Naruto - A Aposta
7 Capítulo 7 - O Principio
Notas iniciais
A segunda veio depressa…ainda por cima porque Naruto teve de se levantar cedo para apanhar boleia de Gaara.
No entanto, isso não o impedia de dormitar no luxuoso carro preto com Gaara ao seu lado a rever alguns papéis e anotações que Kankuro lhe tinha enviado.
Demoraram quatro horas até entrarem em Konoha, a razão pela qual tinham saído de Suna às cinco da manhã. Quando o carro parou bruscamente, Naruto abriu os olhos e ficou confuso ao ver a Governadora parada no meio da estrada com os braços cruzados.
Com hesitação, Naruto saiu e arrepiou-se quando Tsunade começou a andar em direção a ele com passos pesados.
- O que é que pensas que estás a fazes!? – exclamou Tsunade parando a um palmo de distância dele – Estávamos preocupados!
Naruto franziu as sobrancelhas. – Por que razão? Acho que já tenho idade para passar uma noite fora.
- Isso não quer dizer que não tenhas de avisar! – continuou Tsunade admirada com a arrogância de Naruto – Não percebes que há pessoas que se preocupam contigo?
Sem respostas para aquela pergunta e sentindo-se extremamente culpado, Naruto não conseguiu fazer mais nada a não ser baixar a cabeça, enquanto a Governadora continuava o sermão.
Vendo o que se sucedia, Gaara suspirou e saiu do carro.
- Governadora. – chamou Gaara, encostado à porta do carro reluzente – Não queria interromper mas, se não formos já, eu e o Naruto vamos chegar atrasados.
Tsunade olhou para Gaara, depois para Naruto e depois para Gaara outra vez.
- Está bem. – disse finalmente, conformada – Já que o Governador é o anfitrião, vou permitir que vás. Mas vamos acabar de falar, amanhã.
Naruto anuiu com a cabeça e decidiu que tinha cerca de 24 horas para se preparar para o sermão que estava para vir.
Voltou ao carro de Gaara e o resto da viagem foi feita em silêncio. Naruto queria agradecer ao amigo mas tinha medo de quebrar a atmosfera silenciosa que se impunha.
O silêncio manteve-se quando o carro parou e eles saíram. Quando o carro preto recuou e foi pelo mesmo caminho por onde tinham vindo, Naruto olhou para Gaara.
- Eu pedi que eles voltassem para Suna. – disse Gaara como se soubesse o que Naruto estava a pensar – É melhor ir de autocarro com vocês. Não quero ser injusto.
Naruto encolheu os ombros como se não estivesse interessado. – A decisão é tua, meu.
…
O professor Taichi esperava à porta da escola enquanto, lá dentro, os restantes professores preparavam as duas turmas para desfilar até ao autocarro.
Ao ver Naruto e Gaara a aproximarem-se, ele franziu as sobrancelhas.
- Estão atrasados. – referiu Taichi, olhando especialmente para Naruto – Se acontecer o mesmo na próxima visita de estudo, ficam para trás.
Naruto anuiu com a cabeça e seguiu Gaara quando este entrou.
- Está na hora de falares com a Hinata. – disse Gaara parando em frente à sala das raparigas que se arranjavam para sair – Se não falares agora, não sei se vais ter outra oportunidade.
Naruto anuiu com a cabeça e olhou para Hinata que estava a falar com Temari, dando a entender que ela era o seu par para a viajem.
- Dás-me uma ajuda? – pediu Naruto humildemente.
Gaara suspirou e chamou pela irmã que olhou imediatamente e, surpreendentemente, só demorou alguns segundos para chegar até eles.
- Passasse-se alguma coisa? – perguntou Temari.
- Podes chamar a Hinata para vir falar com o Naruto? – perguntou Gaara. Aos ouvidos de Temari, aquilo era mais uma ordem do que um pedido.
