Na sombra do deserto
2 Cap 2 "Anjo da Guarda"
Suzy cavouca desesperadamente uma pilha de lixo na frente de West Farm, quando uma carroça para.Desce um senhor de uns sessenta anos mais ou menos, vestindo uma camisa cor de mostarda com listras pretas, bem finas, um macacão escuro com suspensórios, um sapato judiado pelo tempo e uma barba que vinha de uma orelha até a outra, passando apenas pelo bigode, deixando o queixo a amostra. Em seguida, desce uma jovem moça, de cabelos loiros, olhos azuis e pele bem branquinha, um pouco avermelhada do sol. Usava um blusa verde e uma saia longa e escura, combinando com suas botas pretas.
Ao ver o animal desesperado os dois começam revirar a pilha de lixo.
A moça dá um grito quando vê debaixo daquela pilha uma mão humana.
Rapidamente os dois começam a cavoucar mais rápido até descobrir boa par do corpo.
– Papai, está morto? A jovem pergunta, aflita, enquanto o velho examinava o pescoço para ver se tinha batimento.
– Parece que não, minha filha, mas está quase, me ajude a coloca-lo na carroça, pegue-o pelos pés, é a parte mais leve.
Depois de colocar John na carroça, dispararam em direção à cidade de Armadillo.
John começa acordar ainda com os olhos fechados, ele escuta barulho de pratos, cavalos, vozes, rodas de carroça.
Abre os olhos repetidas vezes até se acostumar com a claridade, as coisas começam a tomar forma, quando ele consegue enxergar com clareza, vê um lindo rosto.
– Finalmente acordou! Graças a Deus está vivo. — disse a linda moça ao lado da cama.
– Onde estou? – perguntou com dificuldade para falar.
– Em Armadillo, no rancho de meu pai.
Ele olhou em volta, estava em um quarto simples, apenas a cama em que ele estava e uma mesinha ao lado com um copo de água.
Ao tentar se levantar, sentiu uma forte dor na barriga e nas costelas, mal conseguia se mexer.
Hey! Não se mexa muito, você está muito machucado ainda. Te achamos quase morto no lixão de Old Rosses, se não fosse pela sua égua, nunca teríamos achado você.
..como está Suzy?
Está bem, cuidamos dela também, ela só tinha fome mas nenhum ferimento.
A jovem pegou o copo de água para John.
– Você precisa repousar. Meu pai chamou o medico que já te examinou, quebrou alguns ossos, pelo que o doutor falou, parece que você foi espancado por umas 10 pessoas, e ainda levou um tiro na barriga.
– Obrigado.... — devolveu o copo para moça.
– Oh, que falta de educação a minha. Bonnie, Bonnie Mc Faden.
– John, John Marston.
– Muito prazer ,senhor Marston.... até ficar bom, o senhor vai ficar aqui. Se precisar, é só me chamar!
– Obrigado Sra. McFaden.
– Senhorita! – deu um lindo sorriso para John e saiu do quarto.
Alguns dias se passaram até que John finalmente estava inteiro novamente...
Bonnie estava no poço tirando água para os cavalos quando John se aproximou.
– Bom dia, senhorita McFaden!
– Olá sr. Marston! Que bom vê-lo assim!
– Gostaria de lhe agradecer de alguma forma pela hospitalidade e pelos cuidados que você teve comigo.
– Não se preocupe, sr. Marston...
– Eu insisto. Não tenho dinheiro, mas posso ajudar de alguma forma, consertar uma cerca, limpar o celeiro, qualquer coisa.
– Agradeço sua gentileza, sr. Marston. Temos muitos caseiros que já fazem esses serviços, mas, se o senhor insiste, pode me ajudar com esses baldes.
E os dois partem em direção ao celeiro.
– Bonnie! Bonnie! – Gritos vindo da porteira do sitio.
– O que houve, papai?
– O imbecil do Clayde deixou a porteira aberta, as vacas saíram e estão indo em direção à ribanceira.
– E agora?
– Clayde foi atrás, mas ele não sabe correr a cavalo...
– Me empreste um cavalo! – disse John.
