Naipes de Fogo

4 Luzes Estroboscópicas


Notas iniciais
Versão contada por Pallas.

Eu me lembro bem de quando saí da casa de 'Rachel' e me direcionei até minha casa, ou a casa do meu estupido marido, Sr. Goldberg que era um policial. Irônico não? Fui a primeira a sair da casa dela e peguei um táxi para ir pra minha casa.

O sol era laranja e aos poucos mudando de tonalidade para o escarlate e o tempo era seco e quente, o céu não tinha nuvens e internamente eu lutava comigo mesmo tentando resistir a não voltar para casa como um gato se esperneia para não entrar na água. Posicionei-me de frente a minha porta e passei a refletir sobre o que ocorreu ultimamente, foi tão rápido que meus pensamentos mal estavam organizados e eu precisava respirar e pensar no que havia ocorrido.

...

Eu tenho 28 anos, sou enfermeira e sou casada com um policial que ultimamente tem tido casos extraconjugais e tem usado seu status de lei para violentar-me sempre que acha que eu mereço uma lição, afirmando que sou oferecida e que tem vergonha de andar comigo.

Noite passada eu cheguei atrasada em casa, passei a noite cuidando de crianças no hospital e estava exausta. Entrei com passos leves em casa, pois estava extremamente cansada e não queria acordar Edward, pois sei que ele estava extremamente estressado, e abri a porta e pela fresta acabei me deparando com uma garota em minha sala, pelas suas vestes vi que ela era uma prostituta e que estava nervosa. Entrei subitamente tentando não ser notada e me escondi no armário sem ser vista, passei um tempo ali e vi que ele saiu do banheiro e se despia, saiu e em um movimento feroz puxando-a pelo cabelo e arrastando-a até a cama e foi o suficiente para eu sair do meu esconderijo e agredi-los fisicamente. Parti para cima com pontapés e tapas tentando deixar o máximo de hematomas possíveis.

Oficial Goldberg, vulgo meu infiel companheiro, separou-me e levou ambas para a delegacia e foi prestar queixa de agressão, e como era seu turno ainda e seus amigos eram praticamente seus comparsas, apenas obedeceram e deixaram-nos engaioladas com uma terceira, drogada, que ali já estava antes de entrarmos porque havia se envolvido em alguma briga na rua. Durante o tempo que estávamos lá, pude ouvir os relatos das duas. A loira platinada foi quem puxou o assunto, já que eu estava furiosa e a outra estava se derretendo em lágrimas. Percebi então, que a moça que estava em minha casa era uma prostituta que foi forçada a ficar naquela profissão e havia acabado de escapar de um estupro por um policial, meu marido.

Ela relatou que quando viu as luzes do carro de polícia, pareciam mais luzes estroboscópicas pois sua alma ansiava pela salvação e segurança, mas nada deu muito certo. Passamos a noite inteira ali e na tarde do dia seguinte estávamos na casa de Rachel.

...

Havíamos escolhido os codinomes para cada uma, e então eu sugeri a ideia de chegarmos destruindo geral. Rachel, porém, discordou e disse que deveríamos entregar-nos inteiramente naquilo, não importando o quanto fossemos sofrer, o que devíamos fazer era voltar para nossas casas e tentar deixar o território preparado para a vingança, desarmar nossos alvos e treinar habilidades que facilitariam nosso trabalho.

Recusei-me e disse que jamais voltaria para casa do meu marido, e se fosse essa a proposta eu me recusaria a ficar ali por mais um segundo. Quando virei-me de costas, ela me perguntou onde eu iria, se eu voltaria para casa ou iria para a rua. E por um súbito momento percebi que não tinha para onde ir, deixando-me em um labirinto e reforçando os argumentos de Rachel, podia ver que ela tinha ganhado em argumentação e que de fato, precisávamos retornar a nossos pontos de origem e os derrotar internamente e completamente despreparados nossos inimigos. E ela finalizou com uma meta de tempo de no máximo um ano e devíamos estar preparadas para tudo, naquele momento não éramos mais nós mesmas, éramos damas. Saí enquanto as outras garotas continuavam sentadas e pensativas, com um olhar lacônico.

...

