Na estrada com Sunny
10 Renascer
Os três estavam sentados nas cadeiras que ficavam em frente da secretaria de uma escola. Aguardavam a vez de terem acesso ao um diretor que o azulado conhecia muito bem. Franky estava nervoso, pois não parava de se mexer no assento, até mesmo levantava para ir da secretaria ao bebedouro, mas nunca tomava a água. Brook e Robin lhe observavam com um sorriso, porque querendo ou não, era divertido vê-lo assim.
— Sr. Franky, Iceburg-san lhe espera na sua sala. — Comunicou finalmente a secretária e Franky a acompanhou até a sala do diretor.
Os outros dois continuavam nas cadeiras. Observavam ao redor e viam algumas crianças passando correndo. Também escutavam um burburinho, devia ser de uma turma na aula de educação física.
— Ele disse que o diretor desse colégio é um amigo de infância dele. — Informou Brook para Robin.
— Eu imaginava.
— Aliás, Robin, como foi ontem com sua mãe?
Robin se lembrou que não havia contado o que houve para o magrelo por esse ter ido muito cedo pro seu quarto. — Descobri que temos muito em comum...
— O que por exemplo?
— Nós duas sentíamos medo. Eu também descobri que tenho uma irmã.
— Legal!! Então, você a perdoou?
A morena deu um sorriso que Brook achara muito bonito. — Na verdade nunca guardei rancor, sabe? Eu meio que sabia desde o início que ela tinha um motivo para ter me deixado. — Ficou em silêncio e o outro envolveu seus ombros com um dos braços finos dele.
— Faz sentido quando você foi atrás dela em vez de esquecê-la. É uma garota muito compreensível.
— Porém, sentia medo de sentir esse rancor a partir desse encontro. — Murmurou.
Brook conseguiu ouvir o murmuro de Robin. — Mas acabou tudo bem. — Abraçou a morena bem apertado. Robin sorriu e pensou que seu amigo não era tão egoísta assim como achava. Correspondeu o abraço com muito carinho. Logo não o veria mais, pois a viagem estava chegando ao seu fim. Depois de Franky resolver o que queria, todos voltariam para casa e não faziam ideia se um dia se reencontrariam.
Iceburg estava vendo a vista da janela, quando Franky entrou em sua sala e levou um susto com uma gaiola de rato enorme sobre uma mesa. Esse estúpido ainda tem a mania de criar ratos, pensou o azulado. O homem com cabelo roxo e de olhar sério sentiu a presença de Franky e se virou na direção do mesmo. — Ora, parou de andar só de sunga?
Quando era criança, Franky andava por Loguetown apenas usando uma sunga. Foram inúmeras pessoas que tentaram vesti-lo adequadamente e falharam miseravelmente. Por isso era estranho ver seu amigo de infância com todos aqueles agasalhos.
— Você não tá sentindo o frio que tá fazendo? — Retrucou num tom rabugento.
— Mas isso não te impedia de usar uma.
O azulado bufou e se sentou na cadeira do visitante. — Eu não sou mais uma criança e senta aí nessa poltrona, preciso falar com você!
Iceburg se sentou. — Deve precisar mesmo, até te vi na televisão. Por que está foragido?
— Não estou, só resolvi vir pra cá sem que ninguém soubesse.
— E por quê?
Franky já o responderia quando se lembrou de algo. — Por que não foi no enterro do nosso pai?
— Tive a sensação que você iria aproveitar da situação e me pedir pra tomar conta do negócio administrativo da empresa.
O homem robusto abriu a boca, chocado. — É exatamente por isso que tô aqui!!
Iceburg revirou os olhos. — Você acha mesmo que pode me convencer a largar essa escola e seus inúmeros alunos pra cuidar de uma empresa? Eu estou comprometido com cada criança desse lugar, o futuro de cada um depende de mim. Por que não cuida você mesmo dos seus problemas?
— Até gostaria, mas o velho nem deixou sua herança pra mim. Então, está mais que claro que ele pretendia que seu outro filho pegasse os negócios! — Franky dizia tudo no mesmo tom alterado. — Olha, eu não estava nem mesmo trabalhando direito em Galley-La nos últimos anos que ele ainda estava vivo. Ele viu que não podia deixar os negócios por conta de um vadio!!!
De repente Iceburg começou a gargalhar e o outro ficou em silêncio com um olhar confuso.
— Está me dizendo pra ser responsável enquanto você continuará a vadiar por aí?! — Perguntou com escárnio. — Franky, deixa de ser irresponsável e tome os cuidados da empresa! Se continuar assim de nada vai ter adiantado deixar de usar uma sunga pra se comportar igual ao um adulto, quando na verdade se comporta que nem aquela criança!
