Naked
4 Talvez seja diferente do que pensei
Notas iniciais
Fiquei muito feliz com todos os reviews de vcs, é bom que os leitores estejam aparecendo rápido, me deixa muito animada para continuar.
Mais uma vez queria frisar de que a demora convém de que tenho que cuidar de 3 fics no momento e acho até que vou começar uma nova! (mente inquietaa --')
Mas em fim, amores, espero que gostem desse. Não garanto que o próximo aparecerá tão rápido pq eu tinha os capítulos prontos até esse aki e o próximo vou começar do zero, entôn...
A boa notícia é que vão descobrir o passado da Betty nesse capítulo, eu criei ele bem mirabolante e acho que ficaria legal até fazer outra versão da fic começando desde o passado dela (mais ideias, vixe)
Boa leitura.
Beijocas, Anonymous girl writer s2.
P.O.V. Justin
O dia amanheceu. Eu bem sabia que aquele seria um dia corrido e cansativo para mim. Era hora de saber tudo que foi descoberto sobre a armação de ontem e saber o que seria feito sobre isso. E enfrentar a fúria dos líderes mundiais que correram riscos nas minhas fronteiras... Argh, não queria admitir, mas estava ficando tudo cada vez pior.
A musa da C.I.A. estava no banheiro se trocando enquanto eu me trocava no closet... Quase que não dormi ontem, excitado com a visão daquela mulher no meu sofá... Tive de me segurar para não ir até lá e estuprá-la. E lembrando daquela visão dos deuses, eu realmente tive a ideia de olhar pela fechadura do banheiro, mas depois desisti, tinha que parar de ficar correndo atrás dela parecendo um cachorrinho rondando o açougue, qual é, eu podia ter qualquer mulher do mundo.
E se queria sexo, era só falar com meu assistente Doug que ele arranjava umas prostitutas socialites pra eu me divertir.
Mais tarde ela surgiu, saiu do banheiro com uma saia social apertada mais acima do joelho, e um body costa nua cinza e jaqueta de couro. Calçava botas cano médio de salto.
Eu terminava de arrumar meu terno. Me olhei no espelho e passei a mão no cabelo, ajeitando a rebeldia.
A imagem é uma grande aliada de uma nação. Era uma das minhas filosofias.
— Você não se veste como as agentes da Casa Branca devem se vestir.
Comentei, querendo atingi-la, era mais forte do que eu, esse jogo de provocações e irritações; era só que eu adorava ganhar e ela sempre conseguia se sair. O que me fazia não desistir até pegar ela de jeito.
— Eu não faço muitas coisas que as suas agentes fazem.
Insinuou e sorriu, cínica.
Suspirei, bufando, já cansado daquelas respostas atrevidas.
— Bom... – suspirei, e a obriguei a encarar os fatos. – Então não pode reclamar de que as pessoas pensem que só subiu na C.I.A. porque é um pedaço de carne, fica se mostrando desse jeito, parece mesmo que você dá pra todo mundo. Sem ofensas, mas olhando para você de primeira, ninguém vai imaginar que você ganha de um terrorista numa briga, e sim que transa com ele.
E sorri de volta do mesmo jeito, revanche. Ela ficou paralisada por um segundo, absorvendo sem expressão no rosto o que eu disse, o que não era novidade, porque até agora eu nunca vi ela sorrindo sem ter nenhuma malícia, tudo que esbanjava era esperteza e sensualidade, seus outros semblantes eram indefinidos.
Caminhei atravessando o quarto e pegando um relógio numa escrivaninha, colocando-o no meu pulso.
— Que seja o que pensam de mim. Isso nada mais é que uma estratégia, além de me sentir bonita, eu distraio os inimigos.
Contou.
— Então você é sempre cheia de estratégias... – comentei, com um ar curioso. – Porque realmente me surpreendeu matando aquele cara, aprendeu mesmo tudo aquilo na academia ou foi fugindo dos estupradores na infância?
— Eu aprendi mais com a vida.
P.O.V. Betty
— Nossa, sua vida deve ter sido bem agitada, como arranjou tempo pros caras?
Ele perguntou, falsamente entusiasmado. Eu não conseguia acreditar naquele cinismo dele, aceitar ter de proteger aquele homem era dureza.
Ele saiu do quarto e fui atrás.
— Você quer mesmo pensar que eu sou uma vadia, então vá em frente. — Dei de ombros. – Só se prepare para mais joelhadas no membro.