Ao adentrar minha própria casa, olhei ao redor e vi que a bagunça da noite anterior permanecia e que ele ainda não havia chegado em casa, então pus-me a arrumar a casa de forma que ele não se zangasse ao encontrá-la bagunçada e desorganizada.

Ao arrumar suas roupas, creio que encontrei uma pistola que geralmente ele usava como reserva caso estivesse em perseguição, resolvi colocá-la em minha bolsa para proteção ou caso eu precisasse, e eu sei que precisaria, mas Ed chegou exatamente na hora em que coloquei a arma em minha bolsa, e por uma sorte enorme ele não desconfiou.

Ele me questionou como eu havia sido retirada da delegacia e como eu havia chegado em casa. Contornei a situação dizendo que uma velha amiga tinha ido me visitar e que estava tudo bem, e tudo havia sido explicado e que soube que ele havia salvado a vida daquela pobre garota, e que eu havia imaginado que ele tinha tentado fazer sexo com ela, mas obviamente era algo da minha paranoia.

Minha mão tremia e eu hesitava, eu queria de fato sacar a pistola de dentro da minha bolsa e mirá-la em sua cabeça e puxar o gatilho, olhando o seu corpo caindo ao chão sem vida, mas fui impedida por um ato de racionalização e que esse ato meu poderia simplesmente estragar a vingança das outras companheiras, e elas viveriam ainda com o amargo de jamais terem tido a oportunidade de fazer o que deviam.

Meu pensamento ecoava e eu tentava segurar meu ódio, e lembrei-me da breve história que Thalie Blanche havia contado a todas nós, por acaso Thalie é o nome da nossa dama de copas que vocês conhecem como Judith, e que devíamos usar o que eles mais amam como a nossa principal arma, e eu iria fazê-lo se apaixonar por mim, e o destruir e ver os caquinhos do coração dele serem fragmentados.

A frase de Rachel ecoou em minha cabeça, que não éramos mais nós mesmas, éramos apenas partes fragmentadas que haviam sobrevivido após um grande massacre interno e precisaríamos fazer justiça para a parte doce e cheia de sonhos nunca realizados que fora destruída de nós.

E com algumas coisas que me foram ensinadas, pude fazer com que ele ficasse em minhas mãos em apenas duas semanas, e assim pude conhecer mais coisas sobre ele, e ele conhecer mais coisas sobre mim. O bom dessa troca de conhecimentos é que ele estava se apaixonando de verdade por mim, até parecíamos um casal de namorados se conhecendo em um barzinho do outro lado da rua, ou dois amigos que agora resolveram dar uma chance para o amor.

O fato dele se apaixonar por mim, mesmo já estando casados, facilitaria tudo, porém como a vida sempre precisa implantar o Karma em nossa vida, eu passei a gostar de verdade dele, conheci um lado brincalhão dele e mais extrovertido, e realmente essa missão árdua de ter que voltar me fez repensar se realmente era isso que eu queria, e caso eu decidisse que fosse precisaria tomar cuidado para não me apaixonar.

Mas citando mais ou menos a culpa é das estrelas, eu me apaixonei da mesma forma que se adormece: lentamente e de uma só vez. Como lidar com uma faca de dois gumes, do amor e da vingança. Agora eu realmente entendi porque fiquei com Pallas que é símbolo da justiça mas que em uma exploração epistemológica mais profunda do jogo de carta também representava a viúva negra, e como ela, eu teria que destruir o que eu mais amava ou que um dia eu amei.

Deitei-me enquanto esses pensamentos rodeavam minha cabeça e as lágrimas me desciam pelas maçãs do rosto, tentando buscar uma resposta para tudo, e parece que o tempo não passava, havia paralisado e tudo que se escutava era o bater da asa dos pássaros enquanto lá fora se desencadeava o ocaso.

Notas finais
Se vocês terminaram esse capítulo, puderam perceber que alguns nomes verdadeiros estão sendo revelados u.u e deixarei algumas pistas sobre os nomes delas que já foram ditos ao decorrer da história Rachel= ---- ----- ------ Pallas= ----- Goldberg Judith= Thalie Blanche Argina= ------- Silverstone Lembrando que o fato que Argina é irmã de Rachel elas partilhariam o mesmo sobrenome, mas Argina afirmou que se casou com Ali Silverstone. Agradecimentos à P.G.