Capítulo 7 — Sombra sobre as Folhas

Ryoma, de volta à tribuna, mantinha os braços cruzados, mas a mente em turbilhão. Sua atenção voltou-se para o nome ecoando na arena.

— Uchiha Sasuke.

Um leve murmurinho se espalhou entre os jōnins. Kakashi mantinha o semblante impassível ao lado, mas Ryoma notou o leve apertar de sua mandíbula. Era quase invisível, mas nada escapava aos seus olhos acostumados às brechas de uma luta.

— Marca ativa... ele vai mesmo entrar em combate? — murmurou Ryoma, o tom sem julgamento. Apenas constatando.

Sasuke surgiu no alto da escadaria, descendo com o olhar frio de sempre. Mas Ryoma sentiu: havia algo mudado. O chakra do garoto parecia vibrar com algo sombrio, como serpentes rastejando sob a pele.

— Forçando o corpo... apostando alto... hmpf... — resmungou Ryoma, apertando os punhos.

Do outro lado, o genin da Vila do Som já o esperava, ansioso. Sasuke não parou. Atacou como um raio, direto.

Os golpes do Uchiha eram afiados. O corpo se movia com fluidez, mas Ryoma notava o peso que se acumulava — cada passada, cada chute, forçando tendões, ossos, músculos. Ele lembrava Lee, mas havia algo mais cruel, mais denso ali.

— Kakashi... usando o estílo do Lee pra segurar o veneno? — comentou Ryoma, sem tirar os olhos da luta.

— É o bastante para manter a maldição sob controle... por enquanto. — respondeu Kakashi, a voz baixa, tensa.

Ryoma não respondeu. Apenas observou, registrando cada detalhe. O Sharingan de Sasuke cintilava em vermelho vivo. Em dado momento, o garoto saltou, girou o corpo em pleno ar e aplicou uma sequência feroz de socos e chutes, o Shishi Rendan. O adversário nem teve tempo de gritar: o corpo bateu no solo com um estalo seco. Desacordado.

Mas quando Sasuke aterrissou, Ryoma viu o sangue na nuca dele. As veias latejavam. Os olhos... havia fome de algo que não era apenas vitória.

— Tsc... garoto está cavando o próprio abismo. Não existe certo ou errado... é apenas o corte da lâmina que escolhe o caminho — murmurou Ryoma, seu tom mais pesado que antes.

Kakashi sumiu em um piscar de olhos, indo conter Sasuke antes que a marca transbordasse.

Ryoma permaneceu na tribuna, olhos fixos. Seus ombros doíam. A lembrança da luta contra Orochimaru — recente, brutal — pulsava como uma ferida oculta. Ele não falava disso, mas cada parte de seu corpo gritava silenciosamente por descanso. Mesmo assim, sua mente só pensava em afiar ainda mais a lâmina.

Alguns jōnins o cumprimentaram, mas ele ignorou. Desceu da tribuna sem olhar para trás. Precisava de espaço, precisava sentir o vento cortando o rosto, precisava lembrar a si mesmo que estava vivo — que ainda tinha força.

Na floresta, Ryoma parou num campo aberto. O vento agitava a grama. Ele fechou os olhos, respirou fundo. Tsumi, fiel, se aproximou, farejando o ar.

— Quieto, parceiro... hoje é dia de afiar a alma.

Ryoma sacou a katana devagar, sentindo o peso familiar na mão. O ferro brilhou sob o sol. Por dentro, ele sentia a dúvida latejando, o medo — memórias da mão de Orochimaru se fechando ao redor de sua garganta, da pressão fria do veneno através do chakra.

Ele deu o primeiro corte no ar. Depois outro. Cada movimento limpava o pensamento, afastava as vozes. O som do vento contra a lâmina preenchia o silêncio.

Ryoma não buscava respostas. Ele não acreditava em códigos morais, não via o mundo em certo ou errado. Apenas entendia que seu coração — de espadachim — sabia onde cortar quando fosse necessário.

E naquele momento, ele precisava lembrar disso.

Golpeou o ar, a grama, o tronco de uma árvore. O cansaço da luta anterior latejava, mas ele não parou.

A cada corte, o medo virava fogo. A dúvida virava a linha fria da lâmina.

Depois de um longo tempo, ele parou, ofegante, o suor pingando.

— Ainda não é o bastante... mas um dia vai ser — murmurou, guardando a katana.

Tsumi uivou baixo, como se entendesse.

Ryoma olhou para o céu, um brilho duro nos olhos.

— Se o mundo quiser me derrubar... que tente. Eu corto o vento se precisar.

E naquele dia, sem testemunhas, Ryoma afiou um pouco mais a própria alma, preparando-se para o que viria.


Notas finais
Sai quarta e sexta