Naruto - A Aposta
8 Capítulo 8 - Suna
Notas iniciais
Suna era incrível.
Apesar daquela areia toda, as pessoas conseguiam viver lá e o mais impressionante era Gaara que governava Suna inteira apenas com quinze anos.
Taichi dizia isso tudo, enquanto liderava a excursão da manhã com Naruto e Sasuke mesmo atrás de si. Sasuke parecia ter estrelinhas nos olhos, mas Naruto suspirava e bocejava a cada cinco minutos.
Gaara ia ao lado de Taichi, observado atentamente por Temari e Kankuro que iam atrás de Naruto e Sasuke.
- Foi o Namikaze-sama que uniu Suna e Konoha. – disse Taichi – Depois de muitas negociações com o anterior governador de Suna.
- Quem é o Namikaze? – murmurou Naruto para Sasuke.
- És estúpido? – perguntou Sasuke – O Namikaze-sama era…
- Sasuke! – exclamou Taichi olhando de lado para o irmão – A não ser que seja uma pergunta, porque é que estás a falar?
- Desculpe, sensei. – pediu Sasuke, chateado por ter sido repreendido pelo seu professor preferido – Estúpido Naruto.
- Vamos continuar. – informou Taichi.
A manhã tinha sido lenta para Naruto e, quando finalmente o professor dissera que era hora de almoço, ele já estava esfomeado.
- O Governador concedeu-nos a honra de almoçarmos no salão da casa governamental. – anunciou Taichi – Por isso, quero que se portem adequadamente, percebido?
O “sim” percorreu o grupo dos rapazes inteiro e assim dirigiram-se para os aposentos de Gaara, vagarosamente, na opinião de Naruto.
Quando lá chegaram, o grupo das raparigas já estavam a servir-se da comida exposta nos diferentes tabuleiros, preparados especialmente para aquele dia.
- Ela está ali. – disse Gaara para Naruto, enquanto apontava para Hinata.
Ela estava a escolher entre morangos com chantilly ou maças cortadas em forma de coelho (Nota da Autora: maças cortadas em forma de orelhas de coelho são conhecidas no Japão tal como salsichas cortadas em forma de polvo; sobretudo para crianças).
Hesitante, Naruto avançou e pegou no prato com as maças. – Eu acho que estas combinam mais contigo.
Hinata olhou para Naruto e corou. Ele estava demasiado perto.
- Naruto-kun… — murmurou ela quando ele pegou no tabuleiro – Não precisas de…
- Anda. – disse Naruto – Eu guardei uma mesa para nós.
Ele pousou com cuidado o tabuleiro dela na mesa para dois e foi buscar alguma comida para ele, enquanto Hinata se sentava. Não demorou mais de dois minutos mas teve que se despachar quando viu Neji a olhar para o assento vazio em frente a Hinata e também não pareceu muito contente quando Naruto o preencheu.
- Foi muito simpático da parte do Gaara-sama por nos ter deixado comer aqui. – lembrou Hinata farta do silêncio desconfortável entre eles.
- Ah, sim! – confirmou Naruto olhando em volta.
O salão era enorme, preenchido por janelas e candeeiros luxuosos. Havia poucas mesas com apenas duas cadeiras, já que a maior parte delas eram enormes com mais de dez cadeiras. Mais do que eles precisavam, pensou Naruto. Aquele luxo todo era desnecessário e Naruto não estava habituado a ele.
No entanto, Gaara comia na mesa principal sem qualquer embaraço.
- Queria pedir-te desculpa outra vez por ter aceitado a aposta do Sasuke. – disse Naruto – Sei que te magoei, por isso…
- Não importa. – disse Hinata virando os olhos para o prato – Afinal, deve ter sido divertido.
- Não! – discordou Naruto – Foi horrível. Nunca devia ter brincado assim com os sentimentos de uma rapariga.
- Os sentimentos de uma rapariga. – murmurou Hinata para si mesma. Não sabia se havia de ficar triste ou deprimida por ser só uma “rapariga” – Bem, se ainda precisares de explicações, eu posso continuar a ensinar-te, depois das aulas.
Naruto pensou na oferta. Era uma oportunidade de conhecê-la melhor mas achava que Neji não ia gostar muito da ideia. E já podia imaginar o que Tsunade diria…
- Ia gostar disso. – confessou Naruto – Mas fui avisado para não te incomodar mais.