– Pegue qualquer um no celeiro, mas você acha que....
Antes mesmo que o Sr. McFaden terminasse de falar, John sai em disparada montado em um grande cavalo marrom com um listra branca no peito.
John corre feito uma flecha e rapidamente passa por um caipira magrelo, com nariz fino, vestindo um macacão sujo.
John alcança o rebanho que, assustado com o barulho das cavalgadas, dispara ainda mais rápido.
John dispara de novo atrás do rebanho desenfreado, vai passando pelo lado, vaca por vaca até passar pela primeira. Assim que toma distância do rebanho, quase chegando no desfiladeiro, ele para, se vira, empina o grande cavalo e grita.
– Heya, Heya!
O cavalo começa a relinchar fazendo bastante barulho. O rebanho que se aproximava começa a diminuir a velocidade, até que todas param de correr.
Depois de alguns minutos, chega Clayde, rapaz feio, magrelo, vestindo um macacão sujo.
– Obrigado senhor....
– Marston!
– Obrigado, Sr. Marston. Muito prazer, sou Clayde, caseiro dos McFaden. Agora vou levar as vacas de volta.
– Vamos, tenho que devolver o cavalo para o senhor McFaden.
E os dois partem conduzindo o rebanho. Clayde ia na frente e John seguia o rebanho.
Às vezes uma ou outra vaca se afastava do grupo ,mas John sempre ia atrás e a trazia de volta.
– Chegamos, Sr. Marston! Muito obrigado! – agradeceu o senhor McFaden – Venha jantar na minha casa essa noite. Minha filha disse que você queria de alguma forma pagar pelo que fizemos. Ora, faríamos isso com qualquer pessoa. Mas gosto da sua atitude, sr. Marston, e acho que sei como você pode me ajudar.
– Iriei com certeza, sr. Mc Faden.
– A propósito, já está quase na hora. Bonnie está preparando o jantar. Venha comigo, sr. Marston.
– Clayde, leve o cavalo para o celeiro!
– Sim senhor, sr. McFaden.
Enquanto esperavam o jantar, Sr. McFaden conversava com John na sala.
– Sr. Marston, qual são seus planos agora que está recuperado.
– Ainda não sei, sr. McFaden.
– Pode me chama de Carl.
– ok, me chame de John.
– Muito bem, John, se você não tem planos, por que não fica aqui em Armadillo?
– Não sei, não tenho onde ficar. Sempre vaguei por ai, nunca fiquei num lugar parado por muito tempo.
– Desculpe a pergunta, mas como os senhor foi parar espancado em um lixão?
– Deixa pra lá...
– Estamos só os dois aqui. Acho que mereço saber... – Carl se aproximou de John como se ele fosse contar um segredo.
– Desculpe, sr. McFaden, digo Carl, mas prefiro não falar. Se você soubesse, jamais teria me tirado do lixão e por isso, não pretendo ficar na cidade.
– Ninguém sabe que você está vivo, você pode ser quem você quiser aqui, fique.
– É muita generosidade, mas se descobrem que eu estou vivo e aqui, vocês correrão perigo. – John olha em direção a cozinha.
– Como eu disse apenas Bonnie e eu sabemos de você, ninguém mais na cidade sabe que você estava no lixão de Old Rosses.
– Quem garante? É se arriscar a toa.
– Isso quem decide sou eu, se eu que sou prefeito de Armadillo estou falando que você é bem vindo, então é bem vindo.
– Agradeço, mas como irei pagar?
– Sabia que ia perguntar. Você pode pagar com serviços. Pode ser de caseiro, de entregas pois você é bom com cavalos, ordenhar as vacas, um monte de opções.
– Tudo bem eu aceito, durmo no celeiro sem problemas...
– Deixe de besteira. Tenho um casa vazia na cidade. Hoje você salvou meu rebanho de cair no precipício. Eu teria que te dar essa casa em agradecimento, mas a casa que vou lhe dar creio que serve – e deu um sorriso para John.
– Muito obrigado, é mais do que mereço...
– Senhores, o jantar está na mesa! – Disse Bonnie na sala de jantar.
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