Na Palma da Mão de Deus
9 Hotel fazenda
Notas iniciais
Capítulo 9: Hotel fazenda
– Bom, mas vamos entrando todo mundo! Não se acanhem! – Nicholas falava adentrando sua propriedade. – Espero que não tenham reservado nenhum quarto de hotel pra vocês na cidade, afinal aqui tem muitos, mas muitos quartos!
– Como assim Nicholas? Vamos todos ficar aqui na sua casa? – Evellin perguntou confusa.
– Isso é um hotel fazenda que a mãe dele construiu... O que mais deve ter aqui são quartos, capisce...? Eu to tão feliz em te ver Evellin! – Tereza explicou, logo em seguida abraçou sua colega que não via há tempos.
– “Capisce” quantos anos não escuto isso?! – Lúcio se aproximou das jovens e também as abraçou, foi um momento de confraternizações gerais, rostos que há tempos não se viam se cumprimentaram efusivamente, Lúcio mais efusivamente que os outros, alguns evitaram se olhar, parecia que alguma amargura existia ali, mas a reação mais notável foi a alegria, uma alegria adolescente retornando em adultos formados.
– Pessoas, ou...!!!??? – Nicholas tentava chamar a atenção, tentava se fazer ser ouvido, era difícil diante da empolgação geral, até que Renan assoviou alto focando a atenção de todos.
– Valeu Renan. – o anfitrião agradeceu. – Escuta povo, é só vocês me seguirem que eu mostro o terreno, os quartos, mostro geral do lugar... Já adianto que os quartos daqui são nível cinco estrelas! – ele sorriu.
– Jaime, hei Jaime... – Daniel tentava chamar a atenção de seu colega que viajava em seus pensamentos.
– Oi, desculpa, rolou um momento Adriano aqui... O que você quer?
– Você se lembra o quão alto o Nicholas sabia assoviar?
– Claro que lembro... Eu tinha a maior vontade de assoviar igual e... – foi como um estalo, num instante ele percebeu o que Daniel quis dizer. – Ele não assovia mais, não é? O Renan assoviou porque o Nicholas não consegue mais, não é?
– Não é só isso, ele apertou ou, pelo menos, fechou a mão quando te cumprimentou?
– Não, ele não fechou... Ele também não consegue mais fechar as mãos direito! O que será que ele tem? – Jaime perguntava preocupado.
– Eu não sei, eu não sei... – Daniel falou desolado, os dois continuariam conversando se não fosse uma voz.
– Pai... – uma voz infantil que veio de dentro da casa chamando a atenção geral. – O senhor esqueceu... – um garoto; média altura, olhos castanhos claros, cabelos lisos da mesma cor, corpo arredondado, pele clara; se aproximou trazendo uma bengala e a entregando a Nicholas.
– Obrigado João, eu ainda não me acostumei com ela... – respondeu sorrindo ao garoto passando a mão nos cabelos dele.
– Depois o senhor cai e se machuca, não pode! – o garoto exclamou.
– Pai?! Eu escutei direito?! Eu escutei pai?! – Adriano falou se aproximando de seu colega Nicholas.
– Pois é, é uma longa história locão...
– Mas deve ser longa mesmo!!! – tinha um tom de indignação nas palavras de Adriano. – Eu te chamei pra ser padrinho dos meus filhos, eu dei o seu nome pro meu filho mais velho e é dessa forma que eu descubro que você é pai, e de um garoto mais velho que os meus?! Qual é o seu problema velho?! O que você achou que eu ia fazer com seu filho? Achou que eu maltratar ele? Que eu não sou bom o suficiente pra conhecer o filho do padrinho dos meus meninos? – Adriano falou muito bravo, ele não conseguia ordenar direito seus pensamentos naquela situação, falava muito expansivamente empurrando Nicholas até que...
– Pára com isso cara! Meu pai ta doente se você não sabe! – João falou empurrando Adriano, o menino também estava bravo.
– Hei, vocês dois... Vamos nos acalmar por favor! – Lúcio se aproximou separando os dois.