Por isso, nem sequer respondeu, voltou para a sala e passou a mensagem a Hinata que olhou imediatamente para a porta.
O facto de ela ter corar mesmo depois de ele ter feito tudo aquilo ainda o fazia sentir-se pior. Quase fugiu ao vê-la aproximar-se mas deixou-se ficar no mesmo sítio. No entanto, quando Gaara se afastou, teve de respirar fundo.
- Naruto-kun. – disse ela parando em frente dele – Devias estar a preparar-te para a viajem.
- Hinata… — ele teve de respirar fundo de novo antes de conseguir continuar – Eu sei que já ouviste falar sobre a aposta.
Hinata anuiu com a cabeça e desviou o olhar do dele. – Não faz mal.
- Sim, faz! – exclamou Naruto chamando a atenção a Sakura – Quer dizer…não fui eu que sugeri a aposta mas fui eu que a aceitei e brincar com os sentimentos de uma rapariga não é algo de que me orgulhe de falar.
Hinata voltou a olhar para Naruto, agora surpreendida.
- Para concluir, queria pedir desculpa e garantir-te que não vai acontecer outra vez.
Hinata sorriu e corou outra vez. – Obrigada por teres explicado tudo.
- Não é só isso. – continuou Naruto tentado não gaguejar – Gostava…gostava de ficar a conhecer-te melhor.
- O quê? – agora não era só Hinata que corava.
- Hu…hmm… — Naruto procurou por uma razão racional – Para me redimir. – conclui finalmente – Isso! É para me redimir!
- Oh! – Hinata sorriu – Bem, não precisas de fazer isso e a Temari já me pediu para ir com ela, hoje.
Naruto tentou pensar numa explicação melhor. – Não estou a dizer só hoje. – disse ele – Estou a dizer daqui para a frente. – explicou – Descobri que não te conheço tão bem como gostava de conhecer.
- Já pensaste no que o meu primo vai dizer? – lembrou Hinata – Ou fazer…?
-Eu acho que ele não tem o direito de controlar o que tu fazes ou não fazer. – disse Naruto lembrando-se das ameaças de Neji – Se lhe disseres o que queres, ele não pode parar-te.
- E se…ele faz-te alguma coisa? – perguntou Hinata contorcendo as mãos.
- Ele não me assusta. – mentiu Naruto com um sorriso confiante, vendo Hinata sorrir também.
- Hinata! – chamou Kurenai de dentro da sala – Temos de começar a dirigir-nos para o autocarro? Importaste de voltar para dentro? – pediu a professora – E tu também, Naruto. Devias voltar para a tua sala.
- Sim, sim!
Obedecendo à professora, Naruto afastou-se, mas não antes de se despedir de Hinata. Agora, só esperava que Neji não descobrisse tão cedo.
…
Kakashi era o diretor da escola.
Durante metade do ano ele andava sempre com um cachecol à volta do pescoço e a tapar a boca. Durante a outra metade, ele andava com uma máscara médica porque dizia ser alérgico a certas flores que desabrochavam na Primavera e no Verão.
Se pensassem bem, nunca o tinham visto com a cara totalmente destapada.
Também eram poucas vezes que o tinham visto no seu próprio escritório. Já que ele não gostava de burocracias, passava o seu tempo a passear pela escola e a conviver com o professor de E.F. Gai.
O facto de ele estar agora na sala dos rapazes, devia ser consequência de outra aposta estúpida que ocasionalmente fazia com o Gai-sensei.
- Naruto! – exclamou Gai com grande convicção e energia – Onde é que estavas!? Quase toda a gente já tem par!
- Está bem! – disse Naruto descontraidamente – Não é o fim do mundo.
- O Gai tem razão. – reforçou Kakashi – Tu já sabias a que horas é que a saída da escola estava marcada mas mesmo assim atrasaste-te.
