Notas iniciais
Capítulo grande com muitos diálogos, momento de rever mais três personagens e conhecer mais dois. Boa leitura!

Capítulo 7: Chegada

As horas de viagem de ônibus eram exaustivas, mas finalmente terminaram, Jaime desceu do veículo e pegou suas malas, nada demais, nada de tão pesado, não era aconselhável, pra ele, carregar muito peso.

– Onde será que pego um taxi? – se perguntava.

– Jaime?! HEI JAIME!!! – aquela voz feminina chega aos ouvidos dele.

– Deus, Irene?! – Jaime falou ostentando um sorriso, viu alguns rostos conhecidos perto dela e se aproximou.

– E aí Jaime? Cara, há quanto tempo! – palavras de Daniel, um dos rostos conhecidos que acompanhavam Irene.

– Muito, muito mesmo! E olha só, Adriano, Tereza...

– Como vai Jaime? – palavras de Tereza, ela se aproximou e o abraçou.

– Você continua linda!

– Olha como fala com a minha mulher Jaime! – Adriano falou em tom de piada.

– Como é? – o mecânico perguntou surpreso, Adriano e Tereza mostraram suas alianças. – Se deu muito bem velho! – palavras antes de abraçar seu velho amigo de forma eufórica.

– Sou o homem mais sortudo do mundo, fazer o quê!? – o loirinho falou ainda em tom de brincadeira. – Olha só, esses são nossos filhos! – Jaime se aproximou dos garotos e se abaixou pra falar com eles, todos notaram a dificuldade dele em se abaixar.

– E aí garotos, sabiam que eu e o seu pai estudamos juntos?

– O senhor é grande! – Fábio falou surpreso.

– É mais alto que nossa mãe! – dizeres de Nicholas.

– O mais clarinho é o Fábio, o mais moreninho é o Nicholas. – palavras de Tereza.

– Nicholas... Imagino por que do nome! – o mecânico sorriu enquanto se levantava. – E já tem nome esse aí que ta querendo sair Irene? – perguntou a sua outra colega.

– Ainda não, mas já sei que vai ser uma menina, seremos duas pra exibir nossos lindos e originais cabelos lisos! – Irene fez piada balançando seus cabelos.

– E o pai dela é o... – ele falou olhando pra Daniel.

– Não, espera, a filha é minha! – Igor se pronunciou.

– De você eu não lembro.

– Ele é meu namorado Igor.

– Ah, beleza, prazer cara, eu sou o Jaime. – falou estendendo sua mão, Igor o cumprimentou de volta. – Desculpa o mau jeito, é que eu vi o Adriano e a Tereza juntos, daí vi o Daniel e a Irene e... Bom, fui indiscreto e falei sem pensar como na época da escola, essa droga de cabeça minha! – ele falou de forma engraçada, seus colegas riram, menos Igor e as crianças que não entenderam. Na verdade a conclusão de Jaime veio de certos olhares que ele percebeu de Daniel para Irene, olhares dele sem a reciprocidade dela.

– Isso deve ser piada interna, esses encontros de colegas de escola têm me deixado bem deslocado. – o namorado de Irene falou gesticulando, era só uma brincadeira dele com a situação.

– Caras, mas a gente tem muita coisa pra conversar! Acho que deveríamos ficar no mesmo hotel. – sugestão de Daniel.

– Concordo, mas antes acho melhor a gente ir no endereço de onde o Nicholas mandou a carta, eu quero muito ver ele! – palavras de Adriano, o clima descontraído pesou repentinamente.

– É tão estranho, o Nicholas era a pessoa mais, mais... É quase impossível acreditar que ele ta... – Jaime não conseguia terminar suas frases. – Eu lembro quando fiquei hospitalizado ele foi me visitar, daí agora ele ta nessa situação e só descobri porque ele mandou aquela carta.

– Você ficou hospitalizado? O que aconteceu Jaime? – Daniel perguntou surpreso.

– Atropelamento, não é assunto pra agora, nada que aconteceu comigo é tão foda quanto o que ta acontecendo com o Nicholas.

– Isso é verdade, sabe, depois que eu li a carta eu pensei em todos os meus possíveis problemas, são tão pequenos! – palavras de Irene.

– Eu não queria que o padrinho tivesse passando por isso! – dizeres de Fábio.

– Padrinho... To vendo que o Nicholas foi muito presente na vida de vocês não é? – Jaime falou pra Adriano e Tereza.