– Eu... Desculpa, eu não queria machucar seu pai... Eu só... – Adriano tentava se desculpar.
– Ta tudo bem, é compreensível, meio que eu mereci isso. – Nicholas falou.
– Ele não pode te tratar assim pai, ele não pode! – palavras do garoto.
– Hei, lembra do que eu te pedi? Trata bem meus convidados, o Adriano é como se fosse meu irmão, é como se fosse seu tio, ele tem liberdade pra falar comigo daquele jeito, não seja mal com ele, nem com a família dele, certo?
– Mas pai...
– João Pedro, certo? – o pai reforçava as próprias palavras.
– Ta certo sim pai. – o garoto falou abaixando a cabeça.
– Vamos, temos que mostrar pros convidados os quartos. – sorriu novamente pra seu filho.
– Quantos anos ele tem? – Alicia se aproximou e perguntou.
– Onze, é um garoto meio complicado, mas é gente boa... Só soube dele há sete anos.
– Acho que ele deveria ser mais alto sendo seu filho, desculpa falar, mas ele não parece tanto com você! – Alicia foi direta.
– Rodeios pra falar, nunca fez o seu gênero! – Nicholas falou sorrindo golpeando com um leve soco no braço dela, era um cumprimento de amizade e não uma violência, ela sorriu de volta usando o mesmo cumprimento.
– Nicholas, desculpa cara! É que... Poxa! Custava me falar que você era pai e... – Adriano se retratava.
– É uma longa história locão, a gente vai conversar sobre... – adentravam a casa enquanto conversavam.
– Por que o pai ficou bravo, eu não entendi? – Nicholas, o filho de Adriano perguntou a sua mãe, era a mesma dúvida de Fábio.
– Seu pai se sentiu traído, perdeu a razão por um tempo, mas eu sei que tem uma boa explicação pra tudo, eu sei! – Tereza respondeu ao seu garoto.
Aquela casa que eles viam, que eles entraram, era apenas a recepção do hotel fazenda, uma construção bem bonita por sinal, a primeira vista se pensava que o local era revestido de madeira, mas isso era só impressão mesmo, uma pequena ilusão criada pelos azulejos. Saindo dali havia uma varanda, a real entrada para o hotel fazenda e suas belezas.
Existia ali um caminho feito de pedras brancas, ao lado dele dois jardins com flores de várias cores, entre elas algumas construções de tamanho médio, construções arredondadas, ornamentadas, impressionantes. O som de pássaros cantando era uma constante na cidade, mas naquele local, naquele hotel, esse som parecia mais intenso, mais bonito, mais reconfortante.
– Mas esse lugar é enorme! – Fábio falou olhando ao arredor.
– E é tão bonito! – Antônia disse se aproximando dele, ela observava o grande jardim e as construções.
– É incrível mesmo, é muito espaço! – Nicholas, filho de Adriano, falou se aproximando dos dois.
– E essa é só uma parte, tem muito mais ainda, jardim é o que mais tem aqui, vocês vão ver perto dos quartos! – João Pedro falou com os outros garotos.
– Isso é maior que a minha casa! E olha que lá é bem grande! – Lavi falou se aproximando.
– Os quartos ficam aonde? – Antônia perguntou.
– Depois daquela pequena subida. – João falou apontando.
– Vamos correndo até lá? – Fábio sugeriu animado.
– Não faz isso garoto. – dizeres de Lavi. – Gordo não corre em ladeira, gordo rola! E levando em conta que magro aqui é só ela isso não vai prestar, ainda mais nesse caminho de pedra! – ele falou em tom de brincadeira.
– É, a gente ta meio barrigudo mesmo. – Nicholas falou com sua mão na barriga.
– Não, o moleque aqui ta certo, a gente não ta barrigudo, ta gordo mesmo! Isso ia dar merda com certeza! – palavras de João Pedro.
– Vocês são muito bobos! – Antônia ria muito deles.
– Eu sou a Lavi, sou filho da Maria Joaquina, e vocês? – ele se apresentou.
– Meu nome é João Pedro, acho que todo mundo sabe que sou filho do Nicholas.
