Naruto: O Caminho do Coração espadachim
31 Capítulo 30 – O Selo Fera
Capítulo 30 – O Selo Fera
Duas luas haviam passado desde sua partida, e a vila permanecia a mesma — ao menos por fora.
Ryoma atravessou os portões de Konoha com passos tranquilos, mas o olhar carregava o peso de tudo que havia visto. A mesma bandana, o mesmo ar, o mesmo povo — mas seus olhos viam mais do que antes. E o que havia descoberto não podia ser ignorado.
Ao lado dele, Tsumi trotava em silêncio. Não havia disfarce, nem forma de filhote. A missão estava concluída, por ora. Era hora de entregar os relatórios.
Sem pausa, Ryoma seguiu direto para o prédio da Hokage.
Cena: Torre do Hokage – Sala da Quinta
A porta da sala se abriu após uma breve autorização. Lá dentro, Tsunade, com sua expressão firme e braços cruzados, olhava pela janela de vidro da torre. Shizune não estava presente.
— Como foi? — perguntou a Quinta Hokage, sem rodeios, ainda sem virar o rosto.
Ryoma entrou com calma, sem se apressar. Seu manto oscilava suavemente com o vento da varanda lateral. Ele se aproximou da mesa e, sem palavras desnecessárias, retirou de dentro da roupa um pergaminho bem fechado e o entregou.
— Achei uma célula... — disse ele, com voz grave. — E descobri muitas coisas.
Tsunade pegou o pergaminho, desenrolando-o lentamente enquanto o lia com olhos atentos. As anotações eram meticulosas: mapas, selos descritos com precisão, relatos de recrutas e transcrições sobre o “Mensageiro da Raiz”.
Depois de alguns segundos, ela o enrolou de novo com um suspiro baixo.
— Foi melhor do que eu esperava.
Mas logo sua expressão ficou mais séria.
— E sobre Danzō? Alguma pista do motivo dele estar tão interessado nessa organização?
Ryoma ficou em silêncio por um momento. Os olhos se fixaram nos dela, pesados, como se cada palavra que viesse a seguir tivesse um custo.
— Acho que sei o motivo… — ele disse, por fim. — O selo Fera.
Tsunade arqueou a sobrancelha.
— O que tem esse selo?
Ryoma cruzou os braços e falou devagar, medindo cada frase:
— Ainda não enfrentei ninguém de alto escalão... Mas o líder da célula que investiguei me fez sentir um perigo comparável ao de um jōnin experiente. O problema, Hokage-sama, não é a força deles agora — é o que esse selo permite.
Ele deu alguns passos, parando diante da janela ao lado dela.
— A Marca Fera pode ser aplicada tanto em ninjas quanto em civis. E o mais perturbador... é que a taxa de sobrevivência não depende de talento físico, linhagem ou chakra. O que determina quem sobrevive... é a vontade. E o ódio.
Tsunade estreitou os olhos.
— Quer dizer que… é uma técnica baseada em motivação?
— Em dor. Em ressentimento. — Ryoma assentiu. — E tenho para mim que esse selo é mais complexo do que pensamos. Ele molda o chakra, mas também o espírito. Não é só um poder emprestado — é uma transformação no âmago.
Tsunade recostou-se na cadeira, agora com expressão carregada.
— Agora faz sentido... Danzō tem agentes em cada canto do continente. Se esse selo funciona até em civis, então pra ele não importa sacrificar mil… desde que um se torne uma arma.
O silêncio durou alguns segundos.
TOC TOC.
Alguém bateu à porta. Tsunade ajeitou a postura.
— Entre.
A porta se abriu com um rangido leve. Era Yugao, vestida em traje padrão de Jōnin, segurando um relatório.
Mas assim que seus olhos pousaram em Ryoma, a formalidade evaporou.
— Ryoma…?! — a voz escapou com surpresa e emoção misturadas.
Antes que pudesse se conter, Yugao cruzou a sala em dois pulos e se jogou nos braços do amado, os olhos brilhando. Ryoma a segurou com firmeza e um pequeno sorriso.
Tsunade tossiu levemente, cruzando os braços.
