Já era a décima primeira vez que Franky girava a chave na ignição e nada de Sunny reagir. Durante a corrida, o kadett resolveu morrer deixando o azulado mais ansioso que estava e a socar o volante como se não tratasse aquele carro com muito carinho. Sunny estava recostado na estrada, Brook e Robin saíram uma hora pra empurrar o carro com o azulado, mas não importava o que fizessem, o veículo não voltava. Franky estava num estado deplorável, seu topete estava murcho de tanto que gastara energia no conserto daquele carro que Brook resolveu dizer algo.

— Vamos montar uma fogueira! — Disse num tom alegre.

— Que ideia estúpida é essa, Brook? — Foi ao porta-malas pegar outra ferramenta e o magrelo lhe seguiu.

— Vamos nos distrair enquanto esperamos ajuda! Daqui a pouco o sol vai nascer e esse solo árido é bom pra uma fogueira.

Franky deu um suspiro pesado. — Ok, mas você que vai atrás de gravetos!! — Foi ríspido com o magrelo preguiçoso e fechou o capô do carro. Depois andou pelo solo árido deixando Brook e Robin confusos até parar num ponto e se sentar exatamente ali. — Estou esperando, Brook!

O magrelo se estremeceu com o tom do azulado e entrou floresta adentro atrás de gravetos. Foi nessa hora que Robin percebeu que ficara a sós com Franky. Ela se aproximou dele e se sentou também no chão.

Franky esperava mesmo que a morena se aproximasse, porque ele queria dizer algo. Foi por esse motivo que ele mandou Brook pegar os gravetos sozinho, porque queria mais um tempo a sós com aquela garota bonita.

— Sinto muito por ter gritado contigo. Eu sei que não justifica meu comportamento, mas estava super nervoso.

Robin estava com os olhos agachados como o azulado, ela não sabia o que responder. Ficara mesmo triste com aquela atitude, mas achou compreensível. — Tudo bem, foi compreensível. — Disse ajeitando uma mecha do cabelo para colocá-la atrás da orelha. Sua mochila estava no seu colo e usava uma calça jeans com uma blusa de frio.

Franky a encarou. Ela ainda estava com o olhar agachado e visivelmente magoada. — É isso que dirá pra sua mãe?

A garota levou um susto com essa pergunta e mirou seus olhos para o rapaz. — O que quer dizer?

— Bem... Talvez você esteja em outro nível, um muito acima do meu por conseguir perdoar as pessoas quando foram idiotas com você. Você é uma mulher e nunca deveria me perdoar, porque perdoar homens é o que faz uma mulher não progredir. Mas você tem sua mãe também... Pretende perdoá-la caso ela não for o que está esperando?

Robin estava com os olhos abertos por ouvir aquilo tudo de Franky, ela derramou uma lágrima ao se lembrar que tinha muito medo de sua mãe ser uma pessoa ruim e por esse motivo ter a abandonado. — Eu penso todo momento sobre isso. — Tampou o rosto com suas mãos e chorou, Franky se levantou para abraça-la bem apertado.

— Vai ficar tudo bem, Robin. Sunny estará ao seu lado.

Brook estava mesmo na floresta pegando gravetos, naquela altura o magrelo já não tinha medo de Franky e cantarolava sossegado. Estava até mesmo distraído quando já não lembrava por que estava juntando gravetos. No entanto, uma coruja cantou num galho de uma árvore. Brook levou um susto e ao fitar a ave, viu também que era noite de lua cheia. Ouviu o uivar de um lobo e de um jeito estranho sua tranquilidade passou a dar espaço pra um estado muito oposto.

— Está tudo tão escuro!!!! — O magrelo disse num pânico. — Mesmo tendo olhos não consigo ver nada!!!

De repente ouviu um barulho parecido daquele quando uma pessoa pisa num galho e faz um "clack" — Quem está aí?! — Perguntou apreensivo. Mirava os olhos para todas as direções e foi quando olhou pra trás que viu algo assustador.

— AAAAAAAAAAAAAA...

Franky e Robin escutaram o grito do magrelo e se levantaram assustados de ter acontecido algo com ele.

