Naruto: O Caminho do Coração espadachim
21 Capítulo 21 — A Espada que Aponta para o Futuro
Capítulo 21 — A Espada que Aponta para o Futuro
No topo de uma colina coberta de neve rala, Ryoma parou. O horizonte era um mar de gelo e rocha. As bandeiras verticais do País do Ferro dançavam ao longe.
Ali, sozinho, ele sussurrou:
— Que o frio tire o que for falso.
(pôs a mão no peito)
— E o que sobrar… que seja a lâmina do meu coração.
Então desceu em direção ao desconhecido.
A espada ainda estava embainhada.
Mas o espírito... já estava nu.
A neve descia fina sobre os telhados escurecidos do País do Ferro, cobrindo cada canto da vila com um manto calmo e gelado.
Era ali, entre os vales frios e montanhas brancas, que vivia o homem que Ryoma havia ido procurar.
Não havia missão. Nenhuma ordem. Nenhum relatório a preencher.
Apenas uma inquietação — silenciosa, profunda — que o havia trazido de volta àquele lugar.
Um velho amigo. Um mestre de outro tempo.
Ryoma atravessou os portões da pequena vila sem alarde. Reconheceu o caminho pelas pegadas de sua memória.
A juventude que tivera — e as dúvidas que carregava — ainda viviam ali, escondidas entre os pinheiros cobertos de neve.
O dojo era simples, de madeira antiga, sustentado mais pela tradição do que por pilares. No interior, o som de espadas de madeira cortando o ar mantinha a alma do lugar viva. Crianças treinavam com seriedade, como se cada golpe pudesse mudar o destino.
Num canto, sentado sobre uma almofada gasta, o velho mestre bebia chá em silêncio.
Ryoma parou à entrada. Seu casaco de viagem cobria a espada nas costas, mas o brilho nos olhos denunciava o que o movia.
— Então… o que o trouxe ao País do Ferro? — perguntou o velho, sem nem olhar.
Ryoma entrou. Tirou os sapatos, deixando a neve à porta.
— Vim por uma resposta.
— Que tipo de resposta?
— Quero saber como continuar ficando mais forte…
…sem depender de chakra, sem depender de bênçãos. Apenas… de mim mesmo.
O velho sorriu de lado, como quem reconhece uma velha estrada.
— Já estive nesse lugar.
Tomou mais um gole do chá, e então olhou para Ryoma pela primeira vez.
— Mesmo tão novo, você já alcançou algo raro.
— O Coração da Espada despertou em você, não é?
Ryoma assentiu, sem palavras. O silêncio dizia mais que mil frases.
— Mas não sei o que fazer com isso — disse, com sinceridade.
O velho levantou-se sem pressa. Abriu a porta lateral do dojo, revelando o pátio coberto pelas pegadas das crianças.
— Está vendo essas crianças?
Ryoma as observou. Elas riam agora, espadas de madeira ao lado, a leveza da infância já substituindo o peso do treino.
— São minha resposta.
Ryoma franziu o cenho, sem entender de imediato.
— Mifune encontrou a dele no campo de batalha.
— Eu encontrei aqui… nesse silêncio.
Fez uma pausa antes de continuar:
— Quando você encontra o Coração da Espada, ela para de te perguntar como cortar.
— Ela começa a te perguntar: por que você ainda empunha?
O silêncio caiu como neve entre eles.
— E qual foi sua resposta? — perguntou Ryoma.
O velho olhou para o céu branco por alguns segundos antes de responder:
— Parei de empunhar…
— Porque percebi que a espada que corta mais fundo…
…é aquela que aponta para o futuro dos outros.
Ryoma apertou a Kiba no Tsume em silêncio.
— Mas eu ainda não consigo largá-la.
O velho sorriu com respeito, não como quem julga — mas como quem compreende.
— Então continue.
— O Caminho do Coração é assim.
— Cada um encontra sua própria resposta.
Sentou-se novamente. As crianças riam do lado de fora.
E antes que Ryoma se virasse para partir, o velho completou:
— O limite superior?
— Não existe.
— Mas a pergunta que o define…
…é se você luta para vencer o mundo, ou para vencer a si mesmo.
Ryoma não disse nada.
Fechou os olhos. A espada nas costas parecia mais leve.
Não porque ela pesava menos…
Mas porque ele começava a lembrar por que a carregava.
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