— Hunf, — bufou, desdenhoso. – Não vou perder meu tempo com você, Betty, tenho mais o que fazer, sou o presidente, lembra?
Quase vomitei com aquele papo egocêntrico. Só revirei os olhos e me calei, também não perderia meu tempo dando trela àquele cara.
Seguimos pelo extenso corredor encarpetado e várias pessoas que trabalhavam com o Biber começavam a aparecer ao ver que o presidente já havia despertado. Devia dar muito sensação de soberania saber que existiam várias pessoas comendo na sua mão como ali. Vi um cara baixo de cabelo loiro espetado e olhos verdes doces se aproximar, engravatado.
— Bom dia, senhor. – ele abordou Bieber. – Temos muitas coisas para fazer hoje.
— Bom dia, Doug.
Justin caminhava pelo corredor e os grandões já estavam na sua cola atrás de mim, mais esse cara, que devia ser o assistente dele.
— Para começar, vamos até a sala de segurança conversar com o Mr. Bolton qual foi o resultado da noite de ontem e depois, vamos à câmara continuar as obrigações diárias.
Doug estava lendo um cronograma para ele. Bieber suspirou, conformado e continuou seu caminho.
— Obrigada, Doug, sempre muito útil. Agora vamos ao que interessa.
Era meio cansativo andar por aquela casa, era muito fácil se perder pelos corredores e entrar nas salas erradas, mas parecia que o presidentezinho já estava bem familiarizado com o local, foi até a sala de segurança sem se perder nenhuma vez. Também, teve aqueles capangas pra guiar ele aqueles dias todos...
Entrando na sala de segurança, vi uma mesa redonda de madeira no centro. Não era muito grande, as paredes eram cinzas e não havia nenhuma janela, o cômodo era iluminado por um único lustre de cone, apontado bem em cima da mesa. Ao lado, havia uma porta onde aconteciam interrogatórios policias. Aquela sala quase nunca era usada, porque ninguém costumava conseguir invadir aquele local de segurança máxima, mas devido aos últimos acontecimentos, tudo indicava que aquele lugar seria um point bem frequentado.
Bolton já estava sentado na mesa segurando papéis quando entramos. Levantou-se para apertar a mão de Justin num cumprimento e depois os dois sentaram-se à mesa.
Esse era o ruim dessas missões mixurucas, geralmente eu liderava a coisa toda, mas como babá, ele senta na mesa e eu fico de pé como um armário, só observando sem poder dar opinião em nada. Mas no que eu fui me meter, viu...!
— Bom, Mr. Bieber, uma equipe de investigação foi ao local, ontem, como foi dito. – Bolton começou dizendo. – E os resultados foram os mais óbvios possíveis, estamos sendo ameaçados de terrorismo e necessitamos entrar em contato com a presidência do Sudão o mais rápido possível. Maior segurança nos aeroportos e fronteiras, e, vamos trocar todos os seguranças de turno, trazer uma remessa nova de funcionários e só trazer os antigos de volta quando estivermos fora de perigo, por enquanto, tudo indica que estamos em torno de algum agente duplo.
— Claro, Bolton, aceito plenamente as medidas de serem tomadas.
— Certo, senhor. Ontem nosso conselho conversou com os líderes mundiais que estavam presentes e também os acalmou, eles não estão felizes, mas tudo indica que não denegriu totalmente sua imagem, falamos com os outros membros do senado e eles também aprovaram as medidas, então só falta mesmo agir.
— Faça isso, por favor.
Bieber pediu, levantando-se da mesa com um suspiro.
— Eu tenho que ir, a América precisa de mim, agora. Não posso esquecer disso.
Foi a primeira vez que ouvi aquele mimadinho falar num tom responsável sem falsidade. A final, eu nunca pensei que ele fosse capaz de se esforçar para dar algo à humanidade.
Seguimos para a câmara e lá, assisti ele conversar com aqueles velhotes o dia todo, dar vários discursos e depois, em fim, no horário do almoço, voltamos à casa branca para ele comer.
A sala de refeições da Casa Branca era retangular e tomada por uma longa mesa de milhares de cadeiras, embora só ele estivesse lá.
