta da minha família todo dia – minha mãe soluçou por causa do choro. — No dia que você desceu para beber água de madrugada, eu estava lá, mas eu só estava te observando – ela caiu aos meus pés. — Eu não quero te matar e eu não vou. Só estou pensando em como desviar minha obrigação...
Chocada e feliz. Era como eu estava agora. Caí na frente dela, em seus braços.
- Senti sua falta. Muita. — sussurrei
- Eu senti mais, filha. — ela beijou meu rosto e então se afastou, rapidamente. — Me desculpe, não posso chegar tão perto assim de você.
Passamos horas conversando. Sobre como passei esses anos, como estava meu pai e como estávamos nos adaptando agora. Mas o assunto acabou chegando em Nathan.
- Eu não gosto dele. Nenhum pouco. Não sei como seu pai deixou você passar o final de semana com ele... — ela começou.
- Mas Nathan é tudo para mim. Você não precisa gostar dele para...
- Está dizendo isso porque ele já te levou para cama, não vai durar muito tempo para te largar...
- Está sendo absurda. Não pode julgá-lo sem ao menos conhecê-lo! — explodi.
- Ele é um imortal. Os únicos imortais que deveriam existir são os vampiros — eu me lembrava desse tom e dessa expressão facial.
- E ele tem culpa de ser o quê é? Por favor mãe, se não fosse pela estupidez dos vampiros, os imortais não existiriam. E além do mais, não é a raça de Nathan que mata os humanos!
- Não? Nathan teve um descuido e olhe só aonde eu fui parar!
Dei as costas para ela e corri para os fora daquele cômodo.
- Eu pensei por um segundo que você ainda era minha mãe. Mas não a vejo em você. Minha mãe morreu. — Gritei.
Me tranquei no que parecia um quarto. Havia uns móveis cobertos. Empurrei uma cômoda para a porta e sentei em frente dela.
- Lucy abra a porta, sabe que posso abri-la só com um empurrar... — ameaçou.
Solucei.
- Então faça. — murmurei.
Mas nada aconteceu. Eu podia ouvir o saltos dela no chão de madeira ecoando pela casa. Podia ter passado minutos ou horas até eu ouvir um latido. Não ouvi mais Scarlet andando e o silêncio reinou no lugar.
- Lucy? Lucy? — aquela voz. Meu Nathan. Meu.
- Nathan! — gritei. Tirei a cômoda com mais dificuldade, emocionada demais para ter concentração para terminar a tarefa. Desci as escadas e o vi de costas para mim, na entrada da cozinha.
- Nathan — sussurrei.
Ele mal olhou para se certificar que era eu. Seus braços se ergueram e ele me abraçou com força.
— Você está bem? — sussurrou. Senti falta da voz dele, do cheiro e da segurança que eu sentia quando eu estava aqui, em seus braços.
- Quero ir para casa — choraminguei. Eu estava com fome, suja e sono. Não sabia quanto tempo eu estava presa aqui.
- Onde ela está? Eu não posso deixar ela viva, Cheneesy. Por favor, me fale. — ainda estávamos abraçados, mas quando demorei para responder ele me soltou.
- Ela deve estar por aqui ainda. — murmurei de mal gosto. Eu não desejava a morte dela.
- Fique aqui na porta. Quando Winter chegar, fique com ele — Nathan beijou minha testa e suspirou. — Eu te amo.
Ele subiu as escadas e sumiu lá por cima. Fiquei impaciente, estava demorando demais. Mas depois de poucos minutos Winter surgiu do meio do mato.
- Me desculpe. Não quero que você viva para ficar com ele... — a voz dela estava atrás de mim.
- Não! Lucy! — Nathan gritou. Me virei e então minha mãe enfiou a faca na minha barriga.
Eu estava chocada o bastante para não sentir dor do corte. A única dor que eu estava sentindo era do meu coração sendo quebrado. Olhei para o rosto dela, mas estava tudo embaçado. Eu estava tonta e então caí no chão.
- Lucy, Lucy... — Nathan estava quente. Muito quente. — Está me ouvindo?
- Estou. Você está gritando no meu ouvido, seria impossível não ouvir — sussurrei e depois ri. Pareceu fraco.
- Aguenta aí. Vou levar você ao hospital... — um som de pavor saiu do lábios dele. Tentei abrir os olhos, mas eles estavam pesados demais. Eu sentia frio, mas a escuridão que vinha era pesada, era quente e confortável.
- Nathan? — não sei se ele tinha ouvido. O som da minha voz não chegava ao meu ouvido.
- Sim, meu amor... — eu já não sentia seu toque.
- Eu amo você, Nathan.
Não ouvi a resposta dele. A escuridão já havia me tomado.
Nathan Pov
Se passaram 2 dias desde que Lucy se foi. Eu ainda estava olhando seu corpo durante esse tempo. A blusa manchada de sangue, a cor da sua pele em um azul doentio. Seu dedo se meche. Eu estava louco, já estava tendo alucinação. Minha risada escapa de meus lábios, mas eu queria chorar ainda mais. O canto da boca de Lucy se estica.
- Nathan? — sussurra.
Meu coração deu um pulo doloroso. Como fui idiota! Ela foi morta por uma vampira! Lucy é uma imortal agora! Eu queria me bater por ser tão idiota e desesperado.
- Vamos nos amar na nossa imortalidade agora, Lucy. — sussurrei em seu ouvido. A risada dela ecoa pela casa e meu sorriso se abre só por ouvir. Estava certo, era para estarmos juntos.
FIM
Notas finais
Um beijo para quem suportou.
Até a próxima. Bye ♥
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