Naruto: O Caminho do Coração espadachim
6 Ecos na Areia
Capítulo 6 — Ecos na Areia
Após a batalha contra Orochimaru, Ryoma subia as escadas do prédio do Hokage com passos firmes, porém silenciosos. O cheiro de metal e sangue parecia ainda preso em sua garganta, resquício da tensão que pairava em seus músculos.
Ele entregou o relatório, sem rodeios. Esperava a formalidade usual. Mas o que ouviu em seguida congelou seu semblante.
— Orochimaru atacou o time de Kakashi — disse Hiruzen, voz pesada, carregada do cansaço de décadas. — Ele colocou uma marca da maldição em Sasuke… igual à de Anko.
O punho de Ryoma se fechou. A sala pareceu ficar menor, sufocante.
— Então o exame será cancelado?
Hiruzen olhou pela janela, a fumaça do cachimbo escapando entre os lábios.
— Não. Cancelar agora só daria a Orochimaru o que ele quer. O exame continua.
Ryoma respirou fundo. Mesmo sem concordar plenamente, entendia a lógica. Cancelar o exame era admitir o medo — e o medo atraía predadores. Fez uma reverência curta, os olhos fixos, e saiu sem dizer mais nada.
Descendo para a arena, sentiu o cheiro de poeira, suor, chakra. O ringue circular ao centro parecia um campo de caça prestes a se encher de sangue. Os demais jōnins já esperavam nas arquibancadas elevadas: Guy, Kurenai, Asuma, Kakashi. Cada um mantinha o olhar fixo, pesado, na nova geração que ali se reunia.
Ryoma encostou as costas em uma coluna de pedra, cruzando os braços. Seu olhar encontrou Kiba, de pé ao lado de Akamaru. Um lampejo quase invisível de orgulho brilhou em seu olhar. Aquele garoto… seu sobrinho… havia crescido rápido.
Asuma tragou o cigarro, soltou a fumaça em um sopro curto.
— Agora é hora da verdade.
— Metade vai cair aqui — comentou Kurenai, tom baixo. — Sem trabalho em equipe. Apenas sobrevivência.
Ryoma não respondeu.
O gongo soou, cortando o ar.
A primeira luta começou: Naruto Uzumaki contra um genin de outra vila.
Naruto apanhou. Muito. Foi jogado, socado, cuspido para o chão. Mas se levantava. Sempre gritando, cuspindo sangue, desafiando o destino. Cada tentativa falha se tornava um novo impulso. No fim, virou o jogo. Pura teimosia. Pura brutalidade de vontade.
Ryoma assentiu, discreto. Aquilo… era algo que não se ensinava em dojos.
Outras lutas se seguiram, rápidas, brutais. Genins venciam, genins eram arrastados inconscientes para fora da arena. Sangue, choro, urros de vitória.
Até que chegou o combate que importava: Kiba contra um genin da Névoa.
Ryoma inclinou o corpo para frente, o ar ao redor parecendo mais denso. Kiba desceu, o corpo relaxado, mas os olhos tensos como lâminas. Akamaru rosnou baixo, pelos eriçados.
Desde pequeno, Ryoma moldara Kiba. Sem atalhos. Sem truques fáceis. Só base sólida, disciplina, controle do corpo, controle do instinto.
O gongo soou.
Kiba avançou sem hesitação, baixo, as mãos quase tocando o chão. Shikyaku no Jutsu — o cheiro do inimigo encheu seus sentidos. Tsuuga — girou como uma broca viva, forçando o adversário a recuar.
O oponente ergueu névoa, armou fios de aço, kunais escondidas. Kiba desviou com saltos secos, o corpo abaixando e erguendo, um fluxo contínuo de movimento.
Ryoma observava cada detalhe: a postura dos joelhos, o eixo do tronco, a tensão exata dos ombros. A técnica estava impecável.
