Nas Cordas De Um Violão
2 Confusão, seu nome é Victória!
- Alô?
- Alô, Lari?
- É! Sou eu sim... Pedi pra você ligar, qual foi?
- Me esqueci...
- Então, descobriu o número?
- Me deixa ir ali na porta da geladeira. – desci as escadas e fui até a cozinha. – Achei o número do corretor.
- E qual é?
- 32447832 e 99431067.
- Obrigada!
- Ei, você vai pro treino amanhã?
- É bem provável. Mas depois tenho que ir ao médico com minha mãe.
- Poxa! Ia te chamar pra dar uma estudada pra prova de quinta. Mas tudo bem. – sorri.
- Você vai pra festa?
- Que festa?
- A da Mariana!
- Ela vai fazer outra festa? Menina assanhada, cara.
- Um pouco. – riu. – Enfim, você vai?
- Que dia?
- Sábado à noite. Diz que sim! Você vem pra minha casa e a vamos juntas.
- Talvez... Vou falar com meu pai amanhã, quando ele for me buscar no treino.
- Ok então... Beijo.
Estava tudo uma fodição, um completo tédio. Resolvi ir à pracinha e lá encontrei o Gu. Um puto aquele menino, mas eu o adoro. Nos conhecemos a 2 anos e desde então temos uma amizade super foda. Mas de uns dias pra cá ele estava meio... Estranho. Ele continua me tratando bem, só que um pouco distante. Deixei pra lá, devia ser coisa de momento.
- Ta fazendo o que na minha área, rapá? – ironizei.
- É o que vet? Fique na sua, vú?
- Vamos parar que ta feio! – rimos. – Mas sério, o que você ta fazendo o que aqui?
- Vim jogar no campinho, aí eu lembrei que só deixam a gente entrar nos domingos... – ele fez uma pausa. – E também não tinha nada pra fazer.
- Mentira, eu sei que você veio ver minha beleza estonteante. – brinquei.
- Sai daqui recalque. – rimos.
- Você vai pra festa?
- Da Mariana? – confirmei com a cabeça. – É, acho que vou. Tô resolvendo ainda. Minha mãe ta um pouco irritada por causa do boletim, mas foda-se.
- Tua mãe não liga pra nada, cara! Diz pra ela que você ta comigo. Você pode dizer que vai cheirar crack, mas se estiver comigo ta tudo beleza.
- Minha mãe é estranha... Ela acha que você é responsável. Ô dó.
- Eu sou, idiota! – ri. – O Jão veio com você?
- Aquele viado veio sim, mas já foi. A namoradinha chamou dizendo que queria conversar e ele foi correndo...
- Af, putaria o namoro deles dois... Vai e volta o tempo todo.
- É Vi, mas é porque ela quer né? O Jão é mó pegador. Ele não ta nem aí pra ela.
- Algo me diz que no fundo ele gosta. – falei.
- Algo me diz que no fundo ele prefere bater punheta...
Rimos e ficamos conversando até às 20h. O tempo passou super rápido e eu só fui me tocar quando meu pai ligou pedindo para que eu fosse pra casa. Me despedi do Gus e fui embora. Ao chegar, peguei o not e fiquei lá até as 3h. Depois disso dormi, cansada pra caralho.
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- Sério cara?
- Sério meu! Toco violão desde os cinco anos!
- Porra, eu aprendi a tocar quando tinha 10 e depois disso me apaixonei. Amo o som que ele faz.
- Concordo. Meu primeiro violão foi fosco e qualquer batida que ele tomava me arrepiava. – o Leo sorriu.
A Larissa foi resolver uns documentos e no intervalo me deixou sozinha com o novato. No inicio fiquei super encabulada e decidi tocar meu violão e ser uma individualista. Quando comecei a tocar “wonderwall” do Oasis, ele puxou um papo sobre música e em seguida sobre violão... Até que o papo estava legal.
- A primeira música que eu toquei certinho foi do Justin Bieber, cara! Acho que “baby”, sei lá... Me arrependo até hoje – ri.
- Nossa – ele riu. – Eu acho mais fácil aprender a tocar violão do que andar de skate.
- Nada a ver! Andar de skate não é difícil, só complica por causa de algumas quedas dolorosas.