— Socorro!!!!! — Disse saindo da floresta. — A loira do banheiro!!!! — Falava sem parar até parar em frente de seus companheiros. — Eu vi a loira do banheiro!!!!

— Como assim, Brook?! Não estamos nem mesmo num banheiro.

— Mas eu vi com esses dois olhos a silhueta da loira do banheiro!!!! — Segurava os ombros do amigo ainda exasperado.

O azulado e a morena se entreolharam muito confusos, mas ouviram uma risada e os três miraram seus olhos por onde Brook saíra da floresta.

— Shishishi! Meu nome é Monkey D. Luffy, prazer em conhecê-los.

A fogueira queimava no meio da roda que os quatro viajantes formavam, Brook até mesmo começou a tocar cantigas com o violino que pegara no Sunny, suas músicas cada vez mais animavam o humor do desconhecido. Robin sorriu por se sentir mais quente, a cada cidade que passavam o frio aumentava e pensou que os três poderiam morrer congelados no Sunny caso não tivessem feito aquela fogueira, abraçava os braços com um sorriso. Já Franky estava intrigado com aquele garoto que comia muitos marshmallows a ponto de comê-los ainda crus. Ele tinha um sorriso largo com uma cicatriz debaixo de um de seus olhos, usava uma roupa que o protegia do frio e um chapéu de palha perdido no figurino.

— Shishishi! Está uma delícia!!!! — Exclamou muito agradecido pela refeição, o azulado lembrou de Brook que também era muito agradecido. — Vocês por acaso tem carne?

— Não temos carne. — Franky respondeu, seco. — Me diga, o que faz aqui?

O garoto continuava a comer muito satisfeito seu churrasquinho de marshmallows enquanto ouvia as nostálgicas cantigas de Brook. — Sou um viajante. Viajo na minha moto sem ter um destino.

— Que legal! — Robin achou impressionante.

— Sério? Não está só procurando o caminho de casa?

— Que idiota não sabe o caminho de casa? — O garoto perguntou enquanto puxava um marshmallow do seu graveto.

Com esse rebate, Franky pensou que aquele ali não era um impostor e que na verdade estavam mesmo conhecendo um aventureiro.

— E quanto a vocês? Por que estão aqui?

— Nosso carro quebrou.

— Posso dar uma olhada? — Perguntou num sorriso inocente. — Até pra agradecer a refeição e a companhia que me deram essa noite!!

Robin olhou para o azulado, estava intrigada com o que ele iria responder.

— Bem... Acho que sim.

No outro dia pela manhã, Luffy mostrou sua moto e a mesma também tinha um nome. Se chamava Merry. Robin e Brook acharam um nome muito fofo. Depois Franky, que estava com o topete em pé novamente, levou o pequeno para o Sunny a fim de consertá-lo. Quando chegaram, Luffy analisou minuciosamente cada detalhe do motor até sorrir sabendo qual era o problema.

— Qual é o problema? — Franky perguntou aflito.

— Não sei, mas basta fazer isso, — Deu um murro no motor. — Que o carro volta ao normal.

— Não bata no Sunny desse jeito, seu idiota!!!!!

Porém, Brook ligou mais uma vez a ignição e ela imediatamente funcionou.

— Yohohoho!!! Deu certo!!!

Franky revirou os ollhos, provavelmente o carro só funcionou por ele ter mexido nele quase a noite inteira. O murro só foi um acaso.

— Galera, vou nessa!!! — Exclamou o garoto depois de pôr o capacete.

— Até mais!! — Disseram os outros três.

— Shishishi!! — Ligou o motor da moto e se perdeu das vistas daquele trio.

— Sujeito simpático. — Brook disse e Robin fez um aceno concordando.

— Okay, agora vamos voltar pro carro e seguir para Loguetown. — Franky entrou no carro. — Mas dessa vez vou com calma. — Olhou para o magrelo que tinha acabado de se sentar no banco do carona. — Brook, poderá ir pro banheiro.

— Yohohoho!!! Que bom poder ouvir isso!!!!

Robin já estava no banco do passageiro e sorriu com a felicidade de seu amigo.