– O Nicholas é nosso padrinho. – dizeres de Fábio. – Eu sou Fábio, sou filho do Adriano e da Tereza.
– Meu nome é Nicholas, sou irmão do Fabinho, a gente é do mesmo tamanho, mas eu sou mais velho.
– Eu sou Antônia meninos, sou filha da Evellin, prazer em conhecer vocês! – ela os cumprimentava com sorrisos, um sorriso extremamente hipnotizante pros garotos, eles não conseguiam parar de olhar pra cada sorrir dela mesmo que tentassem.
– É... Vamos, eu vou mostrar pra vocês o lugar... – João falou meio sem graça, meio tentando disfarçar, seguiu andando e os outros o seguiram. Da varanda Jaime observava as crianças, observava Lavi, sua mente estava longe, porém algo lhe trouxe a realidade.
– Jaime... – aquela voz doce e calma chegou aos seus ouvidos, uma voz que ele nunca esqueceria.
– Maria Joaquina... – ele respondeu respirando fundo.
– A gente precisa conversar. – ela se aproximou dele e falou diretamente.
– A gente não tem o que conversar, não depois de treze anos! – ele também foi direto. – Você acha que eu sou idiota? Você me odeia tanto assim a ponto de fazer isso que você fez? – palavras carregadas de muito rancor.
– Jaime, eu... – começou a lacrimejar.
– É como sempre, você faz algo grave e depois chora... Deus, quem é você?! – ele falou saindo de perto de sua colega.
– Não, Jaime... – começou a chorar.
– Calma, você sabe que não vai ser fácil, você tinha total noção disso quando resolveu vir pra cá, você tinha total noção da possibilidade de rever o Jaime. – Alicia, que observava de longe, se aproximou e tentou ajudar Maria.
– Eu sei, eu preciso ser forte, queria ser como você às vezes.
– Não se engane, eu não sou uma super-heroína! – Alicia respondeu sorrindo. – Olha só, quanto tempo você não vê a Marcelina? Vai lá conversar com sua amiga garota!
– Sim, vou tentar me animar, vou tentar ser mais forte! – falou decidida. No lado oposto a varanda Marcelina estava com Valéria e Paulo, Maria se aproximou deles pra conversar, como sugerido por Alicia.
– E aí gente? Há quanto tempo não é? – falou de forma comedida.
– Maria Joaquina! – Marcelina foi muito mais efusiva, abraçou forte sua amiga. – A gente tem tanta coisa pra conversar! Onde você ta morando? E aquele garoto seu, como é grande! Tem os seus olhos, o que você tem feito da vida?
– Calma Marcelina, assim você vai sufocar a “chatonilda” com tanta palavra! – Paulo falou em tom de brincadeira.
– Você ainda se lembra desse apelido?! – Maria falou se aproximando de seu colega.
– Óbvio, eu nunca esqueço um apelido que eu coloquei! Fui eu quem coloquei, não foi? – palavras dele sorrindo e segurando as mãos dela. – Mas você parece abatida, quer conversar? – falou passando a mão no rosto dela, era nítida que Valéria estava desconfortável naquela situação e Maria percebeu.
– Melhor não, eu preciso resolver meus problemas. – ela falou meio constrangida. – Como você ta Valéria?
– Melhor impossível! Acho que nunca estive tão bem! – falou provocando Paulo, se referia ao fato de não estar mais namorando ele.
– Isso ta esquisito! – Maria falou.
– Não liga pra eles amiga! Separados eles ficam desse jeito mesmo, mas me conta... – Marcelina a puxou do bolo pra conversarem mais.
– Parabéns Valéria, assustou ela! – comentário dele.
– Melhor pra ela, evitei que ela caísse na lábia de um galinha! – ela respondeu no mesmo tom.
– Eu, um galinha?! Escuta, eu não to mais com você, se eu quisesse poderia ficar com qualquer garota e não tenho que te dar satisfação alguma!
– Então você admite que queria se aproveitar da Maria Joaquina só porque ela ta triste! Seu cachorro!
