Naruto: O Caminho do Coração espadachim

27 Capítulo 26 - Os Homens fera


O sol filtrava-se entre as folhas do teto do prédio do Hokage. A janela estava aberta, e o vento soprava papéis sobre a mesa de Tsunade. Ryoma entrou sem cerimônia, a capa ainda um pouco úmida da neblina matinal. Seu olhar, firme como sempre, cruzou com o de Tsunade — e logo em seguida, com o de um velho conhecido.

Jiraiya estava ali, de pé, braços cruzados, expressão tensa, mas relaxada ao mesmo tempo — como se o peso do mundo estivesse apenas encostado em seus ombros.

— Vocês me chamaram? — disse Ryoma, direto.

Tsunade foi a primeira a responder.

— Sim. Temos uma situação… longa. E delicada.

Ela sinalizou para que Ryoma se aproximasse. Quando ele se colocou entre os dois, Jiraiya começou:

— Existe uma organização operando pelas sombras, fora dos grandes países, mas com olhos voltados para Konoha. E não apenas olhos. Intenção.

Ryoma manteve o silêncio.

Jiraiya então continuou, com a voz baixa:

— Recentemente, em uma de minhas investigações… encontrei o líder deles. Sozinho.

— E o que viu? — perguntou Ryoma, frio.

— Um homem que não deveria existir — respondeu Jiraiya. — Um experimento de Orochimaru. Um deles que conseguiu escapar… e sobreviveu tempo o bastante para se fortalecer e reunir pessoas em torno de um ideal podre: a queda de Konoha.

Jiraiya apertou os punhos.

— Lutei com ele. Não foi uma luta fácil. Precisei usar tudo o que tinha. No final, o derrotei — ele fez questão de frisar —, mas antes que eu pudesse finalizá-lo, um dos subordinados apareceu e o levou embora. Eu estava ferido… e cansado demais pra impedir.

Ryoma apenas fechou os olhos por um breve segundo.

Tsunade então assumiu a fala:

— Eles se autodenominam Homens Fera. Possuem uma marca… algo que lembra a maldição de Orochimaru, mas diferente.

Ryoma abriu os olhos, atento.

— Aqueles que recebem essa marca ganham um poder absurdo — explicou Tsunade. — Não é chakra comum. É algo que funde o chakra com a energia da natureza. Não é senjutsu… mas caminha perto disso.

Jiraiya assentiu.

— A maioria dos ninjas que tentam receber essa marca… morre — completou Tsunade. — Mas os que sobrevivem… se tornam máquinas de combate. Especialistas em taijutsu. São brutais. E não têm piedade.

Ryoma estreitou os olhos.

— E qual é a minha parte nisso?

Tsunade olhou diretamente para ele. Havia sinceridade, mas também desconfiança no fundo de seus olhos.

— Danzo também está investigando essa organização.

Ryoma franziu levemente o cenho, mas não comentou. Tsunade seguiu:

— O que nos preocupa é o porquê. Danzo é perigoso, e se há algo que chama a atenção dele… é porque envolve poder ou controle. E você sabe o que isso significa. O que Danzo quer, ele toma.

Ela se levantou, caminhou até a janela.

— Por isso, preciso que você vá até onde puder. Viaje. Investigue. Descubra o que puder sobre os Homens Fera… e o que Danzo está fazendo nas sombras. Se ele pretende usar essa marca… precisamos saber antes que ela vire outra ameaça dentro dos nossos muros.

Ryoma pensou por um instante. Não perguntou mais nada. Apenas assentiu.

— É uma missão de longo prazo — disse Jiraiya. — Vai e volta. Não precisa viver fora da vila. Mas vai precisar sair. E quando sair… mantenha os olhos atentos. Eles não são como as outras organizações.

Tsunade olhou com seriedade:

— O objetivo dessa organização é um só. Destruir Konoha.

Ryoma então respirou fundo, virou-se de costas, e caminhou até a porta.

— Não importa se estão certos ou errados — disse, sem virar o rosto. — Se apontam para o que jurei proteger… então já estão cortados.

E saiu, a capa balançando com o vento da alvorada.