— Ahem. Continuamos isso amanhã. Vocês dois… vão viver um pouco, pelo amor dos deuses.
Yugao, sem graça, afastou-se de Ryoma com o rosto completamente vermelho. Tsunade fez um gesto com a cabeça, dispensando ambos.
— Vai. Vai descansar, Ryoma. Mas volta amanhã cedo. Com calma, mas sem atrasar.
Ryoma assentiu.
— Entendido, Hokage-sama.
Cena: Vila da Folha – Caminho pelas ruas centrais
O casal desceu os degraus da torre lado a lado. Tsumi os acompanhava com um caminhar leve e silencioso.
A noite começava a cair sobre Konoha, e os lampiões nas ruas já se acendiam um a um. A vila estava tranquila, respirando o início de uma noite pacífica. Crianças ainda brincavam nas vielas, e o cheiro de comida fresca se espalhava pelos arredores.
— Você demorou... — disse Yugao, com a mão entrelaçada à dele. — Eu sei que a missão era sigilosa, mas achei que algo ruim tinha acontecido.
— Quase aconteceu. — Ryoma respondeu com simplicidade. — Mas não comigo.
Eles seguiram pelas ruas do centro até o bairro onde moravam. No caminho, passaram pelo campo de treinamento 3. Alguém treinava sozinha sob a luz fraca do entardecer.
Era Sakura Haruno, ajoelhada, concentrada em moldar chakra nas mãos. Um pergaminho médico estava aberto ao lado, e uma bandagem envolvia parte de seu braço esquerdo.
Yugao parou ao vê-la.
— Sakura?
A garota levantou o olhar, surpresa.
— Ah! Yugao-senpai! Ryoma-senpai! Boa noite…
Sakura tentou esconder a expressão de cansaço, mas estava visível.
— Está tarde para treinar… — disse Ryoma.
— Eu sei… — Sakura sorriu, mas seus olhos denunciavam preocupação. — É que... não consigo parar de pensar no Sasuke.
Yugao se aproximou devagar.
— Notícias dele?
Sakura balançou a cabeça.
— Nada desde que ele foi com Orochimaru. A gente sabe que ele escolheu aquilo… mas mesmo assim… — ela apertou os punhos. — Eu não consigo aceitar.
Ryoma se abaixou, ficando à altura dela.
— Está treinando cura, não é?
— Sim… Tsunade-sama disse que, se eu quiser ajudar meus companheiros de verdade, preciso aprender a curar com precisão.
— Então continue. — disse ele. — Quando o reencontrar, que ele veja que você não esperou. Que você ficou mais forte.
Sakura olhou para ele, surpresa. Depois para Yugao, que assentiu com um sorriso suave.
— Vai por mim. — completou Ryoma, se levantando. — A força mais perigosa não vem do ódio… mas da decisão de continuar.
Sakura sorriu com mais sinceridade dessa vez.
— Obrigada.
— E coma direito. — disse Yugao, rindo. — Você está pálida.
Com um aceno breve, o casal se despediu e retomou o caminho.
Casa de Ryoma – Noite
Chegaram à residência pouco antes do toque final dos sinos noturnos da vila. A casa era simples, mas aconchegante. Cheiro de chá, madeira e matilha — o lar dos dois.
Tsumi se jogou no tapete com um bocejo.
Yugao foi direto à cozinha, colocando a água para ferver. Enquanto isso, Ryoma retirava o manto e pendurava a espada no suporte de madeira, como fazia sempre.
— Hoje... eu quero só comer e deitar. — disse ela, com a voz arrastada, tirando os sapatos.
— Eu também. — Ryoma respondeu. — Mas antes, tenho que escrever algo.
— Outra missão?
— Não. — disse ele, com um leve sorriso. — Só… um pensamento que veio agora. Sobre a raiz.
Yugao observou ele anotar algo em um pequeno caderno.
Depois disso, sentaram-se à mesa, comeram em silêncio, entre olhares cúmplices e leves sorrisos.
Pela primeira vez em muito tempo, Ryoma estava em paz — mesmo que soubesse que, no fundo da floresta, no fundo do mundo, algo crescia na escuridão.
Mas ali, naquela noite em Konoha, ele permitiu-se respirar
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