Na Palma da Mão de Deus

10 Convite ao almoço


Notas iniciais
Capítulo mais tranquilo, mais relax, menor... Acalmar um pouco as tensões... Boa leitura!

Capítulo 10: Convite ao almoço

– De menor, deixa eu perguntar, como a Evellin está? Ela continua bonita como na época da escola? – Mário pergunta ao seu colega.

– Ah cara, aconteceu uns problemas, o ex-marido queimou o rosto dela, aquele desgraçado! Mas ele ta preso agora.

– Entendo, coitada...

– Ela tem uma filha muito parecida com ela, a Antônia, você vai gostar de conhecê-la.

– Teremos tempo pra conversar. Imagino que a reação de vocês ao me ver e ao ver a Evellin deve ter sido mais ou menos igual. – Mário se referia a sua própria cegueira a comparando as cicatrizes de sua colega.

– Bom, a Evellin, eu, o Paulo, a Marcelina e a Valéria moramos no mesmo lugar da época de escola, quando aconteceu o que aconteceu com a Evellin todos ficamos chocados. Não vou mentir, eu também me assustei ao te ver, mas, sei lá, não foi a mesma coisa, tipo, quando a gente veio pra cá já tinha em mente que o Nicholas tava na situação que está, diante disso o resto parece pequeno. – o menor respondeu com sinceridade.

– Faço ideia, bom, vou pro meu quarto, vou arrumar umas coisas e depois vou andar por aí, conversar com o povo.

– Quer ajuda velho?

– Não, o ceguinho aqui da conta! – falou em tom de piada antes de sair. Rafael ficou em seu quarto, pensava em como tudo havia mudado.

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Havia coisas grandiosas ali, dentre elas, o que chamava mais a atenção de Maria Joaquina eram os jardins, eram um espetáculo de flores de todas as cores, de plantas bonitas, até mais bonitas do que as de seu próprio jardim. Tinha uma vontade louca de pegar uma tela, pegar suas tintas e começar a pintar toda aquela beleza.

– É muito bonito não é? – a voz de Marcelina chega aos ouvidos de Maria.

– Nossa, e como! Será que só o Nicholas e o Renan cuidam disso tudo sozinhos?

– Talvez, tipo, você se lembra que o Nicholas dormia nas aulas todas e tirava ótimas notas? Ele é estranho de um jeito legal, acho que aprender a cuidar de flores não seria difícil pra ele. – ela tentava criar um raciocínio comparando duas coisas, Maria não entendeu bem mas concordou.

– Verdade... Sabe, eu gosto de pintar flores, jardins, árvores, acho tão lindas!

– Você pinta?! – Marcelina falou sem pensar, estava surpresa com a declaração. – A gente não se vê há muito tempo mesmo amiga, desde quando você faz pintura?

– Desde depois que o Lavi nasceu, eu passei por situações difíceis, a empresa que eu comando tava me estressando muito e tals... Aí fui radical, a vendi, daí comecei a pintar pra me distrair e funcionou. Antes eu era uma pilha de nervos, pressão alta, glicose alta...

– Você tinha uma empresa? Uou, apesar de já imaginar algo do tipo isso ainda me surpreendeu... Pensei que você seguiria a carreira de seu pai.

– Eu também, até comecei a faculdade de medicina, mas aí vi que não era muito a minha... E você Marcelina? Trabalha de quê?

– Eu?! Eu fiz nutrição na faculdade, não ganho mal, mas também não tenho pra esbanjar, eu ainda moro no mesmo lugar com o Paulo, mas minha mãe e meu pai se mudaram de lá. Eles estão viajando o mundo, curtindo a aposentadoria, acredita?

– Sério?! Fala pra eles irem à Espanha, lá é incrível! Eu to morando lá, em Las Palmas, sei do que to dizendo quando falo que lá é incrível! – ela falou sorrindo.

– Espanha, o Daniel tava trabalhando lá se não me engano, mas era em Madri... Mas enfim, Maria, seu garoto é a sua cara!

– Os olhos são iguais, mas o resto é mais do pai do que meu.

– E eu conheço o pai dele? Deve ser um espanhol cheio da nota, não é?! – Marcelina falou em tom de piada, ela não havia percebido o que outros perceberam sobre Lavi. As palavras abateram o humor de Maria Joaquina. – Desculpa, falei algo errado?!

– Não, você é minha amiga há tanto tempo... Tenho que te contar algo. – a resposta bateu forte nos ouvidos de Marcelina, o que Maria iria contar afinal?

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– Será que isso ainda funciona? – Nicholas falava batendo em um microfone.

– Acho que sim, eu tinha consertado. – Renan respondeu.

– Vamos testar... – o homem de cartola ligou o aparelho. – Atenção, olá?! – percebeu que sua voz viajou por toda a extensão do hotel, ouvia os ecos de vários alto-falantes espalhados. – Seguinte, vou começar a preparar um super almoço aqui, só que como não tenho cozinheiros pra trabalhar pra mim sou eu, o Renan e o João que vamos fazer tudo! Levando em conta que temos muitos convidados isso vai demorar, mas se tivermos voluntários suficientes o almoço pode sair bem rápido... Espero voluntários.

De um quarto do hotel Adriano e Tereza escutaram o recado, os alto-falantes realmente estavam funcionando bem, Adriano sorriu.

– Bem a cara dele, eu vou lá ajudar! – falou se despedindo momentaneamente de sua esposa.

– Boa sorte! – palavras dela.

