Na sombra do deserto

1 Capítulo 1 " Quase Morto "


Cap. 1: “Quase o fim”

O trem se aproximava da estação. faltavam apenas alguns metros.

John olhava, pela janela, as árvores correndo cada vez mais devagar, os passageiros começavam a pegar as bagagens no compartimento acima dos bancos.

Finalmente o trem para por completo, os passageiros começam a descer em fila. todos tinham alguém a sua espera na estação, menos John.

Ele não conhecia ninguém na cidade, talvez sua aparência dificultasse as coisas na hora de fazer amizades.

John vestia uma bota de couro preta, suja de areia, calcas pretas, uma camisa simples, branca, um casaco jeans escuro e seu chapéu, preto com uma faixa marrom claro, sempre impecável e sua inseparável arma, uma Magnum Dourada, o que chamava a atenção de todos os Cowboys na estação de Mushdale.

John avistou uma carroça com um senhor mais velho sentado e se aproximou:

-Bom dia

O velho apenas fez um gesto com a cabeça, cumprimentando John.

-O senhor vai pra Brookswood?

O velho analisou John da cabeça aos pés, fixou o olhar para a arma em sua cintura, e por último focou em seu rosto.

John tinha cabelos e olhos negros, pele branca mas bronzeada pelo sol do deserto, e uma cicatriz no rosto, debaixo do olho esquerdo.

-Não faço transporte meu rapaz, apenas carga de mercadoria. mas o senhor vai achar alguém na rua atrás daquela casa.

E apontou para uma casa azul, no final da rua.

John agradeceu a informação e foi na direção indicada pelo velho.

Chegando na rua indicada, John nao viu nenhuma carroça, nenhuma pessoa, não havia nada, apenas uma outra rua, mais estreita e tão deserta quanto as outras.

Ele seguiu pela ruazinha, olhando as casas em volta, todas com a aparência de abandono, tinha casa sem partes do telhado, outra sem porta, umas pareciam que não tinham terminado de construir ou que foi demolida pela metade.

De repente, John ouvi um “clack” atrás da sua cabeça, ele rapidamente reconhece o barulho: é uma arma sendo engatilhada.

- Quem é você?

– John Marston.

- O que você quer por estas bandas?

-Quero chegar em Brookswood.

-Está bem perdido rapaz.

-Preciso de uma carona, posso pagar por ela.

-Quem disse que por aqui teria uma carona disponível?

-O velho da carroça com cavalos brancos, perto da estação.

Nesse momento a arma foi desencatilhada.

John sente uma mão puxar o seu ombro, fazendo com que desse meia volta e então um velho deu lhe um abraço rápido.

O velho estava com uma bota preta, furada, o que deixava seu dedão ã vista.

Usava uma calça bege bem velha e um casaco verde claro com um cachecol vermelho no pescoço e uma cartola na cabeça, o que não escondia sua cabeleira suja e despenteada.

- Venha, meu jovem. tenho sua carona, mas não sairá de graça.

- Como disse, posso pagar por ela.

- Não preciso do seu dinheiro, preciso que me faça um favor.

- Que tipo de favor?

- Venha comigo

Ele puxou John pelo braço até umas duas casas pra frente e assobiou alto.

Saíram de dentro de uma das casas um cavalo grande, negro como a noite mais escura do deserto, e atrás dele uma égua mais jovem, cor de caramelo e crina preta.

- Preciso que você entregue esta carta em Old Rosses e, em troca disso, lhe dou minha égua.

- Você vai me dar essa linda égua por um simples entrega? –John pergunta com uma certa desconfiança da oferta tão generosa.

- Sim, mas você conhece o caminho?

- Não, mas pergunto por aí.

- Meu jovem, o único caminho para Old Rosses é passando pelas ruinas Harvin.

- E dai?

- São terras de Bill Willianson. Vai dizer que nunca ouviu falar nele?

- Não.

- Você só pode estar brincando. A quadrilha de Bill é conhecida pela violência e crueldade; nunca alguém que viu o rosto de Bill sobreviveu pra contar como ele é.

- É só uma lenda idiota como todas as outras.

- Então você aceita minha Égua Suzy em troca da entrega da carta?

- Claro, sem problema.

- Ótimo – e subiu em cima do cavalo negro, e foi saindo por uma das ruas, mas antes que ele sumisse de vista, John perguntou:

- Mas o que eu digo, se perguntarem quem mandou a carta?