– E é isso o que mais me doi, faz uns quatro anos que ele se afastou, não foi de repente, foi gradativo, mas eu deixei que acontecesse... – palavras de Adriano.

– Eu sei que é triste, sei que é difícil, mas a gente precisa ir, não é bom pra Irene ficar muito tempo de pé, ainda mais com essa tensão toda, e parece que pro Jaime ficar muito tempo de pé com peso não é legal. – Igor falou preocupado.

– Pois é, da pra perceber né? Sequelas do acidente... – o mecânico falou sem graça.

– Eu não gosto quando você fala assim Igor! Eu já falei que gravidez não é doença! – palavras de Irene.

Va bene, eu vou procurar um taxi, venham comigo meninos! – Tereza falou se afastando.

– O estilo independente da Tereza também não mudou. – Daniel constatou. – Por outro lado o Jaime, como assim “sequelas”? O Jaime que eu conheci não fala “sequelas”, é uma palavra difícil pra ele!

– É sabichão?! – o mecânico respondeu travando o Daniel numa chave de pescoço. – O Jaime que você conheceu era um gordo tapado, o Jaime de hoje continua gordo, mas tem duas graduações de nível superior, uma em música e uma em engenharia mecânica, além de ter um curso técnico de mecânica de autos! O Daniel da minha época que não fazia piadinhas assim!

– Quem faz piada toma chave, a regra do Jaime continua. – Irene comentou.

– Duas graduações de nível superior, surpreendente! – dizeres de Igor.

– Essa eu realmente não esperava, parabéns Jaime! – Adriano elogiou.

– Eu me rendo amigão! Você venceu! – Daniel falou em tom de piada, Jaime o soltou.

– Aprendam a respeitar o manco! – o mecânico também fez piada.

– Hei, consegui três taxis pra nós... Vamos! – Tereza falou quase gritando, seus colegas a seguiram.

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De avião as viagens costumam ser mais tranquilas, exceto quando acontecem às turbulências, felizmente essas não aconteceram nesse dia em questão. Nesse momento duas pessoas em especial tentavam pegar suas bagagens depois de um tranquilo voo.

– Que bom que tudo correu bem! Eu tenho um medo assustador de aviões! – uma mulher baixa, ruiva, falava empurrando um homem numa cadeira de rodas, o homem segurava um bebê dormindo, uma menininha ruiva e sardenta.

– Agora é conseguir alguém pra levar nossas malas pra um taxi, e antes disso é saber onde a gente pega nossas malas, é tudo tão confuso aqui! – o homem falou.

– Pois é Tom, não tem nenhuma placa informando nada, não deveria ser assim! – a moça mostrava sua inconformidade.

– Lembra quando a gente viajou na nossa lua de mel Rebeca? Aquele aeroporto tinha tudo, além de um monte de pessoas pra gente perguntar as coisas e tals...

– Nem me lembre daquela viagem querido! Teve turbulência, e a gente voou por sobre o oceano... Só de lembrar já fico com medo! – ela respondeu. – Se inventassem um teletransporte a vida seria perfeita!

– Perfeita é a vida da nossa filha, ta aqui dormindo como se nada tivesse acontecendo... – Tom falou sorrindo.

– Essas vozes... Eu não esqueço uma voz, mesmo depois de tanto tempo e tantas mudanças de timbre eu nunca esqueço! – uma voz masculina chegou aos ouvidos do casal. – E aí Tom, e aí Rebeca? – o casal se virou quase que instantaneamente, também reconheceram aquela pessoa pela voz, a surpresa era inevitável.

– Mário! – os dois falaram ao mesmo tempo.

– Em carne e osso! – ele respondeu com um sorriso, mais alto que se lembravam, cabelo mais curto também, em sua mão direita uma corrente presa num cachorro amarelo de raça, na outra uma bengala, óculos escuros em sua face, apenas de olhar Tom e Rebeca entenderam.

– Como vai, como vai, como vai, como vai! – o abraço da jovem era reconfortante, como uma dose de nostalgia pros dois, ela estava muito feliz em vê-lo, ele contente em reencontrá-la e a Tom.

– Cara, há quanto tempo?! – Tom falou igualmente feliz.

– Como você nos achou nesse aeroporto tão grande? – Rebeca perguntou o soltando.

– Na verdade foi acidente, tipo que o Rabito aqui são meus olhos faz uns anos, mas mesmo convivendo com cachorros desde a minha infância ainda não aprendi a língua deles, eu até tento perguntar as coisas, mas as respostas não são bem as que eu queria ouvir... – Mário falou sorrindo, foi interrompido.