Franky permaneceu em silêncio, pois estava em choque.
— É isso que nosso pai quer! Para de brincar por aí!
Era outro dia. Brook e Robin ainda não sabiam o que havia acontecido no encontro com o diretor e ficavam curiosos para saber, visto que desde então o energético azulado se comportava de um jeito estranho. Porém, ainda no final daquele dia quando estivessem num bar, Franky diria algo.
— Vou tomar os negócios de Galley-La. — Disse e virou uma caneca de cerveja.
Os outros dois se entreolharam. — Por quê? — Disseram em uníssono.
— Parece que o velho quer o melhor pra mim.
Brook e Robin continuavam confusos, mas o magrelo lembrou de algo.
— Parece que nossa viagem acaba por aqui. — Contastou e virou sua caneca.
— Sim, amanhã mesmo vamos zarpar.
Robin observava os dois bebendo e sentiu um aperto no coração. Sentiria muita falta daqueles dois, e ainda sentia algo diferente por Franky. Ela já diria algo, mas os três foram surpreendidos.
— Franky, seu maldito!!!! Você estava aqui esse tempo todo!!!!! — Era Paulie espumando pela boca. Havia acabado de chegar no bar e reconheceu o foragido mesmo sem topete e a camisa havaiana.
Franky se engasgou com a bebida e depois se levantou do assento para correr o mais longe dali até se lembrar que planejava mesmo voltar pra casa. Portanto, voltou para o bar.
— Eu vou voltar pra casa. — Sentou-se na mesma cadeira e Paulie se juntou a eles.
— Mas me deixou um bilhete que não ia voltar nunca mais!
— Sim, mas agora compreendo por que estou nesse mundo.
Paulie não acreditou no que acabara de ouvir. — Você está me dizendo que veio a esse mundo para criar e nada mais?
— Sim, vou abandonar aquela vida alternativa que estava levando e me dedicarei super 100% a nossa empresa.
Paulie começou a chorar. — Franky!!!!!! Não me faça chorar que nem uma garota!!!! — Se agarrou no azulado que estava até mesmo sentido falta de ar.
Enquanto isso, Brook e Robin se entreolhavam confusos.
Era uma nova manhã, todos acordaram com ressaca, mas mesmo assim resolveram encarar as estradas. O kadett dirigia em direção de onde tudo começou, no entanto, pararia onde Brook e Robin embarcaram nesse carro velho depois de pedirem por uma carona. E a cidade de Robin chegou, portanto, era a vez dela de se despedir.
Franky estava no volante e ao seu lado estava seu companheiro Brook, que esteve ao seu lado por todos aqueles dias. Ele sentia algo estranho no seu interior, enquanto observava a morena pelo retrovisor. Robin deu um suspiro pesado, pois iria deixar aquela aventura e tinha certeza que não sentiria algo igual nunca mais. Começou a derramar lágrimas e saiu do Sunny às pressas antes que um dos rapazes percebessem.
Brook saiu do carro para abraçá-la. — Adeus, Robin-san. Foi um prazer ter te conhecido, realmente valeu a pena estar vivo até hoje, pois conheci dois grandes amigos. — Chorava e abraçou a morena novamente, que já não conseguia se segurar e chorava junto do magrelo.
Robin estava com o bocão aberto enquanto Franky lhe observava dentro do carro. Brook se separou dos braços dela e a mesma começou a andar em direção a seu ponto de ônibus. Ela tentava entender por que Franky não se despediu, mas de repente ouviu alguém chamar pelo seu nome. A garota reconheceu aquela voz e sorriu quando olhou de volta para Sunny. Franky se aproximava dela e quando chegou perto o suficiente, a abraçou bem apertado.
— Não queria te deixar nunca mais. — Robin confessou e retornou o abraço apertado.
Os dois permaneceram juntos até Franky resolver agir como um verdadeiro homem. Segundo ele, esse fora o seu primeiro ato depois que resolvera renascer naquela sala com uma imensa gaiola de rato, o hobby estranho do homem tão estranho quanto.
— Eu te amo. — Revelou e depois tocou os lábios da morena nos seus. Ela cheirava a flores e por causa disso Franky se lembrou das primaveras em Loguetown quando era apenas um garoto junto de seu irmão e junto da pessoa que mais amava, o seu pai que não estava mais naquele mundo. Chorou com Robin em seus braços, mas teve que se afastar, iriam trilhar caminhos diferentes. A garota enxugou o rosto com as mãos e saiu correndo quando viu seu ônibus parar. Já Franky retornou para o Sunny e nem viu o aceno que ela deu de dentro do ônibus, somente Brook a respondeu enquanto ainda chorava.
A viagem daqueles três acabaria ali.
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