- Diga que foi o Jimmy “Olho-de-cobra” quem mandou — e virou a esquina sumindo das vistas. John montou na égua e partiu rumo a Old Rosses.

Após algumas horas cavalgando de baixo de sol forte, John precisava fazer uma parada mas não havia onde parar, quando de repente um pequeno vilarejo surgia no horizonte. Abriu um discreto sorriso, acariciou o pescoço de Suzy e seguiu para o pequeno vilarejo.

Ali chegando, diminuiu a velocidade e começou a cavalgar bem devagar, observando as casas ao seu redor enquanto percorria uma rua estreita, onde não passaria uma carroça, quando de repente ele avistou uma casa grande com uma placa escrito “bar”. Era ali mesmo onde ele iria encontrar água pra ele e Suzy.

Desceu da égua, amarrou o animal numa árvore onde fazia bastante sombra e foi entrando no bar.

O local estava fechado, pelo que parecia. A porta estava aberta, porém não tinha ninguém.

Estava escuro, apenas a luz do dia, que passava pelos vidros fechados das janelas.

John viu um grande barril de pólvora ao lado do balcão do bar, o que não fazia nenhum sentido estar ali. Nesse momento, Suzy começa a relinchar sem parar, John corre pra fora, quando se depara com um homem de macacão bege, com suspensórios e uma camisa branca, desamarrando Suzy da árvore.

-Tira suas mãos dela! – gritou.

O homem soltou as mãos da rédea de Suzy, sacou sua arma e se virou parar atirar em John.

BANG!

Antes mesmo que ele terminasse de virar o corpo, John deu um tiro certeiro na cabeça do homem, entre os olhos.

Suzy se assustou com o barulho do tiro e começo a empinar, ficando apoiada apenas nas patas traseiras.

John segurou as rédeas e tentou acalmar Suzy, que já estava com as quatro patas no chão.

Nesse momento, John ouve um som vindo do bar, algumas armas sendo engatilhadas. Ele se vira bem devagar, sem soltar Suzy.

O bar tinha dois andares. No segundo andar haviam quatro janelas e em cada uma tinha um homem apontando um espingarda para ele.

No andar de baixo, tinha mais duas janelas onde também haviam espingardas apontadas em sua direção.

Em fração de segundo, John sacou e atirou direto no barril de pólvora, fazendo o bar ir pelos ares, enquanto montava e disparava com Suzy em direção ao seu objetivo.

Mais algumas horas de deserto, sede, fome, cansaço e lá estava a entrada de Old Rosses.

John entrou devagar na cidade, pois as ruas estavam cheias de pessoas, umas a pé, outras de cavalos, carroças, crianças brincando , comércios e, claro, o bar da cidade.

John amarrou Suzy no tronco de madeira do lado do bar, colocado exatamente ali, na sombra do bar e de uma árvore grande cheia de folhas.

John entrou, desta vez com cuidado devido à última experiência, mas desta vez tinha um cara atrás do balcão do bar, apesar do estabelecimento ainda estar fechado.

- Estamos fechados! — disse o homem do bar, entrando para a cozinha atrás do balcão.

John voltou para buscar sua égua, quando foi abordado por uma madame, rechonchuda, vestindo uma bota elegante, um vestido verde claro com bolinhas amarelas e um chapéu bege.

- Bom dia!

- Bom dia – respondeu ele com certa timidez.

- É novo em Old Rosses, não é?

- Só estou de passagem, mas gostaria muito de água para mim e minha égua.

- Não te deram no bar?

- Não; o cara lá dentro falou que está fechado.

- De fato, o bar abre apenas após o por do sol, mas venha comigo.

E a madame levou John pela mão ate o bar novamente.

- Roy, abra essa porta agora!

Rapidamente o cara do bar abriu a porta

- Desculpe Sra. McCarthy.

- Traga agua para esse rapaz. Ele é novo na cidade e um copo d’agua não se nega a ninguém

- Sim, senhora! – e foi pra dentro da cozinha.

- Bem meu Jovem, preciso ir. Vou deixar você ai, tudo bem?

- Muito obrigado Sra. McCarthy

- Já aprendeu meu nome, esperto...mas não me disse ainda o seu.

- John Marston, a senhora ainda não havia me perguntado – respondeu com um sorriso tímido.