- Parece que houve muitas pessoas que não gostaram da aposta. – disse Hinata, desanimada pela noticia – Não se pode fazer nada, então.
Naruto suspirou e voltou a comer. Por uns momentos, não fizeram mais nada a não ser concentrar-se em comer.
A ideia que Naruto teve a seguir assustou-o e surpreendeu-o porque não estava à espera de ter aquilo na sua cabeça e não parecia mais correta do que a aposta. Talvez nem sequer devesse dizê-la.
- Estão a gostar da comida? – perguntou Gaara que andava de mesa em mesa para garantir a satisfação dos convidados, como um bom anfitrião faria.
- Está tudo ótimo, Gaara-sama. – respondeu Hinata imediatamente – Da próxima tem que passar por nossa casa. Tenho a certeza que o meu pai iria adorar tê-lo para jantar.
- Mas é claro. – aceitou Gaara.
Formalidades, pensou Naruto. E claro que compreendia. Gaara era o governador de Suna e Hinata era descendente dos Hyuuga.
Era perturbador a maneira como eles falavam daquela maneira quando andavam os dois na mesma turma.
- Bem, se quiserem, podem repetir a dose. – disse Gaara referindo-se à comida – Tenham um bom apetite.
Gaara afastou-se e deixou-os sozinhos, outra vez.
- Sabes…foi o Namikaze-sama que criou os laços entre Suna e Konoha. – disse Hinata – No entanto, os laços são só uma formalidade, agora que ele está morto. Se alguma disputa acontecesse, o que Namikaze-sama criou não ia servir de nada.
Naruto limitou-se a escutar, apesar de Taichi-sensei já lhes ter explicado aquilo tudo…e ela parecia perturbada.
- Se houvesse uma guerra entre Suna e Konoha, seria uma catástrofe. – continuou Hinata – E com certeza, outros países seriam arrastados e forçados a escolher um lado. Isso já aconteceu antes. Antes do Namikaze-sama fazer o contrato apaziguador com Suna.
- A guerra. – murmurou Naruto, lembrando-se das aulas de história. Ele ainda não era nascido, na altura, por isso só tinha os livros para se reger.
- Dizem que foi tão horrível. – disse Hinata – Se eu pudesse fazer alguma coisa para que isso não acontecesse outra vez, não teria o direito de recusar, certo?
- Acho que sim. – respondeu Naruto que não fazia ideia do que ela estava a dizer.
- O meu pai…propôs um casamento entre o governador de Suna e um Hyuuga. – revelou Hinata sem olhar para Naruto.
Mesmo sem explicar mais, Naruto conseguiu perceber onde ela queria chegar. Ela era a única Hyuuga da família principal que tinha a idade de Gaara.
- Isso é bom. – murmurou Naruto – Acho eu…
- Eles estão a combinar isso para daqui a três anos. – disse Hinata.
- E tu? – perguntou Naruto – O que é que tu disseste?
- Eh?
- O que é que tu dizes sobre a decisão? – esclareceu Naruto – Qual foi a tua resposta?
- Resposta? – repetiu Hinata – Mas eles não me pediram a opinião. É o meu pai que decide.
- A meu ver, tu é que vais ser a noiva, certo? – perguntou Naruto – Não vais casar por obrigação. Isso já não acontece, hoje em dia.
- Mas, se a guerra…
- Eu não estou a ver nenhuma guerra. – disse Naruto – E é do Gaara que estamos a falar. Ele é meu amigo e anda na escola connosco. Achas que ele começaria alguma guerra?
- Bem, não…
- E também não ficaria contente com um casamento desses. – interrompeu Naruto – Quer dizer, acho que ele não tem namorada, mas nunca obrigaria uma rapariga a casar contra a sua vontade.
- O meu pai não ia gostar. – disse Hinata.
- O Gaara sabe persuadir as pessoas. – inconscientemente, pousou a mão na mão dela mas apreçou-se a tirá-la logo de seguida – Quer dizer…eu acho que não te deves conformar só porque o teu pai acha que é o correto a fazer.
- Obrigada, Naruto-kun. – agradeceu Hinata, sinceramente – Gostava de puder recompensar-te de alguma maneira.
- Já estão prontos? – perguntou Taichi assustando Naruto – O governador vai começar o resto da excursão. Por favor, arrumem as vossas coisas e juntem-se em pares.