- Demorei séculos pra pisar em um skate com confiança.
- Você ainda anda de skate? – perguntei.
- É... Desde de que cheguei aqui, nunca mais andei. Não acho pistas legais aqui em Salvador... Lá em São Paulo existem muitas.
- É o mal daqui. Tem várias em Stella Maris e uma no campo grande.
- Stella Maris é longe?
- Um pouco... Mas eu tenho uma casa lá. Sempre levo o Gus e a Laris.
- Ah, não esqueça de me chamar na próxima vez.
- Ok, pode deixar. – sorri.
- E aí, Leo! Você já se matriculou na equipe de basquete? – diz o Jão, que havia acabado de chegar ao lado do Gustavo.
- Sim! Mas eles falaram que eu tenho que fazer um teste.
- É isso mesmo... Te levo lá amanhã pra fazer, se quiser. – disse o Gu.
- E aí putinhos.
- Cófoi Lari! – falei.
- Vocês já estão sabendo? – ela continuou
- Do que? – perguntaram.
- Vai rolar uma viagem!
- Sério? Pra onde? – perguntei empolgada.
- Não sei ao certo, parece que é mês que vem. O professor Carlos que está organizando.
- Por isso que eu amo Carlos! – João afirmou. – Mas eu quero detalhes, Lari.
- Não tenho. Estava na sala do diretor e ouvi falar disso.
- Ah... Deixa pra lá então, depois eles falam pra gente. – falou o Gu.
- Vamos pra sala? O sinal bateu galera.
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Na volta do treino, percebi que meu pai estava estranho. Ele tava calado e isso é bem difícil de acontecer. Além disso, estava franzindo o rosto e o som estava desligado...
- Pai?
- Oi Vic.
- Então... Vai ter uma festa sábado e eu queria saber se eu podia...
- Não. – ele me interrompeu.
- É o que pai? Ta de brincadeira né? – ri
- Não estou. Você não vai pra festa nenhuma.
- Mas pai, todo mundo vai. A mãe da Lari leva e traz a gente... Por favor.
- Não. Você não vai. Todo dia você inventa de sair... Dessa vez não!
- Para de ser chato! Você não é assim... – alteei a voz.
- Pois trate de se acostumar.
Pois é, primeira “briga” com meu pai depois de 8 anos. A outra briga aconteceu quando eu tinha 7 anos e ele não me deu a casinha da polly. Fiquei puta, me recostei no banco do carro e comecei a ouvir música.
Ao chegar em casa subi direto pro quarto sem trocar uma palavra com ele. Tomei um banho e me joguei na cama. Eram 17h e eu tinha que ir na academia. Já não estava a fim de ir e então recebi uma mensagem do Gu, que dizia “E aí lerdinha? Tô aqui na sorveteria com o Jão. Vem pra cá, é bem perto”. Decidi que iria... Em casa estava um tédio e eu não estava nem aí pra academia. Troquei de short e desci as escadas. Assim que girei a maçaneta meu pai apareceu.
- Aonde você pensa que vai?
- Na sorveteria ver meus amigos.
- É o que? Você não vai mesmo.
- Pai? Qual é o seu problema? Claro que eu vou!
- Não vai porque eu estou dizendo que não é pra ir. Suba.
- Preciso te lembrar que tenho 15 anos?
- Não é por isso que você vai se governar. E além do mais, você tem academia esse horário... Preciso te lembrar?
- Não quero ir hoje.
- Mas vai. Ou você vai hoje, ou não vai mais. Não estou pagando uma academia pra você ficar de moleza dentro de casa.
Fiquei em silêncio, roçando os dentes. Não estava entendendo aquilo... Meu pai não é assim, nunca foi.
- Que saco! – gritei.
Subi as escadas coloquei a roupa da academia e saí de casa, batendo a porta com toda força.
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- É o que?
- É isso mesmo, Lari... Eu não vou pra festa.
- Por que, cara?
- Meu pai deu a louca dentro de casa. Ficou puto e reclamou comigo por tudo que eu fiz.
- Qual o problema? Ele nunca foi disso...
- Pois é, também não estou entendendo.
- Mas isso não importa... Você vai pra festa sim.
- Como?
- Você vai ver! – ela riu.
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