Nada pode nos parar
5 Tá em Casa ♫ - parte V
[ https://www.youtube.com/watch?v=RazkwQsSlPc]
– Nossa! Uau! – eu falei surpresa. E não é que os meninos sabiam mesmo tocar e que aquele som havia ficado incrivelmente bom?
– Só eu achei que isso ficou muito bom? – Carla falou animada.
– Ah Carlinha, nós somos bons, isso era óbvio! – Tomás respondeu convencido.
– Ego grande Tomás? — Alice disse nos fazendo rir.
– Apenas um pouco de realismo minha cara . – Tomás falou brincando.
Fomos interrompidos pelo interfone que tocou no exato momento.
– Pizza! – Carla disse animada. – Eu vou lá buscar enquanto vocês arrumam a mesa pode ser?
– Coisa chata! – Alice disse reclamando.
– Pode ser sim, a Gata Borralheira vai ajudar também – falei implicante e vi Alice me mostrar a língua.
– Eu vou te ajudar Carlinha – Tomás falou de prontidão e os dois seguiram em direção a porta.
– Bem, eu vou arrumar a mesa, pelo menos depois não fico com a louça. – ouvi a Barbie falar e revirei os olhos.
– Você quer ajuda linda? – Pedro perguntou e eu fiz uma cara de deboche.
– Ownt, linda! – falei rindo e ela me olhou feio.
– Quero sim, obrigada Pedro. Você é um verdadeiro ca..va..lhei..ro .. – ela disse pausadamente me fazendo rir mais ainda. E os dois caminharam para a sala de jantar.
Eu não tinha reparado que até então só havia sobrado eu e o Diego, na verdade eu não havia me tocado mesmo e confesso que quando o vi sentado no sofá branco meu estômago deu uma cambalhota. Mas, que negócio é esse? Credo.
– Bom.. eu vou .. ver se eles querem ajuda. – falei rapidamente e fui surpreendida por um Diego levantando e parando bem a minha frente. – Ai garoto, que susto!
– Calma, eu só queria te pedir desculpa pelo meu comportamento na padaria.
– Qual parte dele? – respondi ríspida.
– Ah Roberta, poxa pega leve, to falando numa boa. Eu sei que não deveria ter sido daquele jeito e só quero ser seu amigo, de verdade. – ouvi as palavras dele e os olhos dele, lindos por sinal, não o deixavam mentir. Traziam uma verdade incrível dentro deles. Dei um suspiro leve, o que não é muito comum vindo de mim.
– Ok, eu te desculpo. – falei relutante e ele deu um sorriso lindo por sinal.
– Amigos? — O vi estender a mão em minha direção. Olhei a mão dele estendida e hesitei um pouco, mas os olhos dele me perturbavam. Estendi minha mão até a dele e uma corrente elétrica pareceu eletrizar meu corpo no instante em que nossos dedos se tocaram.
– Amigos. – falei e dei um sorriso discreto, mas era um sorriso. Eu não sabia direito o que estava acontecendo comigo mas, eu sabia que era diferente de tudo aquilo que eu já havia sentido antes.
Ficamos um bom tempo com as mãos dadas um de frente para o outro e só reparamos isso quando ouvimos Carla e o Tomás entrarem no apartamento com as pizzas. Soltamos nossas mãos imediatamente.
– Opa.. acho que atrapalhamos algo. – Carla falou ao nos ver envergonhados e com um sorriso maroto nos lábios.
– Claro que não, até parece. – falei cruzando meus braços.
– Relaxa, pode desarmar, estamos em missão de paz . – Tomás falou me fazendo rir. Eles todos eram uns palhaços, mas, eu gostava da companhia deles.
– Bom gente, bora comer? – Carla falou animada.
– Bora! – respondemos juntos e fomos nos juntar a Pedro e a Alice.
(...)
Depois de todo o jantar, os outros foram para a sala para poder jogar conversa fora e cantar. Eu e Diego ficamos responsáveis por limpar toda a bagunça.
Eu fui tirando as coisas da mesa enquanto ele ia lavando.
– Nossa acho que eu vou ficar sem comer uma semana. – falei brincando e ele riu.
– Tem que alimentar a draga que existe dentro de você. – ele respondeu rindo.
– Eii! – mostrei a língua a ele.
– É sério, todos temos uma, a sua é moderada, já a do Tomás por exemplo, é infinita. – ele falou e eu dei uma gargalhada alta. O Diego até que era legal, apesar da pose de mauricinho era divertido, bonito e bem humorado. Chega Messi, chega! Ele já ta me olhando, deve estar pensando que eu sou maluca, ou qualquer coisa do tipo.
– O que foi? – perguntei com um fio de voz.
– Você fica linda sorrindo. – ele disse olhando nos meus olhos e senti um arrepio percorrer meu corpo. Eu poderia jurar que meu coração sairia pela boca a qualquer momento.