O mordomo chegou com a comida e colocou em sua frente na mesa, eu teria que trocar de turno para meu horário de almoço, então ia pedir para algum dos caras ficarem de olho, mas ouvi ele me chamar:
— Espera, Betty. — Parei na porta e suspirei, tentando permanecer calma. O que é que ele queria dessa vez? Esse cara não desiste em querer me atingir, sabia que estava cansada por ter de ficar em pé sem fazer nada o dia todo e que aquele era o único horário que eu tinha pra descansar e estava querendo me torturar arranjando alguma desculpa para me fazer ficar ali, e morrendo de fome. – Vem aqui.
Me aproximei, com teimosia e já enfurecendo. Quando pisei do lado dele, me surpreendi quando ele olhou para mim e pediu:
— Senta aí.
Apontando para a cadeira vaga do seu lado na mesa. Pairei, olhando pra ele meio desconfiada e depois ele virou-se para o mordomo:
— Laurent, traga o almoço da Miss Homanov, por favor, ela vai almoçar comigo.
Franzi as sobrancelhas pra ele, o mordomo saiu da sala indo buscar. Justin somente virou-se para frente colocou o guardanapo no colo, já querendo começar a comer. Cruzei os braços o encarando, ainda não convencida.
Depois de ficar ali parada ele em fim disse-me alguma coisa:
— Pensei que estivesse cansada. Mas pelo visto ainda pode ficar de pé.
Deu de ombros com desdém, voltando-se para seu prato de lagosta.
Só então eu desarmei e me joguei na cadeira do lado, soltando a respiração. Mas ele não me enganava... O que estava querendo por trás disso?
— O que você quer me chamando pra almoçar?
Indaguei, secamente. Justin não virou-se para mim, pegou uma garfada da comida enquanto respondia despreocupado:
— Eu não gosto de almoçar sozinho nessa sala cheia de cadeiras.
Não consegui segurar o riso, gargalhei, aquele discurso era tão ridículo, não me enganava nem um pouco:
— Fala sério...!
— Escuta aqui, você acha o quê? Que eu quis ser eleito pra nada? Eu preciso querer ajudar as pessoas para ser presidente, portanto não tem por que achar que não faria algo legal pra você, ao invés disso, agradeça.
Insinuou, já um pouco impaciente com a minha resistência. Eu abri a boca para falar alguma coisa, mas o mordomo entrou na sala naquele momento, posicionando a comida na minha frente.
— Aqui, senhorita.
— Obrigada.
Agradeci, vendo-o sair de novo.
Justin comia sossegado, mas eu não conseguia parar de olhar para ele enquanto almoçava.
Não é que aquele miserável conseguiu me surpreender com aquele discurso profissional? Ele se importava com as pessoas, quer dizer...?
Não era pra eu pensar nisso, mas estava começando a reparar nele. Aquele crápula tinha belos ombros... Olhos cor de mel envolventes, cabelo liso loiro-escuro perfeitamente esvoaçado. Boca carnuda, era tão educado ao mesmo tempo que parecia tão rude...
Mas quem liga? Ele continuava sendo o mesmo machista que me rejeitou como guarda pessoal só porque eu era mulher e pelo jeito que eu me vestia, não me respeitava e me via só como um pedaço de carne. Vai se fuder, canalha.
Só sei que tive de ir para lá e para cá pelo resto do dia, seguindo os passos de Bieber, não via a hora daquela missão acabar e eu começar a fazer algo de verdade. Me infiltrar nos sistemas, nos locais de segurança, pegar informações, invadir quarto de hotéis, era isso que eu fazia de melhor.
À noite, já tarde, finalmente voltamos para o quarto. Dormir, graças à Deus.
Bieber entrou e foi desabotoando o terno.
— Caralho, to quebrado.
Resmungou, grunhindo.
— E vai se preparando, porque vida de presidente só vai ficando pior...
O assustei, sendo má. Ele bufou para o outro lado, descrente.
— Já me preparei pra isso.
Andei distraída até o sofá e me recostei nas costas dele, quando menos esperei, acabei vendo ele tirando a camisa social que usava por dentro do terno. Revelou aquele tórax perfeito e modesto.
Meu pulmão inflou de ar e eu não pude evitar de ficar excitada, olhei pra o outro lado e fiquei de costas, tentando acalmar minha pressão sanguínea. Não era culpa minha, só estava com os hormônios à flor da pele porque fazia 3 anos que não fazia sexo com ninguém.
Desde que o Emmet faleceu... Eu não transei com mais ninguém, então, tinha horas que meu corpo pedia.
