Naruto: O Caminho do Coração espadachim

29 Capítulo 28— A Marca que Escolhe


Capítulo 28 — A Marca que Escolhe


Ryoma chegou ao país sem que ninguém notasse.


Com o contrato encerrado e os comerciantes indo embora, ele se misturou à multidão de forasteiros que cruzavam os portões da cidade principal. Já não precisava fingir ser um guarda-costas. Agora era apenas mais um espadachim solitário na estrada — como tantos outros.


Tsumi, em sua forma de filhote, aninhava-se dentro do casaco. Silencioso. Alerta. Parte do disfarce.


Foram quinze dias de busca. Vilas distantes, tavernas cheias de boatos, trilhas abandonadas. Em todas as direções, Ryoma farejava pistas da célula da organização conhecida como Homem-Fera — mas os rastros sumiam no vento, como se alguém os apagasse com cuidado.


Por um momento, pensou em retornar a Konoha.


Mas no décimo sexto dia, a sorte — ou o instinto — mudou.


Era uma vila afastada, encolhida entre morros secos e bosques esparsos. Cinco casas ainda de pé. Outras tomadas por ervas e silêncio.


Ryoma chegou ao local após ouvir um relato vago sobre “desaparecimentos” e “homens que vão e voltam... mudados”.


A vila estava vazia, mas viva em detalhes. Portas entreabertas. Pegadas antigas. Roupas esquecidas.


Na casa mais afastada, ele encontrou algo diferente.


Havia um corpo — recente. Um homem, aparentemente forte, morto há dois ou três dias. A expressão no rosto não era de dor, mas de frustração. Como se houvesse falhado em algo.


Ryoma se ajoelhou, observando o peito nu.

Na base do pescoço, algo o fez franzir o cenho.


Não era uma tatuagem. Nem um selo visível.

Era como uma mancha viva de chakra que havia se fundido à carne — uma mutação orgânica, escura, pulsante mesmo após a morte.


Tsumi rosnou baixinho e se afastou.

— Não é veneno... — murmurou. — Mas é como se o chakra estivesse... errado.


Ryoma estendeu a mão, sem tocar. Apenas sentindo.


“Essa é a marca. A que Jiraiya mencionou.”

“Não foi imposta. Foi aceita. E o corpo... falhou.”


A marca parecia inofensiva — mas só na aparência.

O chakra nela era denso, quase físico. Um peso que o corpo humano nem sempre suportava.


No dia seguinte, Ryoma reuniu informações com mais cuidado. Em uma taverna rural, escutou discretamente um lavrador contar que dois jovens da vila haviam “recebido algo” de um homem misterioso e que, semanas depois, um deles morreu vomitando sangue.


O outro... havia desaparecido.


— Ele dizia que ia voltar mais forte. Que Konoha havia arruinado a família dele... e que ele ia destruir tudo com as próprias mãos.


Ryoma bebeu seu chá em silêncio, olhos fixos na fumaça que subia.


“O líder não força ninguém...”

“Ele escolhe. Ou melhor: ele observa. E oferece.”


A marca era uma dádiva para quem buscava vingança.


Seguindo pistas, Ryoma chegou até uma trilha nas montanhas ao norte. Era estreita, coberta por vegetação e muito pouco usada. Mas ali, Tsumi farejou chakra denso — não maligno, mas primitivo.


Avançando com cuidado, Ryoma encontrou uma clareira escondida entre as pedras. E ali, as marcas estavam por todo lado.


O chão tinha sinais de combate — terra revirada, lascas de pedra quebrada, sangue seco. Não havia corpos. Mas havia suor. E chakra preso nas rochas.


“Treinamento... ou provação.”


Mais adiante, uma pedra grande exibia uma inscrição feita à faca:


“Aqui, você morre. Ou renasce.”


Ryoma ficou imóvel, olhando as palavras.


“Eles não obrigam ninguém a nada.”

“É o próprio alvo que decide enfrentar a transformação.”


“E apenas os que têm um motivo forte o bastante sobrevivem.”


A marca era cruel — mas não injusta.

Era o reflexo de um desejo. De um ódio.


Ryoma pensou em si mesmo.

Naquilo que o movia.

Naquilo que, talvez, também pudesse corromper.


Naquela noite, acampou em silêncio, observando as estrelas ao lado de Tsumi.

O cão, mesmo em forma reduzida, permanecia inquieto. O cheiro da marca ainda o incomodava.


Ryoma desenhou na terra o que viu: a forma da marca. Não era perfeita — como se fosse algo vivo, que mudava levemente em cada pessoa.


“Não é um símbolo fixo.”

“É uma extensão do chakra do próprio líder... e da alma de quem a recebe.”


A organização Homem-Fera não era uma seita. Nem um culto.

Era um exército silencioso de sobreviventes — escolhidos pela dor e guiados pela raiva.


E naquele país esquecido, Ryoma acabara de encontrar a borda da toca.


Ele apagou o desenho com a mão.


Na manhã seguinte, seguiria para o templo abandonado nas ravinas do norte — o último ponto citado em rumores, onde alguns jovens desapareciam e outros retornavam... diferentes.


Ele precisava ver. Precisava entender.

Ainda não era hora de agir.

Mas a hora estava se aproximando.


A marca não queimava.

Ela escolhia