Naruto - A Aposta
6 Capítulo 6 - A viagem e o pânico
Notas iniciais
O fim-de-semana tinha finalmente chegado e Naruto não queria fazer mais nada a não ser ficar na cama durante o dia todo.
No entanto, quando ouviu a governadora gritar pelo seu nome, saltou imediatamente de baixo dos cobertores e desceu as escadas a correr, quase caindo nos últimos degraus.
Viu Sakura quase imediatamente e arrependeu-se de não trocar de roupa.
Sakura era uma das “protegidas” de Tsunade e era normal ela aparecer aos fins-de-semana mas Naruto persentia que a sua comparência tinha algo que ver com ele. A cara que a governadora tinha no momento confirmou o seu pressentimento.
- O que é que se passa aqui? – perguntou Naruto sentando-se cuidadosamente no sofá ao lado de Sakura e em frente à poltrona de Tsunade – Aconteceu alguma coisa?
- A Sakura contou-me sobre o que aconteceu na escola. – informou Tsunade – Em relação à Hinata e à aposta.
Naruto olhou para Sakura com olhos acusadores mas ela continuava silenciosamente sentada com as costas direitas e as mãos no seu colo.
- Isso…
- Naruto, a Hinata é uma das potenciais herdeiras da família Hyuuga. – lembrou-lhe Tsunade – Se o pai dela ficasse a saber iriamos ter problemas.
- Mas foi o Sasuke que…
- O Sasuke propôs a aposta pelo que eu soube, mas foste tu que aceitaste. – continuou Tsunade interrompendo-o outra vez – E ele é um Uchiha. O que quer dizer que ele está livre de qualquer consequência entre ti e os Hyuuga.
Naruto pensou que era óbvio que ele sabia aquilo tudo. Mas porque é que não tinha pensado nisso antes de aceitar?
- Sakura, tens alguma coisa a acrescentar? – perguntou Tsunade vendo Sakura a suspirar e erguer a cabeça.
- Bem, eu acho que o Naruto devia falar com a Hinata. – confessou Sakura – Porque ela só vai acreditar no que lhe disseram até ser ele a dizer-lhe.
- Então está combinado. – concordou Tsunade – Vais contar-lhe sobre o que fizeste, pedir-lhe desculpa e depois vais evitar falar com ela e com o primo dela o mais que puderes, percebido?
Antes que Naruto tivesse tempo para contestar, Tsunade levantou-se e ergueu uma mão, sinalizando o fim da conversa. Sinalizando que não havia mais nada a fazer a não ser cumprir os desejos da governadora.
Tsunade parou à beira da porta da saída.
- Também me disseram algumas coisas sobre o Governador de Suna e a sua partida. – mencionou Tsunade – Espero que não tenhas nada que ver com isso, também.
Naruto teve que suspirar fundo quando Tsunade saiu e depois olhou seriamente para Sakura que continuava sentada.
- Tinhas mesmo que fazer isso? – perguntou Naruto, chateado.
Sakura levantou-se e também ela parecia extremamente chateada quando olhou para Naruto. Mais do que isso, parecia furiosa.
- Francamente Naruto, eu não esperava isto de ti! – exclamou ela.
- Mas foi o Sasuke…
- Nem comeces, Naruto! – gritou Sakura – Eu já esperava isto do Sasuke mas, de alguma forma, pensava que tu não eras capaz. – tristemente, ela abanou a cabeça – Brincar com os sentimentos de uma rapariga é ir de longe demais. E o que aconteceu com o Governador de Suna…se a Tsunade-sama fica a saber vai ser um inferno.
- O que é que tem o Gaara? – perguntou Naruto, confuso.
- O Gaara-sama voltou a Suna porque não aguentava a vossa maneira de tratar a pobre rapariga. Foi a Temari que me disse. – contou Sakura olhando para a cara surpreendida de Naruto – E o que vai acontecer se eles cortarem todos os laços connosco? Sabes quanto trabalho teve o Namikaze-sama teve para juntar as nações!?
- Namikaze? – Naruto não fazia ideia de quem era essa pessoa.
