Nada pode nos parar
4 Tá em Casa ♫ - parte IV
(Roberta narrando)
Ah não, não mesmo isso só poderia ser o pesadelo tomando cor! O que esse Mauricinho idiota estava fazendo dentro da minha casa? Quer dizer, já não bastava eu ter que aturar toda essa situação ridícula e agora isso. Ah não mesmo, as meninas que me desculpem, mas, eu não fico aqui nem morta com esse ridículo.
– É .. vocês dois se conhecem? – Alice perguntou enquanto eu encarava aquele mané a minha frente.
– Infelizmente.. – ele falou todo autoritário. Mas, que abusado. Onde já se viu isso?
– Infelizmente mesmo, por mim não conheceria. – falei com o meu melhor jeito irônico.
– A recíproca é verdadeira. – ele respondeu com um sorriso de lado.
– Ei gente, para com isso. Sem climinha estranho aqui por favor – Carla se pronunciou pela primeira vez após o flash “ Tomás “ .
– Não tem climinha nenhum aqui. – respondi emburrada. Aqueles olhos me perturbavam, eram cor de mel, eram lindos, mas ainda sim era de uma mané, de um grande mané.
– Até porque pra ter clima com você só se for um domador de leões.. – ele respondeu rindo e eu ouvi a risada do idiota do Tomás ecoar pela sala. O fuzilei com meu olhar e voltei a encarar Diego.
– Ei gente, para pra que isso né? Não precisa disso tudo, vamos sentar todo mundo, conversar.
– Não tem conversa. Carla, me desculpa. Mas, eu não vou ficar no mesmo ambiente que esse garoto – a olhei por alguns instantes. Ela estava completamente perdida, aliás acho que todos ali naquela sala. Pois ninguém conseguia entender direito o que estava acontecendo.
– O minha filha, começa a fazer um pouco de sentido por favor – Tomás pronunciou-se.
– Ela é a irritadinha da padaria!
– Ele é o mauricinho da padaria! – Falamos os dois ao mesmo tempo. Que ótimo, epidemia de gente que convive muito tempo junto. E vocês agora me perguntam, mas vocês acabaram de se conhecer como pode isso? É pois é, 10 segundos apenas já foi o suficiente pra ser muita convivência.
– Mas, que padaria gente? Traduz por favor – Alice falou pela primeira vez nos últimos minutos. Milagre a patricinha estar tão calada.
– Simples, eu fui na padaria hoje mais cedo e esse mané.. – ele me interrompeu, como se eu não esperasse por isso.
– Ei perae, mané não... – ele se defendeu.
– Mané sim, muito mané por sinal! Ele me chamou de delicinha dentro da padaria – falei indignada. Só eu achava aquilo demais?
– Não foi delicinha, foi deliciosa é completamente diferente – ele falou debochado. Olhei pra os outros meninos e eles seguravam as risadas. Ok, eu estava uma PILHA de nervos, e eu não queria nem saber quem ia falar ou o que iriam falar, eu só faria uma coisa : IRIA PRA OUTRO LUGAR.
– Que bom pra você! Carla eu to saindo quando esses abutres estiverem fora daqui você me liga e eu volto – falei extremamente alterada.
– Ei Roberta, espera aí ! Você me prometeu vai – Carla falou manhosa, mas eu não iria ceder tão fácil assim. – Olha, por mim! Só mais um pouquinho, aí eu deixo você ir vai – ela dizia implorando e eu revirei meus olhos. Eu odiava quando ela fazia isso me vencia pelo cansaço de dizer não.
– Ok! Eu fico mais 15 minutos contados no relógio. – falei por entre os dentes.
– Oba, oba, oba! – ela disse animada e eu dei uma risada leve. Só podia ser a irmã da Becky.
(...)
– Sério gente, o Tomás já ganhou um concurso de dança comigo na época do colégio! – ouvi Carla falando animada nos fazendo rir.
– Conta outra Carla, nosso menino aqui não consegue acertar nem um passo sem tropeçar nas pernas. – Pedro falou debochado e eu ri mais ainda.
– Ah é por isso, que ela saía as escondidas da gente. – falei pensativa – Aham! – dei um sorriso grande. – Eu sabia que conhecíamos o Tomás de algum lugar.
– Conhecemos? – Alice perguntou completamente desligada do assunto.
– Lembra que fomos ver o concurso de dança que a Carla ganhou naquela outra escola? – perguntei a ela que parecia esforçar-se ao máximo para lembrar. Logo uma expressão de espanto surgiu no rosto de Alice.
– Tomás! – Alice deu um grito que fez todos rirem.
– Culpado! – ele disse levantando a mão. – Era eu mesmo.
– Nossa, mas ele mudou demais era meio difícil reconhecer né amiga – Alice falou rindo de Carla.
– Ei, ele ta aqui viu? – Tomás retrucou.
– Ah tadinho do nosso bebê né Diego? – Pedro falou fazendo bico.
– Coitadinho dele! – todos começamos a zoar Tomás. Até que estava ficando divertido estar ali com novos amigos, mesmo eu ainda achando o Diego um mauricinho idiota, filhinho de papai. Mas, até que ele estava demonstrando um lado mais legal dele, mais descontraído e não o implicante. Argh, garoto chato!