Ficamos nos encarando um bom tempo e senti ele se aproximar de mim devagar. Nossos rostos estavam a milímetros de distância e eu jurava que poderia sentir a respiração dele perto da minha boca. O hálito de menta, a boca avermelhada e convidativa. Os olhos caminhando pelos meus e pela minha boca, eu estava completamente sem ar, atônita.
– Gente, o que.. – Alice entrou na cozinha e nos separamos imediatamente. Minhas pernas estavam bambas, e eu não tinha controle nenhum de equilíbrio, tive que me segurar na pia para não cair. – Ops..desculpa eu não sabia que .. – eu a interrompi antes que ela pudesse falar.
– Não sabia de nada.. não tem nada para saber – respondi recuperando minha consciência.
– Eu acho que vou deixar vocês dois a sós. – Alice falou rapidamente saindo da cozinha de fininho.
– Roberta eu.. – ouvi Diego começar a falar mas, o interrompi.
– Nunca mais tenta me beijar, seu louco! – falei irritada. Eu estava uma pilha de nervos, parecia que algo dentro de mim fervia, eu só não sabia se era raiva ou amor. Que amor o que, até parece que eu ia sentir amor.
– Mas, eu..
– Mas, nada.. chega! – falei saindo rapidamente da cozinha. Passei pela sala e não ouvi nada apenas subi rapidamente para meu quarto e me tranquei no mesmo.
(Na sala – Alice narrando)
Eu não queria interromper nada entre os dois, aliás eu nem sabia que estava rolando algum clima entre o Diego e a Roberta. Eu apenas fui buscar um copo de água e me deparei com a cena mais estranha que eu poderia ver na minha vida. Roberta e Diego quase se beijando na cozinha do nosso apartamento. Claro que não teria nada demais, se não estivéssemos falando da Roberta Messi, onde amor na mesma frase que ela apenas em livro de fantasia.
Cheguei na sala com a maior cara de espanto possível e todos pararam o olhar em mim, obviamente curiosos com o que poderia ter acontecido.
– Amiga, você tá bem? – Carla me perguntou e eu fiz que sim com a cabeça.
– Eu tô ótima. – respondi de imediato.
– Parece que viu um fantasma.. – Tomás disse brincando e eu fiz careta para ele.
– Não foi bem um fantasma, mas foi algo que eu não esperava ver tão cedo na minha vida. – falei surpresa e deixando eles mais curiosos ainda.
– Fala logo minha filha! – Tomás falou ansioso.
– Calma bebezinho, controla e deixa ela falar . – Pedro falou brincando e dando um tapa de leve na cabeça de Tomás.
– Gente, alô! Foco por favor. – Eu falei e eles ficaram quietos. – Eu fui pegar um copo de água na cozinha e quando cheguei lá peguei o Diego e a Roberta quase se beijando, se eu não tivesse entrado eles teriam se beijado.
– O Diego e a Roberta? – Pedro perguntou estranhando.
– Eu já sabia que isso ia acontecer. – Carla respondeu naturalmente.
– Sério? – perguntei surpresa.
– Claro né gente, o jeito que os dois estavam se olhando o tempo todo. O jeito como a Roberta ficou arredia com a presença dele.
– Arredia ela é com todo mundo Carlinha . – Tomás falou e nós rimos. O pior é que era verdade, quando se tratava de Roberta ela sempre era arredia.
– Mas, é diferente Tomás. Ela é arredia de modos diferentes, agora desse modo eu só a vi hoje aqui e na presença do Diego, e olha que eu a conheço a anos. – Carla nos explicou.
– Até que pra alguém que era bem tolinha você tá bem esperta né dona Carla? – falei rindo e ela me mostrou a língua em seguida.
Não deu muito tempo para falar mais nada, pois Roberta passou como um raio pelas escadas e por fim bateu a porta do quarto, como era de costume.
– Não quebrou ainda. – gritei do andar debaixo.
– O que foi isso? – Pedro perguntou.
– Isso é o efeito que dá quando Roberta e sentimentos resolvem somar na mesma frase. – Carla falou e eu apenas concordei.
– Nossa gente, mas, é tão ruim assim? – Tomás perguntou ainda batucando alguns dedos no violão.
– Mais do que ruim, é péssimo. A Roberta não se apaixona. – respondi a ele que ainda me olhava como se aquilo fosse um absurdo.
– Mas, a gente não manda no coração loirinha. – Tomás adorava ser debochado, chegava a irritar às vezes.
– Não é isso Tomás, ela não se permite entende? Ela acha que amor é uma bobagem e que as pessoas ficam vulneráveis a ele. – Carla completou meu pensamento.
– Só que dessa vez acho que o amor bateu de frente mesmo e por isso ela ta desse jeito. – falei olhando ainda pela escada.
– Bem eu vou falar com o Diego, ele deve estar sem jeito de vir até aqui. – Carla levantou prontamente.
– Eu vou com você, Carlinha . – Tomás falou e os dois seguiram até a cozinha.
– Clima azedou né? – falei e ele apenas concordou com a cabeça.
(...)
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