Na Mira do Vampiro

15 Funerária Além da Vida


No dia seguinte, por volta das seis da tarde, Duda chegava em casa, como sempre, sujo e amarrotado. O uniforme da escola estava irreconhecível.

Da. Amanda lia o jornal na sala, quando o filho entrou.

— Oi, mãe — cumprimentou-a, indo direto para o quarto.

Da. Amanda continuou a ler o jornal tranquilamente.

Minutos depois, vinha Duda de roupa trocada.

— O Ferretti não veio entregar nada pra mim, mãe?

— Não, ele não entregou nada, mas andou fazendo umas perguntas sobre você...

— Que perguntas? — indagou Duda, preocupado.

— Se você tinha se metido em alguma confusão nesses últimos dias ou se, por acaso, estaria investigando outra de suas aventuras. Coisas desse tipo.

— E ele disse mais alguma coisa?

— Disse sim. Para que eu tomasse cuidado com você, depois foi embora dizendo que ia a uma tal de funerária Além da Vida resolver um probleminha que você tinha arranjado...

— Funerária Além da Vida — repetiu Duda, pensativo, dirigindo-se à estante e anotando o nome num pedaço de papel.

— Que história é essa, Duda? — perguntou Da. Amanda, desconfiada.

— Hã? — volveu Duda distraído, com o pensamento longe.

— Duda! Acorda! Que história de funerária é essa?

— Ah! Nada não, mãe. Não se preocupe.

— Não me preocupar, não é? Se eu bem te conheço, você está aprontando alguma. Veja lá se não vai fazer bobagem! Lembre-se que seu pai não vai estar em casa esses dias...

Duda voltou para o quarto, deixando sua mãe falando sozinha. Segundos depois, voltou com uma bola de futebol debaixo do braço; quando ia passando pela sala, em direção à porta da rua, sua mãe o deteve:

— Aonde vai, mocinho? O jantar já vai sair.

— Vou bater uma bolinha antes de comer...

— Onde? — perguntou Da. Amanda, desconfiada.

— Aqui em frente mesmo — explicou Duda.

— Tá bom — tranquilizou-se a mãe -, daqui a pouco eu te chamo para tomar um banho.

— Falou...

Contudo, quando ia saindo porta afora, parou e mirou na manchete do jornal que sua mãe lia: "Vampiro solto na cidade ainda é um mistério". Saiu correndo esbaforido.

Duda foi até a porta dos fundos de sua casa e gritou por Toninho, que logo depois aparecia para saber o que o amigo desejava.

— Rápido, Toninho! Precisamos fazer alguma coisa imediatamente...

— Calma, Duda, o que foi?

— O vampiro! Eu acabei de ver a manchete no jornal. Tem mesmo um vampiro solto na cidade.

— O quê? — exclamou Toninho, compartilhando do espanto com o companheiro.

— Vamos, nós temos que ir investigar aquela casa.

— Ir lá naquele prédio outra vez?!

— Não, Toninho, naquela casa da avenida Fontenelle — retificou Duda.

— Ué, mas você não vai jogar bola? — tornou Toninho, vendo a bola de futebol que Duda trazia debaixo do braço.

— Que jogar bola, moleque! — exclamou Duda, irritado. — Eu tinha que dar uma desculpa qualquer pra sair...

— Você tá doido, Duda! Esse vampiro anda solto por aí, chupando o sangue das pessoas, e eu ainda vou facilitar? Não vou mesmo, nem adianta contar comigo.

— Pô, Toninho, você vai me abandonar numa hora dessas! Eu preciso de você...

— O Ferretti falou pra você não atrapalhar ele no caso. Não se esqueça que nós não somos policiais. Ele não descobriu nada sobre a caminhonete?

— Ele já deve saber de tudo, mas não vai me dizer nem que a vaca tussa. Ele teve lá em casa conversando com a mamãe, aí, sem querer, ela acabou me dizendo o nome da funerária.

— E aí?

— E aí é que nós vamos lá na casa tentar descobrir alguma coisa por nossa conta mesmo.

— Mesmo que eu quisesse, minha mãe não ia deixar. Daqui a pouco sai o jantar, né?

— Não tem importância, Toninho! Pra todos os efeitos, você está jogando bola comigo...

— Não dá, Duda. Eu não vou. Eu não tô a fim de levar uma mordida no pescoço.

— Ô, Toninho, vamos! Eu preciso da sua ajuda, moleque!

— Não vou e pronto! — afirmou Toninho, irredutível. — Pode ser que assim você desista dessa ideia maluca. Se você quer enfrentar o vampiro, vá sozinho.

— Tá bom, vou sozinho. Mas se eu não voltar pro jantar, me faz um favor: vai lá no casarão amanhã de manhã me buscar com o Ferretti e o Elias, falou? Pode ser que o corpo fique inteirinho; afinal, os vampiros só precisam do sangue — chantageou Duda, bem ao seu estilo.

Dito isso, saiu de casa deixando a bola no jardim e seguiu pela rua dos Lírios...

Segundos depois, olhou para trás. Dessa vez Toninho cumprira a promessa: ficou olhando o amigo afastar-se sentado no muro.

Duda virou a cara orgulhoso e continuou a andar. Dobrou à esquerda no cruzamento da rua dos Lírios com a avenida Fontenelle e voltou a procurar por Toninho. Ele permanecera firme em sua posição.

Desta vez Duda teria de agir sozinho.