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A beira de um caminho por sobre um pequeno riacho, Irene, Igor, Daniel, Paulo, Evellin e Antônia conversavam mutuamente, até o momento que o recado chega até eles pelos alto-falantes espalhados por todo o local.

– Não sei quanto a vocês, mas eu vou ajudar nesse almoço, senão aposto que não sai hoje! – Evellin falou com um leve sorriso.

– Eu também vou amiga! – Irene se pronunciou.

– Mas, meu bem, e o bebê? Você não pode se esforçar demais e... – Igor argumentou.

– Eu já te falei, gravidez não é doença! Eu vou sim, afinal, aposto que o Nicholas não entende de culinária oriental como eu. – ela falou fazendo graça.

– Isso é verdade, de pratos de japa a Irene entende. – Daniel comentou despretensiosamente, de repente foi surpreendido com as mãos dela nas suas, ele corou.

– Vem mister nerd, vamos ajudar o Nicholas a cozinhar! – ela o puxou.

– Mas eu não entendo de cozinha e... Espera... – falou cedendo aos puxões dela, Igor olhou com estranheza a cena.

– É colega, imagino que você mais que ninguém conhece o jeito expansivo da Irene, revendo os amigos da adolescência ela vai ficar mais expansiva ainda. – Paulo comentou com ele.

– É, eu sei... – Igor falou com dificuldade.

– E vocês dois? Não vão ajudar a cozinhar? O tio Paulo eu sei que não entende nada do assunto, mas e você? – Antônia pergunta, seu comentário faz Paulo rir.

– Também não sou muito de cozinhar, pequena... – Igor respondeu.

– Então vamos seguir! O João falou tem uma quadra de basquete logo ali na frente. – ela falou puxando os dois.

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A beira de um jardim Tom e Rebeca passeavam com sua filha.

– Olha só, a Maria Joaquina e a Marcelina, parecem concentradas. – Tom comenta ao avistar suas colegas.

– Do que será que estão falando? – Rebeca pergunta, de repente o recado de Nicholas chega aos alto-falantes perto deles. – Olha só amor, bem a cara do Nicholas esse pedido, mas tem um problema, eu não sei onde fica a cozinha...

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– Isso também tem que funcionar, tomara que seu conserto tenha dado certo! – Nicholas falava com seu irmão, em sua mão duas tomadas, ele as conecta e um barulho quase inaudível de corrente elétrica passando pelos condutores se fez presente. Repentinamente setas luminosas se acenderam em várias localidades do hotel fazenda, abaixo delas estava escrito: Cozinha.

– Funcionou pai, eu to vendo daqui as setas piscando! – João falou sorrindo.

– Quantos deles vão vir nos ajudar? – Renan pergunta.

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– Olha amor, eu também não sei onde fica a cozinha, mas acho que essas setas, quase discretas, indicam o caminho. – Tom falou brincando mostrando a seta que acabara de se acender perto de Rebeca, Cleo levantava suas mãos querendo tocar o objeto luminoso enquanto sua mãe ria.

– O Nicholas planejou tudo, aquele menino bobo! – a ruiva exclamou.

– Como vão Tom, Rebeca e bebezinha linda?! – Marcelina cumprimenta seus colegas se aproximando deles, sua voz mostrava seu espírito um pouco abatido, talvez surpreso, Rebeca pensou que pudesse ser por conta da conversa dela com Maria Joaquina, essa por sua vez estava mais abatida ainda. A ruiva pensou em algo para animá-la.

– Tom, segura a Cleo por favor... – ela falou entregando a menininha ao pai. – Vem Maria, vamos ajudar o Nicholas a cozinhar! – falou sorrindo segurando a mão de sua colega.

– Eu?! Mas eu não cozinho bem, lá na mansão temos cozinheiros e...

– Ah, por favor, vamos lá, vai ser divertido! – era difícil negar um pedido de Rebeca, talvez fosse algo em seus olhos, talvez a nostalgia junto desse algo nos olhos, mas mesmo assim Maria resistiu.

– Mas o que poderia ter de divertido em cozinhar? – palavras de Maria.

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– Solta o som DJ! – Nicholas falou em tom de piada apontando pra seu filho, o garoto apertou o botão em um rádio e uma música animada começou a tocar. Tal som se propagou pelos alto-falantes sendo audível por todo hotel.

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– Você se esqueceu que é o Nicholas? É lógico que vai ser divertido! – Rebeca falou com um leve sorriso, a música chegara até eles. Maria começou a gargalhar, sorrisos apareceram em todos ali, inclusive na bebê.

– Então vamos, eu e cozinha, isso não vai prestar! – a mulher rica falou seguindo sua amiga.

– Se tiver macarrão eu agradeço muito!!! – Tom falou quase gritando, fazia uma piada. – Me acompanha num passeio? Pelos velhos tempos, Marcelina?

– Ah sim, por que não? – ela respondeu sorrindo, Tom percebeu que ainda havia algo a incomodando.

– Tem algo te preocupando? É sobre a situação do Nicholas? – ele pergunta num timbre de voz apreensivo.

– É estranho isso, né? Essa animação toda, essa beleza do lugar, a gente esquece dos problemas do Nicholas por alguns segundos... Mas não é isso que me incomoda, foi uma coisa que a Maria me falou. – a resposta dela só confirma as desconfianças do jovem. Não tinha certeza, mas juntando os pontos imaginava sobre o que se tratava tal conversa. Ele ficou apreensivo por Maria Joaquina, desejoso de que tudo terminasse bem pra ela.

Notas finais
Cozinhar ai ritmo da música, isso tem condições de dar certo? quem sabe... Até a próxima!