Nada precisa ser tão difícil

1 Quando um pai de família não dorme


Notas iniciais
Primeira fic de HP que posto; :)

Todos os personagens são da J.K, claro, mas podem aparecer algumas criações originais. Quando acontecer, aviso a vocês.

A capa é uma fanart retirada da internet e pode mudar!

Não plagiem! Não sabem o quanto isso me deixa nervosa.

Sem leitores fantasmas, ok? Comentem! Isso me incentivará a escrever e vocês me ajudarão a produzir uma fic vez melhor!

Sem mais (se é que você leu até aqui), boa leitura!

Noite do Halloween de 1981.

Deitado em sua cama, um jovem chefe de família tentava dormir a todo custo. Tudo colaborava para uma noite tranquila de sono; seu filhinho de um ano já dormia profundamente, após brincar exaustivamente dentro de sua fantasia de abóbora. “Ele está ridículo!”, resmungara a mãe do bebê. “Ah, Lílian!”, rebatera o pai, “Está bem mais maneiro do que se estivesse vestido com aquele terninho que você comprou para ele!”.

Lílian. Até mesmo sua esposa que, muitas vezes, em sua preocupação de mãe, ficava acordada até tarde velando o sono do filho, já estava dormindo. Apenas ele estava lutando com o sono. Queria saber o porquê daquilo. Não que aquela situação fosse totalmente esquisita. Eram onze horas da noite e, em outras épocas, ele havia adquirido o costume de ficar acordado até tarde, ou até mesmo de passar a noite inteira em claro. Onze horas da noite podia ser considerado cedo para ele. Mas não era apenas a insônia que estava o afetando. Havia algo mais. Uma sensação esquisita, que lhe dava uma estranha inquietude. “Tédio.”, explicou ele para si mesmo, enquanto encarava o teto do quarto. “Já devo estar farto de não poder sair de casa”.

É, fazia sentido. Tiago costumava sair com os amigos. Tiago havia jogado quadribol em Hogwarts por sua casa, a Grifinória. Tiago havia descoberto várias passagens secretas em sua época de escola e as usava para sair do castelo. Devia estar sendo realmente difícil para um jovem de 21 anos, acostumado a uma vida livre e agitada, ter que viver enclausurado, como se a sua própria casa fosse uma prisão. Some-se isto a preocupação de saber que havia um perigoso maníaco à solta, desejando encontrar o seu filho e matá-lo. Era um fardo pesado demais.

Mexeu-se na cama desconfortavelmente, tomando todo o cuidado para não acordar sua mulher. A respiração dela e o tic-tac do relógio eram os únicos sons audíveis no silêncio da noite. E Tiago estava determinado: dessa vez ele pegaria no sono, custasse o que custasse. Resolveu então colocar em prática um plano que muitos diziam funcionar em ocasiões como estas: recorrer as melhores recordações. E foi o que fez. Fechou os olhos e visualizou um quarteto de adolescentes andando abraçados. Um deles era magro, tinha uma aparência cansada e olheiras profundas; o outro era alto, bonito, possuidor de traços nobres, cabelos negros e ondulados e olhos cinzas; ainda havia um baixinho e gordinho, e outro muito alto e magro, de cabelos pretos, espetados e óculos em frente aos olhos castanhos. Maluquice? Não. Marotice.

Parecia que o truque estava funcionando. Tiago sentiu uma suave sonolência atingi-lo e embalá-lo, deleitando-se com a gostosa sensação que aqueles primeiros instantes relaxantes de sono o proporcionavam. O sono leve o puxava com ele, para imergi-lo cada vez mais em seu tranquilizante mundo...

Tiago acordou com a impressão de que ouvira o portão da casa ranger. Mas o sono é um ser insistente e fechou novamente os olhos do jovem pai de família, tentando imergi-lo de maneira ainda mais eficaz. E Tiago cedeu.

Mas não por muito tempo. Tiago acordou novamente, após ouvir um barulho semelhante ao de porta sendo destrancada. Dessa vez, ele veria o que estava acontecendo. Colocou os óculos no rosto, pegou sua varinha e levantou da cama sem se importar se acordaria Lílian. A moça, aliás, virou-se na cama de cenho franzido.

— O que aconteceu? – quis saber ela, a voz denunciando o quanto estava sonolenta.

— Fique aqui e não saia. – advertiu o rapaz, abrindo a porta do quarto do casal e saindo para o corredor. Mas Lílian não obedeceria depois de perceber que ele saiu empunhando a varinha. Rapidamente, afastou os cobertores, calçou as macias pantufas brancas, vestiu o longo robe branco de seda e, de varinha em punho, deixou o quarto.

A esta altura, Tiago já havia descoberto o que tanto temia descobrir. Ao debruçar-se no corrimão da escada que dava para a sala de estar, ele viu, horrorizado, uma figura negra encapuzada, dirigindo-se com sinuosidade para o primeiro degrau. Lílian, que chegou um pouco depois, viu a mesma cena, espiando sobre o ombro do marido. Tiago olhou para trás e ele e sua esposa trocaram olhares aterrorizados.

