Naruto: O Caminho do Coração espadachim
24 CAPÍTULO 23 — Peso de Comando
CAPÍTULO 23 — Peso de Comando
O céu de Konoha estava nublado naquela tarde. O cheiro de chuva rondava os telhados, mas o dia ainda resistia à tempestade.
O hospital central já havia recebido todos os membros do grupo de resgate. Choji estava estável. Neji respirava com dificuldade, mas fora salvo a tempo. Naruto, silencioso, recusava conversar com quase todos. Kiba, apesar dos cortes, foi o que saiu em melhor estado — uma prova de que seu treinamento com Ryoma tinha sido mais que eficaz.
Mas havia alguém que não estava ferido no corpo, e sim na alma.
No jardim de pedras atrás do hospital, Shikamaru Nara estava sentado sozinho, a mão direita enfaixada. Dois dedos quebrados — nada grave. Mas seu semblante parecia o de alguém que havia perdido muito mais que ossos.
O som suave de passos chegou por trás.
Shikamaru não precisou olhar para saber quem era.
Ryoma (sem anunciar presença):
— Como comandante, você voltou com todos vivos. Isso, para mim, soa como sucesso.
Shikamaru não respondeu de imediato. Apenas pegou uma pequena pedra do chão e a girou entre os dedos feridos.
Shikamaru:
— Eu... fiz escolhas que machucaram meus amigos. Eles se arriscaram por algo que falhou.
(pausa)
— E se não fossem os ninjas da Areia aparecendo no último momento... talvez nem todos tivessem voltado.
Ryoma encostou-se ao pequeno cercado de madeira do jardim, braços cruzados. Olhou para as nuvens pesadas acima.
Ryoma:
— Alianças salvam vidas. Não são só palavras diplomáticas.
— Você teve reforço porque plantou respeito — mesmo sem perceber.
(pausa)
— Ninguém... ninguém entra num campo de batalha esperando sair limpo, Shikamaru.
O garoto olhou finalmente para ele, os olhos meio cerrados.
Shikamaru:
— O senhor fala como se já tivesse perdido muita gente...
Ryoma (calmo):
— Eu perdi a mim mesmo, algumas vezes.
— Mas sempre que me reencontrei, foi porque olhei pra frente, não pros erros.
(pausa longa)
— Você sabe o que te torna um bom líder, Nara?
Shikamaru deu de ombros, cansado.
Ryoma:
— Você ainda sente o peso mesmo com todos vivos.
— Líderes ruins dormem tranquilos quando só perdem um ou dois.
(pausa)
— Continue sentindo. Isso vai te tornar mais forte. Mas nunca... nunca deixe isso te congelar.
Shikamaru (voz baixa):
— Entendido...
Ryoma (ajoelhando na frente dele, olhos no mesmo nível):
— E se acha que está sozinho, olhe para o lado.
Ele apontou com o queixo.
Na entrada do hospital, Kiba e Akamaru caminhavam juntos — mesmo com curativos, andavam firmes, como soldados que sabiam o valor da superação. O olhar de Kiba cruzou o de Shikamaru, e o Inuzuka acenou com confiança.
Ryoma:
— Aqueles dois? Estão prontos pra enfrentar jōnins com o peito aberto.
— E ainda te chamam de "comandante".
(pausa)
— Comanda direito, Nara. Eles confiam em você mais do que você acredita.
Shikamaru respirou fundo. A pedra que segurava parou de girar. Ele a soltou, deixando cair sobre a terra.
Shikamaru (quase sorrindo):
— Esse papo... foi menos chato do que eu esperava.
Ryoma (se levantando, voz neutra):
— Não se acostume. A próxima conversa pode ser com espada na mão.
Shikamaru:
— Que problemático...
Ryoma se virou e partiu, sua silhueta desaparecendo entre as folhas secas que dançavam no jardim.
A chuva começou a cair, leve. Mas o coração de Shikamaru estava um pouco mais firme do que antes.
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