- E sabes que mais? – continuou Sakura – Ontem e mesmo no dia anterior a esse eu estive na biblioteca com a Hinata quase até a escola fechar. Porque ela estava à tua espera. Afinal, porque é que farias uma coisa assim a uma rapariga tão inocente? Ela gosta tanto de… — ela teve que se parar antes de dar informações a mais – A Hinata precisa de ouvir de ti se não, ela não vai desistir! E, já que não gostas muito dela, não vai custar nada, pois não?
- E se eu gostar?
Foi sem pensar muito que ele disse aquilo e parecia tão chocado quanto Sakura no segundo depois de o dizer. Ficou ainda mais chocado quando Sakura se desfez em gargalhadas.
- O que é que é tão engraçado? – perguntou Naruto um bocado ofendido.
- Naruto, vamos pensar bem nisto. – sugeriu Sakura parando de rir – Gostas de mim há bastante tempo e sei que ficaste chateado quando eu e o Sasuke começamos a namorar e agora estás a dizer que gostas da Hinata?
- Bem…não é bem gostar… — gaguejou Naruto – Talvez…eu acho-a interessante.
- Interessante? – o tom de voz dela era agora ameaçador. Ela aproximou-se de Naruto e semicerrou os olhos – Ouve bem o que eu vou dizer. Se magoares a minha amiga não vais ter que dar explicações apenas ao Neji, percebeste?
Sakura virou costas e, tal como Tsunade tinha feito antes dela, virou-se antes de sair e olhou bem para Naruto.
- Espero bem que assumas as culpas sobre a partida do Governador de Suna e o tragas de volta o mais depressa possível. – avisou Sakura – Porque se o Kankuro e a Temari também forem embora, vai ser o fim do nosso trato com Suna.
Naruto deixou-se cair no sofá e, mais uma vez, suspirou fundo.
…
A manhã seguinte foi preenchida com uma viagem cansativa a Suna, muitos papéis para preencher e muitas burocracias para falar com o Governador…uma pessoa que costumava ver todos os dias.
Quando finalmente conseguiu entrar, também Gaara parecia bastante irritado com a sua presença ali.
- Qual o teu propósito aqui, Naruto? – perguntou Gaara educadamente, assustando Naruto mais do que Sakura.
- Gaara, quero que sejas sincero. – pediu Naruto – Saíste de Konoha por minha causa?
Gaara tirou os olhos dos papéis que estava a ler e fitou Naruto seriamente como se estivesse a avaliar a pergunta dele.
- Sim. – respondeu finalmente – Basicamente, foi por tua causa. Mas também tinha que vir assinar alguns papéis e resolver alguns assuntos.
- Porque é que dizes isso? – perguntou Naruto, confuso – Pensei que éramos amigos…
- E somos. – confirmou Gaara voltando aos papéis – Mas eu acho desprezível o que estás a fazer com a Hinata e não vou voltar até estar acabado.
De alguma maneira, custava ouvir aquilo de um amigo, pensou Naruto. Ele e Gaara tinham tido um começo difícil e nada agradável mas tinham-se tornado mais do que bons amigos.
- Achas que fui muito longe? – perguntou Naruto pondo uma mão na cara – Bem, agora está tudo acabado. O Neji descobriu sobre a aposta e contou à Hinata.
Gaara levantou-se, envergando as suas vestes de Governador, caminhou até Naruto e pôs-lhe uma mão no ombro em gesto de compreensão.
- E o que é que a Hinata pensa disso? – perguntou Gaara preparando para consolar o amigo.
- Eu ainda não falei com ela. – respondeu Naruto e Gaara tirou imediatamente a mão do ombro dele – Eu imaginei que ela não quisesse falar comigo e o Neji avisou-me para não me aproximar dela.
Gaara suspirou e voltou para a sua cadeira e sentou-se pesadamente procurando palavras para contar o que não devia ser contado.
- Naruto… — começou ele tentando não hesitar – A Hinata…leva-te em bastante consideração. Não acho que ela se chatearia tão facilmente, por isso aconselho-te a falares com ela antes de tirares qualquer conclusão.
- Achas mesmo? – perguntou Naruto pensando bem naquilo – Talvez deva fazer isso.