– Se você tivesse aprendido poderia me ensinar, sempre quis aprender a falar com os cachorros! – Tom fez piada.

– Pois é irmãozinho, como eu ia dizendo, eu tava procurando um banheiro, as minhas malas, alguém pra me ajudar com elas e a pegar um taxi... Foi puro acidente encontrar vocês.

– A gente ta com o mesmo problema também, não sabemos onde pegamos as malas, onde tem alguém que possa nos ajudar, pior que não tem informação nenhuma em lugar nenhum, o jeito vai ser sair perguntando geral até conseguir algo... – palavras de Rebeca.

– Então a saga continua, o cego, o cachorro, a baixinha ruiva, o bebê... – Mário falava, mas foi interrompido por Tom.

– E o quase corredor, não se esqueça de mim...

–... e o quase corredor, todos a procura das malas! – Mário fazia piada da situação, seus colegas riam.

– Olha só quem ta ali... – Rebeca falou. – É a... ALICIA!!! – gritou ao ver sua colega, gritava e gesticulava tentando chamar atenção, foi percebida facilmente.

– Não acredito! Olha só Maria, é a Rebeca, o Tom e o Mário! – a skatista falou alertando sua amiga que estava ao seu lado.

– Quem? Não?! – Maria Joaquina falou sorrindo, as duas foram até seus colegas.

– Ai, Alicia há quanto tempo! – dizeres da ruiva abraçando sua colega. – Maria Joaquina, eu nem te reconheci de longe! – falou abraçando sua outra colega.

– É bom ver vocês! – Maria exclamou. – Ai meu Deus, Tom! – falou se aproximando do cadeirante, se abaixou e o abraçou.

– Há quanto tempo hein Maria Joaquina?

– E essa menina linda é sua filha? – Alicia se abaixou e perguntou.

– Meu orgulho! Minha filha e da minha esposa Rebeca. – palavras dele que confirmaram as suspeitas delas: Rebeca e Tom estavam juntos.

– É uma gracinha! – Maria elogiou.

– Como ela se chama? – pergunta de Alicia.

– Cleo.

– Nome bonito! – palavras de Mário.

– E você hein? Algumas coisas nunca mudam, você sempre com um cachorro! – Alicia comentou sorrindo, falava com Mário, palavras depois de um leve soco dela no braço dele.

– Meu novo Rabito, fazer o quê? Não vivo sem um cachorro. – ele fez piada de volta. – Aqui, mas eu não ganho abraço? Não to merecendo? – o comentário fez Maria e Alicia sorrirem, elas se aproximaram e abraçaram seu colega.

– Satisfeito agora? – Maria perguntou com ironia.

– Agora ta justo. – Mário respondeu.

– Que bom né? – palavras de Alicia.

– Voltei, foi bem difícil achar o banheiro, não tem placa nenhuma informando nada mãe. – Lavi falou se aproximando de Maria, sua voz surpreendeu os presentes.

– Nossa, Maria Joaquina como seu filho é grande! – Rebeca falou assustada.

– E aí gente, meu nome é Lavi, vocês são conhecidos da minha mãe?

– Estudamos com ela, faz muito tempo. – Tom respondeu.

– Igual à Alicia? Ou, a Alicia é bem legal, ela falou que vai me ensinar umas paradas de skate, vocês também andam de skate? – o garoto perguntou na empolgação, não pensou antes de falar, somente depois refletiu no que disse, percebeu que uma das pessoas ali era cadeirante e outra deficiente visual. – Desculpa, eu falo muita bobagem mesmo, é essa droga de cabeça! – falou batendo a mão em sua cabeça, as últimas palavras dele causaram espanto em Mário, Rebeca e Tom, “essa droga de cabeça”.

– Bom é... Lavi é... Você falou que você achou um banheiro, pode me levar até lá? – Mário perguntou.

– Claro que posso, vem comigo! – o garoto falou segurando o braço do homem. – Eu não sabia que eles deixavam entrar cachorro no aeroporto.

– O Rabito não é só meu cachorro, ele são meus olhos, um cão guia pode entrar em qualquer lugar que eu vá. – Mário respondeu. – É estranho porque eles me trouxeram o Rabito, mas não trouxeram minhas malas... Complicado... Bom, mas vamos né?

– Sim, vou te mostrar onde é o banheiro. – o garoto falou o guiando.

– É impressão minha ou esse garoto falou igual ao... – Rebeca se pronunciou, mas foi interrompida.

– Sim falou, é uma longa história. – Maria tentou explicar.

