Na Linha do Tempo

3 Um sentimento muda tudo...muda o mundo (Parte II)


Enquanto andávamos pela calçada em direção a escola, eu já disse que tudo era próximo naquela cidade certo? Por isso dava para ir pra escola a pé.

Eu estava usando calça jeans preta e um casaco branco, enquanto a Maitê usava uma calça vermelha e uma blusa rosa. Sim ela amava roupas coloridas.

— E aí Mai, quando vai contar para seus pais que você escuta rock diabólico? – Tirei um sarro enquanto ela guardava o cd do Eminem na bolsa. – Você é uma garota americana.

— Se meus pais ainda se irritam com o exagero do fast food americano, tenho minhas dúvidas se conseguirei fazer progresso com o Eminem.

Havia uma placa enorme apontando um passeio de carroça que teria na escola. É isso mesmo que você leu...carroça.

— Ah eu tenho que ir nisso.

— No passeio de carroça? Você deve estar brincando? – Nós paramos um momento enquanto ela arrumava seu tênis.

— Minha mãe arrumou um encontro com um filho de um sócio do laticínio. Ele vai assumir o negócio do pai.

— Quantos anos ele tem? – Como assim te arrumou um encontro?? Eu fiquei imaginando se a ideia de casamentos arranjados era moda por essa região.

— 16.

Eu ri. Sério ri mesmo, e ela só me olhou como se eu estivesse louca.

— Meus pais gostam de planejar o futuro Charlie. – Ela acabou rindo comigo.

— Você vai leva-lo no passeio de carroça?

— Sim.

— Você está brincando né?

— Eu sei que parece estranho para você garota da cidade grande, mas esse passeio é bem legal. – Eu só ri. – Porque você também não vai?

— Não obrigada. Não vejo a graça de ficar duas horas sentada no frio a noite numa carroça, com um monte de feno na bunda.

Entramos no portão da escola, havia um garoto parado na porta. Eu olhei meio de relance para ele, porque ele estava bem na minha frente. Realmente Maitê tinha razão em dizer que havia garotos bonitos na escola. Baixei minha cabeça quando ele olhou na nossa direção.

No último tempo, o monitor me mostrou o meu armário.

— é só girar a chave até sua senha e você ouvirá um clique – o clique apareceu – e prontinho. Aqui está querida. Pode decorá-lo do jeito que quiser, menos danificá-lo.

— Obrigada. – Eu coloquei minha mochila no chão e comecei a tirar os livros para organizá-los no armário. Quando terminei me levantei mas peguei a mochila ao contrário, e os dois livros que levaria para casa bateram estrondosamente no chão.

— Droga. – Comecei a recolher e outras coisas menores que caíram dentro dela, quando me virei, dei de cara com um par de pernas a alguns centímetros do meu nariz.

— Nossa! Você parece Ruth Gordon, parado ai com o amuleto. Quase me mata de susto. Faça algum barulho.

— O bebê de Rosemary – uma voz profunda disse.

Eu empalideci e levantei os olhos ainda de joelhos no chão. E vi um corpo maravilhoso em jeans e camiseta preta. Levantei e por ser baixa tive que levantar um pouco a cabeça e vi o garoto bonito que havia visto mais cedo.

— É isso mesmo.

— É um ótimo filme. Você tem bom gosto. – Ele sorria para mim, tinha os olhos azuis. Ele era ainda mais lindo visto de pertinho assim.

Eu sorri um pouco tímida. Tinha vários amigos homens, não ficava muito envergonhada perto de garotos, somente daqueles que eu gostava. Mas aqueles olhos, me deixaram realmente sem graça. Acho que até fiquei um pouco vermelha.

— Minha família acabou de se mudar de Chicago para cá. Ainda não conheço todo mundo.

— Chicago hein? Oprah. – Meu deus o que está acontecendo com meu cérebro? Eu respirei fundo, querendo me transformar num avestruz e esconder minha cabeça num buraco no chão, mas ele não parecia querer correr de mim, então mudei de assunto. – Eu também me mudei a pouco tempo. Nós viemos de San Francisco.

— Eu sou o Dean.

— Oi Dean.

Ele arqueou as sobrancelhas enquanto mostrava o sorriso mais perfeito que eu já tinha visto.

— Oh...meu nome...é Charlie – Deus, ele deve estar achando que eu sou retardada. Respira Chalotte, respira. – Sou eu.

— Charlie? Nome peculiar.

— Charlotte na verdade.

— Charlotte, é um lindo nome.

— É o nome da minha mãe também – por favor alguém tampa a minha boca. – Ela me deu o nome dela – a minha boca estava com vontade própria. Já informei que falo demais quando fico nervosa? Pois bem, eu estou nervosa, porque os olhos dele e esse sorriso são realmente de outro planeta. – Ela estava no hospital e pensou já que os homens dão seu próprio nome para os filhos, ela como mulher também podia, e cá estou eu com o mesmo nome da minha mãe. O feminismo meio que tomou conta dela na hora. Mas eu acho que foi resultado da anestesia, ela não se dá muito bem com essas drogas farmacêuticas.