— Por aqui, rápido! – disse ele, puxando-a pelo pulso.

Tiago abriu uma porta que ficava do lado direito, oposta a parede do seu quarto. Empurrou a esposa para dentro do cômodo e fechou a porta. Estavam no quarto do filho do casal. Lílian mal conseguia respirar quando viu o seu filho dormir a sono solto, o sono despreocupado, inocente, de quem não sabia do perigo que o cercava. Ao olhar novamente para o marido, ela o viu escancarar a janela e puxar de um canto uma imponente vassoura de cabo negro e um sling.

— Tome. – falou Tiago, jogando o sling para ela. – Você e Harry precisam partir agora!

— Mas e você? – perguntou Lílian. Tiago não poderia ficar ali, sozinho!

— Amor, não vai dar tempo de eu ir. Alguém tem que ficar para atrasá-lo, e esse alguém sou eu. Duelando comigo, não vai ter como ele ir atrás de vocês. E quando ele for... Vocês já estarão longe.

— Tiago... – sussurrou Lílian, num misto de preocupação e gratidão.

— O que tiver de ser, será. Agora pegue Harry e vá.

Lílian virou-se para pegar o bebê no berço, mas então ouviram um clic violento de porta destrancando. Marido e mulher olharam imediatamente para porta e a viram se abrir abruptamente. Com o estrondo, o pequeno Harry abriu os olhinhos muito verdes e começou a chorar. Instintivamente, Lílian pegou o bebê no colo e tentou acalmá-lo.

— Calma, meu amor, calma!

O casal prendeu a respiração ao ver a figura encapuzada parada ali, diante deles. O pálido homem envolto na capa negra exibiu um sorriso maléfico e adentrou o quarto vagarosamente, sem pressa alguma. Parecia deleitar-se com o medo dos jovens pais e o choro assustado do bebê. As varinhas dos jovens estavam apontadas para ele, mas o invasor olhava aquela cena como se estivesse assistindo a uma comédia.

— Casal Potter! – exclamou ele, com dissimulada felicidade. – Quanta honra!

— Poupe-nos da sua ironia, Voldemort. – respondeu Tiago, firmemente. – Nós sabemos por que está aqui. Mas vou logo avisando: você não vai colocar as suas mãos podres no meu filho. Nem que eu tenha que morrer para garantir isso!

Uma risada fria foi ouvida.

— Tiago Potter... Você é um jovem tão bonito e um bruxo tão talentoso... Traindo o seu sangue e misturando-se com sangues-ruins... Uma pena. Tenho certeza que isso não aconteceria se a sua tolice não fosse do mesmo tamanho da sua coragem. – Voldemort fingiu pensar por alguns minutos. – Mas creio que toda esta agressividade não será necessária esta noite. Eu não costumo deixar sobreviventes em meus ataques, mas esta é uma noite especial. – ele fez mais uma pausa e olhou com desprezo para Harry, que parara de chorar e agora observava a cena assustado, o rostinho marcado pelas lágrimas.

— O que quer dizer? – quis saber Lílian.

— Além da criança que dizem ser capaz de me derrotar, será preciso apenas que mais uma pessoa morra aqui, hoje. – Tiago e Lílian olharam para Voldemort sem entender. – Mas, antes de matar esta segunda pessoa, creio que não há nada mais justo que dar-lhes um pequeno privilégio. Afinal, como pais, vocês devem ter se sentido orgulhosos ao ver o seu filho nascer. Por que não vê-lo morrer, também? – concluiu o impiedoso feiticeiro exibindo um frio sorriso e, apontando a varinha para a criancinha, bradou: — Avada Kedavra!

— NÃO! – gritaram os jovens pais.

Tudo aconteceu muito rápido: ao ver que o raio verde atingiria o bebê, Lílian virou-se, na intenção de que o feitiço a atingisse ao invés de seu pequeno filho. A reação de Tiago não foi nada diferente. Ao ver o seu menino e sua esposa em perigo, ele corajosamente pulou diante deles. Todas as tentativas de sacrifício, porém, foram em vão: a luz verde passou pelo pai e pela mãe, e foi encontrar a cabecinha de Harry. Ao perceber o que havia acontecido, Lílian fechou os olhos, o rosto contorcido em sofrimento. Tiago abriu a boca para gritar. Porém, antes que o rapaz pudesse expressar toda a sua dor paterna, algo improvável aconteceu: o feitiço rechicoteou, atingindo o feiticeiro que o lançou! E o bebê não estava morto, muito pelo contrário. Chorava com toda a força que uma criança de um ano tem.