– Mas não é o momento, quê isso gente, vamos falar de coisas boas! – Alicia tentou mudar o assunto.

– Então ta, vamos falar do campeonato de skate na Espanha que você vai participar, eu vi seu nome no jornal. – palavras de Tom.

– Eu não sabia que meu nome tinha saído no jornal... Fazer o quê? Minha vida é o skate! – ela exclamou.

– “Minha vida é o skate!”, essa frase foi feita pra você! – aquela voz conhecida chega aos ouvidos de todos.

– Bernardo, Lúcio! – Rebeca falou animada, foi Lúcio quem disse a frase anterior, falou com um largo sorriso, carregava várias malas consigo.

– Oi... – Alicia falou com um pouco de dificuldade.

– Olá... – igual dificuldade de Bernardo. Aquela troca de olhares entre os dois revelava que ainda havia algo não resolvido entre eles, um silêncio tomou conta por alguns poucos segundos.

– Olha só quem ta aqui! – Lúcio falou com muita animação soltando suas malas e se aproximando de Rebeca, a abraçou e a levantou. – Se não é a baixinha ruiva da nossa sala? Menor que você só o Rafael “de menor” e a Marcelina!

– É bom te ver também! – a ruiva falou quando ele a soltou.

– E olha só, Maria Joaquina, você ta uma lady! – falou a abraçando também.

– Quanto tempo hein garoto? – Maria falou.

– Alicia, Alicia, Alicia!!! – falou se aproximando e abraçando a skatista.

– Sua animação não mudou em nada! – observação de Alicia.

– Pois é, não consigo mudar... Você eu não conheço? – perguntou diretamente pro cadeirante.

– Meu nome é Tom, sou esposo da Rebeca e velho conhecido da Maria Joaquina e da Alicia.

– Vish, ou, você não ficou com ciúme porque eu abracei sua mulher, não é? Eu só tava feliz de revê-la depois de mais de quinze anos!

– Não tem problema, eu te entendo.

– E essa menininha é filha de vocês? – Lúcio perguntou.

– É sim, se chama Cleo. – Tom respondeu sorrindo.

– Mas é uma princesinha! Posso pegar? – Tom não viu problema no pedido de Lúcio e deixou que ele pegasse a garotinha. – Lembro quando minhas meninas tinham essa idade, tenho duas gêmeas acreditam?

– A vá, brincadeiras do destino! – palavras de Rebeca.

– Pena que elas não puderam vir, nem elas nem minha esposa, mas eu trouxe muitas fotos pra mostrar... – ele seguia conversando com seus colegas, conversa fácil de fluir, entretanto Bernardo e Alicia não participavam, eles estavam em outra conversa particular.

– Pelo visto a animação do seu irmão só aumentou nesses anos. – Alicia falou para Bernardo.

– Pois é, to pra conhecer alguém mais disposição que ele, e você como é que tá?

– Vivendo né? Seguindo a vida...

– Namorando? Casada? Com filhos?

– Não, Deus me livre de compromissos! Não sou como o Lúcio e você!

– Fale por ele, eu também to seguindo a ideia do “Deus me livre de compromissos”. – o comentário dele a fez rir.

– Sabe Bernardo, tem uma coisa que queria falar. – palavras dela olhando fixamente pra ele.

– Po-pode dizer... – ele gaguejou.

– Onde vocês conseguiram pegar suas malas? Esse aeroporto é um caos! – ela falou rindo, ele riu junto.

– Estilo Alicia, nunca muda... Foi uma luta achar essa bagagem, eu levo vocês lá...

– A gente tem que esperar o Mário e o filho da Maria Joaquina, eles foram ao banheiro.

– Legal, o Mário e a Maria estão juntos e tem um filho!

– Não é nada disso, Mário está aqui, ponto, Maria Joaquina tem um filho, outro ponto, são duas frases diferentes.

– Entendi, leve confusão... Mas o Lúcio, o papo dele rende, olha só! – palavras de Bernardo chamando a atenção pra seu irmão.

– ... e tem sido assim lá na Austrália, mas eu quero saber tudo de vocês. – Lúcio terminava seu discurso.

– Essa voz é difícil de definir, seria o Lúcio ou o Bernardo? – a voz de Mário chega até os presentes.

– Não acredito, Mário! – Lúcio entregou a bebê para Tom e foi até seu colega, o abraçou forte.

– Nós dois estamos aqui. – Bernardo falou se aproximando também.

