Na Mira do Vampiro
14 De volta ao edifício
Cinco minutos depois, paravam defronte àquele mesmo edifício, velho conhecido de Duda.
— É aquele porteiro mesmo — falou Duda, encolhendo-se no banco traseiro do carro-patrulha. — Vou ficar aqui, o resto é com vocês.
— Eu vou lá — disse Ferretti, decidido, saindo do carro.
Ele caminhou até onde estava Tião, que, para variar, folheava seu jornal.
— Boa tarde — principiou Ferretti.
— Boa tarde — respondeu Tião prontamente.
— Eu gostaria de saber se o dono do 201 está em casa — volveu Ferretti sem rodeios.
— Não, o apartamento está vazio.
— O senhor desculpe a intromissão, mas é que nós recebemos uma denúncias de que havia uma senhora e uma moça mortas lá em cima...
— Mas que absurdo! — retrucou Tião, sorrindo. — Quem é que poderia inventar uma história dessa?
— O senhor sabe como é, trote ou não, nós temos a obrigação de averiguar...
— Claro, claro. Eu vou pegar a chave do apartamento...
Tião foi até a mesa, na portaria, abriu uma gaveta e pegou a chave, conforme dissera.
— Por aqui — disse ele, convocando Ferretti.
Os dois pegaram o elevador e subiram...
De dentro do carro de polícia, Elias observava toda a movimentação.
— Para quem está envolvido em assassinato, o cúmplice não parecia nem um pouquinho preocupado — declarou Elias sem tirar os olhos da portaria.
— É, mas pode ter certeza de que ele tem culpa no cartório — enfatizou Duda, ainda recolhido no banco de trás do carro.
Dali a pouco, os dois desceram de novo.
— O senhor me desculpe, mas é nosso dever verificar toda e qualquer denúncia.
— Não foi problema algum, policial — disse Tião na mais absoluta tranquilidade, pegando novamente seu jornal, sacudindo-o e voltando à leitura.
Ferretti entrou no carro e os três foram embora.
Durante a viagem, Duda, ansioso, queria saber dos detalhes:
— E aí, Ferretti?
— Nada. O apartamento estava completamente vazio — respondeu o policial com a atenção voltada para a direção, pois era ele quem dirigia o carro.
— Eles limparam tudo — disse Duda, desanimado. — Claro, eles não iam deixar que provasse a presença de alguém. Ainda mais depois que eu e Toninho, dois garotos desconhecidos do bairro, andamos rondando o prédio.
— Não havia nenhum vestígio? Nenhuma roupa, nenhum móvel, nada? — perguntou Elias, aflito.
— Havia: as paredes, por exemplo, não recebem uma boa pintura há algum tempo, e há marcas demonstrando que os móveis foram arrastados pelo chão recentemente. Na verdade, Elias, estou certo de que essa mudança foi feita hoje, porque, senão, a poeira já teria coberto boa parte das marcas no chão. Eu acho que acabamos por surpreender os caras, chegando antes que eles pudessem limpar o apartamento. Agora, se o porteiro é culpado ou não, como o Duda diz, não sei, porque o homem mostrou naturalidade o tempo todo que estava comigo, como se não soubesse de nada — explicou Ferretti sem desviar a atenção do trânsito.
Eles chegavam à delegacia, enquanto Duda tentava justificar-se:
— Ferretti, Elias, eu tenho certeza de que aquele porteiro tem alguma coisa a ver com a história, porque o Toninho ouviu o criado do vampiro comentar sobre o tal Tião.
Os três voltaram à sala de Ferretti, que tratou de servir-se de mais um cafezinho, passando um também para seu colega Elias. Duda, como sempre, não bebia café.
Todos reinstalados, Ferretti continuou:
— Duda, como estava o estado dessa moça morta?
— Eu não entrei lá, como disse, mas o Toninho falou que ela estava vestida de branco e "pálida como uma vela". Ele contou que parecia que alguém tinha tirado todo o sangue dela, mas não reparou se tinha os furos no pescoço...
— É, meu chapa, temos um novo caso — constatou Elias, coçando o queixo.
Duda, animado, disse:
— E por onde começamos?
— Você vai começar indo pra casa agora, depois trate de ir estudar e não atrapalhe a gente — disse Ferretti, autoritário, pegando no telefone e discando.
— Fica frio. Minha mãe pensa que eu estou estudando nesse momento com o Toninho. Você vai localizar o endereço deles? — perguntou Duda na expectativa.
— Daqui a pouco — respondeu Ferretti, aguardando a ligação feita. — Alô, Teresa? É o Ferretti...
Dito isso, Elias saiu da sala levando Duda com ele, que, ansioso, protestou:
— Peraí, mas nós não vamos esperar a resposta?
— Ela ainda vai demorar um pouquinho a sair — respondeu Elias em tom de piada, sorrindo para Duda.
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