Um clarão iluminou o quarto, fazendo com que Lílian, Tiago e Harry fechassem os olhos. Houve um grande tremor; os móveis caíam, quebrando-se e uma camada de poeira descia do teto. Então, o clarão apagou-se e a família abriu os olhos novamente. Jamais o casal Potter esqueceria a cena que seus olhos registraram: atingido pelo feitiço, Voldemort parecia diminuir. E foi diminuindo, diminuindo, até tornar-se algo semelhante a um espectro negro. Mas era um espectro tão pequeno, tão insignificante, que mais parecia uma pequenina nuvem negra, tentando achar uma direção pelo quarto. A jovem Lílian arregalou seus verdes olhos quando a “nuvem” passou perto de suas pernas, conseguindo ver que ela possuía olhos malévolos. Aqueles olhos a fitaram mal-humorados por algum tempo e depois, desviaram-se dela, fitando outro ponto qualquer do quarto. E o estranho ser foi flutuando e se contorcendo, até encontrar a janela do quarto, a qual saltou, e desapareceu na escuridão do jardim da casa.

Lílian e Tiago correram para o parapeito da janela e debruçaram-se, apertando os olhos para tentar ver o espectro. De fato, o casal o viu no escuro, movimentando-se da mesma maneira estranha que usara para movimentar-se quando ainda estava no quarto do pequeno Harry, até que ele desapareceu por completo. Marido e esposa endireitaram os corpos, entreolhando-se horrorizados. No que o nosso filho (que sequer podia discernir o que estava acontecendo!) transformou Voldemort era a pergunta que queriam fazer um ao outro. Apesar disso, como se aquela noite não trouxesse preocupações o suficiente, eles perceberam algo estranho ao olharem para Harry. Na testa do bebê, um fino e superficial ferimento em forma de cicatriz marcava a sua pele macia. O pai levou as mãos para o rostinho do bebê enquanto a mãe já posicionava o polegar sobre aquela marca.

— O feitiço... Atingiu a testa dele... – sussurrou Lílian.

Porém, um pequeno tremor junto a poeira que descia do teto fez Tiago sair do transe. Ele agarrou o braço de Lílian que, com o gesto do esposo, despertou rapidamente também.

— Vamos, Lílian! — chamou ele, arrastando-a para fora do quarto. — A casa não vai aguentar muito tempo!

Os dois desceram as escadas em disparada, Tiago arrastando consigo a vassoura, Lílian segurando o sling e Harry pulando nos braços da mãe devido a correria. O casal alcançou os jardins de varinhas em punho.

— Lumos! — disseram, quase em uníssono.

Com a ajuda da luz da varinha, eles examinaram o local em volta. Em um determinado momento, as costas de Lílian e Tiago se juntaram. A tensão no ar era palpável. Harry mantinha seus olhinhos bem abertos, atento a tudo. Seus pais estavam ofegantes e de olhos arregalados, como se esperassem que Voldemort os surpreendessem inteiro novamente, ou que das sombras pulassem uma dúzia de comensais da morte. Mas isso não aconteceu.

— O que deve ter acontecido? – perguntou Tiago, já de frente para a esposa.

— Eu não sei! Nunca ouvi falar em nada parecido antes!

De repente, um barulho ensurdecedor interrompeu o diálogo dos dois e eles se voltaram rapidamente para a direção da casa. Eles já sabiam desde o momento em que deixaram o lugar às pressas que aquilo aconteceria, mas ver aquela cena parecia algo ainda mais desesperador: o segundo andar da casa sucumbira e o que restara do térreo era apenas chão e algumas paredes quebradas erguidas. Lílian e Tiago se entreolharam mais uma vez naquela noite, só que agora seus olhos expressavam tristeza.

— Ti, precisamos levar Harry ao St Mungus! Ele está com um corte feito pela pior maldição imperdoável deste mundo! – pediu Lílian, quase chorando.

— Vamos! Vista o sling em Harry!

Depois de se certificar que o sling em que vestira Harry estava bem preso ao seu corpo, Lílian subiu na vassoura atrás do marido e os três decolaram rumo ao hospital.

A família Potter aterrisou em frente ao St Mungus. Entraram no hospital em disparada e foram para a recepção.

— Senhora... – começou Tiago, sem fôlego – É... uma... emergência...

— Todos os casos são uma emergência, meu senhor. – respondeu a recepcionista.

Ao ouvir aquela frase, Tiago recuperou todo o fôlego que havia perdido.

—AH, TODOS OS CASOS SÃO UMA EMERGÊNCIA? GARANTO QUE TODOS VÃO DEIXAR DE SER DEPOIS QUE EU LHE CONTAR QUE O MEU FILHO DE UM ANO ACABOU DE SOFRER UM ATAQUE DO LORD DAS TREVAS EM PESSOA E ESTÁ COM UM FERIMENTO NO MEIO DA TESTA!

Se o grito de Tiago já havia chamado a atenção, a simples referência a Voldemort e o que ele gritara para o hospital inteiro ouvir sobre o que acontecera ao seu filho fizeram todos congelarem e olharem para ele.

— Ti... – pediu Lílian, envergonhada. – Mais baixo, por favor!

Tiago olhou disfarçadamente em volta, percebendo que conseguira bem mais atenção do que pretendia. Envergonhado, olhou novamente para a recepcionista e murmurou:

— Por favor, senhora. É realmente uma emergência!

A moça olhou ainda atônita para Tiago, mas começou a providenciar um atendimento de emergência para a família Potter.

Notas finais
O que acharam? Por favor, comentem!