— Parece que você tem medo de mim, sabia? – quando me virei ele estava com aquele sorriso debochado no rosto. – Sempre espera eu ir dormir pra trocar de roupa...
— Como se isso significasse alguma coisa...!
Bufei com desprezo.
— Foda-se, eu já vou me deitar, então está com área livre pra se trocar.
Deu de ombros, um pouco grosseiro. Já tinha entrado no closet pra trocar as calças, fechou a porta.
Revirei os olhos num suspiro. Sentei no sofá e fui tirando as botas. Estava cansada daquele salto. Só ia me trocar quando ele fosse dormir mesmo, não ia correr o risco de ter aquele pivete me espiando.
Mais tarde ele se deitou pra dormir e eu entrei no banheiro para me trocar dessa vez, só de garantia. Depois me deitei no sofá para dormir, me cobri e adormeci, a pesar de que sempre me mantenho em alerta caso alguém invada o quarto.
Mas nos meus sonhos, cenas me atormentaram. Fazia um tempo que eu não tinha aquele tipo de sonho, que costumava me incomodar muito antes, dessa vez eles voltaram.
Sempre a mesma visão aterrorizante do que aconteceu no passado, via o sorriso de Emmet em meio de muitos flashes de lembranças de nossos beijos, desde o início, até o final, quando eu chegava no banheiro e o encontrava morto. Nesse momento sempre me despertava a terrível agonia e desespero que me fazia acordar gritando, com uma dor gritante no peito e respiração ofegante.
— Emmet...!
Não foi diferente daquela vez. Quando levantei num pulo com aquele peso no peito, Justin acordou num susto, bateu no lado da cama, atordoado. Quando me viu, tapou os olhos com incômodo e gemeu de sono dizendo:
— Qual foi, Betty? Deu pra ter pesadelo agora? Quem é Emmet?
Eu ainda comprimia um choro na garganta e tentava respirar normalmente. As imagens e lembranças dolorosas me atormentavam, mas eu as espantei com raiva e cerrando os dentes rangi:
— Não é nada, volte a dormir.
Bati no travesseiro com força, jogando pesadamente minha cabeça em cima dele.
— Agora não sei se vou conseguir.
Gemeu, e sentou-se na cama. Continuei de costas para ele e grunhi:
— Deixa de drama, Bieber.
Virei um pouco para ver o que ele estava fazendo e já estava de pé ao lado do sofá onde eu me deitava.
Sorriu de lado com rigidez e respondeu:
— Acho que ainda não entendeu que eu faço o que eu quero, não é, Betty? Não o que você manda.
E mordeu o lábio, presunçoso. Baforei revirando os olhos.
— Agora me diz uma coisa... Quem é esse “Emmet”?
Quando percebi, ele já tinha se sentado na poltrona ao lado do sofá. Tinha os cotovelos apoiados nos joelhos e arqueava uma sobrancelha me interrogando. Suspirei pesadamente, não gostava de falar sobre isso para ninguém, quanto mais pra ele.
— Não interessa.
— Escuta aqui, garota, se não me interessasse não teria perguntado.
Foi bem rude, mas tinha ar de tranquilidade, recostou-se preguiçosamente na poltrona, convencido de que iria conseguir me fazer falar.
— E se eu não quiser contar?
Desafiei.
— Você não tem escolha. – sugou o próprio lábio, me medindo com sutileza. – Eu sou seu chefe, você faz o que eu mandar ou eu reclamo de você para o Bolton.
Sorria ao me chantagear, como sempre querendo contar vantagem. Fuzilei-o com o olhar. Sentei na cama de má vontade.
— Por que se interessa pela minha vida?
— Bom, pra começar, você me acordou. – debateu. – E chamava esse tal de “Emmet”, desesperada.
— Isso é história do passado... – suspirei, esperando dar um fim à conversa.
— Conta logo, aproveita que eu fiquei curioso e despeja a merda no vaso.
Tentei não me sentir enojada com aquela referência desprezível...
— Como vou saber se não vai ficar zombando da minha cara?
— Eu tenho mais interesses, Betty... – suspirou, com desprezo. – Quero que conte de uma vez isso.
— Vai ter paciência para a história longa e trágica da minha vida?
Duvidei.
— Todo ouvidos.
Encorajou, ainda que não me convencesse com seu interesse. Respirei fundo, tentando não me arrepender disso mais tarde.