Ele continuava me olhando, encarando com aqueles olhos azuis.

— Eu juro que nunca falo tanto assim.

Deu a impressão que ele queria dizer mais alguma coisa, mas o sino tinha tocado e eu tinha que voltar para casa.

— Eu tenho que ir – ele disse, passando a mão pelos cabelos.

— Claro.

— Eu tenho que procurar emprego ainda.

Os alunos começaram a surgir, indo em direção aos armários, retirando seus materiais, e indo em direção a saída. Mas nenhum dos dois queria sair dali ainda.

— Isso é ótimo.

Ele arregalou um pouco os olhos, e agora ele parecia um pouco sem graça.

— É que eu tenho te observado.

— Tem me observado?

— Não observado, como um psicopata sabe – daí ele ergueu as mão como se fosse me atacar e fez uma voz meio de terror – to te observando. – Eu ri da sua imitação de psicopata louco. – Só tenho, sabe...reparado em você.

— Quando?

— todos os dias, desde que eu cheguei...eu moro bem ali. — Ele apontou para uma casa amarela que ficava a poucos quarteirões da doceria da Maite, a minha casa ficava atrás da dele. – e eu vejo você ir todos os dias a tarde naquela árvore bem ali – ele apontou para um enorme salgueiro e deu pra perceber que a arvore ficava bem em frente a casa dele, como eu nunca o tinha visto? – e enquanto você lê, não tira os olhos do livro – ele se aproximou um pouco de mim – Semana retrasada foi Madame Bovary, e essa semana Moby Dick, acredito que já esteja quase acabando de lê-lo.

— Mas por que você ficou reparando em mim?

— Porque você é muito bonita...e é bom ficar olhando para você. E você se concentra de um jeito na leitura que nunca vi ninguém fazer. Então eu disse a mim mesmo, eu tenho que conhecer essa garota.

Eu apenas sorri como uma adolescente boba.

****

Minha mãe ficou meio preocupada, pela minha demora, mas eu disse a ela que tinha ido até na loja da mãe da Maitê, e meio que perdi a noção do tempo....lógico que não disse com quem eu fui, mas ela deve ter imaginado que fiquei lá com a própria Maitê.

Minha mãe estava meio estranha hoje, um pouco aérea...acho que a cidade era pacata demais para uma mulher com tanta energia como ela.

— Mãe quer ir tomar um chá? – Já era quase oito horas da noite, talvez fizesse bem a ela, sair um pouco de casa. Meu pai ainda não havia voltado da fazenda.

— Claro querida, vamos sim. – Ela respondeu animada.

Entramos na loja da Sra. Patrícia, ela serviu duas xícaras de chá para minha mãe e eu.

— Ah Charlotte querida, diga ao seu amigo que eu conversei com o Sr. Heitor e ele tem uma vaga no supermercado, é para ele ir lá amanhã.

— Obrigada. — Falei não dando muita importância, já que minha mãe me olhou com uma cara de interrogação.

— Que amigo?

A sra. Patrícia respondeu por mim.

— Um garoto muito bonito e simpático, eles ficaram a tarde inteira aqui conversando hoje.

— Hum. – Minha mãe sorriu pra sra. Patrícia. Eu conheço esse sorriso. Droga. Quando a sra. Patrícia saiu, ela se virou instantaneamente para mim.

— Conte-me sobre o rapaz.

— Sabe o que é legal no nosso relacionamento, mãe? A compreensão sobre a necessidade de privacidade. Você realmente sabe os limites.

— Sim, eu sei. Então me conta sobre o rapaz.

— Mãe!

— Ele é um sonho? – ela tinha os olhos brilhando,..sim minha mãe fica extasiada quando descobre que estou apaixonada. Ela sabia sobre o James em San Francisco, o garoto do Oi.

— Isso é tão Oprah mãe.

— Eu vou descobrir de qualquer forma

— É mesmo? Como? – Eu mergulhei um dos pãezinhos no chá e comi.

Ela fez uma cara como se a resposta fosse óbvia. – Eu sou mãe, eu vou espionar – eu ri e ela também.

Continuamos conversando por mais algum tempo antes de voltar para casa.

Cara, como eu amo a minha mãe.

Notas finais
O final do capítulo. Não deu pra postar ele inteiro outro dia, foi mal. Bom vejo que muitas pessoas leram..mas ninguém comentou ainda...tá tão ruim assm, que não merece nem um comentariozinho?? Please!!! Eu vou gostar de saber o que você estão achando. Até mais gente, bjs*