Nada pode nos parar
7 Do jeito que eu sou ♫
(...)
(Roberta narrando)
Eu não queria que ninguém me incomodasse mais desde ontem. Ainda bem que as meninas entenderam isso e me deixaram quieta aqui no meu canto, com meus pensamentos. Provavelmente elas sabiam como era difícil eu lhe dar com qualquer tipo de sentimento que fosse normal para as outras pessoas.
Acontece que para mim não era normal, amor e eu na mesma frase só em redação. Por milagre acordei cedo naquele domingo. E resolvi preparar o café das meninas. Deixei toda a mesa arrumada e estava tranquilamente tomando meu delicioso café da manhã sem ser perturbada. Escutei alguns passos pelas escadas e a voz das duas ecoar pela sala.
– Bom dia amiga! – Carla disse sentando-se a mesa junto comigo.
– Bom dia! – Alice falou animada.
– Bom dia Cinderela! – falei implicante enquanto eu comia um pedaço do meu pão.
– Oh Madrasta será que da pra pegar leve? – Alice disse e eu dei uma risada leve.
– Ok, eu parei, por enquanto. – sorri enquanto tomava um gole do meu café.
– Mas, vem cá Roberta.. será que da pra você explicar o que houve ontem? – Carla perguntou enquanto passava manteiga em um pãozinho.
– Eu não quero falar sobre isso. – falei ficando séria e parando de comer no ato.
– Roberta, relaxa não precisa armar. Só queremos te ajudar – Alice falou pegando um pouco de suco.
– Mas, eu não quero falar, será que eu posso tomar café da manhã em paz? – falei irritada e elas deram de ombros.
– Ok, não vamos mais tocar no assunto. Mas, só ouve uma coisa, isso que você tá sentindo é super normal, nada disso é algo errado então pensa se vale a pena agir assim e perder algo que pode ser muito bom.
– Não tenho nada para perder, até porque eu não tenho o que perder. Será que agora a gente pode tomar café em paz? Obrigada! – falei encerrando o assunto. Que saco, vida amorosa ainda mais sendo minha em pauta em pleno café da manhã ninguém merece.
(...)
Após uma tentativa de café da manhã em paz eu finalmente poderia respirar fundo e dar de cara nos livros. Eu não gosto muito de livros, mas fazer o que né, faculdade de direito me implorava por isso e eu tinha bastante coisa pra fazer.
Ouvi as meninas descerem as escadas animadas .
– Nossa em, quanta animação pra um domingo! – falei brincando.
– Ah nós vamos ao parque e você também vai. – Carla disse animada.
– Nem pensar, sério gente hoje eu to fora do passeio ternura. – falei fazendo careta ao terminar a frase.
– Passeio ternura? – Alice perguntou sem entender.
– É esse mel todo entre vocês, me da náuseas. – falei revirando os olhos.
– Ô Roberta, vem cá não tem clima nenhum ok? E vamos vai, vai ser divertido. – Carla falou chorosa.
– Não, sério. Eu tenho um monte de trabalho da faculdade para fazer. Hoje não posso mesmo. – falei e elas deram um suspiro de convencimento.
– Ok, se você diz. Mas, isso tudo não é por causa do Diego não né? – Carla me perguntou e eu joguei uma almofada que estava perto de mim nela.
– Que Diego o que ! – falei e ela mostrou a língua.
– Ok, ok ! Nós vamos então, se você mudar de idéia, você manda mensagem ta? Beijo, beijo . – Carla disse me dando um beijo na testa e eu sorri.
– Tchau, bom passeio! – falei rindo e vi elas saírem pela porta. Ok, momento foco. Era foco total que eu tinha que ter agora e sempre. Bora mergulhar nos livros.
(...)
Eu estava completamente perdida em meia a folhas de anotações e livros da faculdade. Não sabia bem a quantas horas eu estava por ali estudando, mas, a minha cabeça já estava dando pane.
Ouvi a Campainha tocar e dei um suspiro longo. Aposto que aquelas duas malucas tinham esquecido as chaves. Olhei no relógio e já eram quase 14hrs. Nossa, o tempo voou e eu não notei mesmo.
Me levantei rapidamente e fui em direção a porta.
– Marcinha! –falei animada e dei um abraço na minha amiga baixinha.
– Roberta! Como você ta? – ela perguntou retribuindo o abraço.
– Eu to ótima! E você? Mas, entra desculpa o mal jeito . – falei rindo enquanto ia com Marcinha até o sofá. Eu conheci Marcinha na época do colégio. Ela era uma menina muito legal e desde então nos tornamos amigas, mas, pela falta de tempo dos estudos não costumávamos nos ver muito.
– Desculpa ter vindo sem te avisar, é que eu vim ver o meu irmão, mas, acho que ele não está em casa. – ela disse sem jeito.
– Magina, eu fiquei muito feliz de poder ter receber aqui em casa. Mas, vem cá, eu não sabia que você tinha irmão. – arqueei a sobrancelha.
– Ah eu tenho, meio irmão, mas é irmão. Ele se mudou faz pouco tempo com os amigos e meu pai todo preocupado pediu pra que eu viesse ver se ele tava bem.
– Conheço bem o jeito preocupado do seu pai. – falei rindo – brincadeira Marcinha. Mas, você disse que tem um irmão? Não me diz que é o Pedro?
– Não, não. O Pedro é amigo do meu irmão. Meu irmão na verdade é o Diego. – ela disse sorridente e meu sorriso se desmanchou. Era só o que me faltava minha grande amiga irmão de um grande idiota. É esse mundo é pequeno mesmo. – Algum problema Roberta? – ela perguntou receosa.
– Não, nenhum Marcinha. É que eu não esperava que você tivesse um irmão tão mauricinho. – fiz uma careta em seguida. Marcinha começou a rir da minha cara, ela bem que conhecia alguns dos meus jeitos. Também três anos dentro daquele colégio que mais parecia uma prisão serviam para alguma coisa.
– Ah Roberta, você não muda mesmo. – ela dizia rindo e eu dei um sorriso de lado, bem pequeno. – Mas, vem cá.. de onde você conhece meu irmão? – ela me perguntou curiosa.
– Hum, eu prometo que te conto tudo se você ficar pra almoçar comigo. – disse sorridente.
– Ah não quero te dar trabalho Roberta. – ela disse e eu revirei os olhos rindo.
– Vamos almoçar e eu te conto tudo, e nada de achar que ta dando trabalho não. As meninas foram no parque com os meninos e eu vou acabar almoçando sozinha.
– Elas saíram com os meninos? Ah não você vai me contar tudinho, tim tim por tim tim! Eu fico pra almoçar com você. – Marcinha disse sorridente.
– Oba! Então bora, vem comigo! – falei e fomos em direção a Cozinha. Eu amava cozinhar, mas eu amava mais comer. Carla costumava dizer que eu tinha uma draga para alimentar dentro de mim, começo a achar que isso era realmente verdade. Mas, ah quer saber? Esse é meu jeito e ponto final.
(...)
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