Aliás, já tinha decidido que ia fazer isso mas tinha que pensar no que ia dizer antes de a confrontar. Confrontar as possíveis lágrimas que ela ia derramar.
A verdade era que ele tinha ganhado bastante respeito por Hinata depois daquelas conversas nos últimos dias e era difícil magoá-la agora…o que era irónico de um certo ponto de vista.
- Então? – disse Gaara – Queres que te faça o visita guiada a Suna?
- Não. Nós vamos ter uma para a semana, lembras-te? – perguntou Naruto, agora mais descontraidamente.
- Sim…ah! – lembrou-se Gaara – A visita de estudo.
- Pois é. – concordou Naruto – Mas…meu Deus! Tanta areia!
Gaara riu-se. Era sempre engraçado ver uma pessoa ficar surpreendida com a terra onde ele tinha nascido. Mas as gargalhadas pararam quando Gaara viu a cara de Naruto mudar.
- O que é que se passa? – perguntou Gaara um bocado preocupado.
- A turma dos rapazes e a turma das raparigas vão-se juntar nesse dia. – Naruto viu que Gaara tinha percebido – E eu propus à Hinata que fizéssemos companhia um ao outro.
- E porque é que fizeste isso? – perguntou Gaara interessado. Talvez ainda houvesse algum futuro ali – Não era tudo sobre a aposta? E a aposta só durava uma semana. No entanto, a visita de estudo é para a semana. Porque é que a convidaste?
- Ela é interessante, sabes? Eu pensei que me ia divertir se fosse com ela. – Naruto tentou completar a explicação – Como amiga, é claro.
- Porque é que não começas por aí? – sugeriu Gaara – Fala com ela, pede desculpa e pergunta se ainda podem ir juntos à visita de estudo.
- Tu…pareces perceber bastante de mulheres. – Naruto estava realmente surpreendido. Nunca vira Gaara com nenhuma namorada – Tiraste isso dalgum livro?
- Eu tenho uma irmã, lembras-te? – Gaara levantou-se outra vez – Se não tivesse aprendido alguma coisa não estaria vivo, agora.
- Ah, certo! A Temari.
- Está a anoitecer, Naruto. – avisou Gaara – Como é que vais voltar para Konoha?
- Pensei em apanhar um autocarro. – respondeu Naruto vendo Gaara fazer uma cara estranha – O que é que foi?
- Os autocarros em Suna são perigosos a esta hora. – disse Gaara abanando a cabeça – Podes passar aqui a noite e depois vais comigo para a escola amanhã de manhã.
- Aww, agradecia imenso! – sentindo-se imediatamente em casa, Naruto sentou-se na cadeira de Gaara – Então, e onde é que eu vou dormir?
- Num dos quartos de hóspedes. – respondeu Gaara sentando-se do outro lado da secretária, em frente a ele – Não devias ligar à Governadora para avisar que vais ficar aqui?
- Nah! – exclamou Naruto, descontraído – Provavelmente ela nem vai dar pela minha falta.
…
Mas tinha dado.
Já passava da meia-noite quando Naruto foi finalmente para a cama apesar de Gaara o ter avisado que tinha de acordar cedo para chegarem à escola a tempo.
Também já passava da meia-noite quando Tsunade chegou a casa depois de receber o telefonema de Shizune e sair de uma reunião abruptamente. Quando chegou a casa, Shizune já não estava sozinha.
“Taichi” – a identidade falsa que tinham criado para Itachi – estava ao lado de Shizune a fazer telefonemas sem parar.
- Onde é que ele está!? – perguntou Tsunade, aflita – Já têm novidades?
- Nada. – disse Shizune tristemente – Ninguém em Konoha sabe dele. Por isso chamei o Itachi.
Itachi era um dos homens com mais contactos não só em Konoha, mas praticamente em todo o mundo. Depois de o 3º Governador ter posto a culpa do incêndio da família Uchiha em cima de Itachi, ele tinha obedientemente saído da aldeia.
Não tinha demorado muito tempo para Tsunade trazê-lo de volta depois de tomar o comando, como o chato professor de história que secretamente cuidava de todos os problemas que Sasuke tivesse.