– Bom gente a brincadeira ta boa, mas o meu estômago está pedindo comida! – Carla falou animada. Era bom ver que ela havia superado a fase da Bulimia e que agora ela aceitava a si mesma como era de verdade.
– Pizza! – gritamos em uníssono. Carla correu para pegar o telefone.
– E quais vamos pedir? – ela perguntou sorrindo.
– Portuguesa! – mencionei de imediato.
– Prefiro calabresa. – Diego falou me desafiando com o olhar.
– Ah gente, atum com mussarela é muito melhor né. – Tomás retrucou.
– Eu gosto de Peito de Peru – Alice levantou a mão mostrando a sua opinião.
– Por mim tanto faz. – Pedro disse fazendo todos olharem a ele por fim. – O que foi gente? Eu como qualquer uma, é melhor do que vocês ficarem nessa discussão toda.
– O Pedro tem toda razão! – Carla falou sorrindo e foi para a cozinha ligar para a pizzaria.
– Mas, vem cá. Mudando de assunto vocês já fazem faculdade? – Pedro perguntou curioso.
– Sim. – respondemos juntas e olhei feio para a Alice que me encarou de volta. Mostrei a língua para ela rindo. Eu amava irritar essa patricinha.
– Eu faço moda – Alice respondeu sorridente.
– É por isso ela usa tudo rosa, é sempre rosa, com arquinhos e tiarinhas. – respondi implicante.
– Melhor do que usar caveira e preto o tempo todo. – Alice respondeu de volta.
– Ei vocês duas, da pra parar com isso? – Carla falou entrando na sala.
– Ela que começou! – falamos as duas ao mesmo tempo.
– Não me interessa quem começou ou deixou de começar, será que da pra conversarmos numa boa enquanto a pizza chega? – Carla falou colocando as mãos na cintura, ela era mesmo uma mãezona nossa, sempre que precisávamos de alguma coisa era ela quem nos acolhia e tentava nos ajudar ao máximo.
– Super Carlinha – Tomás respondeu sorrindo.
– Ihh Pedro, sentiu isso? – Diego comentou e eu comecei a rir já sabia aonde essa conversa iria parar.
– Super Carlinha né, nosso bebê aqui ta todo cut cut – Pedro falou zombando de Tomás.
– Mas, vocês dois hoje tão que tão em, comeram palhacitos mesmo né? – Tomás falou bravo. E eu continuava a rir. Alice a essas horas já tinha entrado na onda.
– Ah que bonitinho! – falei rindo mais e vi Carla me olhar feio. – Ok parei! – falei fazendo sinal o sinal da paz com os dedos.
– Que bom! – Carla mostrou a língua me fazendo sorrir.
– Bem, voltando ao assunto faculdade que estava em pauta, eu faço Direito. — respondi e dei um pequeno sorriso.
– Opa, boa gostei! — Pedro falou animado — E você Carla?
– Eu faço Dança — ela respondeu super empolgada.
– Meninas multi talentos temos aqui em? — Pedro falou brincando nos fazendo rir.
– Mas e vocês, fazem faculdade do que? — foi a minha vez de perguntar.
– Educação Física — Pedro respondeu de imediato.
– Gestão de Empresas — Diego falou em seguida.
– Música! — Nem preciso falar que era a resposta do Tomás, o mais livre, leve e solto deles.
– Que irado! Eu amo música! — falei empolgada.
– Ama e canta super bem! Aliás cantam super bem viu? — disse Carla apontando pra mim e pra Alice.
– Mas, é mesmo? Bom, eu toco bateria, o Tomás baixo e o Diego toca guitarra, cá entre nós ele tenta né ..- Pedro disse debochado me fazendo rir mais.
– Super engraçado você não é não Pedro? — Diego respondeu emburrado.
– Ah tadinho, ele ficou bravinho . — falei zombando da cara de Diego.
– Ha ha ha ..- Diego me olhou sério. Ok, era melhor eu parar antes que ele pudesse ficar chateado né? ... Nãoooooooo. Tá ótimo assim.
– Gente da pra parar? — Tomás falou pela enésima vez na noite. Fiz sinal de paz novamente dando de ombros.
– Mas, vem cá..vocês tocam mesmo ? — Alice perguntou curiosa.
– Opa, claro que sim linda. — Tomás respondeu e Pedro lhe lançou um olhar fuzilante.
– Sem cli..mi..nha — falei brincando e vi Diego sorrir . Acho que era a primeira vez que o via sorrir e até que ele ficava bonito sorrindo. Ô Roberta da pra parar com isso? Obrigada!
– Não tem clima nenhum aqui Roberta.. — Pedro respondeu tentando fingir que nada pudesse ter acontecido.
– Ok, ok . Muito papo, pouca ação. Quero ver se vocês mandam bem mesmo — falei me levantando do sofá.
– Aonde você vai? — Carla me perguntou curiosa.
– Pegar nossos violões, vamos ver se esses meninos mandam bem mesmo.. — falei sorrindo e subi as escadas rapidamente. A noite estava sendo boa e algo me dizia que aquilo era apenas o começo.
Fale com o autor