Naomi
1 Capítulo 1
Notas iniciais
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A primeira coisa que pensei antes de abrir os olhos foi em um laço vermelho, um laço grande e dançante. Isso pode parecer um tanto estranho, mas foi tudo o que consegui me lembrar naquele momento.
Depois senti minha vista ficar amarelada com um toque suave de vermelho, como se um clarão estivesse me esperando do lado de fora. Lentamente fui levantando as pálpebras e parecia que um fogo estava consumindo meus olhos, seguido de duas lágrimas escorrendo pelo canto do rosto. Naturalmente tentei levantar as mãos para enxuga-las, mas percebi que elas estavam amarradas onde estava deitada; um lugar desconfortável e frio. Minhas pernas estavam na mesma situação, então ao invés de gritar por ajuda ou me debater e tentar sair dali, eu fechei os olhos novamente.
Esperei as lágrimas escorrerem até secarem e voltei a abrir os olhos. A visão estava mais limpa e o clarão já não me incomodava tanto. Eu estava em uma sala inteiramente branca com janelas pretas no seu topo que parecia infinito. Havia instrumentos de cirurgia e conseguia me ver em televisores. Logo pensei que tinha sofrido um acidente ou coisa do tipo, mas as amarras que me prendiam eram suspeitas, não precisaria delas em uma cirurgia. Quando olhei para uma mesa ao lado de um dos televisores pude ver um símbolo ou uma marca. Duas chamas de fogo, a ponta de uma tocava na base da outra.
De repente ouço a porta abrir e passos virem em minha direção. O cheiro de perfume exalava.
— Boa noite Naomi, como está se sentindo? – A voz era grossa, mas suave. Ele se aproxima de mim e espera uma resposta.
— Não sei como vim parar aqui. – Olho para o seu jaleco e havia o nome Chucker Stevens bordado na cor preta.
— Você sofreu um terrível acidente sta. Priser mas já controlamos os ferimentos e você ficará bem.
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— Por que não me lembro de nada?
— Você bateu com a cabeça muito forte, por isso a falta de memória.
— E como você me explica as amarras? – Sigo com os olhos em direção das pernas presas na maca.
— Você se debatia de dor quando foi trazida para a SO, então amarramos seus pés e mãos para que pudéssemos começar a cirurgia.
Tudo parecia muito confuso. Eu poderia ser solta durante a cirurgia, mas continuava presa sem poder me mexer.
— Você vai poder sair daqui logo. Mas antes precisa de medicações para a dor e muito repouso.
Ele me aplica uma injeção que queimava ao se misturar com a minha corrente sanguina. Aquela injeção me deixava com muito sono, então não resisti e dormi novamente, fechando os olhos devagar e vendo o suposto médico sair da sala antes de apagar totalmente.
Quando acordei, em um quarto com móveis de madeira e piso de carpete vermelho veludo, havia dois homens sentados ao lado da cama, um com um papel e caneta nas mãos e o outro olhando muitas vezes para o relógio em seu pulso. Fitei-os durante um tempo em silêncio e eles continuaram parados sem nenhuma palavra.
— Quem são vocês? – Quebro o silêncio.
— Olá sta. Priser sou Bruno e esse é o meu ajudante Oliver, nós somos da imprensa e viemos fazer algumas perguntas sobre o seu acidente. – Disse o ruivo de cabelos enrolados e pele terrivelmente branca.
— Foi um acontecimento terrível, é impressionante vê-la viva. – O outro rapaz era de cabelos negros e lisos, a pele levemente bronzeada. Um homem muito atraente.
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Este último me encarava constantemente com os olhos cerrados. Mal olhava para seu companheiro, apenas para mim e seu relógio, como se estivesse algum compromisso.
Eu não me lembro de nada – Digo olhando para o rapaz que me olhava sem parar. – O que aconteceu?
— O seu carro caiu de uma ribanceira de mais de dez metros, você pegou no sono e desviou-se da estrada. – O ruivo respondeu rapidamente sem dar tempo de Oliver se pronunciar.
— Eu estava sozinha? – Pergunto novamente para Oliver.
— Seu marido e filha estavam no carro. – Bruno responde meio desconsertado. – Sinto muito.
Marido e filha, aquilo não parecia fazer sentido. Se ao menos pudesse me lembrar de tudo. Eu queria mais respostas, mas aquilo era tudo o que aqueles inúteis sabiam para me dizer. Senti uma vontade enorme de me levantar e tentar achar explicações do que havia acontecido comigo.
Eu preciso ir ao banheiro. – Lentamente fui me levantando da cama vendo que não estava presa nela.
Bruno tinha um ar suspeito e rapidamente segura o meu braço. – Não! Quer dizer, a senhora precisa fazer repouso, deixe que as enfermeiras a ajude a fazer suas necessidades.
— Como sabe que tenho enfermeiras? – Puxo meu braço com força e o olho com muita dúvida.
— Eu me informei sobre você antes de fazer essa entrevista, pôr favor Naome, queira se acalmar. – Ele me leva para a cama novamente, dessa vez com mais suavidade.
— Você me parece muito preocupado para um jornalista qualquer. – Eu me levanto com um pouco de dificuldade.
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O ruivo então puxa uma arma do bolso do seu paletó e aponta para mim. – Cala a boca sua imprestável e faça o que estou mandando!
Rapidamente Oliver se levanta e abaixa a arma dele dizendo:
— Você vai estragar tudo não percebe? Vamos, me dê aqui essa arma. – Ele estica a mão e Bruno bufando de raiva e olhando para mim entrega a arma para seu companheiro.
Aquilo parecia muito estranho, como se eles estivessem fazendo parte de algum plano, alguma tentativa de me prender naquele lugar e eu não conseguia me lembrar de absolutamente nada, apenas um laço vermelho dançante.
De uma hora para outra Oliver se levanta e vai até a porta. – Vou ver se ninguém ouviu essa barulheira toda que você fez Bruno, santa paciência! – Eu permanecia imóvel.
Muito devagar Oliver se aproxima de Bruno sem fazer nenhum barulho enquanto ele anotava alguma coisa em seus papéis. Pegando-o de surpresa Oliver tira um lenço branco do bolso e com muita força pressiona sobre o rosto de Bruno que se debatia como um peixe e tentava gritar, mas sua voz era abafada pelo lenço.
O que está fazendo? – Pergunto para ele.
Eu vou te tirar daqui. – Ele responde muito baixo enquanto o ruivo caia em seus braços.
— Mas como posso confiar em você? – Eu digo enquanto ele coloca Bruno na cama e o cobre até a cabeça fazendo com que parecesse que eu estivesse deitada nela. – E o meu acidente?
— Não houve acidente nenhum. Eu te explico no caminho. – Ele então olha para o relógio e fica esperando por algo.
— Porque olha tanto para esse relógio? – Pergunto incomodada.
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— Nós precisamos sair quando o relógio apontar dezessete horas e meia. Os guardas trocam de turno á essa hora, então existe um espaço de dez minutos até os outros guardas do segundo turno se posicionar.
— Guardas? – Pergunto um tanto confusa.
— Naome, você precisa saber de muitas coisas ainda. – Ele volta a olhar para o relógio. – Vamos! Precisamos sair agora.
Mas e as enfermeiras? Elas vão nos ver. – Eu recuo enquanto ele segura meu braço.
— Não existe enfermeiras, isso tudo é uma farsa, você não ficou de cama, eles te deixaram assim.
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