– Do que você ta falando? Eu nunca me aproveitaria de uma mulher numa situação assim e você sabe disso! Eu só ofereci meus trabalhos como profissional e amigo! Se você ainda não entendeu psicólogos escutam as pessoas! – obviamente se referia a si mesmo.
– Você sempre usando desse pretexto pra fazer o que bem entende!
– Já deu Valéria! Chega! Você acha que eu sou como você, mas não sou! Te vejo por aí... – falou saindo de perto dela.
– O que você quer dizer com isso? Ta insinuando que eu te traí? Você que é um galinha e um grosso! Não me deixa falando sozinha, Paulo! – ela falou o seguindo.
– Parece que a relação desses dois não ta lá essas coisas né? – Tom comentou com sua esposa.
– Pois é... – Rebeca comentou com sua mente distante, olhava Paulo se afastando, lembrava-se de coisas.
– Rebeca, ta tudo bem? – Tom perguntou.
– Lógico que to bem, eu só... – ela foi interrompida.
– Meu Deus, quando que eu ia imaginar vocês dois juntos? – eram palavras de Jaime.
– Nossa, Jaime... É tanta gente que eu esqueci de te cumprimentar... – ela respondeu.
– Fala comigo Jaime! – Tom se pronunciou efusivamente.
– E aí, e essa menininha linda? Eu posso...?
– Claro que pode! – Rebeca entregou Cleo pra Jaime, ela sorriu pra ele.
– Mais é a menina mais linda do mundo! Eu sempre pensei que teria um filho ou dois nessa idade que eu to... No fim das contas só ganhei uma perna manca nesses anos! – ele fez piada, Rebeca e Tom se entreolharam por conta de suas suspeitas a respeito de uma pessoa recém-conhecida no aeroporto, forçaram uma risada.
– Mas então, como tem passado Jaime? – a ruiva perguntou enquanto andavam, uma conversa pra render. De longe eram observados.
– Olha só locão, olha só a Rebeca e o marido, sorte deles que aqui tem rampas em todo lugar, pelos menos s que vi até agora, senão ela ia precisar dar uma malhada pra andar com ele por aí. – Bernardo se aproximou de Adriano que estava sob uma árvore e fez o comentário, era pra ser engraçado, mas o outro estava tão distante que nem percebeu. – Ta legal, a piada não foi boa, não foi politicamente correta, mas eu vim da Austrália pra te contar, pelo menos finge que foi engraçado!
– Oi?! Desculpa Lúcio... É que eu tava muito longe e...
– Eu não sou o Lúcio, sou o Bernardo, lembra? Bernardo usa óculos. – falou mexendo eu suas armações. – O que ta te preocupando? É a situação do Nicholas? É realmente tensa!
– Sim, mas além disso, por que ele não em contou que tinha um filho? Ele é padrinho dos meus.
– É, eu escutei... Olha, ao menos que algo muito foda tenha acontecido entre vocês dois eu tenho certeza que ele tem uma explicação lógica pra isso, o Nicholas te tratava como se fosse da família dele.
– Eu sei, eu sou um péssimo amigo! Sou mesquinho demais! Eu não devia estar com raiva, mas estou.
– Se acalma locão, é normal, mas depois passa, agora vamos, vamos achar os quartos, se ficarmos pra trás vamos nos perder nesse lugar gigante... – falou empurrando seu colega.
– Ou, e que olhada foi aquela sua e da Alicia? Tem alguma coisa entre vocês ainda?
– É Adriano, você só enxerga o que quer e essa é a verdade! – Bernardo falou em tom de piada.
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Nicholas, o anfitrião, e Renan mostraram os quartos, eram grandes, bem espaçados, uns com mais de uma cama, uns com cama de casal, com frigobar abastecido, TV a cabo, banheiro espaçoso, internet sem fio rápida, Nicholas não estava brincando quando disse que o lugar era cinco estrelas.
– Esse quarto é lindo Nicholas! – Irene falava observando a decoração que dava um ar aconchegante ao lugar.
– Eu nunca teria condições de pagar uma hospedagem assim. – Igor comentou.