— Tudo bem, antes eu não era americana. – despejei. – Eu era agente da Rússia, foi onde vivi contra minha vontade durante dezoito anos da minha vida. Meu pai era um pesquisador da CIA e depois que minha mãe morreu, ele se mudou para a Rússia comigo para fazer pesquisas espiãs. Uma manhã, a gente estava no quarto do hotel e alguns militares russos invadiram o quarto. Tentaram possuir informações de meu pai, me prenderam no pé da cama e quando não conseguiram nada dele o assassinaram bem na minha frente.
— Na sua frente?
Percebi o playboyzinho ficando intrigado com a minha história, já tinha esquecido que ele estava ali, quando comecei a lembrar de tudo aquilo de novo. Sentia uma pontada forte no peito, mas meus olhos sempre estavam secos. A vida me ensinou a não me consolar mais, já havia me obrigado a aprender a não me sensibilizar com essas lembranças.
— Na minha frente. As últimas palavras dele foram pedindo que não me matassem. Quando atiraram nele e eu gritei e comecei a chorar eles olharam para mim. Ficaram falando em russo por um bom tempo e me examinando, ainda me lembro de todos aqueles rostos imundos, daqueles velhotes malditos... – me referi com ignorância, sentia ódio deles. – Depois disso, me levaram pra algum lugar, me puseram dentro de um carro e depois me jogaram num campo esquisito, era um colégio interno. Na realidade não era um colégio interno era um base de treinamento militar infantil. Era uma nova técnica daqueles crápulas, estavam começando a aprisionar crianças órfãs para as tornarem em agentes perfeitos no futuro. Eu sofri muito lá, comi o pão que o diabo amassou na mão daqueles fedorentos, fazendo aqueles treinamentos cruéis de sobrevivência, aprendendo tudo sobre artes marciais, defesa, estratégia... Por um bom tempo sofri muito pelo perda do meu pai, fiquei um tempo sem entender porque trabalharia para aqueles homens que tiraram ele de mim. Mas depois, eu transformei todo meu sofrimento em ódio e me tornei a agente mais especializada daquele lugar. Mas é claro que houveram sequelas. Aprendi a ser fria, não ligar para sentimentos, laços afetivos... Chamei muito a atenção dos babacas russos que me colocaram em cena quando fiz dezessete anos. Aprendi a falar russo fluentemente, depois de sofrer muito naquelas aulas mortais da base militar. Então comecei a agir. Entrar em várias missões, mais porque nunca tive escolha. Eu na verdade sempre fui americana e odiava ter que trabalhar no lado daqueles miseráveis, mas não tinha jeito. Engoli todo meu orgulho e usei todo o meu ódio para ser perfeita em várias missões. Foi o bastante pra eles me darem uma missão federal, e também o bastante para toda a CIA ficar sabendo da minha existência e da minha eficácia nas minhas missões contra os EUA. Quando me mandaram pra uma missão em Madri e vários agentes americanos me surpreenderam no quarto do hotel. Capturaram todos os meus parceiros, e quando me capturaram e me levaram para interrogatório. Quem me interrogou foi ele, Emmet. Ele era o chefe da missão de captura em que eu fui abatida. Começou a fazer perguntas sobre se eu odiava a nação americana. Eu já estava encrencada, então acabei contando pra ele que um pouco da minha história. A novidade é que ele ficou interessado, não achou que um talento como o meu devia ser desperdiçado quando tinha chances de eu trabalhar ao lado dos EUA. Foi então que ele me deu outra chance. Depois disso, ficamos nas mesmas missões, ele me avaliava, era como meu mentor. Eu continuava com algumas cicatrizes do passado, e não me envolvia em mais do que trabalho. Mas é óbvio que com um tempo, ele acabou me desarmando. Namoramos por um ano e noivamos. Trabalhávamos juntos e durante uma missão na Austrália, ouvi alguns ruídos do banheiro e depois tinham o assassinado. – arfei o ar, prendendo o máximo o choro na garganta. – Não sei quem foi. Desde então prometi nunca me envolver com ninguém, só trabalho. Relações afetivas numa vida como a minha são coisas inúteis. Eu nasci para proteger o país... É isso que eu vou ser pelo resto da minha vida. Espiã da C.I.A.
Tinha lágrimas fervendo em meus olhos, eu me recusava a deixa-las rolar. Tinha aprendido a evitar o sofrimento, emoções são inúteis, a vida é cheia de decepções, tragédias que vão te surpreender o tempo inteiro, bobo é aquele que perde seu tempo chorando e sofrendo toda vez que mais uma aparece.
