Naomi

2 Capítulo 2


— Qual é o seu plano? – Pergunto á Oliver enquanto ele checava pela porta se não havia ninguém.

— Primeiro precisamos passar pelo corredor antes que Yumi nos veja.

— Yumi? – Pergunto.

— A faxineira. Ela não sabe segurar a língua dentro da boca e pode contar tudo para o Chucker.

— O médico? – Reconheço o nome lembrando-me do jaleco do médico que me anestesiou.

— Venha Naome, está tudo limpo. – Oliver segura na minha mão e nós saímos do quarto andando pelo corredor.

O corredor tinha muitos quadros e pude notar que estava dentro de uma casa, ou algum tipo de mansão. Oliver e eu corríamos pelo corredor que dava acesso á uma sala, com um piano.

— Está vendo esta porta? – Olho para a porta que estava ao lado do piano e balanço a cabeça.

Pagina 6

— Ela vai dar acesso a uma escada e essa escada vai ter uma porta no seu fim. Aqui está a chave dela. – Ele coloca-a em minha mão e a fecha. – Você vai se deparar com um enorme jardim com uma fonte no meio.

— E o que eu faço depois?

— Procure por um lenço branco, ele vai estar pendurado em um arbusto do outro lado da fonte. Embaixo deste arbusto haverá uma passagem que eu mesmo cavei e coloquei grama em cima para não perceberem.

— Mas e você?

— Eu te encontro lá fora e te explico tudo.

Abro então a porta e Oliver sai por onde entramos. Havia uma escada assim como ele disse. Quando cheguei á porta que daria acesso ao jardim, tive problemas para abri-la com a chave que ele tinha me dado. Depois de um tempo tentando, ouço o barulho dela destrancando e respiro aliviada.

O jardim era imenso e a fonte parecia estar muito distante. Lembrei-me que nós só tínhamos poucos minutos antes que os guardas chegassem, então corri até a fonte, olhei para ver se não tinha ninguém olhando e procurei o lenço branco.

Lá estava ele, pendurado no arbusto me esperando. Corri mais uma vez até ele e percebi o quadrado de grama recém-colocada no chão. Tirei-a e vi o buraco por debaixo da cerca que fechava a mansão. Então me encolhi o quanto pude para passar por ele e minha camisola branca ficou da cor marrom tomada de lama. Depois de passar a cabeça enfiei os braços no buraco e coloquei a grama de volta ao seu lugar.

— Hey, Naome! – Escutei um sussurro vindo de um carro preto.

Chego perto do carro e Oliver já estava nele me esperando.

Vamos entre. – Apressadamente entro no carro de vidro fume. – Porque demorou tanto?

Pagina 7

— Tive problemas com a chave. – Abro o espelho do banco do passageiro para poder me lembrar do meu rosto. – Como conseguiu sair?

— Eu tenho acesso fácil á mansão. Trabalho aqui desde que você veio para cá. Sou um dos guardas que tomam conta de você. Quando te deixei, pude sair tranquilamente pela entrada principal para trocar meu turno.

— Um dos meus guardas?

— Sim, você precisa de muitos de nós para te manter lá dentro. Minha cara... Pode apostar... você me deu um trabalhão. – Ele se vira para mim e sorri.

— Quem sou eu? Porque fui parar lá? – Ele logo muda de expressão e se concentra na direção.

— Você se chama Naome Elisabeth Priser, nascida em Nova York. Era uma grande jornalista antes de se tornar o rato de laboratório do doutor Chucker Stevens.

— Rato de laboratório? – Pergunto.

— Stevens testou suas pesquisas em muitas pessoas, mas só você conseguiu resistir aos muitos testes e medicações. Parece que o seu sistema imunológico não rejeita as injeções diárias que ele te dá.

— Qual é o seu objetivo?

— Ele tem uma filha, Ellie Stevens. Ela é um vegetal por conta de um acidente de carro. O doutor Stevens já tentou de todas as maneiras uma melhora para ela, mas tudo falhou. Então ele criou o WLV-T essas injeções que você recebe diariamente, ela é capaz de regenerar os músculos e melhora a capacidade neurológica.

— Então porque não é aplicada diretamente nela?

— Por que seu sistema imunológico rejeita qualquer tipo de invenção do Chucker. Mas você aceita todos, então a WLV-T é injetada em você,

Pagina 8

Em seguida coletam o seu sangue e aplicam na filha do doutor. – Oliver para o carro em uma casinha velha e isolada. – Chegamos.

Nós então saímos do carro. Oliver abre a casa e me deixa entrar primeiro. Tudo era muito velho e cheirava a mofo, mas havia água e alimento, também uma cama para descansarmos.

— Vamos ficar aqui por uns dias, até conseguir sua passagem para Nova York, lá você terá que mudar de nome e casa. Ali naquele armário tem roupas novas e temos uma banheira. – Eu caminho até o banheiro para me lavar.

Sentei na cama de frente a um espelho pendurado na parede para pentear o cabelo que estava molhado. Oliver estava sentado na cadeira da cozinha e podia me ver, pois a casinha era de um cômodo apenas. Ele me olhava constantemente e me senti um pouco desajeitada.

— Porque não consigo me lembrar de nada? – Eu pergunto.

— A injeção tem um efeito colateral que é a perda de memória, sempre que é aplicada você perde suas lembranças, então todos os dias você volta á estaca zero. – Ele faz o sinal de um zero com a mão.

— Quer dizer que agora que não vou mais recebê-la eu posso me lembrar?

— Sim. Mas você está naquela mansão á um ano, creio eu que não voltara de um dia para o outro.

— Um ano? – Fico surpresa.

— Meses depois da Sta. Stevens sofrer o acidente. – Ele diz.

— Canalhas! Todos vão pagar pelo o que fizeram! – A raiva toma conta de mim por um instante.

Oliver se aproxima e se senta ao meu lado da cama. Envolve os braços no meu ombro e fica ali por um bom tempo enquanto choro silenciosamente.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.