– Não se preocupe, vocês são todos convidados! – o anfitrião respondeu sorrindo.
– Como você ta mantendo um lugar desse tamanho? De quê você tem trabalhado? – ela perguntou.
– Eu to vivendo, no momento, do dinheiro que minha mãe deixou, eu cuido das flores, pago alguém pra limpar os quartos, não é tão difícil quanto parece... Depois nós sabemos que eu não tenho porque segurar dinheiro, não é? – palavras meio a sorrisos, Irene não sorriu.
– Não tem graça, ta bem? Essa piada não teve graça! – ela falou lacrimejando e batendo nele, ele a abraçou forte.
– Calma, vamos ser felizes esses dias, nada de choro, nada de lamentar o inevitável. – ele falou e a beijou na testa, de repente seu braço esquerdo se soltou dela, ele sentiu a dormência e não conseguiu mantê-lo na posição que estava.
– Mas o que você tem cara? – Igor perguntou ao ver o movimento involuntário.
– Não se preocupe com isso, não é importante. – Nicholas respondeu.
– É claro que é importante! Você procurou ajuda, você...? É claro que procurou! Você nunca desistiria da vida... – palavras dela, ainda chorava.
– Você me conhece, não é? – Nicholas respondeu.
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– Gostou do quarto? – Renan perguntava a Rafael, ele o mostrava baixinho tatuado.
– É realmente muito bonito...! – respondeu meio vagamente, estava preocupado com outra coisa. – Isso é muito estranho! Não da pra acreditar que seu irmão ta morrendo...
– Ele descobriu sozinho, quero dizer, quando ele descobriu ninguém estava com ele. Fiquei me perguntando se eu era mesmo digno de tudo que ele fez por mim se nem no momento mais difícil da vida dele eu estava perto... – o mais jovem respondeu.
– Não se culpe Renan, as coisas acontecem assim às vezes... O que ele tem?
– Se chama... – se conteve. – Ele não quer que eu fale pra ninguém, ele mesmo demorou um tempo bom pra me contar de quê se tratava a doença... O que mais me impressiona é que aquele desgraçado vive sorrindo! – o mais jovem deixou umas lágrimas escorrerem. – Rafael o abraçou pelos ombros.
– Hei, calma, a gente vai dar um jeito de ajudar ele de alguma forma...
– Não tem como ajudar, só se divirtam, só festejem com ele esses dias... Eu vou ali fora, fica a vontade Rafael! – Renan falou saindo do quarto.
– Ah meu amigo, por que com você? – Rafael se sentou na cama se perguntando.
– Eu ficava me perguntando isso todos os dias, mas falava de mim pra mim... – a voz de Mário adentrou o recinto.
– Oh meu velho, e aí? – o mais baixo cumprimentou.
– Desculpe, não pude deixar de escutar sua conversa, a gente perde os olhos e parece que os outros sentidos funcionam bem até demais, principalmente a audição!
– Seus olhos, você se referiu a eles agora a pouco?
– Sim, eu achei que meu mundo havia acabado quando tudo ficou escuro, mas era um novo começo, infelizmente pro Nicholas não é um recomeço, é mesmo o fim.
– Isso é tão injusto!
– Sim... Você se lembra quando eu, você e a Tereza dançamos naquelas máquinas de fliperama?
– Claro que lembro! Foi divertido aquele dia, você ficou me zuando quando falei que eu cresci jogando aquilo, você era mais um que gostava de me lembrar que eu era baixinho! – os dois riram do comentário.
– Pois é, acho que devemos estar felizes daquele jeito enquanto estivermos aqui, não vamos nos mostrar tristes pro Nicholas por que ele não se mostra triste pra nós.
– Você tem razão Mário, acho que você nunca teve tanta razão meu velho! – o menor respondeu sorrindo.
Realmente a situação não era a mais confortável apesar dos luxos e da beleza do lugar, Nicholas estava morrendo e mesmo assim queria que todos os seus antigos colegas estivessem felizes ali, algo antagônico de se pensar, algo antagônico de se fazer.
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