Ela se despediu de John e saiu pela porta do bar. Nesse momento, Roy trouxe um copo de água, muito gelada. O copo chegou a ficar embaçado de tão gelada que estava.

Em um gole John virou o copo de água.

- O que o traz aqui, forasteiro?

- Preciso entregar uma carta ao prefeito.

- Deu azar meu caro, ele esta em Shildreen City.

- Será que ele demora para voltar?

- Geralmente de 3 a 5 dias...

- Droga!

- Mas se é só entregar essa carta, posso entregar pra você quando ele chegar. Ele sempre vem aqui. É a vantagem de ser o único bar da cidade.

Roy deu um sorriso simpático.

- Posso confiar?- pergunta John com um ar de seriedade

- Você tomou da minha água e ainda está vivo...

- É, tem razão. A propósito, se não for pedir muito, gostaria de mais um copo, uma garrafa com água pra minha égua e, se possível, encher meu cantil. Prometo ir embora depois disso.

- Sem problemas. Só um minuto...

Roy foi pra cozinha enquanto John olhava as bebidas do bar, uma parede cheia só com Whisky e runs.

- Aqui está. – Roy entregou a garrafa e o cantil e deixou o copo em cima da mesa.

- Muito Obrigado. Quanto deu toda essa água?

- Que é isso?... Não precisa pagar por isso, fica como presente de boas vindas de Old Rosses

John sorriu em agradecimento e pegou a carta do bolso

- Aqui está a carta, entregue em mãos, por favor.

- Pode deixar, vou guardar lá dentro para não perder. Essa cozinha é uma bagunça.

Roy foi saindo para uma pequena sala, o que parecia ser o escritório do bar.

- Mas digo o que ao prefeito?

- Diga que quem mandou foi o Jimmy “Olho-de-cobra”.

Nessa hora Roy fez uma pequena pausa e correu pra sala.

John não entendeu a reação do barman, e saiu pela porta do bar.

Quando ele saiu do bar, não havia mais ninguém nas ruas, as casas que estavam abertas e cheias de vida, agora estavam todas de portas fechadas.

As crianças, os cavalos, as carroças, o comércio, nada... Onde estaria todo mundo que minutos atrás estava ali.

A porta do bar se fecha rapidamente atrás de John, ele ouve o barulho das trancas por dentro.

Olha ao lado e Suzy também sumiu, não estava mais lá. Quando John olha para sua esquerda, surge um sujeito muito grande, careca, com uma camisa azul marinho e uma calça jeans clara, apontando uma espingarda na direção dele.

Ele olha pra direita e surge outro sujeito, de camisa branca, calça marrom escuro da mesma cor que o chapéu, no rosto um bigode grosso, que não escondia a cara de mau.

O homem segurava uma machadinha em uma das mãos o que de certa forma combinava com a cara de índio que ele tinha.

Na casa em frente ao bar, um homem mais velho e mais elegante que os dois grandalhões usava uma calça fina, cinza uma camisa preta debaixo de um blazer caramelo, estava apontando um revolver em direção a John.

Das duas, uma, senhor Jimmy “Olho-de-cobra”: ou você é louco ou burro?

- Hum? – murmurou John com tom de dúvida.

- Essa carta! – e mostrou a carta que acabara de entregar para o barman

John pensava, como poderia a carta estar na mão daquele homem se minutos atrás ele tinha entregado ao barman.

- Não fui eu quem escreveu, apenas fiz a entrega. –Disse John

- Então é apenas um lacraio?

- Não sou lacraio de ninguém.

- Quem te mandou?

- O tal Jimmy qualquer coisa, agora cadê minha égua?

- Insolente, não sabe quem somos nós?

- Não e não me interessa, só quero saber da minha égua.

- Somos a quadrilha de Bill Willianson...

BANG!

Com um tiro na barriga, John caiu no chão. Nos primeiros segundos, não sentiu nada apenas um apagão, depois disso onde a bala acertou começou a queimar. Era uma dor insuportável. Quando John abriu os olhos os dois grandalhões estavam ao seu lado.

- Jack! Termina isso pra mim – ordenou o mais velho do trio – Paco, reviste o cara e traga suas coisas para mim.

Ele entrou para casa de onde havia saído, e os dois grandalhões se entre olharam, deram um sorriso sarcástico e voltaram os olhos para John.