Naruto: O Caminho do Coração espadachim
30 Capítulo 29 — Ecos da Raiz
Capítulo 29 — Ecos da Raiz
O templo parecia morto.
Cravado nas encostas de uma ravina ao norte do pequeno país, era uma estrutura abandonada à primeira vista: madeira apodrecida, pedra rachada, telhas arrancadas pelo vento. Mas Ryoma sabia o que procurar.
Durante dois dias, ele e Tsumi — ainda disfarçado em sua forma de filhote — observaram o local de uma posição elevada entre as árvores.
Havia movimentações. Quase sempre à noite. Três ou quatro figuras encapuzadas, que chegavam em silêncio, permaneciam dentro por horas e depois partiam sem chamar atenção. Nada de selos, mensagens codificadas ou animais ninjas. Era tudo à moda antiga — discreto e mortal.
Aquela era a célula. Uma fração da organização chamada Homem-Fera. Ryoma sabia que não encontraria o coração da fera ali. Mas um fragmento... uma lasca... talvez isso bastasse para abrir o caminho.
Na tarde do segundo dia, algo mudou.
Um jovem apareceu, subindo a trilha entre as pedras. Tinha o olhar inflamado, as roupas sujas e os punhos cerrados. Havia raiva em seu passo — e desespero.
Ele chegou à porta do templo e bateu com força, como quem exige ser ouvido.
— Eu sei que vocês estão aí! — gritou. — Me deixem entrar! Eu quero a marca!
A porta rangeu lentamente. Um homem alto e de ombros largos surgiu na entrada. Seu cabelo era escuro e desgrenhado, os olhos opacos como os de uma fera. Tinha presença, mas não poder absoluto. Era um lobo entre cães, não o alfa supremo.
Ryoma o observou com atenção.
"Esse não é o líder que Jiraiya mencionou... É só o comandante local. Um sobrevivente. Um transmissor."
O jovem caiu de joelhos.
— Meu irmão foi morto por ninjas de Konoha. Eu não tenho mais nada. Me deixem lutar. Me deixem ser um deles.
O homem fitou o garoto com expressão neutra. Então falou, com voz áspera:
— A marca não é dada. Ela é recebida. Sobreviva a ela... e terá sua resposta.
Sem mais palavras, o homem tocou o ombro do jovem com a palma da mão. Por um instante, o ar pareceu estremecer.
Ryoma estreitou os olhos. Não havia selos, nem jutsus visíveis. Mas o chakra... o chakra se moldava.
Era denso, irregular, quase instável. Era como se o próprio corpo do homem estivesse sendo usado como condutor. Ele injetava aquela energia distorcida diretamente no sistema do garoto, através do toque.
O jovem começou a gritar. Seu corpo arqueava, os músculos tensionados. Veias saltaram no pescoço e no rosto. Linhas escuras começaram a brotar pela pele, se expandindo como raízes queimadas.
Tsumi, sob o capuz do casaco, soltou um rosnado baixo.
Ryoma não se mexeu.
"A marca se fixa ou mata. Não há meio-termo."
Mas o garoto não caiu. Gritou até não ter mais voz. Tremeu. Suou. E, por fim, desabou ofegante — vivo, embora quebrado.
A marca escura ainda pulsava em seu pescoço.
O homem recuou, observando em silêncio. Não ofereceu ajuda, nem palavras de conforto. Apenas virou-se e entrou no templo.
Naquela noite, com a célula fora em missão, Ryoma se aproximou das ruínas com cuidado. O recruta recém-marcado dormia em um canto, exausto. Ainda estava vivo.
Com Tsumi ao lado — já transformado em sua forma natural — Ryoma se infiltrou pela lateral do templo, por uma abertura nos fundos. Seu olfato aguçado e os sentidos do cão o guiavam pelos corredores silenciosos até uma ala protegida.
Ali encontrou uma pequena sala com armários de madeira, caixas de pergaminhos e alguns mapas rudimentares. Era o que precisava.
Vasculhou com rapidez e precisão. Pouco tempo. Nenhum erro.
Entre os documentos, encontrou três elementos cruciais:
Um mapa do País do Chá, com regiões costeiras marcadas em vermelho;
Uma lista de nomes, alguns riscados, outros com anotações como “aceito”, “instável”, ou “recusado”;
Um símbolo desenhado à mão, semelhante a uma raiz envolta por garras — era colocado ao lado da marca comum, como se fosse um selo de comando ou estrutura interna.
Mais que isso, um pergaminho enrolado trazia uma mensagem escrita à pressa:
"Mensageiro da Raiz chegará em 15 dias. Preparar os aceitos. Filtrar os instáveis."
Ryoma leu em silêncio.
“Raiz... não ANBU. Isso é outra coisa. Uma designação interna? Um setor da organização? Um intermediário direto?”
Ele recolheu os documentos mais relevantes, dobrou o mapa com precisão e saiu da sala como entrou: sem ser visto, sem deixar vestígio.
Na saída, viu o jovem ainda respirando com dificuldade. A marca parecia viva — pulsava em seu pescoço como um verme enterrado sob a pele.
O líder da célula o observava a distância, impassível. Como quem observa um experimento, e não uma vida.
“Eles não forçam. Só atraem os desesperados.”, pensou Ryoma.
“E só os que sobrevivem se tornam parte.”
Não havia honra ali. Só seleção. Sobreviver à dor era o único ingresso.
Ryoma se afastou em silêncio, com Tsumi ao lado. A lua os cobria com sua luz pálida. E o vento carregava o cheiro de algo antigo… como uma matilha faminta esperando o momento de avançar.
Dois dias depois, Ryoma cruzava a fronteira em silêncio.
Com o capuz sobre a cabeça e Tsumi oculto no casaco, ele voltou ao papel de viajante comum. Nenhuma insígnia. Nenhuma pressa.
Mas o que carregava era mais valioso que qualquer combate: informação.
“Jiraiya estava certo. A marca sobreviveu.”
“Esses homens não são organizados. São dispersos. Mas têm propósito.”
“E se há um ‘Mensageiro da Raiz’... então há algo — ou alguém — ainda maior por trás disso.”
Ao longe, a silhueta dos portões de Konoha surgia entre as árvores.
Ryoma parou por um instante.
— Esse homem do templo... era só um transmissor. Um fragmento da maldição de Orochimaru.
— Mas o criador disso tudo... se Jiraiya estiver certo…
— Então estamos lidando com alguém tão perigoso quanto ele.
Ele ajeitou a espada nas costas.
— E se isso é só uma célula...
…então a raiz ainda está viva. E crescendo
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