Naruto: O Caminho do Coração espadachim
20 Capítulo 20 – A Lâmina que Pede Silêncio
Capítulo 20 – A Lâmina que Pede Silêncio
[Interior do prédio da administração de Konoha – final de tarde. O céu do lado de fora estava tingido de laranja e cinza, reflexo da reconstrução e da fumaça distante dos trabalhos.]
A sala do Hokage não estava tão cheia como nos tempos do Terceiro, mas o peso das decisões ainda pairava espesso no ar.
Tsunade, de braços cruzados diante de um monte de relatórios, massageava as têmporas. Os últimos dias haviam sido um caos: redistribuição de missões, orçamentos para reconstrução, inteligência sobre os movimentos da Akatsuki… era como tentar costurar um manto rasgado com uma agulha cega.
Uma batida discreta na porta.
Shizune (da ante-sala):
— Ryoma Inuzuka, jōnin de elite. Diz que é urgente, mas não emergencial.
Tsunade:
— Manda entrar.
A porta se abriu, revelando a figura alta de Ryoma. Vestia-se como sempre — simples, direto, com a Kiba no Tsume presa às costas. Mas seus olhos estavam diferentes: profundos, turvos, com algo preso lá dentro.
Tsunade (sem rodeios):
— Se for sobre missão, fala rápido. O caos não tira férias.
Ryoma (calmo, porém firme):
— Não vim por missão. Vim por mim.
Tsunade ergueu uma sobrancelha, afastando-se da mesa.
Tsunade:
— Vai pedir afastamento? Agora?
Ryoma:
— Não é por cansaço. É por sobrevivência.
Ele deu dois passos à frente.
Ryoma:
— Minha espada ainda corta... mas está cega. E se continuar assim, vai começar a cortar o que não deve.
(olhando diretamente para ela)
— Eu perdi o som do meu próprio passo. E isso, pra quem caminha pela lâmina, é perigoso demais.
Tsunade ficou em silêncio por um instante, estudando-o.
Tsunade:
— Quanto tempo?
Ryoma:
— Um ou dois meses. No País do Ferro. Sozinho.
Ela caminhou até a janela, onde o céu se tingia de violeta.
Tsunade (voz baixa):
— Quando Orochimaru traiu Konoha, ninguém percebeu a tempo... porque estávamos ocupados demais olhando para fora.
(volta-se para ele)
— E você agora está me dizendo que está olhando pra dentro?
Ryoma (sem hesitar):
— Sempre estive. Mas agora, só vejo neblina.
Tsunade suspirou.
Tsunade:
— Konoha precisa de você, Ryoma. Mas se você ficar assim... talvez seja a vila que perca.
(pega um pergaminho, escreve rápido, sela e entrega)
— Está autorizado. Um mês. Vá e volte como o homem que fez o nome Ryoma Inuzuka valer em cada fronteira.
Ryoma (pegando o pergaminho, inclinando a cabeça):
— Obrigado, Hokage-sama.
Tsunade (com meio sorriso):
— E nada de desculpas sobre destino ou presságios. Você parece o tipo de homem que corta o destino com a própria espada.
Ryoma (meio sorriso sério):
— Não acredito muito em destino.
(pausa)
— Mas se existir... e for desfavorável... eu corto.
Tsunade riu baixo.
Tsunade:
— Vai. Antes que eu me arrependa.
Ryoma saiu com passos silenciosos. Um selo na mão, um peso no peito, e à frente, as montanhas geladas do País do Ferro — onde não buscava poder, mas uma lâmina afiada por dentro.
O céu estava escuro, guardando estrelas, e uma neblina leve serpenteava entre as árvores próximas ao portão leste.
Ryoma ajustava as tiras da mochila em silêncio. Nada além do necessário: cantil, autorização da Hokage, suprimentos básicos e a espada Kiba no Tsume. Era tudo que levaria. Tudo que precisava.
Atrás dele, o portão da vila começava a se abrir. À frente, a estrada fria e longa para o País do Ferro.
E dentro dele... um vazio que não podia mais ignorar.
Uma voz suave veio atrás:
Yugao:
— Vai mesmo sem dizer adeus?
Ele demorou um instante antes de se virar. A voz era calma, mas ferida.
Yugao estava com um manto leve, cabelos soltos, olhos úmidos — não de tristeza, mas de compreensão. Tsumi estava ao lado dela, quieto, cabeça baixa, como se entendesse tudo.
Ryoma (com cansaço no rosto):
— Se eu dissesse adeus, você tentaria impedir.
(pausa)
— E esse caminho... é só meu.
Yugao (aproximando-se):
— Vai em busca de força?
Ryoma (olhos nos dela):
— Não. Vou em busca da pergunta certa.
Yugao:
— E se a resposta for que você estava errado?
Ryoma (leve sorriso triste):
— Então que eu aprenda a ser errado com dignidade.
Ela ficou em silêncio, tocando levemente a mão dele.
Yugao:
— Não traga só respostas...
(voz baixa)
— Traga você de volta também.
Ryoma assentiu, ajoelhando-se diante de Tsumi.
Ryoma (sussurrando):
— Fique com ela. Proteja minha matilha.
Tsumi rosnou baixo, um som de despedida sem tristeza — apenas lealdade.
Com um último olhar, Ryoma virou-se e caminhou.
Sozinho.
Nota: sai quarta e sexta
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