Justin ficou parado me examinando, sem falar nada, um pouco chocado talvez, seu rosto tinha se prendido na mesma expressão, de estar sem palavras, mas ao mesmo tempo, quisesse entender o que se passava.
Eu não tava nem aí para o que aquele crápula iria dizer, talvez ele se fizesse de bonzinho e usasse seu talento de orador de discursos para que dissesse algo motivador, ou então iria só zombar de todo meu sofrimento e mostrar a parte suja dele. Não to nem aí, foda-se o que ele fizesse, ninguém me atingia mais. Muito menos ele.
— Sua história é bem mais triste do que eu pensava... – admitiu num desabafo. – Então por isso que é assim durona... – e me avaliou como se tivesse acabado de desvendar um enigma. – Quanto tempo acha que vai conseguir passar sem se apaixonar por ninguém?
— Paixão é pra crianças. – desfiz, secamente. – Eu deixei de ser uma muito antes de parecer ser adulta. A minha vida me diz para não amar, então é assim que vai ser.
— Não vai conseguir, Betty...
— Mas é claro que eu consigo...! – afirmei, já me alterando, não devia ter tocado nesse assunto... – O que você sabe sobre mim para dizer que não?
— Eu não sei nada sobre você, mas sei coisas sobre mulheres, como por exemplo: Elas não conseguem deixar de se apaixonar.
— Não sou como as outras mulheres.
— Com certeza não é, Betty, você sofreu de mais. Mas não significa que toda a sua vida sempre será sofrimento.
— Quem é você para falar sobre ser feliz ao lado de alguém? Você provavelmente é dos que nunca vão querer se amarrar.
— Foda-se sobre mim. Isso é para pessoas incapazes de sentir como eu, mas não acho que alguém que tem essa capacidade deve se desperdiçar. Deixe que eu viva minha vida sozinho e mesquinho pra sempre, mas não estrague a sua. – Pairei. Somente olhando para ele, aquelas palavras seriam as últimas que imaginaria saindo de sua boca. Não ele, alguém que não liga para os sentimentos de ninguém, ele não podia ser a pessoa que tinha achado as palavras certas para me dizer. E focava a atenção em mim, já irritado com a minha falta de prazer sobre a vida. Estava mesmo querendo me fazer acreditar nisso. Ou seja, estava querendo me fazer bem. Seria possível algo assim vindo dele? – Se quer ter raiva de algo, não tenha da vida, não fica achando que vou o destino que trouxe isso pra você, tenha raiva das pessoas que te fizeram mal e queira provar pra elas que não vão mais conseguir fazer isso. – e voltou ao mesmo tom convencido de antes. – Você só vai se mostrar fraca deixando eles ganharem.
Me recolhi em pensamentos sobre o que ele disse. Não era muito de se esperar algo assim vindo dele.
Mas aquele playboyzinho estava conseguindo me impressionar aqueles tempos. Sorri levemente para o lado, esperando que ele não percebesse muito.
— Agora uma pergunta bem séria... – de repente ele quebrou o silêncio continuando a falar. Encarei-o, esperando a seriedade da pergunta quando ele me decepcionou. – Como é que passou esse tempo todo sem transar com ninguém? Qual é, até parece...!
Me joguei para trás, revirando os olhos e baforando impacientemente irritada com aquela besteira que acabei de ouvir. Era tão ridículo o jeito que ele dava uma dentro e depois chutava o balde tão facilmente. Não dava mesmo pra conviver numa boa com aquele político mané.
— Eu tenho autocontrole.
Garanti, bem confiante. Sua resposta foi um sorriso bem curto e inclinado para o lado, como se tivesse acabado de pensar em algo muito intrigante e depois levantou-se indo de volta para cama:
— Duvido. – num tom muito sorrateiro, baixinho. – Boa noite, agente Homanov.
Ainda quase num devaneio, e foi deitar-se. Me deixou muito intrigada, parecia que estava tramando alguma coisa.
Apenas tentei esquecer e fitei o teto procurando entrar no meu estado pacífico e adormecer. Quando meus olhos se cerraram não vi nada mais que o escuro diante deles. Era tudo que eu queria, antes o vazio que lembranças atormentadoras.
Notas finais
Beijocas, Anonymous girl writer s2.
Fale com o autor