As neves cessaram e o sol nasceu mais uma vez em Loguetown. Robin acordou bem cedo para visitar sua mãe sem que seus companheiros soubessem. Ela vestia um sobretudo preto e andava pelas calçadas da rua molhada a procura de um táxi. Estava tremendo quando se sentou no banco do passageiro, mas não era por causa do frio. A garota sentia medo de como seria sua mãe e se lembrou do dia que perguntou ao seu pai quem era a mulher que lhe trouxera para esse mundo. Seu pai não quis mentir e disse que seu nome era Olvia e que havia largado os dois sem saber o motivo. Ele ainda disse que sabia onde ela morava e fez questão de contar para Robin onde era.

"Um dia se quiser encontrá-la, não vou te impedir. Só acho que você precise ainda ter idade para isso."

Seu pai havia dito essa frase numa das vezes que Robin fugira de casa, mas foi trazida de volta pelo mesmo a força. Só que dessa vez ele não a impedira, talvez por já ter conquistado a maioridade. Mas a morena concluiu naquela manhã que ainda não estava preparada enquanto esfregava tão nervosa suas mãos envolvidas por luvas. No entanto, respirou fundo. Não era agora que iria amarelar.

O táxi parou até o endereço que Robin dissera, ela saiu do carro e sentia mais uma vez aquele frio na barriga insurpotável enquanto encarava a fachada da suposta casa de sua mãe. Respirou fundo mais uma vez e andou até a porta. Pensou se estava fazendo mesmo o melhor, mas balançou a cabeça e finalmente bateu na porta, determinada. Uma garotinha de cabelos negros atendeu e Robin abriu o olhar exasperada ao vê-la. Depois de um silêncio constrangedor, ela resolveu falar.

— A senhora Olvia está?

A garotinha observava a morena com seu rosto inexpressível, mas olhou por cima do ombro. — Mãe! Visita!

Robin abriu o olhar mais uma vez por tirar suas dúvidas, aquela garota era mesmo sua irmã. No entanto, direcionou sua atenção para a mulher de cabelos curtos e brancos que chegava pelo extenso corredor da casa. O penteado era diferente, também havia rugas... Mas ela teve certeza de que era sua mãe.

— Olá, Robin. — Cumprimentou com um sorriso e parou atrás da filha. Suas mãos morenas estavam sobre os ombros daquela garotinha. — Entre, está frio ai fora.

A mulher servia café para Robin. Estavam na mesa da cozinha e a garotinha estava sentada ao lado da mãe, enquanto Robin na sua frente. Olvia percebeu que a morena não parava de fitar sua filha. — O nome dela é Cassandra. — Sorriu e pousou a mão no topo da cabeça da garotinha. — Diga "olá" para a visita, Cassie.

— Olá. — Cumprimentou de um jeito seco que até mesmo Robin que não era muito expressiva, achou esquisito.

— Cassie, que tal brincar no seu quarto enquanto falo com essa moça bonita? — Olvia pediu carinhosamente e a garotinha obedeceu, foi para seu quarto.

Robin observava cada ato da mãe e percebeu que era uma mulher astuta e elegante.

— Bem, Robin, me diga como chegou até aqui. Seu pai me ligou preocupado.

— Vim de carona num kadett. Dois rapazes formidáveis me trouxeram para cá. — Respondeu fitando a xícara de café, ainda não conseguia fitar os olhos azuis de sua mãe.

— Entendo. Seu pai me disse que viria até aqui para me conhecer.

— Sim.

A mulher não soube prosseguir com a conversa, Robin notou que estava também nervosa por mais que sorrisse. Mas o jeito que deslizava a mão no braço esquerdo denunciava que não sabia o que fazer. Robin deu um gole no café e se lembrou do que Franky disse a ela sobre perdoar ou não sua mãe.

— Por que me deixou?

A testa de Olvia ficou franzida, a pergunta veio mais cedo que esperava. — Robin, existe sim um motivo para eu ter deixado vocês dois... Eu e seu pai não nos entendíamos mais e eu tive uma crise...

— Crise?

— Sim, eu tive medo de ser mãe.

— Como assim? — Piscou os olhos, confusa.

— É basicamente isso que ouviu. — Olvia respirou fundo e um sorriso sereno tomou os seus lábios. — Eu entrei em desespero e quis fugir da responsabilidade de ser mãe. Parece um motivo idiota, mas fiquei doente. E um dia eu não consegui respirar, nem achar um canto para mim... Eu fugi depois que eu não consegui te amamentar. Você chorava tão alto e eu não conseguia te pegar. Eu lembro dessa cena e vejo como fui patética, deixei a minha insegurança tomar meu corpo. Senti um medo muito grande e saí do nosso apartamento correndo... Só levava comigo a roupa que vestia.

Robin ainda estava muito confusa. — Foi tudo um medo?

— Sim. Um medo peculiar, já que estava tão feliz em ser mãe na época da gestação. Nunca pensei em abortá-la.

— Mas agora você tem uma outra filha e outra família.

— Isso é verdade. — A mulher enxugava algumas lágrimas que desceram. — Eu prometi que não faria o mesmo, e diferente do tempo que estava com seu pai, hoje estou numa condição bem estável.

— E por que nunca procurou por mim?

— Senti medo também. — Mais lágrimas desciam de seus olhos. — Senti medo e fui deixando para o futuro, quando vi passou muito tempo e achei melhor nunca te conhecer... Eu não mereço seu perdão...

Olvia cobria o rosto com as mãos, chorava muito e a morena percebeu que seu corpo não parava de tremer. Portanto, Robin não conseguiu ser uma pessoa ruim ou até justa consigo mesma, e levou uma mão até o rosto de sua mãe. Então, Olvia tirou as mãos que cobriam o seu rosto e viu a sua filha sorrindo para ela, enquanto a mesma enxugava suas lágrimas.

— Tudo bem, mãe.

Chegando a noite, Robin retornou para o hotel e encontrou Franky e Brook no sofá. Os dois se levantaram quando notaram sua presença e entraram em desespero.

— Onde você estava? — Franky perguntou muito preocupado e ele suspeitava que a morena tivesse ido ver sua mãe. Porém, Robin não conseguiu lhe responder, caiu de joelhos no chão e começou a chorar. Franky imediatamente a abraçou.

— Eu senti tanto medo!!!! — Dizia o tempo todo em meio a lágrimas.

— Tudo bem, já passou. — O azulado a abraçava mais apertado.

Brook permaneceu em pé, pois achou que aquele momento era dos dois. — Você foi muito corajosa, Robin-san. — Disse e foi para o quarto. Deixou o casal abraçado na entrada do apartamento.

Robin parou de chorar depois de descobrir que gostava muito dos braços fortes que lhe envolviam. Ela sentiu o cheiro de Franky e não quis soltá-lo nunca mais. Se agarrou ao corpo robusto com mais força enquanto pensava que estava apaixonada.