- Não se esqueçam que a turma das raparigas está junta com a turma dos rapazes, nesta última parte. – lembrou Kakashi – Por isso, portem-se bem ou o governador manda-vos para as masmorras.
Houve um riso geral mas pararam imediatamente porque Taichi não parecia tomar as palavras de Kakashi como uma piada.
- Queres vir comigo, Hinata? – perguntou Naruto de uma forma natural.
- Hinata-sama! – exclamou Neji chamando a atenção da prima e de Naruto – O seu pai pediu que a escoltasse na segunda parte da visita.
- Parece que tenho de ir. – Hinata sorriu apologeticamente para Naruto e afastou-se para ir ter com o primo que olhava para Naruto com uma expressão assassina.
- Hinata-sama, não devia aproximar-se dele. – avisou Neji, enquanto caminhavam para fora do salão e os empregados começavam a limpar eficientemente os restos – Nem sabemos quem são os pais dele. Como sabemos se ele não é filho de ladrões?
- Estás a ser mau, Neji-onii-san. – disse Hinata – Não se deve julgar uma pessoa pela família.
- Não é o que a família Hyuuga tem feito durante gerações? – perguntou Neji – Se eles fazem há tanto tempo, se calhar seja o correto a fazer.
- Estás errado. – disse Hinata – Pensa bem, se o Naruto fosse um idiota chapado…
- “Se”?
- …mas viesse de uma família importante, isso já lhe dava o direito de sair comigo? – perguntou Hinata – Já poderia casar com ele?
- Se o seu pai assim o quisesse. – foi a resposta de Neji.
- Neji onii-san! – exclamou Hinata chateada com o que o seu pai tinha ensinado a Neji – Isso está tão errado.
- Hinata-sama, como seu servente e da família Hyuuga, o que o seu pai diz é lei. – disse Neji – No entanto, como seu primo, nunca deixarei que tenha qualquer tipo de relacionamento com aquele falhado. Mesmo que tenha que ir contra a sua vontade, far-lho-ei para seu bem.
Hinata não deu resposta. De que adiantaria? A cabeça de Neji já estava feita em relação a Naruto e o seu pai nunca daria permissão para namorar um órfão, mesmo se ela lhe dissesse que o amava.
- Tem tudo a ver com a família, huh? – murmurou Sasuke que tinha ouvido a conversa toda.
- Disseste alguma coisa, Sasuke? – perguntou Sakura que ia ao lado dele.
- Ah, nada. – respondeu Sasuke voltando à realidade – Por acaso, sabes alguma coisa sobre os pais do Naruto?
…
Depois de passearem pelos aposentos governamentais, a noite tinha chegado rápido e, depois de jantarem, a ida para o hotel foi rápido.
Raparigas num piso, rapazes noutro, tal como tinha sido combinado.
Um ou dois professores estavam sempre alerta para garantir que não se misturavam, deixando a Naruto pouco por onde manobrar.
Deixou que o professor Taichi fosse dormir e deixasse Guy a patrulhar para tentar a sua sorte. Depois de suar, conseguiu contorná-lo e chegar ao andar onde as raparigas estavam a dormir, divididas pelos vários quartos.
No entanto, teve que se esconder atrás de uma cortina quando viu Kakashi a patrulhar o corredor e ainda teve que esperar uns quinze minutos para que ele fosse chamar Kurenai substituir.
Aproveitou para correr pelo corredor. Felizmente, cada porta tinha o nome de quem estava lá dentro, por isso foi só uma questão de encontrar o que dissesse “Hyuuga Hinata/Tenten” e parar.
Bateu à porta e esperou até Tenten abrir a porta.
- Naruto? O que é que estás a fazer aqui? – murmurou Tenten.
- Preciso de falar com a Hinata. – pediu Naruto – Podes chamá-la?
- Não podes estar aqui. – disse Tenten – A professora vai ver-te.
- Por isso é que te peço para te despachares. – insistiu Naruto vendo Tenten ceder aos poucos – Por favor.
- Espera um segundo. – disse Tenten finalmente voltando para dentro do quarto.
Hinata apareceu alguns segundos depois, corada e com os cabelos molhados, indicando que ela tinha saído do banho à pouco tempo.
- Naruto-kun. – disse Hinata, surpreendida – O que é que estás aqui a fazer?
- Hinata. – começou ele – Queres sair comigo?
- Eh?
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