Na estrada com Sunny
8 Destino
O tempo estava mais frio e Franky sentia que precisava trocar sua camisa havaiana por uma mais quente. Brook não estava bem, era muito magro e sentia mais frio que uma pessoa normal. Estava no carona vestido com várias roupas e dormia fazia horas. Se já era relaxado, no frio era mais ainda a ponto de hibernar. Robin precisou tirar suas luvas da mochila para usá-las, dos três era a mais precavida.
— Esse frio indica que Loguetown tá bem aí. — Disse Franky no volante para Robin.
Ela o ouviu, mas pensou que aquela era mais uma chance de estar a sós com o azulado e de conhecê-lo melhor. — Por que não quer cuidar da empresa Galley-La?
Franky a ouviu, mas não ficou surpreso com o que disse. Ele sabia o quanto ela era esperta e não iria perder aquela chance pra fazer essa pergunta. — Digamos que escritório e papeladas não é pra mim. Gosto de uma coisa mais braçal como um verdadeiro macho. — Respondeu e a garota riu com a parte do "macho". — Porém, há o motivo que eu te disse... Sinto que se eu liderar Galley-La, ela vai acabar falindo e a pessoa que vou atrás é excelente em negócios.
Dessa vez, a testa de Robin enrugou levemente. — Não acredita no seu potencial?
— Não é sobre isso. Eu só sei muito bem reconhecer meus limites. — Respondeu e olhou para o retrovisor. — Por que acha que sua mãe tem um motivo bom pra ter te largado?
Com essa pergunta, Robin mirou seus olhos para suas mãos cobertas com as luvas bem em seu colo e sorriu serenamente. — Ela não precisa ter um bom motivo, eu apenas quero saber o por quê independente de ser bom ou ruim.
— E seu pai?
— O que tem meu pai?
— Você disse que fugiu de casa, então deve ter um pai.
— Meu pai é legal, inclusive ele deve estar muito preocupado, mas tenho certeza que ele sabe pra onde fui. No mínimo já deve ter ligado pra minha mãe.
Franky notou pelo retrovisor que a morena continuava ainda a fazer aquele semblante triste toda vez que falava de sua mãe e suspirou.
— Quando chegarmos em Loguetown preciso me disfarçar caso saibam que esse é meu destino... Será que pode raspar minha cabeça no primeiro hotel que a gente arrumar?
— Vai tirar seu topete?! — Perguntou surpreendida, porque sabia que o azulado gostava muito de seu penteado.
— Fazer o que, né? Ele é super chamativo...
Robin deu uns risinhos com a resposta e o azulado ficou feliz em vê-la melhor.
Passou 20 minutos e Franky viu a placa de boas-vindas de Loguetown. — Chegamos, Robin! — Avisou olhando o retrovisor, depois balançou Brook para acordá-lo. — Chegamos em Loguetown, Brook!!!
O magrelo acordou confuso, até compreender melhor onde estava. — Sério?! Que maravilha!!! Pensei que esse momento nunca chegaria!!!
— Né?!
Enquanto os rapazes comemoravam pela viagem ter chegado ao fim, Robin voltou a ficar desconfortável. Sentia um frio na barriga e sentia medo, muito medo. O que será que encontrarei nessa cidade? — Era o que ela pensava.
Sunny passava entre as ruas e avenidas da cidade pequena e bucólica. Os prédios eram baixos e flocos de neve começaram a cair do céu. Havia acúmulo de neve em alguns pontos das calçadas, que eram sempre recolhidos ou serviam de matéria prima para bonecos de neve. O azulado encontrou um hotel e estacionou o Sunny. Saiu do carro com os demais, mas usava um sobretudo e uma cartola (que Brook trouxera para a viagem) a fim de não ser reconhecido e quando os três já estavam acomodados em um quarto, Robin raspou sua cabeça.
— Tem certeza que quer ver como ficou? — Perguntou insegura, tinha medo de fazer o azulado chorar.
Franky viu a expressão da garota e ficou mais ainda nervoso. E que tipo de pergunta era aquela?! — Tá tão ruim, assim?
— Não, mas tá diferente. — Respondeu Brook que segurava um espelho.
Franky notou que a expressão de Brook também não era muito contente, suspirou e resolveu terminar logo com aquilo. — Anda, Brook!! Me dê esse espelho!!!
O magrelo olhou para Robin e após ela acenar com a cabeça, ele resolveu dar o espelho para o seu amigo. Assim que viu seu reflexo, Franky imediatamente se assustou e deu um grito.
— Esse definitivamente não sou eu!!! — Contestou o azulado depois de ver seu reflexo numa janela de um carro. Os três caminhavam para o hospital que Brook encontraria o seu fã. Durante o caminho, Franky não parava de falar que não era ele ali, nem ao menos usava a camisa havaiana.
— Sabe, Franky. — Robin se aproximou mais dele. — Acho que você conseguiu ficar mais bonito.
O azulado corou. — O que está dizendo, Robin?!
— Agora está machão!
— Ah!! Por favor, pare!!! — Não parava de coçar a nuca envergonhado.
— Arrume um quarto vocês dois. — Disse Brook, inesperadamente. Os outros dois coraram ao ouvir essas palavras e se separaram num segundo.
— Brook!!!!!!!!!!! — Disseram em uníssono e ainda envergonhados.
No entanto, o hospital de Loguetown foi visto pelos três. Logo mudaram de assunto e caminharam até a entrada daquele prédio que provavelmente cheirava a éter no seu interior. Franky e Robin tomavam o café para os visitantes e estavam sentados nas cadeiras de espera. Aguardavam Brook na recepção e viram um médico jovem com cabelos castanhos se aproximar dele.
— São seus amigos? — O médico que tinha no crachá escrito "Chopper" perguntou apontando com a cabeça.
— Sim, mas o que isso tem a ver?
— Bem, porque vai ser menos doloroso pra ti sair daqui com companhia.
Robin tomava seu café quando notou Brook abraçar o médico e voltar a eles, entristecido.
— O que houve, Brook? — Perguntou Franky que também notara o comportamento estranho do magrelo.
— Pessoal.... Ele morreu....
Depois do hospital, pararam no supermercado e compraram uma garrafa de saquê, logo em seguida andaram em direção ao cemitério de Loguetown. Sentiam muito frio, mas continuavam firmes. Quando chegaram até a lápide do fã de Brook, ficaram alguns minutos em silêncio. O rapaz despejou o saquê na lápide fria e depois pegou de Franky o seu violino que trazia em suas mãos desde que saíram do hotel. Brook tocava uma linda canção, uma melodia nostálgica que lembrava o outono e seu cheiro de terra molhada. Franky chorava desesperadamente, mas dessa vez até Robin derramava lágrimas. Cada um pensou nos seus problemas e nos seus medos. Cada um pensou num momento feliz em que não viveram. E a voz de Brook surgira contra a tempestade de neve. Um timbre sábio, que lhes faziam pensar no caminho certo a seguir feito por um farol apagado. Mas no final voltaram a realidade quando se lembraram que existia a morte e se foram ainda tristes.
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