- Vamos ao que interessa! – disse Gai quando Naruto se sentou ao lado de Sasuke – A turma dos rapazes e a das raparigas vão em camionetas separadas e em excursões separadas quando chegarem a Suna. – um murmurinho negativo percorreu a sala – No entanto, à hora do almoço vocês podem-se misturar…mas só à hora do almoço. Depois a excursão vai ser retomada pelo Gaara-sama que vai mostrar-vos os seus escritório e local de trabalho. Depois vão dirigir-se para os quartos que vos indicarem e levantar-se às horas especificadas. Percebido?
Os murmúrios positivos deram a resposta a Gai e a partir daí foi a confusão total mas, passada meia-hora, os dois autocarros estavam carregados e prontos para partir.
Kakashi e Kurenai foram no autocarro das raparigas que partiu primeiro. No autocarro dos rapazes ia Gai e Taichi, porque os miúdos pareciam ter medo dele.
- Agora, quando chegarem lá, sou eu que vou conduzir a vossa primeira parte da excursão. – informou Taichi na frente do autocarro virado para os alunos – O que quer dizer que nenhum de vocês tem autorização para falar a não ser que eu o diga, entendido?
Todos disseram que sim, praticamente ao mesmo tempo e as conversas transformaram-se em sussurros quase inaudíveis quando Taichi sentou-se ao lado de Gai.
- Ele é assustador. – sussurrou Naruto que estava sentado ao lado de Sasuke.
- Eu acho que ele é fixe. – discordou Sasuke também em voz alta – Só por ele querer respeito não quer dizer que seja assustador.
Naruto olhou para Sasuke.
Naruto só conseguia ver Sasuke sorrir daquela maneira quando falava de história ou sobre o professor de história. É claro que também sorria para Sakura, mas não daquela maneira inocente…como se fosse apenas uma criança.
Com uma paciência que Naruto considerava quase inquebrável, continuou a ouvir o companheiro a falar sobre a história de Konoha e de como o professor Taichi a interpretava tão bem.
Passadas três horas, o autocarro abrandou, dando sinal de que estavam a entrar em Suna. Naruto pôs-se de joelhos no seu assento e virou-se para trás onde Gaara estava sentado ao lado do irmão de olhos fechados.
- Hei, Gaara! – chamou Naruto fazendo Gaara abrir os olhos e Kankuro estreitar os dele – Onde é que vamos passar a noite?
- Há um hotel ao lado da minha casa. – informou Gaara olhando pela janela. Parecia surpreso por ver Suna o que significava que ele tinha dormido durante as três horas de viajem – É lá que vão ficar. É claro que os rapazes e as raparigas vão ficar em andares diferentes. E os professores vão ficar divididos entre os dois andares.
- E tu? – perguntou Naruto curioso.
- Eu, o Kankuro e a Temari vamos passar a noite em casa. – disse Gaara, estranhando a pergunta – Não seria normal dormir num hotel quando temos a nossa casa ali ao lado.
- Sim, mas…
Quando o autocarro parou, Naruto cortou a frase a meio e sentou-se. Taichi levantou-se mesmo a tempo de ver Naruto fazê-lo.
- Naruto. – chamou Taichi arrepiando Naruto – Tu e o Sasuke vêm à frente, comigo.
Naruto olhou para o seu lado, à espera do olhar mortal de Sasuke. No entanto, o que encontrou foi felicidade.
- Meu, se continuares assim, vão dizer que tens um fraquinho pelo professor de história. – avisou Naruto vendo então o olhar mortal.
- Eu não tenho um fraquinho pelo professor. – protestou Sasuke – Já que eu não tenho familiares vivos, o professor Taichi é como uma figura fraternal para mim.
Naruto não podia dizer nada sobre isso. Ele também não tinha conhecido os seus pais e, assim, tinha transformado o Kakashi-sensei na sua figura fraternal.
- Despachem-se. – avisou Taichi à espera dos dois.
A excursão ia começar.
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