Itachi trabalhava secretamente para Tsunade em trabalhos que não podiam ser descobertos pela população em geral. Um deles era o caso de Naruto e era por isso que ele estava ali.
- Porque o iriam raptar? – perguntou Tsunade começando a entrar em pânico – Será que descobriram sobre os pais deles?
- Vai ficar tudo bem. – murmurou Shizune e pôs as mãos nos ombros dela – Provavelmente ele só anda por aí a divertir-se.
- Ele foi visto num autocarro em direção a Suna. – interrompeu Itachi depois de desligar o telemóvel.
- O Governador! – exclamou Tsunade agora com alguma esperança.
- Já telefonei. – adiantou-se Itachi profissionalmente – O assistente do Governador disse que ele teve uma reunião com o Gaara-sama e ficou lá a passar a noite.
As lágrimas começaram a surgir nos olhos de Tsunade, e depois a raiva.
- Porque é que aquele pirralho nunca avisa ninguém! – gritou ela o mais alto que pôde – Se ele soubesse…
- Mas ele não sabe. – interrompeu Shizune referindo-se à história do pai do Naruto – E talvez seja melhor contarmos-lhe antes que algo de mais grave aconteça.
- Itachi. – chamou Tsunade simplesmente.
E, tal como se tivesse carregado em algum botão, Itachi começou a falar.
- Eu não tenho autorização para entregar os documentos a ninguém sob pretexto algum sem a autorização da Governadora Tsunade. – disse Itachi mecanicamente – Mesmo que seja o próprio herdeiro a pedi-las. Devo neutralizar qualquer ameaça que possa expor o segredo.
- Percebes-te, Shizune? – perguntou Tsunade arrogantemente – Não há ficheiros sobre isso. Só o Itachi, eu, tu e mais um pequeno grupo de pessoas têm conhecimento do segredo e, entre elas, só eu e o Itachi é que sabemos o que realmente aconteceu. Não há necessidade para o Naruto ficar a saber, por enquanto…
- O Itachi está aqui! – gritou Konohamaru de cima das escadas. Tinha um grande sorriso na cara e o pijama vestido – Bem me pareceu que tinha ouvido a tua voz!
Num flash, Itachi mudou a cara séria e colocou um sorriso brilhante nos lábios, esticando os braços quando Konohamaru correu para si. Itachi abraçou a criança e pegou nela ao colo, continuando a sorrir genuinamente.
- Porque é que não passas mais tempo aqui? – perguntou Konohamaru tristemente, enquanto olhava para os olhos negros de Itachi – Tu prometeste que ias começar a passar mais tempo comigo.
- A Governadora só me dá trabalho e mais trabalho. – murmurou Itachi como se fosse um segredo que só os dois sabiam – Mas prometo que passo por aqui sempre que puder.
- Já chega disso. – protestou Tsunade acabando com a conversa – Konohamaru, devias estar na cama. Tens escola amanhã.
Konohamaru encolheu os ombros mas amuou. Itachi pôs o menino no chão e, num gesto que sempre surpreendia Tsunade e Shizune, ele deu um beijo na face a Konohamaru.
- Vou ficar à tua espera! – avisou Konohamaru subindo as escadas a correr.
Todos já sabiam o que aquilo significava por isso, quando Itachi olhou para Tsunade, ela apenas fez um pequeno gesto com a cabeça e ele começou a subir as escadas, lentamente. De alguma maneira, o hábito de Itachi ler uma história a Konohamaru antes de dormir, sempre que estava ali, tinha-se instalado.
- Ele parece duro mas é bastante atencioso com crianças. – comentou Shizune.
- Sim. Começou tudo com o Sasuke. – Tsunade suspirou – Bem, acho que vou telefonar para a sala de reuniões e avisar que não vou. Estou com sono e vou pensar num bom sermão para dar ao Naruto quando ele chegar. – começou a subir as escadas devagar, enquanto se espreguiçava – Acompanha o Itachi a um quarto de hóspedes quando ele tiver acabado e agradece-lhe pela ajuda.
Shuzune disse “boa noite” anuiu com a cabeça e fez uma vénia até Tsunade estar fora do seu campo visão.
Ia ser um dia duro, amanhã.
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