Kiba deu o comando. Akamaru saltou. Transformação — Sōtōrō. Duas cabeças, duas feras. Gatsūga. Um giro brutal. O adversário foi atingido em cheio, cuspindo sangue, voando para longe.
Silêncio. Depois, murmúrios surpresos.
— Hmph… esse moleque… — murmurou Asuma. — Alguém bateu disciplina nesse garoto com força.
Ryoma manteve o olhar fixo. Mas por dentro, o peito queimava com orgulho contido.
O público vibrou. Mas logo se calou de novo. Um peso pairou sobre todos.
Rock Lee contra Gaara do Deserto.
Guy, ao lado de Ryoma, tremia. As mãos cerradas. A respiração contida.
Lee desceu sem palavra alguma, os olhos firmes, as mãos relaxadas. Um garoto sem talento para ninjutsu ou genjutsu. Apenas carne, osso e esforço.
O gongo soou.
Lee desapareceu em um borrão de velocidade. Os chutes, socos, cotoveladas, pareciam criar imagens ilusórias. A areia de Gaara se erguia, muralhas vivas tentando deter o garoto. Mas Lee quebrava cada camada, cada defesa, com taijutsu perfeito.
Ryoma apertou levemente o cabo da espada ao lado do quadril.
— Esse é o passo que você ensinou a ele, não é? — sussurrou Kurenai, do lado.
Ryoma assentiu, sem desviar o olhar.
Mas Gaara começou a reagir. A areia tornou-se mais agressiva, lâminas de grãos cortando o ar. Lee foi atingido. Ele levantava. Sangue escorria. Ele sorria.
— Sensei… posso usar aquilo? — a voz de Lee ecoou, rouca, lá embaixo.
Guy fechou os olhos.
— Vá.
Primeiro Portão — Abertura.
O ar estremeceu.
Segundo Portão — Alívio.
Terceiro — Cura.
Quarto — Dor.
Quinto — Vida.
O rugido de Lee sacudiu o estádio. Seus chutes rasgaram a areia, cada golpe um trovão. Omote Renge. Ele prendeu Gaara, girou, bateu o corpo do inimigo contra o chão.
Por um instante, parecia que venceria. Mas o corpo cedeu. As pernas fraquejaram.
Gaara ergueu o Caixão de Areia. O som seco de esmagamento ecoou na arena.
Ryoma se moveu.
Ninguém o viu sair do lugar. Uma miragem vazia ficou para trás.
Quando todos perceberam, ele já estava na arena, espada cravada no chão entre Lee e a areia mortal.
Gaara deu um passo atrás, confuso. A areia hesitou, os grãos tremendo no ar.
— Por que… me impede? — murmurou Gaara, voz rouca, carregada de fúria contida. — Por que… você…?
Seus olhos estavam abertos, pupilas tremendo. Um ódio sem direção queimava em seu peito.
— Já basta — disse Ryoma, voz tão fria quanto lâmina molhada de orvalho.
Gaara rangeu os dentes, a areia rodopiando como uma serpente, mas não avançou. Pela primeira vez, hesitou.
Guy surgiu ao lado de Lee, segurando o garoto inconsciente.
— Obrigado… Ryoma… se não fosse você… — murmurou, voz trêmula.
Ryoma não respondeu. Seus olhos ficaram fixos em Gaara, até o garoto baixar a areia, o rosto franzido de confusão e fúria contida.
Lentamente, Ryoma virou as costas, subindo de volta para a tribuna.
O silêncio pairou na arena. Mas algo havia mudado nos corações dos que assistiam. Viram um garoto comum ultrapassar limites impossíveis. Viram que esforço, mesmo sem talento algum, podia brilhar e desafiar monstros.
Ryoma encostou as costas na muralha de pedra, fechando os olhos por um instante.
— É isso… que Konoha precisa — murmurou para si, sem emoção. — Gente que não desiste.
O sol queimava alto, mas no peito de cada um, algo ardia ainda mais forte.
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