– Parece que muita coisa te aconteceu, não é? – Lúcio falou com um pouco de pesar, havia percebido que Mário não enxergava. – E esse garoto? É seu filho? – se referia a Lavi.

– Não, eu sou filho da Maria Joaquina, meu nome é Lavi. – o garoto se apresentou.

– Ele tem seus olhos Maria. – Bernardo comentou com sua colega.

– Bom, a conversa ta boa, mas imagino que estamos todos aqui pelo mesmo motivo, o Nicholas... – palavras de Alicia.

– Verdade, como isso foi acontecer com ele? – o clima de repente se tornou pesado, esse comentário de Rebeca só refletiu isso.

– Pois é, eu também não digeri essa história direito. – dizeres de Mário.

– Então, os gêmeos sabem onde estão as malas, vamos pegar nossa bagagem, vamos visitar o Nicholas e depois vamos procurar um hotel pra ficar. – Alicia completou seu raciocínio.

– É justo, será que os outros também vão vir? – Maria Joaquina perguntou, obviamente que se referia a uma pessoa em especial.

– Eu gostaria de rever todo mundo que conheci na Escola Mundial, tomara que todos venham... Mas então, e as malas? – dizeres de Tom.

– É só me seguir... – Bernardo falou e seus colegas o obedeceram.

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No mesmo aeroporto, num extremo oposto, outras pessoas desembarcam, olham ao arredor confusas, pra quem nunca esteve ali é impossível ter facilidade em localizar algo já que placa alguma existe no tal local.

–...sabe o que é pior? É que não tem ninguém pra perguntar, nenhum funcionário pra isso! – uma voz feminina se pronuncia, se tratava de Evellin.

– Vamos ter que procurar, não é mãe? Vai ser trabalhoso!

– Sim Antônia... Eu to tão cansada... Mas enfim... – A mãe respondeu. Antônia tem 11 anos, é uma menina magra, muito parecida com sua mãe na infância, olhos negros, cabelos lisos castanhos claros a altura do pescoço, não é muito alta, mas também não é muito baixa.

– Será que eles não vão querer procurar também? – a filha pergunta olhando pra quatro pessoas em especial.

– É lógico que vão! A gente não vai ficar procurando informação, bagagem, taxi sozinhas num aeroporto desse tamanho! – a mãe falou num tom de inconformidade, a filha riu.

– Acho eles engraçados! – palavras de Antônia. Elas falavam dos colegas de infância de Evellin, Paulo e Marcelina que estavam num oposto se entreolhando e olhando pra esquerda, Rafael e Valéria que estavam opostos aos anteriores se entreolhando e olhando para a direita, os extremos não trocavam olhares a não ser que fosse realmente necessário.

– Han... Valéria, você pode me passar às balas de menta? – Paulo falou de forma seca.

– Claro. – ela respondeu de igual modo.

– Obrigado. – ele agradeceu.

– Rafael... – Marcelina falou. – Você ta com as etiquetas das nossas bagagens? Sem elas a gente não vai conseguir tirá-las do aeroporto.

– Sim, estão comigo, imagina se eu perco, não é? – ele respondeu, outra conversa seca, enquanto eles trocavam palavras Antônia ria.

– Seus amigos são muito engraçados mãe!

– Eles são de fases, na fase juntos são risadas, brigas e beijos, na fase separados são essas palavras secas e um fingindo que não gosta do outro... Chato! – Evellin respondeu em tom de brincadeira.

– O que a gente vai fazer então? – a menina perguntou.

– Hei, vocês quatro, a gente precisa encontrar nossas malas, pedir um taxi e seguir até o endereço do Nicholas... Não tem placa nenhuma por aqui então o jeito é sair perguntando pra Deus e o mundo... – Evellin falou quase gritando pros quatro. – Vamos gente! O aeroporto é grande!

Assim como ela falou seus colegas obedeceram, se dividiram pra procurar informações, Paulo, Valéria, Marcelina e Rafael mantiveram sua postura de falar apenas o necessário, Antônia e Evellin acharam as malas e elas também acharam o taxi, parece que separados Paulo e Valéria, Rafael e Marcelina não conseguem se concentrar e não ajudam como deveriam, mas enfim, o foco agora é encontrar Nicholas, o resto que se resolva depois.

Notas finais
"Há quanto tempo?" acho que é essa a frase que resume o capítulo... E então? Como foi rever uma Rebeca casada e com o Tom? E rever um Mário agora cego? Meus níveis de maldade sempre batendo recordes! Espero que tenham gostado, até o próximo!