Nas Cordas De Um Violão
3 Glad u came
O sábado logo chegou. Eram 15h30 e eu já tinha combinado tudo com a Lari. Ela iria passar aqui em casa as 21h45 e mandaria um sms pra mim. Então eu daria um jeito de sair de casa e ir pra festa. Quando acabasse, o irmão do Gu ia nos buscar e eu iria dar outro jeito para entrar em casa. Bom, na teoria é tudo muito simples, quero só ver na prática.
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– E aí, tudo pronto? – disse a Larissa, ao me ligar.
– Sim... Só estou me maquiando. – falei enquanto caprichava no lápis de olho. – E o Guga?
– Ele já ta pronto, mas o irmão dele ta no quarto se arrumando.
– Ah, você já está na casa dele... Mas espera, por que o Júlio ta se arrumando? Ele vai ficar lá?
– Ele não vai ficar lá, vai pra uma outra festa no condomínio ao lado.
– Hmm, saquei.
– O Júlio finalmente saiu do quarto! Tamo aí em 20 minutos
– Ok! Beijo e até daqui a pouco.
Dei os últimos retoques e soltei o cabelo. Meu pai já estava no quarto, provavelmente deitado e eu sei que quando ele ta chateado não curte conversar com ninguém, portanto, não haverá riscos de ele desconfiar.
Meu celular apitou com uma mensagem do Gu que dizia “Desce logo da torre, Rapunzel!”. Sorri, peguei minha bolsa, saí do quarto e em seguida tranquei a porta. Na ponta dos pés, fui descendo as escadas e quando ouvi o barulho do meu pai ligando a TV, tomei um susto e saí de casa correndo. Avistei o carro dos meninos e entrei um pouco aliviada.
– Nossa, que gata ein! Se meu irmão não fosse tão careta, te pegava, Vi!
– Cala a boca, Júlio! – disse o Guga.
– Proposta tentadora, cara. – falei com ironia. – Mas muito obrigada, prefiro ficar só.
– Chupa Júlio. – a Lari riu.
– Muito chata você! Nunca mais te ajudo a fugir de casa, Victória.
– Se Deus quiser essa foi a primeira e ultima vez.
– É o que vamos ver...
– O que é Gustavo? Ta a fim de me levar pro mau caminho? – ri.
– Opa! Se a Vic for, eu vou junto.
– Campanha: Júlio, por favor, renove suas cantadas.
Rimos e em pouco tempo já estávamos na porta da festa da mariana. Soltamos do carro, entramos e fomos direto para área da piscina. Chegando lá, avistamos umas mesinhas e em uma delas estava o João, que, por algum milagre, estava desacompanhado.
– E aí, pegador. – falou o Guga, cumprimentando o Jão.
– Que mané pegador, rapaz! Hoje eu to super comportado.
– Até parece! – falei, sentando na cadeira e rindo.
– Cadê a namorada, tigrão? – perguntou a Lari
– Hoje estou solteiro e comportado, querida tigresa.
– Palavras que não combinam quando em relação a você, Jão...
– Não queima meu filme, Victinha. – ele riu.
O Gu e a Lari se sentaram ao meu lado. Por algum tempo, ficamos no tédio, brisando e sem assunto nenhum. Mas depois a festa começou a encher e várias pessoas se sentaram na nossa mesa, inclusive o novato gato.
– Leo, parceiro! Pensei que você não viria.
– Ah, Jão... A Larissa falou que ia me bater se não viesse.
– Mal o menino chegou e Larissa ta ameaçando o coitador, cara. – falei, sorrindo
– Que isso Lari, eu vou te denunciar.
– Calado Gustavo, se não leva pau também. – a Lari disse e riu um pouco. – Mas isso tudo é mentira do Leo, rapaz! Ele veio por causa das gatinhas.
– Não só por isso, bestona. – ele riu. – Mesmo as meninas daqui da Bahia sendo lindas, eu vim pra conhecer gente nova.
– E vai dizer que as meninas de São Paulo não são? – perguntei.
– Pois é! Trocava essas quengas daqui pelas minas de lá. – O Gu riu.
– Af, cala a boca que sua quenga preferida ta vindo aí... – Jão caiu na gargalhada.
– Oi galera! – a Mariana se aproximou. – Guguinha, você ta precisando de alguma coisa? Tipo, água, vodka, refri, caipirinha ou... A mim?
Todos riram, até ela mesma. O Guga acabou rindo por nervosismo. Suas bochechas até coraram quando ele negou com a cabeça. A Mari soltou um estalo de beijo e depois foi embora ver os outros convidados.
– O que foi isso ein? – eu ri
– Suponho que ela tenha uma queda por você, Gustavo. – o Leo disse.
– Queda? Por favor! Ela já ta se jogando no penhasco pelo menino. – a Lari falou ao rir.
– Essa cantada medíocre me deu sede. Vamos ao bar pegar alguma coisa pra beber, Vic?
– É né, vamos.
Ele se levantou, sorriu e me abraçou de lado caminhando até o bar. Após bebermos um copo de vodka, ele me chamou pra dançar e eu aceitei. Estava tocando “Glad you came” e como eu não sabia dançar, resolvi imitar a galera que estava pulando no ritmo da música... Acho que só há essa coreografia nas boates.
– Você é a ruivinha mais linda que eu já vi, sabia?
– Me chama pelo diminutivo de novo e eu pinto meu cabelo, cara. – sorri.
– Não pode. Eu não permito.
– Por que? – ri.
– Porque você não vai ficar tão linda como ta agora... – ele colou nossas testas. – Com essas sardinhas que mais parecem beijos de anjo.
Ele me olhou por mais dois segundos e me puxou pela cintura. Em pouquíssimo tempo nossos lábios já haviam se roçado e nós estávamos ficando pela vigésima quinta vez. Foi com o João que eu perdi meu bv, na sexta série, e desde então a gente vem ficando sem nunca termos compromisso algum, afinal, não havia interesse nem da minha parte e muito menos da dele. O Jão é muito atraente... Ele é um pouco maior que eu, tem uns olhos esverdeados e um cabelo preto constantemente jogado pra cima. Ele é meu amigão, o amo de verdade.
– Vigésima quinta vez, certo? – ele disse, ao se desvencilhar de mim e sorrir.
– Você conta?
– Você é especial, Vi... Juro.
– Ah, claro. Você também dizia isso pra sua ex namorada.
– É diferente, Vic.
– Ta bom Jão, vamo pra mesa?
– Vamo sim, princesa.
– Princesa? Por favor, arranje um apelido que preste. – eu ri.
– Cachorrona.
– Quanto amor, estou sufocada.
Rimos e fomos até a mesa.
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Eram 3h da manhã. Abri os olhos e estava tudo girando. Senti minha boca seca e ao tatear o local onde eu estava deita vi que eram uma mesa. Confusa, resolvi sentar na cadeira ao meu lado. Minha cabeça doía demais, principalmente o lado esquerdo. Em meio de vultos vi um rosto conhecido, era o João. Quis chamá-lo, mas parecia que eu não tinha forças pra isso. Felizmente ele me olhou e veio até mim.
– Finalmente você acordou! Já estava preocupado.
– Cadê a Lari? E o Gustavo? Por que minha cabeça ta doendo tanto?
– Vai me dizer que não lembra? – ele riu.
– Mas... Lembrar do que?
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