Naruto: O Caminho do Coração espadachim

28 Capítulo 27 — Reflexo em Águas Tranquilas




Alguns dias haviam se passado desde que Ryoma recebera, das próprias mãos de Jiraiya, um conjunto de informações sigilosas. Pouco antes de partir com Naruto para uma longa jornada, o Sábio dos Sapos lhe entregou tudo o que havia descoberto até então sobre a misteriosa organização conhecida como Homem-Fera.

Nos relatórios mais recentes, havia menções discretas de movimentações suspeitas em um pequeno país sem grande relevância geopolítica. Um lugar afastado, pouco vigiado, onde coisas perigosas podiam crescer nas sombras sem chamar atenção. Perfeito para uma célula se esconder. Por isso, Ryoma decidiu investigar — sozinho, discreto, sem a bandana de Konoha, usando seu velho disfarce de espadachim errante.

Com sua capa escura e o olhar afiado, Ryoma agora viajava como guarda-costas de um pequeno grupo de comerciantes. Um contrato simples, com destino final justamente naquele país. A rota era longa, passando por vilarejos e caminhos florestais. Era o tipo de viagem onde não se contratavam ninjas de grandes vilas — era caro demais. Em vez disso, os comerciantes contavam com espadachins de aluguel ou ninjas de vilas pequenas, acostumados a pegar trabalho por pouco.

Dentro da carroça, Ryoma dividia espaço com outros guarda-costas — homens rudes, cansados e silenciosos. A maioria não parecia se importar com nada além do pagamento no final da jornada. Tsumi, seu fiel companheiro, estava escondido sob o casaco, transformado em filhote. Era só mais um cachorro de viajante aos olhos dos outros.

Ryoma mantinha os sentidos em alerta. Estava em missão, sim, mas também em um momento estranho consigo mesmo. Desde o que teve o diálogo com o velho espadachim no país de Ferro, sentia algo inquieto por dentro. Um ruído constante, como se estivesse procurando por uma resposta — mas sem saber exatamente como acha.

O som das rodas da carroça rangia pelas pedras da estrada. As folhas das árvores tremiam com o vento, e Ryoma deixou os olhos vagarem para a paisagem. Era verde, viva, mas distante.

"Preciso de uma resposta..." — pensou, em silêncio, como se estivesse falando com alguém.

De repente, um silvo cortou o ar. Uma flecha se cravou na lateral da carroça. Gritos soaram em seguida.

— Emboscada! — gritou um dos homens à frente.

Bandidos surgiram entre as árvores — espadas, lanças, gritos. Era a terceira vez só naquela semana. Ryoma já havia perdido a conta.

Os guarda-costas reagiram, espadas desembainhadas, alguns jogando-se da carroça com um misto de coragem e desespero. Ryoma fez o mesmo, movendo-se com eficiência, mas com contenção. Sua lâmina cortava com precisão, mas sem revelar demais. Ele lutava como um espadachim comum — nada de jutsus, nada de movimentos extraordinários. Apenas o necessário.

A luta durou pouco. Os bandidos fugiram, deixando corpos e poeira. Nenhum comerciante morreu, o que já era lucro. Os homens voltaram à carroça resmungando, e a viagem seguiu, com todos ainda mais atentos.

Ao anoitecer, chegaram a uma pousada de estrada. Era simples, feita de madeira rústica e papel de arroz, com um salão comum iluminado por lamparinas de óleo. As mesas estavam quase todas ocupadas por comerciantes suados e guardas famintos.

Ryoma se sentou em um canto, sozinho, com uma tigela de chá quente entre as mãos. Tsumi repousava aos seus pés, pequeno e quieto, quase imperceptível sob o casaco.

Do outro lado da sala, um comerciante barrigudo ria alto, rodeado por colegas. Ele contava uma história sobre o dia em que quase fora preso por vender peixe seco estragado no País da Água. A plateia ria como se fosse a melhor piada do mundo.

Ryoma apenas observava.

Não sentia desprezo — mas havia uma distância entre ele e aquela cena. Como se algo o impedisse de se conectar com aquela simplicidade. Era como olhar para uma vida que parecia pertencer a outro tempo, outra pessoa.

Seus olhos caíram sobre a tigela em sua frente. A água ainda girava, levemente agitada pelo calor.

"Quando a água se agita... não dá pra ver o fundo."

A frase surgiu em sua mente, sozinha. Sem voz, sem lembrança. Apenas... apareceu.

Ryoma fechou os olhos por um instante.

"Tenho procurado demais fora. Em pistas, em missões, em palavras dos outros. Mas talvez... talvez a resposta não esteja nesses lugares."

"Talvez eu precise parar. Ficar em silêncio. Esperar a água acalmar."

Por fora, o salão da pousada seguia ruidoso — canecas tilintando, risadas, passos apressados. Mas por dentro, Ryoma começava a se aquietar. Não havia encontrado a resposta. Mas talvez, pela primeira vez, estivesse pronto para procurá-la no lugar certo.

Na manhã seguinte, a caravana retomou o caminho. O destino era o pequeno país onde, segundo os relatos de Jiraiya, uma célula da organização Homem-Fera havia deixado rastros.

Ryoma montou em silêncio, com Tsumi novamente escondido. O disfarce continuava perfeito. Mas algo nele havia mudado.

Agora, além da espada e da missão, ele carregava uma nova pergunta.

E um silêncio diferente no coração.